00:00Essas pessoas estão aí, estão precisando desse tipo de resultado
00:02e quando a gente se propõe a fazer esse tipo de tecnologia,
00:06ela não pode partir de uma tecnologia ensimesmada, né?
00:09Que pensa na tecnologia pela tecnologia, mas é a tecnologia para as pessoas.
00:13Criada em Pernambuco, a Neuroboots nasceu com o propósito de aproximar ciência e tecnologia da vida real.
00:19O reconhecimento veio rápido.
00:20A empresa foi eleita a melhor startup de saúde do que a startup Grand Challenge na Coreia do Sul
00:25e escolhida pelo Itamaraty para representar o Brasil na área de inovação do G20 na Indonésia.
00:31Hoje, desenvolve soluções de neuroengenharia voltadas principalmente para a reabilitação de pacientes
00:37que perderam movimentos após doenças neurológicas.
00:40A Neuroboots é uma empresa de neuroengenharia que nasceu com a missão
00:44de trazer o que há de ponta na academia, na ciência, de forma acessível para o mercado,
00:51para as pessoas que realmente precisam do dia a dia desse tipo de solução.
00:55A Neuroboots começou em 2016 e aí já com a ideia do EZOBOTS, da logorobótica,
01:01para a reabilitação de pacientes pós-AVC, que é a doença que mais causa incapacitados no mundo.
01:07São 16 milhões de casos de AVC, mundo afora, e 70% de todos os sobreviventes nunca voltam ao trabalho.
01:14Então, esse foi o primeiro grande problema que a gente começou a abordar.
01:17Foi um salto bem orgânico, vista a necessidade que se tinha no mercado e a paixão que nós tínhamos pela
01:23tecnologia.
01:24Mas paixão sozinha não basta quando o assunto é saúde.
01:28Para transformar uma ideia em tecnologia capaz de chegar aos pacientes,
01:32foi preciso investir em pesquisa, reunir especialistas e validar cientificamente cada resultado.
01:37Em 2018, participamos de um programa do CNPq e iniciamos o primeiro ensaio clínico,
01:44a primeira pesquisa feita com o nosso equipamento, que foi uma pesquisa feita pela UFPE.
01:48E nessa pesquisa a gente teve um resultado impressionante, bem além do que a gente esperava, inclusive.
01:55E eu acho que um das que mais me marcaram foi a primeira paciente que saiu da pesquisa que tivemos
02:01com a UFPE em 2018.
02:04Quando a gente viu o resultado do antes e depois, essa paciente tinha melhorado 70% em duas semanas.
02:09As escalas de avaliação, Madalena, no nome dela, ela, poxa, extremamente satisfeita, agradecida por aquele processo.
02:18O sentimento era que se a gente tivesse trabalhado uns dois anos para reabilitar só aquela paciente,
02:22já teria valido a pena, porque a gente vê realmente o impacto na vida dessas pessoas.
02:26Os resultados animaram a equipe, mas transformar uma descoberta científica em um produto acessível ao mercado existe tempo.
02:33O avanço da Neuroboots foi acompanhado por anos de pesquisa e validação científica,
02:38percurso comum entre as chamadas de IPTECs.
02:41A grande questão é que quando a gente fala de IPTECs, que são essas startups que unem ciência e tecnologia,
02:48são startups que têm um tempo até de descoberta de pesquisa, de prototipação e de adoção pelo mercado,
02:56maior para o cientista que está lá fazendo pesquisa e precisar entender como é que isso se transforma em negócio,
03:04é uma longa curva de aprendizado.
03:07E é isso que a gente entra.
03:08E aí é para isso que órgãos como o Sebrae, como os atores do ecossistema de Pernambuco, eles trabalham.
03:15Eles trabalham para que esse movimento seja mais estruturado e que a gente cada vez mais consiga dar esse aspecto
03:23qualitativo
03:24aos cientistas, aos pesquisadores, que de fato a gente seja um portal transformador para as startups que queiram ganhar o
03:33mundo.
03:33É isso que a gente trabalha para isso.
03:36Se desenvolver tecnologia de ponta já era um desafio, transformá-la em um negócio sustentável exigiu uma expulsão ainda maior.
03:42Como muitas startups de base científica, a Neuroboots precisou aprender a conciliar pesquisa, inovação e empreendedorismo ao longo da própria
03:52caminhada.
03:53Quando a gente começou lá em 2016, tinha até uma certa impressão que as pessoas nem sabiam que era possível
03:58isso, de controlar algo pelo cérebro.
04:01Então, tinha até essa dúvida, né? O que esses meninos estão fazendo aí?
04:05Então, era uma dificuldade, às vezes, até para coisas mais simples, como impressão 3D.
04:09Então, a gente tinha uma impressora que ficava lá no meu quarto e imprimindo ali em 2016, madrugada, fazendo aquelas
04:17impressões.
04:18E dava muito problema. A impressão 3D era super escassa, você achava alguma coisa boa.
04:23Quando a chave era uma fortuna, bem diferente de hoje.
04:25Então, essas formas de prototipação rápida, tanto das placas de circuito impresso, quanto da parte física do plástico,
04:34hoje está muito mais fácil. A gente consegue fazer coisas muito mais rápidas.
04:38E, além disso, a programação ganhou um forte auxílio da inteligência artificial,
04:42o que permite que esses protótipos saiam de forma mais rápida.
04:46Como nós trabalhamos em um ambiente super regulado, a gente, obviamente, passa por todo o processo de desenvolvimento rígido,
04:53controle de qualidade, amplos processos de testes, mas o processo de prototipação, ele ganha uma força muito grande,
04:59uma agilidade muito grande nesse meio tempo.
05:02É uma grande responsabilidade fazer a ciência atrelar desse tipo de processo, mas é extremamente necessário.
05:09E faz parte do aprendizado, do amadurecimento, enquanto empreendedor, conseguir lidar e conseguir ir passar dessas barreiras burocráticas,
05:18das barreiras documentais, que, no final das contas, são para proteger o ambiente, são para proteger os pacientes, os usuários.
05:25Então, a gente tem que aprender a lidar com isso.
05:27E nesse processo foi um longo aprendizado, que a gente começou lá em 2017, já preparar para a pesquisa.
05:33Então, todas as documentações, testes necessários para isso.
05:36E, assim, no final das contas, é isso que traz a base forte para que as pessoas acreditem na tecnologia
05:42que nós estamos fazendo,
05:44mostrando os resultados e o impacto que ela pode trazer, tanto para os profissionais que atuam nessa área,
05:49como para o paciente na ponta, que vai sentir aquele resultado e aquele impacto na vida dele.
05:53Empreender não é fácil. De fato, a gente tem uma curva longa aí de aprendizado,
05:58mas eu acredito que quando a gente tem um propósito, identifica pessoas que podem contribuir e caminhos que podem te
06:05ajudar.
06:06Às vezes a gente bate muito a cabeça porque a gente vai só em certas situações que você não tem
06:12um domínio total.
06:13Então, aproveita em Pernambuco, que tem um ambiente propício para isso.
Comentários