00:00O retorno das tragédias provocadas pelas chuvas não é por falta de aviso.
00:05Trata-se de uma distância entre o saber que vai acontecer e o investir para que não aconteça.
00:12Durante anos, foi mais fácil monitorar e socorrer do que investir para evitar.
00:18Isso é uma revolta, é uma revolta que é uma miséria. Isso é uma miséria, eu estou grávida.
00:23A Defesa Civil no Recife opera com a capacidade máxima. Monitora 9 mil pontos críticos na cidade, onde vivem mais
00:31de 200 mil pessoas.
00:33São áreas com baixo risco as que têm alta vulnerabilidade.
00:38E aí a gente faz um ciclo de vistorias técnicas, de monitoramento, atividade, ação porta-a-porta,
00:43que é essa atividade que a gente vai de casa em casa e sensibiliza os moradores.
00:47A gente intensifica a colocação de lonas plásticas, os mutirões nas áreas para a gente fazer todos os serviços.
00:53Em 2026, Pernambuco adotou o sistema via celular com alerta para os moradores sobre os desastres.
01:00Em outros estados do país, o recurso já existe há bem mais tempo.
01:04Em cidades como Olinda, o trabalho paliativo é adotado com rapidez, num cenário alarmante todos os anos.
01:12Aqui, são 241 áreas de risco.
01:15Muitos desses pontos apresentam perigo de deslizamentos de terra.
01:20A gente está desesperada, querendo que dê uma solução, tira o corpo dela dali com a criança,
01:26que não está sendo fácil para a gente, vizinho, parente, está sendo muito difícil.
01:31Para especialistas, os problemas causados pelas chuvas nesses locais
01:35não podem ser atribuídos apenas às causas naturais, como o volume de água que cai do céu.
01:41A desigualdade social, a ocupação desordenada, ajudam a explicar o porquê que os desastres atingem sempre as mesmas áreas.
01:51Devido à ocupação, a ocupação desordenada, a ocupação que é um reflexo, inclusive, de uma ausência,
01:57de uma reforma urbana que o Brasil necessita,
02:01que é justamente levar para a população de baixa renda a condição para que ela possa morar em locais seguros,
02:06então elas habitam essas áreas de risco.
02:08Ainda de acordo com o pesquisador, as cidades brasileiras foram projetadas para um clima que não existe mais.
02:15O ritmo do colapso climático é mais rápido que a capacidade de adaptação urbana aos desastres.
02:21A nova escala dos problemas causados pelas chuvas exige muito mais do que o trabalho paliativo e de verbas emergenciais.
02:31É verdade, o poder público pode exigir de várias formas.
02:32Primeiramente, com ações estruturais.
02:35O Estado tem que atentar para várias questões.
02:37O Estado tem que se preparar a criar centros de recepção das pessoas
02:42e não comprometa outras funcionalidades, como a funcionalidade educacional,
02:47tão importante que muitas vezes ela é interrompida justamente porque há uma outra demanda emergencial
02:54considerando os desabrigados desses momentos de exceção.
02:58O Estado tem que se preparar a criar centros de recepção de recepção de recepção de recepção de recepção.
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