00:00É muito importante para mim porque eu acho que aqui no Rio Grande do Sul, o Jango não é muito
00:05homenageado.
00:06Então, depois de tanto tempo e só de saber que aqui que ele estudou, eu não sabia.
00:12Por isso que um momento como esse é muito importante.
00:15Tem algum sonho que a senhora acha que ele não realizou em vida?
00:17Ah, eu acho que quase todos.
00:19Quase todos.
00:20Eu acho que foi muito pouco que ele pôde fazer, muito pouco tempo também, né?
00:24Em seguida ele foi tirado do Brasil.
00:28Acredita que ele sentiu falta de voltar para o Brasil?
00:32Claro, ele sentia muita falta.
00:34Eu acho que até morrer ele sentiu falta de voltar para o Brasil.
00:37Inclusive a vontade dele, como ele não podia voltar para o Brasil, era ir para a Europa.
00:42Porque já tinha aquele problema no Uruguai, na Argentina, que nós passamos horrores também.
00:47Mas são 50 anos, né? Mas a senhora ainda lida com o luto?
00:51Pensa muito nele?
00:52Não, eu penso muito nele, mas eu acho que tudo passa na vida da gente.
00:57Infelizmente, a gente tem que se conformar com as coisas.
01:01E eu, graças a Deus, que estou com meus filhos muito bem.
01:04O Jango morreu no exílio ou morreu do exílio?
01:07Ele morreu porque não pôde voltar para o Brasil.
01:11Isso é óbvio.
01:12Ele tinha uma saudade imensa do Brasil.
01:16Como é que foi esse início de relacionamento de vocês aí em São Borja?
01:21Como se conhecerem?
01:22Eu conheci o Jango quando tinha 15 anos.
01:26Eu fui levar uma correspondência para ele.
01:28Eu fui na casa dele.
01:30Mas eu conhecia ele de passada.
01:32Aí eu fui lá e minhas amigas.
01:33Olha o homem, olha o homem.
01:35Aí eu fui lá entregar.
01:37E aí ele desceu do carro, me agradeceu.
01:41Aí ele perguntou onde eu morava, que família eu era.
01:45Aí ficou aquela conversinha.
01:47E aí eu entreguei a correspondência.
01:49E depois, várias vezes, eu vi ele de longe.
01:54Mas voltei para o colégio.
01:56Então aí não adiantou nada.
01:57Não adiantou nada.
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