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  • há 5 semanas
Vídeo mostra o médico Jean Lang fazendo um desabafo sobre o atendimento prestado a uma menina que morreu com sinais de estupro no ES

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Transcrição
00:00Eu fiz o exame de uma menininha, estava internada no hospital lá em Guarapari e foi suspeita
00:10de dois anos e meio, suspeita de estupro.
00:15Aí vendo o jornal agora ela faleceu.
00:17Olha, é difícil eu ficar assim, talvez seja porque no final de semana minha filha faz
00:23três anos e a gente acaba ficando mais emotivo.
00:27Eu já tinha feito o exame da menininha, a gente fica com a esperança de que iria sobreviver
00:31e aí eu vendo o telejornal fiquei sabendo do óbito da menina.
00:36E aí passa um flashback da nossa cabeça desde o nascimento de um filho perdendo noites,
00:42noites em claro, levando ao médico, a gente se preocupando, eu fazendo a lista de aniversário,
00:47enquanto isso um pai estuprando, eu comecei a pensar na dor da menina, o tanto que ela sofreu
00:52e aí veio aquela emoção por tudo isso que aconteceu.
00:56Eu acabei fazendo um relato, um desabafo para outras famílias, para perceberem mais
01:02e principalmente como que a gente está num mundo violento, onde pais deveriam proteger,
01:06pais deveriam guiar e dar aquela sensação de herói para a criança e falar
01:11pai, confio em você.
01:12E não, pelo contrário, tem uma pessoa que abusa, criando traumas, muitas vezes levando a desfecho
01:17como isso, como óbito.
01:18Para o médico que está no pronto-socorro, principalmente os recém-formados, ficar muito atento
01:23quando você tem um número de lesões muito mais alto do que a história que é contada.
01:27Quando existe uma falta de...
01:30Quando as informações não se conectam, isso é fundamental, parentes falando histórias
01:35diferentes.
01:36E uma coisa que a gente percebe aí, a criança, o comportamento da criança.
01:41Nesse caso, a criança estava muito grave, então ela estava entubada, não tinha reação.
01:44Mas crianças muito acuadas, crianças com medo, crianças que mudam o comportamento,
01:50por exemplo, não vão à escola, iam à escola, não gostam demais, urinando na roupa, defecando
01:55na roupa, ela não fazia isso e começa a fazer.
01:58São indícios que a gente vai vendo, ó, está acontecendo alguma coisa, que às vezes
02:02a criança não... ela se expressa de uma forma completamente diferente.
02:05E aí a gente tem que atuar mesmo como detetive.
02:08E aí entra, durante a internação, muitas vezes entra o nosso trabalho em contato com
02:14o conselho tutelar e a polícia.
02:15A criança precisa de um pai presente, entendeu?
02:19Um pai que educa, que pega na mão, que a criança fala, eu confio em você, papai,
02:24você é meu herói.
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