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  • há 4 semanas
O capixaba Rafael Furlanetti é o convidado da sexta edição do videocast Papo de Valor

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00:04Olá pessoal, tudo bem? Mais uma edição do Papo de Valor, sexta edição, Papo de Valor,
00:10que é o nosso videocast para falar dos negócios, da economia aqui do Espírito Santo e trazer
00:16gente interessante para cá. E hoje o meu convidado é um capixaba de São Gabriel da Palha,
00:2437 anos, Rafael Furlanete. Furlanete ou Furlanete? Depende, né? Aqui no Espírito Santo é Furlanete,
00:31aí eu fui para São Paulo e virou Furlanete, agora virou Furla. O que é importante é que as pessoas
00:35nos chamem, né? Exatamente. Então assim, a gente está à disposição do cliente, né? Então se ele chamar,
00:39a gente está lá à disposição. Bom, enfim, o Furlanete, Furlanete, ele é o sócio e diretor institucional da XP,
00:48é um dos funcionários mais antigos da XP, que é uma das grandes, das maiores casas de investimento
00:55aqui do Brasil. E ele é um dos capixabas hoje, sem a menor sombra de dúvida, mais influentes e bem
01:04relacionados do Brasil. Quem acompanha o Furlanete sabe que ele está na Arábia Saudita, está nos Estados
01:09Unidos, está em Brasília, claro, em São Paulo, onde ele mora. Mas então é São Gabriel da Palha também, né?
01:13São Gabriel da Palha. Então o importante é rodar. Ele é diretor, desde o ano passado, da FEBRABAN,
01:19que é a Federação Brasileira de Bancos, uma das entidades mais poderosas e importantes do Brasil.
01:25E temos uma novidade, né? A novidade o que é? Que a partir de agora, a partir desta semana,
01:30ele vai escrever quinzenalmente para a Gazeta. Quem conhece, quem acompanha o Furlanete,
01:37ele sabe que ele saiu do Espírito Santo há 20 anos para estudar em São Paulo, mas o Espírito Santo
01:43nunca saiu dele. Então, o que você está querendo nessa sua nova... O que você está querendo?
01:49O que você vai mostrar para o nosso leitor, para o nosso... Para quem vai te acompanhar aqui
01:55por a Gazeta? O que você vai querer mostrar para essas pessoas?
01:57O Ábido, para mim, é uma honra estar aqui na Gazeta, né? Um grupo capixaba que tem tudo
02:02a ver, né? Faz parte da história do Espírito Santo, né? Eu li os jornais, chegava na minha casa,
02:07lá em São Gabriel da Palha, e para mim é uma honra estar aqui hoje nessa empresa, que é uma
02:12passagem da história do Espírito Santo, né? Você me chamou para fazer esse bate-papo
02:16aqui, que eu já estava te devendo um tempo, né? Você sabe que eu tenho uma vida muito
02:19corrida, porque eu acabo ali atendendo todos os clientes da companhia, que a gente tem
02:24grandes negócios, então eu, às vezes, acabo amanhã num lugar e durmo em outra cidade
02:29ou em outro estado, então é... Mas quando você me chamou, aí eu fiquei pensando assim,
02:34eu sou capixaba, nasci em São Gabriel da Palha, né? Minha mãe é professora, ela é professora
02:41no ensino público, capixaba, aposentada, né? Deu aula a vida toda na quarta série, né?
02:48E graças a Deus, assim, minha família se juntou, eu pude estudar aqui em Vitória, em Vitória
02:54eu aprendi muita coisa e aprendi que dava para sonhar grande, dava para pensar alto, e aí eu fui
03:02fazer faculdade em São Paulo e tive a chance de ser um dos primeiros sócios da XP em São
03:11Paulo, a XP começa em Porto Alegre, vai para o Rio, em São Paulo ela começa em 2009, eu
03:18chego em 2010 e eu pensei comigo, assim, na minha época de estudante lá em São Gabriel
03:25da Palha, as referências que contribuíram para eu estar aqui hoje, né? Então é muito
03:30comum, se na cidade interior, você ir à missa de domingo, né? Você põe sua melhor roupa,
03:34vai à missa e depois você vai comer um lanche, naquelas lanchonetes ali de cidade, né?
03:38Eu adoro comer o cheese bacon com a vitamina mista, né? Eu estava ali com os amigos ali,
03:43do colégio, né? Discutindo a semana, como é que está essa semana de provas, a gente
03:48está preocupado com aquilo ali, e aí chega o filho do dono, um empresário da cidade,
03:55com um carro super bacana, chique, e ali ele senta com a gente se gabando que ele não
04:00estudava. E eu ali sou preocupado com as provas da semana e meus amigos também, esses amigos
04:06que eu tenho até hoje cultivo, né? E aí eu fiquei pensando comigo mesmo, assim, olha,
04:10será que a referência para o jovem aqui de São Gabriel da Palha, de Colatina, de Nova
04:15Enécia, é olhar esse exemplo aqui, que o estudo não vale a pena? Eu sendo filho de professores,
04:21assim, será que tem um jeito de ter sucesso por meio do estudo, da dedicação? Então
04:27a minha vida toda, assim, se eu puder deixar um legado para quem conviveu comigo lá no
04:33interior do estado, colegas de colégio, do início, assim, que cuidem da educação dos
04:39seus filhos, porque por meio da educação você pode progredir, né? Então, assim, eu
04:45lembro, assim, eu estudei na Copés, que é um colégio cooperativo, lá de São Gabriel
04:50da Palha, né? E aí eu assisti uma palestra do doutor Dário Martinelli, né? O doutor
04:54que é o pai do café Conilon, né? A história, né? O Espírito Santo ali estava tendo aquela
05:01época do café muito ruim, né? Onde o governo pagava para você tirar a pé de café, o doutor
05:06Dário foi lá, estudou o modelo do café Conilon, trouxe para São Gabriel da Palha, criou
05:13o plantio de curva de nível, né? Que era um negócio que não existia, né? Então criou e ele
05:19fui dar uma palestra lá no meu colégio, falou da entrada do Vetinã no mercado e como
05:25a entrada do Vetinã ia impactar o café em São Gabriel da Palha, né? Então, assim,
05:29olha, existe um mercado global, né? Aquela sementinha que ele plantou ali de você olhar,
05:34olha, existe um mercado, é um mercado de commodities que é global, então olha o que aquilo ali
05:38contribuiu com quem eu sou hoje, né? Eu por muitas vezes, né? Você tinha aquela antena
05:44parabólica em casa, até Telesat, né? E a gente de domingo ouviu os programas do doutor
05:49Lair Ribeiro, da TV Cultura, que ficava falando ali de empreendedorismo ou do professor Marins,
05:56então você ficava vendo aquilo, né? Hoje, como que a gente é feliz, impactado. Então,
06:03assim, eu diria que, assim, se eu conseguir mudar a cabeça de dois, três capixabas que
06:09estão escutando a gente, eu, graças a Deus, hoje eu tenho o privilégio de sentar
06:13numa cadeira onde o Brasil passa pela gente, né? Então, todos os grandes empresários
06:17vão à XP, todos os grandes investidores do Brasil e do mundo estão ali, então eu
06:22vejo muita coisa, então seria, assim, o mínimo que eu posso retribuir com o Estado do Espírito
06:28Santo é tentar trazer algumas ideias, algumas coisas que eu vejo da cadeira que eu estou,
06:35que pode contribuir com o cidadão capixaba, com o estudante, com qualquer pessoa que venha
06:41nos ler. Então, no final das contas, foi um pedido que eu não podia recusar porque eu
06:47nasci aqui, eu devo muito a esse Estado, né? A minha família daqui, eu faço questão de
06:51voltar aqui, tenho bons amigos aqui, então vai ser um prazer poder, de alguma forma, contribuir
06:57aí com você que nos escuta, você que é estudante, você que é empresário, você que
07:01está aí começando a vida, ou que você já é um empresário estabelecido, se a gente
07:06de alguma forma te der alguma ideia que consiga abrir sua cabeça ou alertar para outro ponto,
07:11eu vou ficar muito feliz, ainda mais se você cuidar da educação do seu filho e ajudar
07:15a educação das pessoas, porque educação é o melhor meio para a gente se progredir
07:19na vida, eu acredito muito nisso.
07:20E olha como é que é importante, você falou do Dário Martinelli, lá nos anos 70, que
07:24é a questão do Conilon, agora, números divulgados agora, recentemente, recentemente
07:28não, essa semana, pelo Centro Comércio de Café de Vitória, o Espírito Santo bateu
07:34recorde depois de 21 anos de exportações de café, mais de 8 milhões de sacas, e o
07:41café Conilon é responsável por gigantesca parte disso, você imagina, a gente vivia um
07:46momento de erradicação dos cafezais, um dos momentos mais graves da história econômica
07:51do Espírito Santo, e uma sementinha literalmente plantada lá atrás, mudou esse cenário.
07:58Olha como é que é importante conhecer as coisas e ter referências.
08:03Você falou um negócio interessante aí, que você está numa cadeira hoje por onde passam
08:10muitas pessoas, você citaria um ou dois exemplos que você acha interessante contar aqui para
08:18quem está nos ouvindo?
08:19Toda vez que eu estou dando palestra e estou em evento, eles falam assim, pô, Furnanete,
08:24o Brasil, ele pode virar uma Venezuela, o que você acha?
08:28As pessoas ficam preocupadas com algumas coisas.
08:31O Brasil tem uma classe empresária muito forte que não tem plano B, ele tem que dar certo
08:37aqui, é diferente do Venezuelano, que foi para Miami, que mudou de lá, então você
08:41vai assim, para qualquer lugar do Brasil, você vai para o sul do Brasil, outro dia desse
08:45eu estava lá em Passo Fundo, cheguei em Passo Fundo, fui lá conversar com um empresário,
08:50eu sempre começo a minha abordagem, me conta a sua história de vida, porque quando você
08:55escuta a história de vida da pessoa, você aprende muito.
08:58Aí esse empresário falou, olha, eu tinha uma pequena farmácia aqui na região de Passo
09:03Fundo, eu sou numa cidade aqui ao lado, e aí começou a vir um grande concorrente,
09:07nosso, que é a maior rede de farmácias do sul, que se chama Panvel, começou a vir
09:12para cá, eu fiquei muito com medo da concorrência, aí eu abri mais uma loja para me proteger,
09:17deu certo, aí eu abri mais uma loja e fui abrindo loja, falei, mas quantas lojas o senhor
09:22está hoje?
09:23Mão, estão batendo mil lojas, eu falei, mil lojas, então assim, então essa história
09:27é muito bonita, essa história é do seu Pedro, da drogaria São João, que é uma das maiores
09:32redes de farmácia do Brasil, começou lá em Passo Fundo, eu me lembro quando a gente
09:36foi para o Nordeste conhecer o seu Wilson Matheus, o grupo Matheus, que hoje é um grande
09:40expoente do Brasil, mas o seu Wilson, por exemplo, é um jovem que queria ficar rico e ele foi
09:47trabalhar no garimpo de Serra Pelada, ele viu que ia ser muito difícil ele ficar rico
09:52ali no garimpo e ele voltou para uma cidade chamada Balsas, no Maranhão, e ele descobriu
09:58que ele tinha uma rota muito interessante para você revender refrigerantes.
10:02Então ele ia em Imperatriz comprar refrigerantes e revender esses refrigerantes na região.
10:07O refrigerante que sobrava, ele deixava numa loja, loja Matheus, e que depois virou um
10:14supermercado, e que hoje está entre as quatro maiores redes alimentistas do Brasil, acho
10:20que o grupo, o ano passado, faturou 30 bilhões de reais, e nós em 2021 a gente fez um aumento
10:27de capital na companhia, o mercado aportando quase 4 bilhões e meio de reais na companhia
10:31para poder abrir loja, gerar emprego.
10:34Então os maiores empregadores do país, uma história que começou do zero, uma história
10:38de superação.
10:40Então eu acredito que isso possa motivar muitas pessoas, eu acredito que toda vez que a gente
10:47espalha a semente do empreendedorismo, a gente com certeza vai colher um país melhor,
10:52porque é o cara vendo lá que aquilo dá certo, que ele vai copiar, eu vou tentar também,
10:57e acaba dando.
10:58E o Capixaba é um povo muito empreendedor, né?
11:00Aqui você tem histórias maravilhosas, né?
11:02De empresas capixabas que construíram grandes fortalezas, né?
11:07Essa semana mesmo eu estava com o Calmer e o Riga do Grupo Há Branca, né?
11:11Que é um dos maiores grupos empresariais do Brasil, que nasceu aqui como transporte de passageiros,
11:17em Há Branca, perto de Colatina, de São Gabriel da Palha, e hoje é um grupo aí
11:20que emprega mais de 20 mil pessoas, está em vários setores da economia e que com certeza
11:26inspira o Capixaba e inspira o brasileiro a empreender.
11:29Então eu sou muito feliz de ver isso, além de ver exemplos de empreendedorismo, ver
11:36novas tecnologias, novas ideias, ábito, assim.
11:40Vou te dar um dado, né?
11:42A gente está na era da inteligência artificial, né?
11:44Então todo mundo está falando de inteligência artificial no mundo todo, né?
11:50A palavra da moda, né?
11:51Sim.
11:52Então existe um aplicativo que chama ChatGPT.
11:55O que esse ChatGPT faz?
11:57Ele é uma inteligência artificial, então você coloca lá, por favor, escreve para mim
12:00aí um discurso de abertura para a entrevista do hábito.
12:04Ele vai lá e vai escrever alguns pontos com base na inteligência artificial daquilo que
12:08você está querendo escrever.
12:10ele é muito bom e eu uso bastante para escrever e-mail, né?
12:13Então você escreve um e-mail para o hábito pedindo uma reunião tal dia, coloca a pauta
12:19da reunião essa e rapidinho ele escreve para o inglês.
12:22Então assim, a inteligência artificial vai ter um ganho de produtividade muito relevante
12:27para a economia.
12:29Agora, vou te dar um dado.
12:32Quanto que consome um dia de uso do ChatGPT de energia?
12:37Você tem noção?
12:39Não.
12:39Números de casa, tá?
12:41Um dia de uso do ChatGPT, porque são vários processadores, né?
12:45Consome o equivalente a 26 mil casas de um morador americano.
12:51O americano ele gasta muita energia.
12:52Consome muito mais.
12:53No ano.
12:54Um dia do uso do ChatGPT consome o equivalente a 26 mil casas de um residente americano no ano.
13:04Então você imagina, a gente está num mundo cada vez mais com preocupação ambiental.
13:10Da onde que vai vir essa energia?
13:12Vai vir do carvão da China, do carvão da Índia, do óleo, ou vai vir das hidroelétricas,
13:19vai vir das termoelétricas, vai vir das eólicas.
13:23Então o Brasil é muito abençoado com isso, porque assim, a nossa matriz energética já é renovável.
13:28E com o potencial de melhorar ainda mais, você falou de eólica, solar.
13:31Exatamente.
13:32Agora estão se discutindo colocar bateria em projetos solar.
13:36Porque hoje a grande produção do solar é ao dia, porque está sol, só que o consumo é à noite.
13:42Então já está se estudando colocar bateria nos campos, nas fazendas solares,
13:47para você poder armazenar essa energia e consumir à noite.
13:51E o Brasil já sai muito na frente, porque mudar uma matriz energética de um país, são décadas.
13:56A China, 90% da matriz dela é carvão.
13:59A Índia, que talvez é a bola da vez, é o país que vai apresentar muito crescimento,
14:04uma população gigantesca, com muita falta de infraestrutura,
14:08tem uma matriz energética muito poluente.
14:11Então assim, às vezes a gente está pensando aqui algumas coisas que acontecem lá fora,
14:17que o Espírito Santo já sai na frente.
14:18A gente está falando agora da falta de cacau no mundo, onde o Espírito Santo é um produtor.
14:24Então assim, eu acredito que tem muita coisa boa que a gente vai pescar por aí,
14:29que com certeza o capixaba vai usar no seu dia a dia.
14:32Talvez nessa ideia aqui saia, nesses podcasts saiam ideias de empresas novas aqui no Espírito Santo.
14:38Olha que maravilha.
14:39Então bom, o que não vai faltar é assunto.
14:41E você falou que o Brasil e o Espírito Santo também tem uma classe empresarial muito inovadora,
14:50muito boa, você usou a expressão boa.
14:53Só que para a gente conseguir crescer, para o empresário, para a economia conseguir crescer,
14:59precisa de bons fundamentos.
15:00A gente teve, vou entrar um pouquinho mais naquela parte da economia do dia a dia.
15:07A gente teve o primeiro semestre de alguns ruídos, bate-boca do presidente da República
15:12com o presidente do Banco Central, questionamentos com relação ao fiscal.
15:17Eu lembro que eu conversei com você, tem quase um ano, e a expectativa era até de um juro abaixo
15:23de 9%
15:24no final agora de 24.
15:26A gente está com um juro de 10,5% e pouca gente aposta que ele vai cair mais até
15:31o final do ano.
15:32Aliás, há duas, três semanas falava você até em subir juro.
15:36Como é que você está vendo, depois de um primeiro semestre tão ruidoso,
15:39como é que você está vendo esse restinho de ano e 2025?
15:44A primeira coisa, o ruído cobra preço para tudo.
15:49Agora é importante dar um passo atrás e voltar lá para a pandemia.
15:53Na pandemia estava todo mundo sem saber o que ia fazer, os grandes formuladores de política pública.
16:00Então a solução que se achou naquela época foi a mais simples, talvez,
16:05que era vamos encher a economia de dinheiro.
16:07Então foi feita uma grande emissão de moeda no mundo todo, de uma forma muito rápida.
16:13Quando você olha a quantidade de dinheiro que entrou na economia em um ano durante a pandemia,
16:18talvez foi o que entrou em oito anos durante a grande depressão de 1930
16:23ou durante a crise de 2008, do subprime, lembra aquela crise imobiliária?
16:28Durante oito, nove anos.
16:29Então colocou-se na ânsia de não errar, vamos colocar muito dinheiro na economia
16:35e vamos colocar muito rápido esse dinheiro.
16:37Então a economia decolou, segurou e agora como é que a gente pousa esse avião,
16:42esse jumbo que está voando e está voando muito forte?
16:45Não dá para a gente falar de Brasil sem olhar a economia americana,
16:49porque você primeiro tem que aterrissar a economia americana para poder falar de Brasil.
16:53Quando eu conversei com você, lá no início de 2023, salvo engano,
16:57a expectativa sim era de um juros de um dígito no país.
17:00Até porque a expectativa naquela época era que os Estados Unidos começaria a cortar juros
17:05ali em março, no início do ano, que acabou não acontecendo.
17:10Os Estados Unidos, a gente vai falar de corte de juros,
17:13a XP acha que corta lá para dezembro desse ano,
17:16o mercado já acha que corta em setembro desse ano,
17:20mas não dá para o juros no Brasil cair tanto
17:23antes que a economia americana aterrise, aterrise de forma suave
17:26e aí você começa o processo de queda de juros lá fora.
17:30Então, assim, o que eu estou querendo te falar é que todos esses desafios fiscais,
17:35econômicos e os ruídos que tiveram, eles foram agravados por uma questão
17:39de que os Estados Unidos, ele ia cortar juros e acabou não cortando.
17:45Então, a temperatura ficou mais alta.
17:47E aí a gente deu um pouco de azar, porque eu me lembro,
17:50quando o ruído começou aqui em março, por aí desse ano,
17:54a gente estava no encontro do FMI em Washington,
17:56o encontro que todos os economistas vão e presidentes de Banco Central,
18:00e ali se falou numa mudança da meta fiscal no Brasil,
18:04que acabou acontecendo, o mercado já precificava,
18:07mas foi justamente numa época onde o humor do mercado global
18:11já estava um pouco mais ruim.
18:13E aí, de fato, você teve uma piora da moeda,
18:16você teve uma piora da curva de juros.
18:18O importante para você que está escutando a gente
18:19é lembrar que no mercado as pessoas são pagas
18:24para tentar adivinhar o futuro.
18:25E isso é refletido em preço.
18:27Então, o juro que você toma um empréstimo
18:29para comprar sua casa, sua moto ou uma televisão,
18:33ele é com base numa curva de juros futura.
18:36E isso teve grande impacto durante o mercado.
18:38Não é na taxa Selic que você toma um empréstimo,
18:42é na expectativa futura.
18:43Então, teve ali muito barulho, teve ruído.
18:45Mas eu acredito que, por outro lado,
18:49o governo mostrou um pragmatismo,
18:51que foi o seguinte.
18:53Eu acredito que o governo começou a fazer
18:55um primeiro ajuste para o lado da receita.
18:58Então, vamos aumentar o imposto,
19:00vamos corrigir gastos tributários também.
19:04Não deixa de ser um gasto,
19:05um incentivo fiscal,
19:07uma BNESC que dá para o setor A, B ou C.
19:09Vamos discutir isso aqui, que é importante.
19:12Então, isso teve uma recomposição de receita
19:14e barra aumento de imposto.
19:16A gente chama do que quiser,
19:17mas, de fato, se recompôs a receita.
19:19Só que chegou um momento que o Congresso falou
19:20opa, não dá mais, eu não aceito mais.
19:23E aí, ficou um período um pouco tenso ali,
19:28declarações sim do presidente contra o Banco Central,
19:31ou declarações um pouco preocupantes
19:35com relação à política fiscal.
19:38E aí, o câmbio acabou dando uma estressada.
19:40O dólar foi para R$ 5,70.
19:42Mas, pouco depois, a realidade chegou
19:45e o governo veio com quase custos de quase R$ 26 bilhões,
19:49um discurso mais pé no chão.
19:50Esse câmbio saiu de R$ 5,70 para R$ 5,40, R$ 5,30,
19:53que está hoje.
19:54Então, o ruído cobra muito.
19:58É interessante se analisar o Brasil
20:01com relação ao México.
20:02São dois países emergentes.
20:05E aí, ábido,
20:06o México faz talvez mais besteira que a gente,
20:09do lado fiscal,
20:10só que ele faz menos barulho.
20:11É como se ele fizesse, talvez,
20:17mais erros econômicos,
20:18porém precedidos de menos barulho.
20:20Aqui a gente faz mais barulho
20:22e acaba não errando tanto.
20:23Mas esse barulho cobra um preço muito alto.
20:26Agora, você falou do corte de gasto.
20:28A sociedade cobra muito um corte de gasto
20:31por parte do governo federal.
20:33Você falou do Congresso.
20:35A sociedade também cobra.
20:36O ministro Fernando Haddad,
20:38ministro da Fazenda,
20:39falou, está indicando um corte de R$ 26 bi,
20:42quase R$ 30 bi dos gastos.
20:47Você enxerga que é possível, é factível?
20:51Por onde que deve vir isso daí, você imagina?
20:53A gente esteve lá, recentemente, faz uma semana,
20:57eu, presidente do banco, o José Berenguer,
20:59e o Caio, que é o nosso economista-chefe.
21:01E aí, do ponto de vista do ministro Fernando Haddad,
21:04o que ele nos disse é que não tem nenhum coelho da cartola.
21:08Esses R$ 26 bi viriam de seis, sete medidas,
21:11dois, três, quatro bi cada uma,
21:13que seria, de certa forma,
21:18execuível.
21:19Não seria nenhuma grande perda
21:21para algum grande setor
21:22ou algum corte de despesa
21:24que afetaria muito o XYZ.
21:26Então, nos deu algum conforto.
21:28É óbvio que agora vem a parte do detalhamento,
21:31execução disso,
21:32que o mercado tem acompanhado.
21:35Expectativa que saia logo, né?
21:37Exatamente.
21:37Agora, é importante frisar,
21:38porque a gente fala muito da questão macro,
21:40mas isso impacta, né?
21:42Você falou...
21:42A dona Maria.
21:43Exato.
21:44Porque, assim, quando...
21:47Todos esses ruídos que a gente viveu
21:49no primeiro semestre,
21:51a taxa de juros, a expectativa,
21:52era que fosse a 8,5, 9.
21:54Ficou em 10,5.
21:55Como é que...
21:57Se o governo fizer o dever de casa,
21:58o Haddad apresentar lá 30 bi,
22:0026 bi de corte de gasto,
22:02como é que isso impacta no dólar, né?
22:04Que isso...
22:05Dólar?
22:06Combustível?
22:06Alimento?
22:07Como é que isso impacta no juro,
22:08que é o sujeito que quer investir?
22:10Como é que isso impacta no crescimento do país,
22:12você imagina?
22:12É.
22:14Outro dia desse,
22:15eu fiz uma fala
22:15que, assim,
22:16a maior beneficiada da política fiscal boa
22:18é a dona Maria, né?
22:20Porque a dona Maria,
22:20ela não consegue comprar dólar,
22:22ela não consegue mandar dinheiro
22:23para fora do Brasil,
22:24ela não consegue comprar um título,
22:26atrelado à inflação,
22:28para se proteger da inflação,
22:29coisas que o rico consegue fazer, né?
22:32Então, assim,
22:32no final das contas,
22:34ela quer...
22:34O poder de compra dela é preservado
22:36e ela consegue viver melhor
22:39numa boa política fiscal.
22:40Mas o que é o fiscal, né?
22:42É um negócio meio abstrato, né?
22:44Sim.
22:45Então, assim,
22:45o fiscal é como se fosse a conta lá da sua casa, né?
22:48Então, assim,
22:50lá em São Gabriel da Palha, por exemplo,
22:52tem lá...
22:52Eu lembro da época
22:54que a gente estava apertado, né?
22:56Estava apertado,
22:57tinha empresa, né?
22:58E aí,
23:00uma coisa que me marcou muito...
23:01Você lembra da Teleste?
23:02Sim.
23:03Que era a empresa de telefone?
23:04A Teleste tinha um negócio
23:05que quando você não pagava o telefone,
23:08ele ficava assim,
23:09ele ficava dando uns bips,
23:10você era...
23:10Tu, tu, tu...
23:13Eu lembro que onde você não pagava a conta,
23:15você podia receber a chamada.
23:16Mas eu lembro que quando ficava muito triste,
23:18quando você pegava o telefone,
23:19ele ficava mudo.
23:21Porque você não podia nem receber,
23:22nem fazer chamada.
23:23Então, você estava indo ali...
23:24Cortou o telefone.
23:25Eu lembro disso.
23:26Aí, minha mãe falava,
23:27é, realmente,
23:28cortou o telefone.
23:29As coisas são difíceis lá na empresa do seu pai.
23:32Agora, a gente tem que começar
23:34a cuidar melhor das contas de casa.
23:36Então, Rafael, olha,
23:38maneira lá no que você vai gastar de merenda,
23:42é...
23:42Cuida,
23:43você vai ter que gastar menos.
23:45Olha,
23:45o transporte escolar que você ia,
23:48não vai ter mais.
23:49Então, você vai de carona com um amigo seu
23:50ou vai voltar a pé do colégio.
23:53Então, assim,
23:54ela falava a verdade pra gente.
23:56Porque a primeira coisa
23:58que a gente tem que fazer
23:59numa situação
23:59que você está enfrentando uma crise
24:01é nivelar a informação
24:02e falar a verdade
24:03pra você tentar sair dessa crise.
24:05E os sinais são muito importantes.
24:06Então,
24:07eu estou falando isso tudo
24:08porque quando você transfere isso
24:09pra sua vida,
24:10você consegue entender
24:11que o governo,
24:12ele,
24:13assim como a nossa família,
24:15ele também tem contas a pagar
24:17contas a receber.
24:18Só que lá,
24:19essa conta é distribuída
24:20por todos nós.
24:21Então,
24:22o Brasil,
24:23ele tem uma relação da dívida
24:24com relação ao PIB
24:26ainda alta.
24:27Então,
24:29cresceu bastante
24:29na época da pandemia,
24:30depois diminuiu
24:31porque a gente teve uma surpresa
24:32de arrecadação,
24:33mas a gente está na média
24:34ali de 70%,
24:3675%
24:37dívida PIB.
24:38Na média dos países emergentes,
24:40como o Brasil,
24:41isso é 50%.
24:42Então,
24:42a gente sempre está com um pouquinho
24:43a corda no pescoço.
24:45Então,
24:45é por isso que o juro é alto.
24:47O juro,
24:48ele não é alto
24:48porque os bancos são malvados.
24:51Quem está ali
24:54gerindo o dinheiro na ponta
24:55é gerindo o dinheiro seu,
24:57que tem uma previdência,
24:59do professor,
25:00que tem uma previdência,
25:01do aposentado,
25:02que tem uma previdência,
25:02ele tomando decisões
25:03todo dia,
25:04desculpa.
25:05Está tomando decisões
25:06todo dia ali
25:07para ver
25:07alocar ou não o dinheiro.
25:09E toda vez que você
25:11tem sinais
25:11que você não está fazendo
25:13o seu dever de casa
25:14para poder diminuir
25:15a sua dívida,
25:15esse juro aumenta
25:16lá na ponta.
25:17Então,
25:18voltando para o nosso exemplo,
25:19é como se naquela época
25:20que a gente estivesse
25:21enfrentando a dificuldade
25:22lá na minha família,
25:23a gente estivesse
25:24trocando de carro.
25:26As pessoas que a gente devia
25:27falavam assim,
25:28olha,
25:28esse cara aí está trocando de carro,
25:30mas está me devendo.
25:31Então,
25:31espera aí,
25:32se ele precisar de dinheiro de novo,
25:32eu vou cobrar mais juros dele,
25:33porque do jeito que ele vai quebrar.
25:35Então,
25:36esses sinais
25:37de austeridade
25:38são importantes
25:39porque
25:39para o mercado
25:41importa o futuro.
25:43Na maneira que se sinalizou
25:45que você vai fazer
25:46algum corte de gastos
25:48e que essa trajetória
25:49da dívida
25:50será menor,
25:51o juro futuro,
25:52que é onde você
25:53toma empréstimo,
25:54eu tomo empréstimo,
25:55a Ana Maria
25:55toma empréstimo
25:56para comprar a TV
25:57dela lá da Casa Bahia,
25:59esse juro cai.
26:01Então,
26:01assim,
26:01são sinais importantes.
26:02O dólar
26:03acomoda,
26:04o dólar
26:04tem com relação
26:05à inflação,
26:06se o dólar está menor,
26:07a inflação cai.
26:08Então,
26:09o poder de compra
26:09da população
26:10aumenta.
26:10E aí,
26:11o giro da economia
26:12fica maior
26:12e,
26:12consequentemente,
26:13o crescimento
26:14é maior.
26:14Exato.
26:15E é errado pensar
26:16assim,
26:17ah,
26:17o poder público
26:18tem que investir.
26:19O poder público
26:20tem que estimular
26:22as pessoas
26:24a investirem,
26:25dando confiança
26:26de que
26:26as coisas
26:27estão estáveis.
26:28Ele tem que investir
26:29nas áreas
26:30mais necessárias,
26:32saúde,
26:33educação,
26:35alguns projetos
26:36de infraestrutura
26:37estimulando,
26:38mas não sendo
26:39o grande investidor.
26:40O principal indutor.
26:41Você olha,
26:42se fala assim
26:42do segundo
26:43mandato do Lula,
26:44do investimento
26:45público.
26:46No segundo
26:47mandato do Lula,
26:49o percentual
26:50do investimento
26:52público
26:52no Brasil,
26:53que foi o ápice,
26:55você sabe quanto
26:55foi em relação
26:56ao PIB?
26:57Não me recordo.
26:581,5%,
26:58foi o ápice.
27:00No Brasil
27:00se investe
27:01de 18%
27:02a 20%
27:03do PIB.
27:04Então,
27:04no ápice do ápice do ápice...
27:05O poder público
27:06com o e-mail...
27:07O que é o restante?
27:08É você e eu,
27:10o empresário
27:11confiante
27:12da economia
27:12que fez o seu ajuste
27:14investindo.
27:15Então,
27:16você colhe muito mais
27:17de uma boa gestão
27:19pública,
27:19uma gestão
27:21organizada.
27:21Que dê confiança
27:23para o...
27:23Porque a gente está falando,
27:24vamos botar 20%,
27:25tem tempo que a gente
27:25não chega a 20%.
27:26Tem tempo.
27:27Mas vamos botar,
27:28a gente coloca
27:28os 18,5%
27:30para rodar
27:30se você der confiança.
27:31É muito melhor
27:32do que você
27:32querer fazer aquilo.
27:33Você não dá conta
27:34de fazer.
27:35A matemática
27:36não fecha.
27:37Vamos dar uma acelerada
27:38aqui no nosso
27:40bate-papo.
27:43Regulamentação
27:43da reforma tributária.
27:45Eu também conversei
27:45com você
27:46lá há um ano
27:48quando a gente
27:48trocou aquela última ideia
27:49e você estava animado
27:50com a reforma
27:51que tinha passado,
27:52a PEC,
27:53que tinha passado
27:53pela Câmara.
27:54Exato.
27:55Passou pelo Senado,
27:57agora a regulamentação,
27:58que é aquele texto
27:59mais denso,
28:00está passando pela Câmara.
28:02Algumas foram abertas,
28:03algumas exceções,
28:04estou falando até
28:05de subir um pouquinho
28:06o valor do IVA
28:07para comportar as isenções.
28:10Você ainda está
28:11tão otimista
28:11como você estava
28:12no ano passado?
28:13Você lembra que eu falei
28:14para você,
28:15a reforma tributária,
28:17a direção está correta.
28:19Você tem um grande
28:21pensador da reforma,
28:22há muitos anos
28:23que é o Bernardo Apir,
28:23que é o secretário
28:24da reforma,
28:26o conceito
28:26de você compra
28:27esse copo aqui
28:27por 10,
28:28você vendeu ele
28:28por 20,
28:29você agregou valor,
28:30você vai pagar imposto
28:31em cima dos 10
28:32que você agregou.
28:33Você comprou
28:34e revendeu,
28:35você gerou um crédito
28:36e um débito.
28:37O conceito
28:38do imposto
28:39não cumulativo.
28:40Isso aí
28:41é a coluna
28:44mestra
28:44para que o sistema
28:46tributário
28:46no Brasil
28:47funcione,
28:48para que a gente
28:48não seja aquele país
28:49onde o departamento
28:50tributário da Unilever
28:52aqui no Brasil
28:52tenha mais pessoas
28:54que o departamento
28:56tributário deles
28:57no mundo todo.
28:57Então,
28:58é uma coisa que
28:58no Brasil
28:59até pagar imposto
29:00é difícil.
29:01Então,
29:01a direção
29:02permanece correta.
29:03Eu estava fazendo
29:04uma reflexão,
29:05eu não vivi
29:06a época do plano real,
29:07mas eu fui,
29:10beneficiado
29:10do plano real,
29:11a minha geração.
29:14Talvez,
29:15quando foi aprovado
29:15o plano real,
29:16será que eles tinham
29:17tudo na ponta
29:19da língua,
29:20tudo redondo?
29:21Eu acho que não.
29:22Então,
29:22a direção está correta,
29:24é valor adicionado.
29:25Se vai aumentar
29:26o imposto
29:27ou vai diminuir
29:28no curto prazo,
29:29não sei.
29:30Agora,
29:30o grande ganho
29:31dessa reforma
29:31para mim
29:32é você,
29:32cidadão,
29:33olhar lá e falar
29:34olha,
29:34eu pago tanto de imposto.
29:36Por que eu pago
29:36esse tanto de imposto?
29:37Você vai começar
29:38a criar uma discussão
29:39muito boa
29:40em relação a isso.
29:43O imposto existe,
29:44porque hoje o imposto
29:45é invisível.
29:46A gente paga
29:47pra caramba
29:47e não vê direito.
29:48Nem sabe o que está pagando.
29:49quando a gente coloca
29:50as claras,
29:51isso eu acredito
29:51vai gerar um debate
29:52tão bom na sociedade
29:54que talvez a gente
29:54vai ter uma política
29:55pública mais correta
29:57no futuro.
29:58Eu estou animado,
29:59eu acredito que
30:00a regulamentação
30:01passou na Câmara,
30:02agora foi para o Senado,
30:04talvez tenha alguns pontos
30:05de aperfeiçoamento
30:06ainda que estão
30:08sendo discutidos.
30:10Repito,
30:10a direção é correta,
30:12vai ter um ajuste
30:13aqui,
30:13outro ali,
30:14cabe a gente
30:14como cidadão
30:16e setorialmente
30:16manifestar,
30:17mas acreditar
30:18que a gente está
30:19no caminho correto,
30:20pelo menos.
30:20Ótimo,
30:21visão continua sendo
30:22de otimismo.
30:23Eu tenho que falar
30:24com você
30:24um pouquinho
30:25sobre o mundo.
30:26A gente está vendo
30:29grande parte do mundo
30:30um aumento
30:31desse radicalismo,
30:32dessa polarização.
30:34A gente teve
30:35um episódio agora,
30:35um atentado
30:36contra o candidato
30:37ex-presidente americano
30:38Donald Trump.
30:41Eu lembro
30:44a guerra na Ucrânia,
30:46que todo mundo achou
30:47que ia ser
30:47uma guerra curta,
30:48está se mostrando
30:49a guerra que já está
30:50indo para o seu
30:50terceiro ano.
30:52Como é que você
30:52está vendo o mundo?
30:53Ele está mais complicado?
30:55Enfim,
30:55como é que...
30:56Porque,
30:57como você disse,
30:57tem impacto
30:58para nós aqui.
30:59Tem impacto
30:59para a gente aqui.
31:01Como é que você
31:01está enxergando essa...
31:01Isso aqui mudou
31:02um pouco o mundo.
31:03As pessoas...
31:07O jeito,
31:08historicamente,
31:09para você ganhar...
31:10Tem um documentário
31:12que é muito legal
31:12chamado
31:13The Best of Enemies,
31:14que mostra
31:14como a rede
31:16de televisão americana
31:17ganhou
31:20a liderança
31:21na audiência
31:22da cobertura
31:22de pesquisas eleitorais
31:24nos Estados Unidos
31:25na década de 60.
31:26Qual foi a estratégia
31:27dessa emissora,
31:29que era uma das emissoras
31:30com menos audiência
31:31nos Estados Unidos?
31:32Contratou um comentarista
31:34de esquerda
31:34e um de direita
31:35e eles divergiam
31:36ao longo da apresentação.
31:38O filme,
31:39eu não vou dar um spoiler aqui,
31:40mas ele acaba
31:40com a confusão
31:41entre os comentaristas.
31:45Vale a pena ver.
31:46Tem na internet.
31:49Para você gerar audiência,
31:51você é uma pessoa
31:52de comunicação
31:53muito melhor que eu.
31:55Você gerar essa fricção,
31:56esse embate,
31:57ele acaba gerando
31:58uma audiência
31:59e a gente está
31:59num mundo
32:00onde todo mundo
32:01tem um microfone
32:02e a sociedade
32:02se polarizou bastante.
32:05O que é bom e ruim.
32:07É bom porque você
32:08suscita o debate,
32:09mas ruim porque,
32:09em alguns momentos,
32:11a gente tem que buscar
32:12convergência
32:13para progredir.
32:14O debate é ótimo
32:15para você poder
32:16extrair dali alguma ideia,
32:17mas tem que achar
32:18pontos de convergência
32:19e seguir.
32:21Então, assim,
32:22quais impactos
32:22para o mundo,
32:24para o Brasil,
32:25teria a vitória do Trump?
32:26Vou falar de mercado.
32:28O Trump ganhando
32:29nos Estados Unidos,
32:30o que é o efeito
32:31de curto prazo?
32:32O Trump tem uma agenda
32:33de menos impostos.
32:34Se ele tem uma agenda
32:35de menos impostos,
32:36isso vai fazer
32:37com que a bolsa americana
32:38suba.
32:39O cidadão americano,
32:41diferente do brasileiro,
32:4260% do dinheiro dele
32:43está na bolsa.
32:44Então, quando a bolsa sobe,
32:45ele tem uma sensação
32:46de riqueza muito grande.
32:47Se o cidadão americano
32:48tem uma sensação
32:49de riqueza muito grande,
32:50talvez o juros americano
32:52não caia tanto
32:53quanto a gente imagine.
32:54Se o juros americano
32:55não caia quanto a gente imagine,
32:57talvez venha menos dinheiro
32:58para mercados emergentes
32:59como o Brasil.
33:00Então, esse é um efeito
33:01que talvez esteja aí
33:03após eleição
33:04que a gente tem que monitorar.
33:06então é...
33:07Mas eu acredito
33:08que você me perguntou
33:09mais na parte
33:10de sociedade política,
33:12é uma coisa
33:14que ninguém entende.
33:15A popularização
33:17está aí,
33:19a gente não vê sinais
33:21que estão diminuindo.
33:22Agora, eu acredito
33:23que sempre vai haver
33:25espaço para ideias
33:26e sempre vai haver
33:27espaço para os consensos.
33:28mesmo que no curto prazo
33:30isso não ganhe eleições,
33:32não ganhe grandes debates,
33:33mas é importante
33:35ter a consistência.
33:36É importante
33:37que você destacou,
33:38você falou
33:39de uma eventual vitória
33:41do Trump,
33:41teria essa questão
33:42do juros,
33:42que não teria um impacto
33:43muito positivo
33:44aqui no Brasil,
33:45mas você,
33:46no começo da sua entrevista,
33:48você falou
33:49da transição energética,
33:52das oportunidades
33:52que tem aqui
33:53para o Brasil.
33:53Acho que é importante,
33:55eu lembro que você também
33:55usou uma expressão
33:56good guy,
33:57Brasil,
33:57o good guy no mundo.
33:58É, o good guy.
33:59É o good guy.
34:00O bom garoto.
34:01É, nesse mundo
34:02de tensão geopolítica,
34:04a gente está muito bem posicionado.
34:06Vou falar alguns dados.
34:07Então, o Brasil é endividado.
34:08Sabe quantos por cento
34:09da dívida pública
34:10é em dólar?
34:12Zero.
34:13Sabe quantos por cento
34:14da dívida pública
34:15ela é detida
34:17por investidor estrangeiro?
34:19Muito pouco.
34:21O Brasil tem um banco
34:22central independente
34:24e tem 400 bilhões de reais,
34:25350 bilhões de reais
34:27de reserva.
34:28Então, isso protege...
34:28Dólar.
34:29De dólar.
34:30Então, isso protege muito
34:31a gente de flutuações.
34:33Não quer dizer que a gente
34:33não deva fazer o ajuste fiscal.
34:35A gente deve muito,
34:36mas deve para a gente mesmo
34:37em real.
34:3985% da matriz energética
34:41brasileira
34:42é renovável.
34:44A gente está do lado
34:45dos Estados Unidos.
34:46Esse negócio do
34:47near shoring
34:48que eles falam agora,
34:49eu vou comprar
34:49de quem está perto de mim.
34:51A gente pode se beneficiar
34:52com isso.
34:53Tem 200 milhões
34:53de habitantes,
34:54população super diversa,
34:57uma população receptiva,
34:58fácil de fazer negócio.
35:00E com essa era
35:02de inteligência artificial,
35:03a gente pode ser muito
35:03beneficiado,
35:04porque aqui pode ser
35:05o lugar onde grandes
35:05data centers vão se instalar,
35:07porque tem energia limpa.
35:09Grandes fábricas
35:10vão se instalar,
35:11porque vão fornecer
35:12para os Estados Unidos
35:12via Brasil.
35:14Então,
35:15e quando você olha
35:16a balança comercial brasileira,
35:18a gente é a fazenda
35:19do mundo.
35:1980 bilhões de dólares
35:21de saldo positivo.
35:23A gente exporta
35:24para o mundo todo
35:24o alimento,
35:25a gente é o celeiro
35:26agrícola do mundo
35:27e a gente não brigou
35:28com ninguém.
35:29Tem muito ativo,
35:31tem problema no mundo,
35:33então é fazer o dever
35:34de casa que a coisa flui, né?
35:35É só fazer o básico.
35:38O que é o básico?
35:39Não errar
35:40na gestão
35:41das contas públicas.
35:43Gastar menos
35:44que arrecado.
35:45Gastar onde é preciso.
35:48Combater desperdícios.
35:49Tem muito desperdício.
35:50Nas nossas casas
35:51tem desperdício.
35:51Imagina
35:52nas contas públicas.
35:54Então,
35:55eu sou muito otimista
35:56com o país.
35:57Eu sou muito otimista
35:58com o povo brasileiro
35:59e eu tenho certeza
36:01que aqui
36:01a gente tem
36:02muita oportunidade.
36:04Muita oportunidade.
36:05A gente precisa
36:06encerrar nosso papo,
36:07já está dando nosso tempo,
36:08mas eu queria que você
36:08falasse rapidamente.
36:10Espírito Santo,
36:11a gente vivia
36:12no final dos anos 90
36:13e início dos anos 2000
36:15uma crise
36:16gravíssima aqui
36:17institucional,
36:19econômica,
36:20fiscal,
36:21política,
36:23ética
36:23e o Espírito Santo
36:26conseguiu
36:26dar a volta por cima.
36:28A gente não vive
36:28num mar de rosas aqui,
36:29mas a gente tem
36:30uma situação
36:30na média
36:31melhor
36:32do que a média
36:33brasileira.
36:38Você tem
36:39contato muito
36:40com Brasília,
36:41com São Paulo
36:42e com o Espírito Santo.
36:44O que o Espírito Santo
36:45pode
36:46falar para o Brasil,
36:48ensinar para o Brasil?
36:49Ele pode ensinar
36:50que gerir contas públicas
36:52tem um impacto
36:54na vida da sociedade.
36:55Ele pode ensinar
36:56que a sociedade
36:58quando as coisas
36:59estão indo ruim
37:00tem que se unir.
37:01Daí nasce o movimento
37:02Espírito Santo em ação
37:03quando a sociedade
37:04capixaba
37:05dá um baça
37:06na corrupção,
37:06fala,
37:07não dá mais,
37:08o carrapato
37:09ficou maior que o boi,
37:10a gente tem que se unir
37:11para poder ajustar
37:12o Estado
37:13e
37:14só que hábito
37:15isso não basta.
37:16O futuro,
37:17a foto do Espírito Santo
37:18é muito boa.
37:20O filme
37:21às vezes me preocupa
37:23porque a gente tem
37:23uma forte dependência
37:25ainda do petróleo
37:26e a gente tem
37:27uma forte dependência
37:28de incentivos fiscais
37:29que vão acabar.
37:30Então onde que o Estado
37:31quer estar
37:32nessa nova era
37:33de tecnologia?
37:34Quem quer se posicionar
37:35como um Estado
37:36onde a gente vai ter
37:36um monte de obra
37:37para trabalhar
37:38em tecnologia?
37:39Dá para ser.
37:40hoje você contrata
37:41pessoas aqui
37:41no Espírito Santo
37:42para trabalhar em São Paulo?
37:43Para trabalhar fora
37:44no Brasil?
37:45Dá para ser um grande
37:46fornecedor?
37:46A gente vai ser turista?
37:48A gente vai ser um Estado
37:48com potencial do turismo
37:50que tem?
37:51Mas para a gente ter
37:51um Estado
37:52que receba turistas
37:53a gente tem que ter
37:53uma população
37:54com educação boa,
37:56bem preparada.
37:57O que a gente quer ser?
37:59Eu acredito
38:00que a população capixaba
38:01que se uniu lá
38:03nos anos 90,
38:052000
38:06e que mudou
38:07esse Estado
38:08jamais deve relaxar
38:09que está tudo bem?
38:10Porque nunca a gente
38:11tem que relaxar na vida.
38:13A vida é um jogo
38:14no infinito,
38:15você nunca ganha ela.
38:16Então,
38:17se algum alerta
38:18eu posso dar
38:18para os meus conterrâneos
38:19é que olhem o Estado.
38:21O Estado está muito bem,
38:22mas o que é o futuro dele?
38:24E o que a gente vai fazer
38:25para esse Estado
38:26continuar bonito,
38:27ajustado fiscalmente,
38:29ser um Estado
38:29com mão de obra,
38:30ser um Estado
38:30com emprego,
38:31com oportunidade,
38:32que milhares de imigrantes
38:34chegaram aqui
38:35com a mão na frente
38:35e outra atrás,
38:37construíram verdadeiros impérios,
38:38empresas boas
38:39fizeram sua vida aqui,
38:41o que a gente vai ser
38:42o Estado
38:43dos próximos 10,
38:4420 anos?
38:45Tem que ter um debate
38:46da sociedade,
38:47do poder público,
38:48do envolvimento
38:49da população,
38:49aquela volta
38:50do que foi o envolvimento
38:52lá dos anos 2000,
38:53isso não pode parar.
38:55O jogo não está ganho.
38:57Não está ganho nunca,
38:58em nenhuma coisa da vida.
39:00E não está em nada dado,
39:01isso é importante
39:02sempre a gente destacar.
39:04Rafael Fulanetti,
39:04muito obrigado
39:06por essa sua participação
39:07aqui no Papo de Valor,
39:08seja bem-vindo.
39:10Obrigado.
39:10Aqui a Gazeta,
39:11tenho certeza que você
39:12é um grande contador
39:13de histórias, né?
39:14Ah, vai ter muita história
39:15aí para vocês, hein?
39:16Você vai contar ótimas histórias
39:17aqui para os nossos leitores,
39:20para quem nos acompanha
39:21nas redes, enfim,
39:22muito obrigado
39:23e seja bem-vindo,
39:24um grande abraço.
39:25Obrigado, estou à sua disposição,
39:26um abração.
39:26Meus conterrâneos,
39:27uma honra estar aqui com você,
39:28espero que vocês gostem
39:29do que a gente vai falar por aí.
39:30Até mais, tchau, tchau.
39:31Vão gostar,
39:32tem a menor dúvida.
39:32Se Deus quiser.
39:33Se Deus quiser.
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