00:00O meu primeiro neto, um menino lindo, muito esperto, muito inteligente,
00:10que eu gostaria de estar convivindo com ele até hoje.
00:16Infelizmente, um assassinato, né?
00:27Meu nome é Marlúcia Butikovski, eu sou a avó do Cauã, Salles Butikovski,
00:34e que aconteceu, infelizmente, uma tragédia em Linhares, com o meu netinho Cauã e com seu irmão Joaquim.
00:45O fogo começou por volta de duas da manhã, no quarto onde dormiam os irmãos,
00:50Cauã Alves, de seis anos, e Joaquim Alves, de três.
00:54Eles morreram carbonizados.
00:56Gente gritando, chorando.
00:58Eu vi um homem correndo na rua, gritando, socorro, socorro, meu Deus, não faz isso comigo, não.
01:04Eu falei, é o vizinho, é o pastor.
01:06Eu fiquei sabendo, através de um tio dos meus filhos, que me ligou cedo,
01:12falando que tinha acontecido um incêndio.
01:16Em Linhares.
01:17Aí eu falei com ele, que a casa que eles moravam era uma casa muito boa,
01:22que provavelmente ele estava equivocado.
01:25E nesse meio tempo eu chamei meus filhos.
01:30E quando eu fui trocar de roupa, eu li na internet.
01:35E eu vi a foto da casa, que era a casa que eles moravam.
01:39Na hora do incêndio, estavam na casa pai e os dois meninos.
01:43Ele dormia em um quarto separado dos filhos.
01:46E de acordo com testemunhas, pediu ajuda e tentou apagar o incêndio.
01:50Mas Cauã Alves, de seis anos, e Joaquim Alves, de três, morreram carbonizados.
01:55Ele trabalhava num ramo de cabelos, né?
02:00Salão.
02:01Ela também antigamente trabalhava.
02:03E aí eles resolveram abrir um salão lá em Linhares.
02:07Acharam que seria uma maneira, né?
02:12De eles trabalharem e estarem mais perto da família dela também, né?
02:16E logo depois eu soube que o salão virou uma célula de igreja.
02:21E depois viraram pastores.
02:24Todos os dois.
02:26A minha vida e a vida da minha esposa mudou em uma célula.
02:30Nós fomos no encontro com Deus, voltamos.
02:32E depois que nós voltamos no encontro com Deus, nós abrimos uma célula.
02:37E hoje nós somos pastores de uma igreja.
02:39Tudo que eu pude, através de amigos, tentar pegar os corpos, a gente tentou.
02:48Mas aí, como não vinha, não sabia o tempo certo, a gente resolveu voltar.
02:57Daí o pai da Juliana falou com a gente, pra gente ir no culto, né?
03:04Que ia ter ir nas forças, no culto.
03:07E voltamos pra casa somente depois do culto.
03:10Foi a única vez que eu fui.
03:12Nesse dia foi outro pastor.
03:14Ele ficou sentado.
03:17Já na farsa dele.
03:19De dizer que os pés estavam queimados.
03:21E tudo mais, né?
03:24E depois eu soube que eu não ficava olhando a mídia.
03:30Nunca fui.
03:31Então, assim, aí que eu não tinha como olhar a mídia.
03:36E eu sou, logo depois de um vídeo, um culto que ele tinha feito, num dia depois.
03:45E no outro dia ele ainda estava saltitando já no palco, como se não tivesse nada.
03:50Eu não espero.
04:01Quando tudo aconteceu, conhecendo meu filho, eu falava, nossa, se fosse meu filho, meu filho morria, mas tentava salvar essas
04:11crianças.
04:11Nossa, eu recebi ele dentro do restaurante, eu e meus filhos, no dia do IML.
04:16Que foi aí que ele acabou se entregando um pouco mais da forma que ele falou.
04:23Dentro do restaurante ele pediu perdão, meu filho, novamente.
04:27Nós fizemos uma oração lá.
04:29Eles não pediam para nós, como família, tentar abrandar o coração com tudo que tinha acontecido.
04:38Só pedia crescimento, sabe?
04:41No comércio, esse tipo de coisa.
04:44É uma coisa muito estranha.
04:46Logo depois ele foi preso, porque eles começaram a desconfiar dele, né?
04:50E foi quando meu filho falou pela mídia, que acreditava que teria sido ele, né?
04:57A perícia e os bombeiros mostram que ele estava mentindo.
05:02A versão narrada por ele é impossível.
05:05A temperatura próxima, na região da cabeça dele, nessa altura, estaria acima de 400, 500 graus, com certeza.
05:11Ele não apresentava lesões de quem teria tentado socorrer duas crianças num fogo intenso.
05:17A perícia também indicou que algum tipo de combustível foi usado para acelerar as chamas.
05:23E também revelou outro crime.
05:26Jorge agrediu e abusou sexualmente dos dois meninos antes de matá-los.
05:33Se eu podia fazer alguma coisa, Deus me perdoe, mas eu não enxerguei.
05:40É difícil você acreditar.
05:44Ser humano é capaz de fazer tanta barbárie da forma que ele fez.
05:49É imaceitável.
06:00E daí pra frente, eu, Juliana e a mãe dela, a gente cortou a relação, porque ela pediu isso pra
06:08mim.
06:09A Juliana?
06:10A Juliana, porque ela não acreditava que ele tinha feito aquilo, tudo, e que Cauã chamava ele de pai, entendeu?
06:25Querendo mostrar uma coisa diferente.
06:29E aí ela falou comigo que, enquanto não fosse resolvida a situação, que ela falaria comigo e com o Rainer.
06:39Então, até hoje, nós não nos falamos, porque não foi tudo resolvido ainda, né?
06:49Tecnicamente foi comprovado tudo o que aquele monstro fez com as crianças.
06:56Então, não justifica tanto tempo pra isso.
07:02Ele tem que ser condenado a mais de 100 anos.
07:05Eu sei que a nossa lei não permite isso.
07:09Mas, a nossa lei é muito frágil.
07:14Se ele tiver bom comportamento, ele sai com pouco tempo.
07:19Esse homem é novo.
07:23Eu não quero ele solto nunca.
07:26Porque do jeito que ele conseguiu fazer com o filho e com o enteado,
07:31porque ele não pode fazer
07:35o outro ser humano.
07:38Estou esperando quase 5 anos por esse dia.
07:43Eu não sei como vai ser minha reação, não.
07:46Me ver cara a cara aquele monstro na minha frente.
07:51Mas eu preciso tentar fechar esse ciclo.
07:55Desse luto.
07:57Dessa dor.
08:01Porque esquecer.
08:04Eu nunca vou esquecer, não.
08:25e aí
08:28E aí
08:30Amém.
Comentários