00:00A confusão começou depois da morte de dona Rayuda Malafaia, de 77 anos,
00:05que foi encontrada sem vida dentro de casa no último domingo.
00:09O corpo foi levado para os procedimentos legais e, segundo a família,
00:13foi nesse processo que teria acontecido a troca dos corpos.
00:18A nossa dor de cabeça começou quando foi para o SVO, faz a entrevista lá
00:23e a filha da senhora, da senhora Nerina, que seria velada no lugar da minha sogra,
00:31ela fez a entrevista junto com o meu marido, cada um numa mesa.
00:35Então, o policial civil entrevistou o meu marido e, porque precisa ser um parente em primeiro grau,
00:40e na outra mesa, a filha da senhora Nerina foi entrevistada.
00:45Acreditamos nós que, quando foram entregar essas fichas e essa documentação,
00:50houve alguma confusão lá e o SVO grudou a etiqueta com o nick errado.
00:57As duas vieram para o IML, foi feito o reconhecimento do corpo aqui, tudo normal.
01:02Só que, na hora de ir despachar para a funerária, houve alguma troca.
01:07Eles afirmam que é impossível, mas que houve.
01:10E uma funerária levou Rayuda Malafaia, como a Nerina, para a Carpina.
01:16O erro só foi descoberto no momento do velório.
01:20Familiares e amigos que vieram até do estado de Alagoas para a despedida
01:24se surpreenderam ao perceber que o corpo entregue não era o da idosa.
01:29Eu tiro o véu do rosto da senhora Ana Nerina, jurando que era o da minha mãe.
01:34E aí eu constato que não é a minha mãe, sendo que naquele momento,
01:37a gente bem abalada, uma perda de uma mãe, etc e tal.
01:42Eu fui o primeiro a vê-la, então estava aquele desgaste emocional gigante,
01:46e eu quis acreditar que era a minha mãe.
01:48Porém, era óbvio que não era a minha mãe.
01:50Então eu chamei outros familiares para eu não entender que eu estava ficando louco.
01:55E aí os outros familiares chegaram e disseram, essa aqui não é sua mãe,
01:58essa aqui não é minha tia, essa aqui não é sua madrinha.
02:01O estado de Pernambuco não teve a capacidade técnica e jurídica
02:04de tutelar o corpo da minha mãe, impedindo assim que eu consiga me despedir com dignidade,
02:11que a família dela consiga se despedir com dignidade.
02:15Pessoas que vieram de Rio Largo, que são amigas de infância dela.
02:18Rio Largo é o interiorzinho, lá em Alagoas.
02:21Então são amigas que não se viam há 40, 50 anos.
02:24E agora, na hora da despedida, não vão se ver.
02:27Nesta sexta-feira, os parentes passaram o dia no IML do Recife,
02:31tentando conseguir uma nova liberação do corpo da idosa,
02:35que havia sido sepultado em Carpina.
02:38A gente já entrou com um processo contra o estado,
02:41e vamos acionar a funerária também, porque foi uma sucessão de erros.
02:45Se o SVO errou na etiquetagem, o Tavares Buril também errou
02:50quando foi verificar as digitais.
02:53Eles copiaram e colaram o que o SVO disse e não confirmaram.
02:57Então, quando chegou no IML, já estava com erro,
03:02passou pela funerária, que viu que era uma pessoa branca,
03:06chegou uma pessoa negra, não tinha nem como dizer assim,
03:09ah, não, mas ela ficou pálida, não dava.
03:11Eram pessoas, uma loira e a outra com cabelo preto, grande.
03:16Minha sogra tinha um cabelo bem curtinho.
03:18Era humanamente impossível.
03:20Um bebezinho não confundiria, sabe?
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