00:00Belo Monte é uma das maiores hidrelétricas do mundo.
00:03Há 10 anos, gera eletricidade para milhões de brasileiros.
00:07Mas no Xingu, a pergunta é quem paga o preço dessa energia?
00:13Dá pra ver que tem bastante coisa diferente aqui em Altamira desde a chegada de Belo Monte.
00:18São novas escolas, novos bairros, um sistema de tratamento de esgoto.
00:22Mas pra quem conhece bem o rio Xingu, tem mais coisas acontecendo.
00:27O nosso rio, ele tá tipo assim, paralítico.
00:32Ele tá vivo uma parte de cima, uma parte de baixo e aqui ele tá neutro, peixe muito pouco.
00:39A usina trabalha com capacidade total alguns meses do ano.
00:43Ela opera conforme o regime do rio.
00:46Então no primeiro semestre, é quando tem muita água aqui no Rio Xingu, que é o inverno amazônico, a gente
00:52gera muito.
00:52Somos a usina que mais gera no Brasil.
00:54No segundo semestre, conforme o projeto foi concebido, a gente gera muito pouco.
00:59Mas os impactos no rio são permanentes.
01:02Essa é uma grande tragédia.
01:04O rio não tem mais peixe, então a fome veio.
01:09O desvio da água para as turbinas afetou principalmente esta região conhecida como Volta Grande do Xingu.
01:15Ela ficou no meio do empreendimento entre a barragem e a usina.
01:20E agora não tem mais o fluxo natural do rio.
01:23Essa quantidade de água é controlada.
01:25Os peixes, eles perderam essa visão deles natural do rio.
01:28Eles não sabem mais o que é cheio e nem sabem o que é seco.
01:31Para a concessionária da usina, não houve grande impacto ecológico.
01:35Não há ruptura ecológica.
01:37O que há são manutenção das condições naturais da Volta Grande do Xingu.
01:42O monitoramento independente das comunidades mostra que tem menos peixe no rio e no prato.
01:48Com a ajuda da UFPA, eles calcularam que o consumo dessa principal fonte de proteína para os indígenas de Uruna
01:55caiu 70%.
01:57Porque não pode ser que haja uma produção de energia a qualquer custo.
02:02Dez anos depois da chegada de Belo Monte, famílias sibeirinhas ainda lutam para voltar para a beira do Xingu.
02:08Talvez a gente não vai estar mais para ver isso.
02:12Talvez sejam nossos filhos, nossos netos.
02:15Enquanto espera, Leonardo narra a tristeza em forma de poesia.
02:20No nosso rio nós andávamos, cantávamos alegre e sorria.
02:23Diferente desse lago onde nós andamos hoje em dia.
02:26O rio, ele era a nossa vida, a nossa mãe verdadeira.
02:31Antes com o nosso rio, não existia barreira.
02:34Mas depois de Belo Monte, só ficou a bagaceira.
02:37Obrigado.
Comentários