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  • há 1 dia

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Transcrição
00:00Os políticos de esquerda que são influentes entre os jovens parecem terem entendido uma coisa.
00:04A pauta identitária, quando aparece isolada, já não mobiliza a juventude como antes.
00:08Essa agenda, associada à defesa de temas como combate ao racismo, feminismo e direitos LGBTQIA+, não desapareceu.
00:14O que mudou foi a forma como ela aparece.
00:16A Folha ouviu pesquisadores e analistas para entender esse movimento.
00:19A avaliação é que a pauta identitária passou a ganhar mais força quando vem associada a temas materiais,
00:24como trabalho, renda, saúde mental e perspectivas de futuro.
00:27A deputada federal Erika Hilton é um exemplo desse deslocamento.
00:30Eleita com a bandeira dos direitos das pessoas trans, ela se tornou uma das parlamentares de esquerda mais influentes nas
00:35redes sociais.
00:36Mas o assunto que colocou seu nome no centro do debate nacional foi trabalhista.
00:39O fim desse que ela fez por um.
00:40Ela trabalha numa agenda que combina identitarismo com questão social.
00:45Acho que ela percebeu que essa conexão é uma conexão muito importante
00:49para que o identitarismo não fique apenas como um selo moral.
00:53O mesmo movimento aparece de outro jeito em nomes emergentes da esquerda digital, como o Jones Manuel.
00:59Em vez de organizar sua comunicação em torno da linguagem identitária,
01:02ele fala a partir de uma gramática marxista, exploração, capitalismo e disputa ideológica.
01:06A partir daí, a disputa deixa de ser apenas sobre quais temas mobilizam os jovens
01:10e passa a ser também sobre como eles são apresentados.
01:12Na pesquisa da AP Exata, por exemplo, os jovens de 16 a 18 anos aparecem mais próximos da esquerda,
01:17com 44% de tendência de conexão, especialmente por afinidade com questões como diversidade,
01:22meio ambiente e justiça social.
01:24Mas essa aproximação não significa necessariamente militância partidária ou adesão ideológica formal.
01:28Ao mesmo tempo, as pesquisas mostram que é um erro tratar a identidade como uma pauta exclusiva do campo progressista.
01:34Algumas pautas identitárias são apropriadas muitas vezes,
01:37a gente vê isso muito nas redes sociais, né?
01:39São incorporadas em narrativas, por exemplo, dos influencers,
01:43com narrativas sobre empreendedorismo e autorealização, né? Por exemplo.
01:48A direita também mobiliza identidades, mas com outra linguagem.
01:51Família, religião, segurança, mérito, autoridade e responsabilidade individual.
01:55Entre jovens de 19 e 24 anos, essa conexão com a direita cresce para 21%,
02:00atraindo parte de uma geração incomodada com o que percebe como excessos do campo progressista.
02:04Isso ajuda a explicar por que a resistência à pauta identitária nem sempre é uma rejeição à diversidade.
02:09Muitas vezes, o incômodo está na forma como esses temas chegam.
02:12Então, eu considero que desassociar a agenda identitária da agenda social
02:18é um erro que a esquerda não pode cometer se ela quiser dialogar com essa nova configuração
02:23do mercado de trabalho, dessa nova juventude que emerge desse Brasil,
02:28que não é mais um Brasil fabril, né?
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