00:00Eu queria que você trouxesse um panorama de todas as rodadas, de tudo que vocês vêm propondo e discutindo nessas
00:09assembleias.
00:10E diante disso, o que significa essa aprovação de hoje para a categoria?
00:17Pronto. Nós desde março estamos tentando negociar com o sindicato patronal, apresentamos uma pauta de reivindicações,
00:24porque há uma série de situações hoje que necessitam de um olhar cuidadoso em relação ao professor.
00:30O professor está sofrendo de sobretrabalho, o professor está trabalhando de forma exagerada,
00:36o professor está trabalhando uma quantidade de horas muito superior àquilo que ele é contratado pelas escolas.
00:43O professor tem feito avaliações, atividades em número muito maior do que aquilo que habitualmente nós fazíamos.
00:51Tudo isso demanda tempo e esse tempo não é pago.
00:54Professores estão adoecendo, professores estão trabalhando em escala 7x0, trabalhando aos domingos, aos feriados,
01:01em férias e em recesso muitas vezes para dar conta à noite, sem remuneração.
01:08Esse é um primeiro ponto, porque isso afeta saúde e bem-estar da categoria.
01:12Isso afeta a qualidade do trabalho que a gente pode garantir para as escolas.
01:17Acontece que o patronal, o sindicato patronal, aquele que representa os donos de escola,
01:23simplesmente diz não a todas as propostas que a gente está fazendo de busca de melhorias em direitos,
01:31seja aqueles que nós já temos, que precisam ser melhorados,
01:34ou a criação de direitos novos que regulem a relação entre escolas e professores.
01:40Para isso, o patronal tem dito não o tempo todo.
01:43No entanto, desde o início da negociação, que efetivamente aconteceu a partir do final de abril,
01:48o patronal apresentou uma pauta que é uma contraproposta.
01:52E qual é a contraproposta deles?
01:55Diminuir, reduzir direitos que nós já temos.
01:57O direito ao recesso no meio do ano,
02:00o direito à bolsa de estudos para filhos de professores em escolas.
02:03Para se ter ideia, a bolsa de estudos para filhos de professores em escola
02:08pode ser reduzida de 90% para até 40% de desconto,
02:13o que significa dizer que muitos pais professores não poderão ter seus filhos
02:17nas escolas em que eles mesmos trabalham.
02:20É este o patronal, são estes os donos de escola que nós temos aqui na Bahia.
02:24Temos um piso salarial de R$ 12,00,
02:26que eles se negam a qualificar, e pior,
02:29em mesa de negociação, dizem que esse piso salarial de R$ 12,00
02:33é um piso justo e digno.
02:35O que a gente discorda profundamente.
02:38A categoria hoje aqui, nessa Assembleia do dia 9,
02:41com atividades paralisadas, uma Assembleia imensa,
02:44entre participantes virtuais e participantes presenciais,
02:47quase 900 pessoas,
02:49o que é um marco histórico já para a nossa categoria,
02:52disse não a isto.
02:53Nós decretamos hoje estado de greve,
02:55o que significa dizer que a qualquer momento podemos entrar em greve,
02:59convocamos uma Assembleia com paralisação novamente
03:01para quarta-feira da semana que vem,
03:03esta Assembleia, se nada mudar no patronal,
03:07deflagrará a greve da categoria,
03:09e aí a gente vai discutir em outros termos a partir da greve.
03:12Mas é isso que temos, um patronal que desrespeita,
03:15que desqualifica e que desvaloriza os professores e as professoras na Bahia.
03:20Perfeito, muito obrigada.
03:21Só para a gente finalizar,
03:23hoje aqui foi aprovado esse estado de greve,
03:26que significa, como você explicou, essa pressão,
03:28e essa deflagração vai acontecer nessa próxima Assembleia.
03:32Vocês vão ter uma reunião no dia 15 com o setor patronal,
03:35então o que é que, logicamente,
03:38que em termos práticos a gente poderia entender
03:40que deveria acontecer nessa reunião
03:42para que na próxima Assembleia do dia 17,
03:44esse estado de greve não precisasse, entre aspas,
03:48ser deflagrado de fato?
03:49Pronto, a primeira coisa, e óbvia,
03:52é o patronal desistir da redução de direitos
03:55que eles propuseram e que mantiveram a proposta até agora.
03:58Esse é o primeiro ponto,
03:59a gente não discute tendo uma proposta de redução de direitos.
04:02O patamar mínimo é a manutenção da convenção e o seu ajuste.
04:06No entanto, não é apenas isto que a gente está colocando.
04:10A gente precisa garantir que essa possibilidade de redução
04:13saia de cena,
04:14seja retirada por eles e começar a negociar de fato
04:18aquilo que nós propusemos,
04:20porque são questões urgentes
04:22para o bom trabalho e para a saúde do professor.
04:25Nós estamos falando não apenas,
04:26nós não estamos nem discutindo ainda
04:29índice de reajuste.
04:31Nós estamos discutindo questões que dizem respeito
04:34à qualidade de vida, à qualidade do trabalho,
04:37saúde e bem-estar.
04:37Não dá para trabalhar o quanto se está trabalhando em escola
04:40sem remuneração.
04:41O professor trabalha horas, enfim,
04:45das horas incontáveis, literalmente de graça
04:48para donos de escola,
04:50que no entanto lucram com a exploração do nosso trabalho.
04:53Então, se eles desfizerem esta posição
04:55e sentarem à mesa com disposição de discutir
04:59aquilo que a gente apresentou como pauta,
05:01eu entendo que a normalidade se reinstala.
05:04Muito obrigada.
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