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00:00Um de ontem falou o Rafinha, que deu uma série de declarações também que geraram uma grande repercussão.
00:06O Rafinha, que já havia chamado pra ser uma bronca importante antes daquele jogo contra a Argentina,
00:11falou que ia ser porrada nos argentinos, que a gente comentou no Bastidores da Copa,
00:15eu acho também que foi uma armadilha do nosso grande Romário.
00:18É difícil você falar pro Romário na frente dele, que não vai pra cima dos argentinos, né?
00:23Mas dessa vez, uma série de declarações também do Rafinha,
00:26que chamaram a atenção, que geraram uma série de comentários nas redes sociais dos torcedores brasileiros,
00:32e a gente traz aqui algumas delas.
00:34Primeiro, pra gente comentar por aqui, com o Mauro, com o Flávio, Bruno,
00:38e também o pessoal lá na Cidade do México, Raí e Giovanni Chacon, enquanto eles participaram aqui com a gente,
00:43falando sobre a conexão que ele sente com os torcedores brasileiros,
00:46que muitas vezes o próprio Rafinha sente que é mais querido fora do país do que pelos torcedores brasileiros,
00:54muito por conta das suas decisões de carreira.
00:57Deixou o país muito cedo, construiu toda a sua carreira no futebol europeu,
01:00e agora na seleção sente essa diferença de tratamento.
01:04A gente escuta o Rafinha aqui no nosso Bate Pronto.
01:08Cara, pra ser sincero contigo,
01:11sinto, sinto que realmente é diferente
01:17o carinho do torcedor brasileiro comigo do que o pessoal de fora que me acompanha mais diariamente lá fora.
01:26Mas eu acredito que se eu tenho que me provar pra alguém,
01:31isso é pra mim, pros meus pais, pra minha esposa, pro meu filho,
01:34isso eu tenho que me provar pra eles a cada dia.
01:37Infelizmente eu não posso mudar o gosto das pessoas,
01:41eu entendo que tem gente que não gosta do meu futebol,
01:44tem gente que gosta e tá tudo bem.
01:46Como eu falei, eu tento dar o meu melhor sempre,
01:48vai ter dias que não vou conseguir entregar um bom futebol,
01:52mas a vontade eu sempre vou entregar,
01:54isso pra mim é algo que é inadmissível,
01:58não entregar a vontade dentro do campo.
02:01Mas eu sempre busco dar o meu melhor
02:03e acho que é natural sair muito jovem do Brasil,
02:08tu não ter uma conexão com nenhum clube,
02:10é normal que a galera ainda desconfie,
02:14esqueça a palavra que tu usou,
02:16mas que não tem essa conexão.
02:19Tá tudo bem.
02:20Tá então, Rafinha falando sobre essa falta de conexão com o torcedor brasileiro,
02:25algo que virou comum, né Flávio?
02:27Muito mais, muitos mais jogadores atuando no futebol brasileiro em 2002
02:32em comparação a 2026 e, claro,
02:35entra em rota de colisão com essa declaração do Rafinha
02:38falando sobre a falta de conexão com o torcedor brasileiro.
02:41E é normal, o mercado globalizou,
02:43depois da Lei Bosma os clubes abriram, né,
02:45todo mundo abriu, que é muito bom pro futebol,
02:48muito bom pros jogadores,
02:50vários jogadores aqui marcaram época em seus times
02:53e hoje vivem de cachezinhos, de jogos de várzea,
02:57de apresentação, de exibição,
02:59e esses caras todos estão ganhando rios de dinheiro,
03:01que faz muito bem.
03:02Então é natural, é claro que o Rafinha é muito mais reconhecido
03:05em Leeds, na Inglaterra,
03:07muito mais reconhecido em Barcelona,
03:08do que se ele vier aqui na Avenida Paulista.
03:11Tanto é que meteram o Luiz Henrique no lugar dele ali.
03:15Então, natural isso.
03:17E não tem nenhum problema.
03:19O cara tem que cuidar da vida dele.
03:21Ele foi muito feliz aqui no Vale.
03:21Tem que mostrar pra minha mãe, mostrar pro meu pai e tal.
03:24Se o Brasil, eventualmente, ganhar a Copa,
03:26ele vai ganhar uma identificação um pouquinho maior,
03:28mas nunca vai ser como foi, por exemplo, em 2002,
03:30quando os caras vieram daqui.
03:33Não tem um vampeta, né?
03:34Hoje, por exemplo, se o Brasil ganhar a Copa,
03:37não tem um vampeta, o cara que vai continuar por aqui.
03:39Muitos deles nem vão votar pro Brasil.
03:42Os que forem votar vão votar pra suas cidades natal.
03:44Então, sabe, é natural isso.
03:46Eu acho absolutamente natural.
03:47E há uma compensação,
03:49porque hoje esses caras ganham muito mais dinheiro,
03:51têm uma carreira muito mais reconhecida mundialmente.
03:54E aqueles jogadores que vivem aqui no Brasil,
03:57que naquele período em que o futebol era mais,
04:00as seleções eram montadas mais nos seus países,
04:03porque havia essa dificuldade desses intercâmbios,
04:06os jogadores até tinham mais identificação,
04:08mas e daí?
04:09Identificação não paga a conta no mercado.
04:11Não deixa herança pra filho.
04:13Né?
04:14Nenhum desses caras vai precisar fazer jogo beneficente,
04:16nenhum desses caras vai precisar de ajudazinha daqui e de lá,
04:19nenhum desses caras vai precisar da credencial da CBF
04:22ou ter que mendigar ingresso pra jogo.
04:25Então, tá ótimo.
04:26Não tem problema que não é reconhecido pelo torcedor.
04:28E daí?
04:30Um brilhante de mente de Dê Chiquinha.
04:32E daí?
04:33Não muda nada.
04:34Eu acho que o cara tem que cuidar da carreira dele.
04:36E sim, o que ele falou é verdade.
04:37Ele é mais reconhecido em Leeds,
04:38onde ele tem uma história importante no Leeds United
04:41e é muito mais reconhecido em Barcelona,
04:42onde ele é um dos principais jogadores já faz tempo.
04:45Natural isso, normal.
04:46Mauro, o que você acha sobre esses novos tempos?
04:48Muito mais jogadores atuando no futebol europeu
04:53do que no futebol brasileiro
04:55em relação à lista de convocados da seleção brasileira
04:57e essa falta de conexão, então, que o Rafinha citou
05:00no caso dele específico, né?
05:02Mais um desses jogadores que deixou o futebol brasileiro cedo,
05:06construiu toda a sua carreira lá no futebol do exterior
05:08e não tem, de fato, esse carinho do torcedor
05:11porque o torcedor brasileiro não ouviu atuando
05:13nos gramados do Campeonato Nacional, Mauro.
05:17É, também ele não tá lidando com o torcedor, né?
05:18Estão jogando lá nos Estados Unidos,
05:20não jogam quase aqui no Brasil.
05:21Quer dizer, ele nem conta com o torcedor.
05:23Na verdade, acho que isso pouco importa.
05:25Ele deve ter sido perguntado a respeito.
05:27Imagino que ele tá falando sobre isso porque perguntaram.
05:30Eu acho que ele deu uma boa resposta.
05:31Deu uma boa resposta.
05:34Não acho que ele foi mal, não.
05:35Acho que ele foi bem.
05:37Falou aquilo que tinha que falar.
05:38Fazer o quê?
05:39O que vai dizer?
05:40Ah, vou chorar aqui porque o pessoal não gosta de mim
05:43ou não me dá valor.
05:44Ele joga pra caramba.
05:45A questão é ele conseguir jogar bem.
05:47E acho que aí cabe muito também o técnico
05:49fazer o jogador jogar bem, né?
05:50Porque essa história...
05:51Não, o cara não joga bem na seleção.
05:53Aliás, ontem o Falso 9, colega nosso,
05:55analista tático,
05:55ele fez um compilado das jogadas do Vinícius Júnior em 2022
06:00que derruba completamente as tapafuras de a tese
06:03de que ele não jogou nada na Copa do Mundo em 2022.
06:05Ele participa de quase todos os gols do Brasil na Copa do Mundo.
06:08Enfim.
06:09Mas aí o pessoal não lembra, não esquece,
06:11não prestou atenção, sei lá e tal.
06:13O Rafinha tem muito marcado
06:14porque na Copa não jogou tão bem.
06:16E ele cresce depois da Copa
06:17quando no Barcelona passa a jogar de outra maneira.
06:19Por isso que eu acho que é um desperdício
06:20de jogar preso na direita.
06:21Ele rende muito mais jogando mais solto.
06:23E ele é um ótimo jogador.
06:24Cara, o cara é o destaque do Barcelona.
06:26Quem tem mais número de gol lá e assistência?
06:27Ele ou o Lamine Amal?
06:29Compara.
06:30Ele ou o Lamine Amal?
06:31É ele.
06:32Ele tem mais número do que o cara.
06:34Que é o grande talento da seleção.
06:36Não estou dizendo que o Lamine Amal não joga nada, não.
06:38Ele tem mais número do que o Lamine Amal.
06:41Aí se o cara joga na seleção do Brasil e não está bom,
06:44então o técnico tem que fazer funcionar, porra.
06:46É isso que a gente tem que dizer também.
06:48Cabe ao técnico montar um time que explore o potencial do seu jogador.
06:51Você tem o Vinícius Júnior, que é o cara do Real Madrid.
06:53Ele tem o Rafinha.
06:54O cara do Barcelona não funciona.
06:55Então tem alguma coisa errada com o técnico.
06:58Então cabe a ele fazer funcionar.
07:00Não é isso?
07:01Antes o Dorival podia convocar.
07:03Convoca e ele não consegue funcionar.
07:04Então, peraí, cara.
07:05Tem alguma coisa errada contigo aí, irmão.
07:07Você tem o melhor carro, um dos melhores carros.
07:09E o carro não anda?
07:10Então você pilota mal.
07:11Ou você só sabe pilotar carros inferiores.
07:13Esse carro aqui é muito arepa.
07:14Tem um caminhão.
07:14Não, você não consegue fazer funcionar.
07:16Eu acho que passa por aí.
07:17Cobre-se muito dos jogadores.
07:18E eu acho também que esse ciclo inteiro é muita sacanagem cobrar dos atletas,
07:22porque eles nunca tiveram um time organizado a servi-lo.
07:25Isso marcou muito a carreira do Messi.
07:27O Messi, durante boa parte, jogou em seleções argentinas pífias, com técnicos sem condição.
07:32Teve uma hora que fizeram um concurso lá, com currículo,
07:35para ver quem treinava na seleção da Argentina.
07:37Foi quando o Edgardo Bausa concorreu àquilo.
07:42Ele está até doente agora.
07:44A Copa de 2010, o Maradona era o técnico.
07:47O Maradona era tudo, menos um técnico.
07:49O Raul foi o técnico.
07:50Exato.
07:51O time era uma bagunça.
07:52Aí o Messi tentando resolver tudo.
07:54Ah, ele não joga tão bem na seleção como no Barcelona.
07:56Tá bom.
07:56Vê o Barcelona do Guardiola o que era.
07:58E o que era a seleção argentina, que era uma grande zona.
08:00É uma bagunça.
08:02Então, se os jogadores também acabam não jogando tão bem,
08:04porque a seleção não está bem.
08:05Porque os técnicos não conseguem fazer com que o time funcione.
08:09Porque o material humano para isso tem.
08:11Ah, a França é melhor?
08:12A França é melhor, ok.
08:14Em valores individuais?
08:15Eu acho que sim.
08:16A Espanha, tudo bem.
08:17Acho que tem um time coletivo, tem ótimos jogadores também.
08:20Mas o Brasil não tem esse coletivo.
08:21E aí o jogador acaba sucumbindo muitas vezes.
08:24Claro que eles também têm a participação deles.
08:25Mas passa muito pela montagem do time.
08:27Quando o time não está montado, o cara não vai render.
08:29Aí fica essa coisa.
08:30Pô, se ele só joga no...
08:31Ah, jogador de clube.
08:32Claro, no clube a coisa funciona e na seleção não funciona.
08:35Simples assim.
08:36E eu acho que o Rafinha é um jogador que tem que ser tratado com cuidado, com carinho.
08:40Tentando tirar o melhor dele.
08:41Porque ele pode apresentar muito mais do que aquilo que já apresentou jogando pelo Brasil.
08:46Bruno, o que você achou dessas declarações do Rafinha?
08:48Dessa comparação que a gente fez entre as seleções de 2026 e 2002.
08:53E claro, o rendimento do Rafinha também acaba entrando nessa conta da conexão com o torcedor brasileiro.
08:58O que você pensa, Bruno?
08:59É, o Rafinha é um exemplo de vários aí que fizeram a carreira praticamente toda fora, né?
09:06Se a gente pegar nas últimas Copas, tem muitos jogadores que têm esse perfil.
09:10Gabriel Magalhães, que está nessa seleção mesmo.
09:12Pegar o Davi Luiz quando jogou Copa.
09:15Depois ele veio para o Flamengo Hulk mesmo.
09:17Depois veio para o Atlético Mineiro.
09:19Felipe Luiz, Maxwell, Dante.
09:22Tem vários que estiveram nas últimas Copas que praticamente só jogaram lá fora.
09:27Foram alguns veteranos já voltaram para o futebol brasileiro e aí tiveram alguma identificação com o clube brasileiro.
09:33O Hulk hoje é um ídolo do Atlético Mineiro, agora vai jogar no Fluminense.
09:36Então isso é natural do mercado.
09:38Até a gente fez a comparação com a Copa de 2002, era mais ou menos metade do elenco.
09:42Metade do elenco jogando no Brasil, metade do elenco jogando no exterior.
09:45Do time titular, do time da final, só tinham três que jogavam no Brasil.
09:50O Marcos, o Gilberto Silva e o Cleberson.
09:52Os outros oito jogavam na Europa.
09:54E é mais ou menos o perfil das Copas de 94 e de 98 também.
09:57Que são Copas ali na mesma época.
09:59Também era mais ou menos metade do elenco no Brasil, metade do elenco na Europa.
10:02Mas a maioria do time titular jogando na Europa.
10:05Isso começa a mudar.
10:07Acho que isso mostra bem as mudanças no mercado.
10:10Anos 70, todo mundo no Brasil até não se aceitava.
10:13Anos 60, 70, quem ia para o exterior não ia mais para a seleção.
10:17Isso acontecia.
10:18Aí a partir dos anos 80 já começa nas Copas.
10:21Nos anos 80 já aparece um ou dois jogando no exterior, normalmente na Itália.
10:26E aí a partir dos anos 90 começa meio que dividido, metade do grupo aqui, metade do grupo lá.
10:32E depois de 2002, quase todas as Copas tinham quase todo mundo na Europa e três aqui no Brasil.
10:38Mas aí também tem um detalhe que, se a gente comparar com a Copa de 2022, pegar agora de 2026,
10:44aumentou o número de jogadores que atuam no Brasil.
10:46E acho que tem alguns motivos.
10:48Em 2022, eram só três que atuavam no Brasil.
10:51O Everton, o Pedro e o Everton Ribeiro.
10:54Nessa Copa são sete que atuam no futebol brasileiro.
10:57Então aumentou mais do que dobrou o número de jogadores que atuam no Brasil em 2026 na seleção, comparado com
11:032022.
11:04E acho que aí tem alguns motivos.
11:06Hoje o futebol brasileiro, ele paga mais do que pagava há alguns anos.
11:11Principalmente o Flamengo e o Palmeiras.
11:13Dos sete que jogam no Brasil, que estão nesse grupo, quatro são do Flamengo.
11:17E o Palmeiras não tem nenhum na seleção brasileira, mas o Palmeiras tem oito jogadores convocados para a Copa do
11:23Mundo no geral.
11:23O Flamengo tem nove.
11:24São 32 que atuam no futebol brasileiro convocados para a Copa entre todas as seleções.
11:31Metade disso praticamente são de Flamengo e Palmeiras.
11:34E na outra Copa, de 2022, há três anos e meio, que a Copa foi no fim de 2022,
11:39eram só sete que atuavam no Brasil convocados para a Copa.
11:42Agora são 32.
11:43Isso mostra também, né?
11:44A gente mostrou ali a Lei Bosman marcando essa mudança aí de jogadores para o exterior.
11:49Mas agora acho que também mostra um futebol brasileiro que paga melhor, mais rico.
11:53É verdade que dos sete que atuam no Brasil, a maioria são veteranos que voltaram.
11:58Danilo, Alexandre, Paquetá, Neymar, jogadores que já jogaram Copa e retornaram para cá.
12:03Mas antes esses jogadores rodariam em times médios e pequenos antes de voltar para cá.
12:09Agora não.
12:10Agora eles vêm para cá.
12:11E nas outras seleções, jogadores sul-americanos, que na outra Copa também tinham outras seleções sul-americanas
12:15e poucos jogavam no Brasil, e agora tem vários.
12:18Também acho que começa a mostrar um futebol brasileiro que paga melhor.
12:21Se não consegue impedir que jogadores joguem nos principais clubes do mundo,
12:27acho que com uma classe média ali das principais ligas, hoje o Brasil compete e até supera.
12:32Antes era muito comum ter jogador da seleção brasileira no Betis, no Sevilha, na Roma, na Lásio,
12:38em times médios e pequenos.
12:39Hoje na Inglaterra ainda tem em médios e pequenos, porque a Premier League é muito rica.
12:42Mas a gente quase não vê jogador brasileiro em time médio e pequeno de Itália, Espanha.
12:47A Alemanha não tem quase nenhum jogador na Bundesliga.
12:50Isso acho que tem a ver mais com grana do que outra coisa.
12:52Hoje no futebol brasileiro paga-se mais do que paga um time médio e pequeno de Itália e Espanha.
12:58Só para fechar, na Copa de 2010, eu estou lembrando, o elenco do Brasil tinha
13:01Josué Grafite, do Wolfsburg, Nilmar, do Vigia Real, Luiz Fabiano, do Sevilha.
13:06Tinha vários jogadores que atuavam em times médios e pequenos das grandes ligas.
13:10Isso hoje não acontece mais.
13:13Além da pressão que o Rafinha comentou também, ele falou sobre a frustração dos torcedores brasileiros
13:19por essa distância de 24 anos para o último título de Copa do Mundo.
13:24A última vez que a seleção foi campeã foi em 2002, quando conquistou o Penta.
13:28E de lá para cá, bateu na trave em muitas copas.
13:31Chegando em semifinal em 2014, em quartas de final em outras edições,
13:35a seleção nunca mais venceu a Copa do Mundo.
13:38E é justamente sobre essa frustração que o Rafinha também falou em entrevista coletiva.
13:43Cara, eu particularmente acompanho zero do que sai de notícia.
13:48Tem um pessoal que cuida das minhas redes sociais, não assisto televisão.
13:55Mas a gente não pode ser hipócrita, a gente sabe que principalmente os jovens hoje em dia
14:00são muito ligados no telefone, rede social, Instagram, TikTok, enfim.
14:06Não tem como fugir, porque acaba que a notícia cai no colo deles.
14:13A galera mais antiga, mais experiente, a gente tenta fazer com que eles usem menos de rede social,
14:23até mesmo para não criar uma expectativa ou não se frustrar baseado naquilo que está sendo dito.
14:29Então a gente tenta blindar um pouco do que vem de fora.
14:32É, né, te agradeci, que tu falou que acho que a seleção é uma das quatro favoritas na Copa,
14:39a gente também está muito confiante.
14:41E acho que a galera que não acredita muito na seleção,
14:45eu acredito que não é que eles não acreditam,
14:47mas foram tantos anos se frustrando,
14:51porque sempre tivemos seleções que poderiam realmente ganhar a Copa do Mundo,
14:56e não ganharam, e que acaba que o pessoal acha que não quer se frustrar novamente,
15:02então prefere, né, opta por esse lado de não torcedor.
15:06Mas no fundo, no fundo, acho que todo mundo está torcendo pela seleção
15:08e a força do torcedor vai ser muito importante para a gente.
15:12Essa resposta do Rafinha é interessante,
15:14porque dá para a gente comentar vários aspectos,
15:17desde a questão das redes sociais,
15:18os líderes do elenco indicarem para os mais novos
15:21para darem uma afastada nas redes nesse momento,
15:24para não sentir a pressão da torcida,
15:27mas para mim o ponto principal, meu caro Vitor Boni,
15:30ele acaba sendo um outro muito importante.
15:34O Rafinha fala a respeito, e ele agradece o repórter,
15:38para mim esse que é o ponto,
15:39ele agradece por ter colocado a seleção entre as quatro favoritas.
15:43É algo que eu já tinha sentido na resposta do Bruno Guimarães há dois dias atrás,
15:47e volto a sentir em cima dessa declaração no Rafinha.
15:50Os caras estão incomodados com a falta de favoritismo da seleção brasileira.
15:56E a falta de favoritismo não é porque a gente não respeita a história do Brasil,
16:00é porque o ciclo foi muito conturbado.
16:02A gente coloca a França na frente, a gente coloca a Espanha na frente,
16:04e eu disse aqui, a Espanha está na frente coletivamente, individualmente não.
16:08Individualmente o Brasil tem mais valores,
16:10tem melhores jogadores do que a seleção espanhola.
16:12Mas coletivamente é um time muito mais preparado para viver essa Copa do Mundo.
16:16O Brasil hoje, para muita gente, não é posto como favorito,
16:20por todo o ciclo conturbado que teve.
16:22Quatro treinadores, muitas derrotas.
16:25Uma das piores colocações, se não a pior, se eu não estou enganado,
16:27do Brasil em eliminatórias sul-americanas.
16:29É a pior.
16:30A pior, o Bruno me ajuda aqui.
16:33Então, assim, o Brasil não chega como favorito para essa Copa do Mundo de 2026
16:37muito por aquilo que Rafinha, que Vini Júnior, que Matheus Cunha,
16:41que os principais jogadores entregaram neste ciclo, Vitor Boni.
16:44E, de novo, também sobre essa fala do Bruno Guimarães, eu comentei aqui.
16:48Eu gosto que eles queiram assumir esse papel de favoritismo.
16:51Eu acho que tem que ter essa personalidade.
16:54Não tem que abraçar a narrativa.
16:55Ah, o Brasil não é favorito, vamos fazer o que dá.
16:58O ciclo foi conturbado, então a gente não vai brigar pelo título.
17:01Não, eu acho que tem que ter a personalidade de assumir favoritismo.
17:03É a seleção brasileira em Copa do Mundo.
17:05De novo, falei aqui outra vez e falo de novo.
17:08Quando a seleção brasileira entrar em campo,
17:10se entrar em campo controlando numa fase de 16 avos, por exemplo,
17:13ninguém vai olhar a seleção brasileira que perdeu
17:15nas quartas de final da Copa América.
17:17Vai olhar a seleção brasileira que é pentacampeã do mundo entrando em campo.
17:21Então, o Brasil, naturalmente, quando entra numa Copa do Mundo,
17:23entra como um dos favoritos.
17:24Agora, isso não pode separar também do que foi esse ciclo
17:28todo conturbado e todo errado.
17:29As coisas que aconteceram durante esses últimos três anos e meio,
17:33elas têm que servir de aprendizado, têm que servir de lição.
17:35Não podem ser apagadas, têm que servir de algo para se tirar
17:39um certo ensinamento, algo positivo de tudo o que aconteceu
17:44nesses últimos anos, para que não se repita dentro da Copa do Mundo.
17:47Então, é uma mescla de assumir com personalidade o favoritismo
17:50e o peso que tem a seleção brasileira dentro de uma Copa do Mundo
17:53com os erros que aconteceram durante esse ciclo.
17:57E a responsabilidade que esses jogadores têm de apagar esses erros
18:01com uma boa campanha dentro do Mundial.
18:03Agora, ele fala muito sobre a frustração dos torcedores.
18:06E a gente passa todo o ciclo de Copa do Mundo,
18:09quando fala de seleção brasileira, analisando por que o torcedor brasileiro
18:12está cada vez mais distante da seleção.
18:14E, claro, não é só os resultados dentro de campo.
18:18São muitas coisas que acontecem, especialmente com decisões da CBF, por exemplo.
18:23Um exemplo claro é Londres ter virado a casa da seleção brasileira.
18:27O Brasil joga mais em Londres do que em qualquer estádio aqui dentro do território nacional mesmo.
18:32E, para mim, isso é um absurdo.
18:34Mas são as decisões comerciais do futebol atual.
18:37E isso, claramente, acaba afetando também a conexão do torcedor brasileiro com a sua seleção.
18:42O fato de muitos jogadores, algo que o próprio Rafinha comentou também,
18:45saírem muito jovens, não cria conexão com o torcedor.
18:47O torcedor não vê o jogador atuando no Campeonato Brasileiro,
18:51atuando pelo seu time, fazendo gols pelo seu time.
18:53Com 18 anos, ele já está rodando pelo futebol português,
18:57pelos clubes médios do futebol inglês,
18:59e não cria essa conexão.
19:01De repente, aparece na seleção brasileira
19:02e o torcedor médio não sabe nem qual é a cara desse jogador,
19:05não sabe nem o que ele fez na carreira.
19:07Isso contribui também.
19:08E, claro, as frustrações dessas últimas Copas do Mundo.
19:10A gente está vivendo, de novo, o maior jejum da seleção brasileira
19:13em títulos de Copa do Mundo,
19:14igualando o período entre 70 e 94.
19:17São 24 anos sem ganhar a Copa.
19:18É claro que o torcedor fica frustrado.
19:20Então, junto a tudo isso num bolo, existe uma perda de conexão.
19:24E aí, muita gente, eu não concordo,
19:26mas muita gente acaba indo torcer para a Argentina,
19:29torcer para Portugal, torcer para outros países
19:31que gostam também dentro do futebol internacional,
19:35e acaba se perdendo essa conexão,
19:37porque parece que ninguém faz questão de retomar
19:40essa conexão do torcedor com a seleção brasileira.
19:42Eu acho que o único movimento
19:44que talvez tenha aumentado essa conexão
19:46para essa Copa do Mundo,
19:47e aí eu não entro no mérito técnico,
19:51ou no mérito de merecimento,
19:52que a gente entrou tantas vezes
19:53ao longo desses últimos anos,
19:55desses últimos meses na nossa programação,
19:58que é a convocação do Neymar.
19:59Foi chegando mais perto da convocação final
20:02do técnico Carol Antilotti,
20:04e deu para ver um movimento popular
20:05de muito apoio e empolgação
20:08com a convocação do Neymar.
20:09E acho que essa convocação, de novo,
20:11não estou entrando no mérito de merecimento,
20:13mas acho que essa convocação acabou trazendo um pouco
20:17dessa chama de conexão com o clima de Copa do Mundo
20:20e com a seleção brasileira,
20:22porque, querendo ou não,
20:23foi o único referencial durante esses últimos anos
20:26na seleção brasileira,
20:27porque não tínhamos outro,
20:28já falamos isso várias vezes,
20:30não tinha outro que dividisse o protagonismo.
20:32Mas essa desconexão, para mim,
20:34é algo natural como consequência
20:37de todas essas decisões que foram tomadas
20:39na gestão do futebol brasileiro.
20:41E, é claro, a frustração acaba gerando também
20:43uma certa decepção do torcedor.
20:46Vamos ver como é que vai ser nessa Copa do Mundo
20:48e, quem sabe, se ganha a Copa do Mundo,
20:49acho que essa conexão volta a se estabelecer,
20:52essa ponte volta a se estabelecer,
20:55mas passa muito também pela gestão da CBF
20:57com relação ao futebol brasileiro.
20:59Bruno, nessa resposta do Rafinha,
21:01ele acabou se contradizendo,
21:02porque ele disse que não usa a rede social,
21:05que ele não se importa muito com a rede social,
21:07que ele pede para os mais novos
21:08não utilizarem a rede social
21:10para não caírem na pressão da torcida.
21:12Só que aí, depois, ele pega um ar,
21:14e aí eu vou usar o termo que é popularmente conhecido
21:17nessa nova geração,
21:18é o pegar ar,
21:19é o famoso ficar puto,
21:21com quem não coloca a seleção brasileira
21:23como favorita a esse título de Copa do Mundo.
21:25Bruno Guimarães já tinha dado uma declaração,
21:27também nesse sentido,
21:28de se sentir incomodado.
21:30Bruno, se ele diz tanto que ele é blindado,
21:33que ele não se importa com as críticas de rede social,
21:35ele não pode, na mesma resposta,
21:3820 segundos depois,
21:39deixar claro que ele não gosta
21:41que as pessoas não coloquem a seleção brasileira
21:43como favorita.
21:44E com todo respeito,
21:45a seleção brasileira não chega na Copa do Mundo
21:47com favoritismo.
21:48Não chega,
21:49porque não construiu esse favoritismo
21:50durante esses quatro anos,
21:51durante esses três anos e meio,
21:53desde a final da Copa do Mundo,
21:54França e Argentina, Bruno.
21:55Sim, mesmo que ele não acompanhe,
21:58não sei como ele faz na rede social dele,
22:01as coisas chegam nele,
22:03e em todo mundo.
22:04Porque, vamos supor que você não tenha Instagram,
22:08não acompanhe lá o Twitter,
22:10enfim,
22:10que você tente ficar fora das redes mesmo,
22:13que no Instagram seja só o assessor
22:14que mexe lá,
22:16ele vai receber as críticas,
22:19alguém manda no WhatsApp,
22:21vai um amigo, um parente,
22:22manda lá no WhatsApp,
22:23olha o que esse cara falou,
22:24e manda um videozinho,
22:26olha o Kiko que está falando de você.
22:28Então, as coisas chegam.
22:30Até seria muito bom
22:31se eles conseguissem ficar blindados disso,
22:33porque na rede social tem muita coisa
22:35que você não deve levar a sério,
22:37nem para positivo,
22:38nem para negativo.
22:40Que às vezes,
22:40se você fizer uma coisa boa,
22:42ganhar jogo,
22:42no caso deles,
22:43são atletas,
22:44vivem ali do resultado
22:45a cada três dias.
22:47Quando ganha,
22:48também,
22:49se você levar a sério
22:50tudo que você lê,
22:50você vai achar que você é o Pelé,
22:52e quando perde,
22:54você vai achar,
22:54se você ler,
22:55levar tudo a sério,
22:56que você não sabe nem jogar futebol.
22:59Então,
22:59o ideal seria isso.
23:00Mas chega,
23:01não tem jeito.
23:02Mesmo que não seja na rede social,
23:03chega no WhatsApp,
23:04chega,
23:04alguém vai falar,
23:05alguém vai contar.
23:07Então,
23:07isso não tem muito o que fazer.
23:08Mas,
23:09de fato,
23:11nessa questão do favoritismo,
23:12é natural,
23:13é realmente,
23:14o desempenho da seleção
23:15foi ruim nesse período.
23:16Não quer dizer que não possa
23:18se acertar na Copa,
23:19mas esse ciclo,
23:21para mim,
23:22foi o pior que teve.
23:23Dos que eu vi,
23:23foi o pior.
23:24Foi pior que o 2002,
23:25sem dúvida,
23:26que 2002 ainda teve alguma coisa.
23:282002 perdeu seis jogos,
23:29a eliminatória foi ruim,
23:31trocou de técnico um monte de vezes,
23:32mas ganha a Copa América em 99,
23:36faz um bom jogo contra a Argentina no Morumbi,
23:38o jogo que o Van Peta fez dois gols.
23:40Tem alguma coisa,
23:42tem momentos ali bons da seleção brasileira.
23:45Nesse ciclo não teve nada.
23:46Eu não me lembro.
23:48Se você quiser ser muito bonzinho,
23:50aqueles dois primeiros jogos do Dorival
23:52que ganha da Inglaterra,
23:53empata com a Espanha,
23:54mas, assim,
23:55é muito pouco,
23:56é muito pouco.
23:57Então,
23:58para mim,
23:58é o pior ciclo que teve na seleção
24:00dos que eu vi,
24:00com certeza.
24:01Então,
24:02é natural que as pessoas
24:02tenham essa desconfiança,
24:03ainda mais com o acúmulo ali
24:05de 24 anos sem ganhar.
24:07Eu falei ontem,
24:08que eu assisti o filme do Tetra,
24:09eram 24 anos ali também.
24:10Eles falam muito da pressão que tinha
24:12por causa disso,
24:13de não vencer
24:14há tanto tempo.
24:15E agora o Brasil iguala
24:16aquele mesmo período.
24:17Então,
24:17é normal que as pessoas
24:19estejam desconfiadas.
24:20Quase...
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