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  • há 2 dias
Final do primeiro episódio da novela Maria Maria

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Transcrição
00:03Da planta que nasce em terra quente
00:08Da cigarra que canta na lueira
00:14Do riacho seco que já é caminho
00:17Do xiquixi
00:19Manda caru e catingueira
00:24Do vento que sopra constantemente
00:30Dos pássaros que voam de arrimação
00:35Da boiada que pastam no teomete
00:40Se encontrar o peito de vegetação
00:46Da maria do rosto de rumã
00:51Da cantoria em noites de luar
00:55Dos pingos de ovaro na manhã
01:02Da pipoia da gente sem bala
01:05Da pipoia da gente sem bala
01:37Eles foram embora
01:38Eu vi
01:40Minha mãe me disse que rolou muita carne aqui
01:42Ontem a noite
01:44Eu ouvi a música
01:45O cantador improvisando
01:47A viola
01:49Seria bom se engajar numa tropa e sair por aí
01:53Maria
01:54Você tá me ouvindo?
01:55Olha pra mim
01:57Você tá chorando
02:00Você tá com fome?
02:03Então não tem razão pra chorar
02:05Maria!
02:07Teu pai te bateu?
02:08Ô Maria!
02:10Tua mãe?
02:11Você não tá ouvindo?
02:13Não, peste!
02:15O que você tá fazendo aqui, hein?
02:17Espionando
02:18Parejando toicinho
02:19Pois olha, hein?
02:20Pra você não tem nada aqui
02:21Nem cheiro
02:23É, é, é
02:23Porque o que nós temos mal dá pra nós
02:25E depois as crianças não precisam de alimentação
02:28Você sabe
02:28A idade moça ajuda
02:29E até que ficar uns dias sem comer faz bem
02:31E você?
02:33Você só é boba
02:33Se tivesse ido
02:34Agora tava comendo do pão
02:35Quem não foi bobo foi o mineiro
02:37Ele comprou
02:38Mas deixou ficar
02:50É verdade o que eles disseram, Maria?
02:54É verdade, Maria?
02:58Entendida?
03:02Então é por isso que você tá chorando?
03:12Então por que você tá chorando?
03:18Porque ele não me levou
03:24Quando a gente vai embora
03:27Deixando alguém que chorou
03:30A gente pensa que parte
03:33Mas sabe que lá ficou
03:35Muito cria
03:38Porque é meio que a gente vai a nós
03:50Não vai sair
03:55Não vai ser
04:18Cadê o Luciano?
04:20Deve de estar chegando.
04:22Eles não vão te perdoar porque o tropeiro não te levou.
04:26Estão dizendo que você não serve pra nada.
04:31Você vai num negócio e diz.
04:34Quanto é esse salvo?
04:35O homem diz.
04:37E você fala.
04:40Eu pago, mas não levo.
04:43O sal foi vendido, mas não foi comprado.
04:47Assim fui eu.
04:49Você é o sal da terra.
04:52Eu sou o sal que a gente paga, mas não compra.
04:56Tentei de comer pro nosso pai, pra nossa mãe, durante sete dias.
05:01Eles parecem doentes da cabeça.
05:04Eles estão doentes.
05:06Da cabeça de tudo.
05:09E o Luciano?
05:11E de Javene?
05:13A mãe dele bateu nele porque ele vem aqui ler o jornal.
05:18Luciano é burro.
05:20Ele é o único que tem por aqui.
05:22Ah, esse tom dos demônios!
05:26O pai e a mãe vão dormir.
05:29O pai enxoro.
05:31A mãe também.
05:35E eles vão morrer.
05:38Todo mundo vai morrer.
05:40Você vai embora mesmo?
05:43Assim que der.
05:45E o Luciano vai comigo.
05:49Vocês deviam de vir também.
05:51Lá em Mucurje vai ser mais fácil.
05:53A gente vai arranjar trabalho, vocês vão ver.
05:56E o pai e a mãe?
05:58Se todo mundo for embora, quem fica aqui?
06:00Quem vai cagar um burro pro bró?
06:03Se a gente não pensar na gente agora, quando é que vai ser?
06:06E aí, gente, chega a dor aí!
06:09Não, pai!
06:11A barriga parece que vai estourar.
06:14Vocês estão queimando azeite?
06:17Não, pai!
06:18Já tá apagado!
06:25Oi!
06:26Você trouxe o jornal?
06:27Tá aqui.
06:28É de São Salvador.
06:30Mas tem uma notícia muito triste.
06:33O que aconteceu?
06:35Aquele poeta, lembra?
06:36Aquele de Primaveras.
06:38Ele morreu.
06:41Lê pra nós, né?
06:42Lê.
06:43Deixa eu só achar aqui.
06:45Tá aqui.
06:50Faleceu ontem, em Friburgo, na província do Rio de Janeiro,
06:54o poeta Casimiro de Abreu, autor de As Primaveras.
06:58Filho natural de pai português e mãe brasileira,
07:01teve uma infância feliz no seu torrão natal.
07:04Foi exilado pelo pai em Portugal durante quatro anos.
07:08De volta ao Rio, levou uma vida boêmia e desregrada,
07:11ao mesmo tempo que continuou se dedicando ao comércio
07:13por vontade de seu pai.
07:15No ano passado, Casimiro de Abreu publicou o seu único livro,
07:19As Primaveras, de onde tiramos este poema, Amor e Medo.
07:24Casimiro de Abreu falece aos vinte e dois anos.
07:33Lê a poesia, lê, Luciano.
07:37Quando te vejo e me desvio calto
07:40da luz de fogo que te cerca,
07:42ó, bela, contigo dizes suspirando amores,
07:45meu Deus, que gelo, que frieza aquela.
07:49Como te enganas,
07:51meu amor é chama que se alimenta no vorá segredo.
07:54E se te fujo, é que te adoro louco.
07:58És bela, teu moço,
08:01tens amor e um medo.
08:25Que iso é que me desvio calto,
08:27o che invança a coroa que te pains,
08:28torde as me as espirza o magro epil suffering,
08:29e cada um ou efeito.
08:35Se for de마da é que te enganos وestảo ele,
08:38ou eu 안i em troca da luz de fogo falar.
08:43Is Tak na Águila amores.
08:47Que faz m�
09:09Se lembra de mim?
09:11Eu sou Ricardo Valeriano Brandão
09:13e vim para te buscar.
09:15Vixe, Maria.
09:18Onde é que está a metade de corrente que eu te dei?
09:21Aqui.
09:23Onde é que está teu pai?
09:25Lá dentro.
09:26Foi dormindo agora.
09:28Eu não posso esperar.
09:30Eu vim somente para te buscar.
09:32Eu quero estar no Mucuge antes do fim do próximo dia
09:34e são muitas léguas até lá.
09:35Eu só vim te levar.
09:37Chama teu pai.
09:40Pai!
09:41Pai!
09:41Coração bate forte sobre o peito de Maria.
09:48Vai acompanhar, Ricardo, antes que rai outro dia.
09:53Você vai correr, Maria?
09:55Vou.
09:55É o meu destino.
09:57E os nossos planos?
09:59Ele é o meu destino.
10:01E o pai me vendeu a ele um dia.
10:02Hoje ele só vem me buscar.
10:05Seu Raimundo Alves.
10:06Dona Maria Rosa.
10:08O que é que eu tentaria é essa?
10:10Não pode estar aqui.
10:11O que é que está aí, meu Deus do céu?
10:13Quem é essa?
10:14O seu menino, Maria.
10:15O seu menino está de volta?
10:17O seu menino?
10:18Então, seus carnes, seus processados, nós...
10:20Raimundo Alves, Dona Maria Rosa.
10:22Escutem bem o que eu tenho a dizer.
10:24Oito dias passados
10:26Eu estive aqui e eu sei que me venderam Maria por uma mão de sal.
10:29Um lanho de tocinho e carne.
10:32Eu paguei, mas não comprei.
10:35Mas meu coração de tropeiro pede mais.
10:38Não consegue esquecer Maria.
10:41E hoje eu voltei para levar.
10:43Não como mercadoria.
10:47Mas como a mulher que vai ser minha esposa.
10:50Que gente não pode ser comprada.
10:52Tem que ser conquistada.
10:53É, mas seu Ricardo, o tocinho, a carne, o sal já acabou.
10:56Será que o senhor podia...
11:02Não, não, não, não, não, não.
11:06Se aproxima e saia, saia.
11:07A filha é nossa e a paga também.
11:10Ela vale menos que isso.
11:11Mas esse mineiro generoso compreende a nossa situação.
11:14A gente não troca uma filha por nada.
11:16Deus castiga que vende um filho.
11:19Bendita, bendita.
11:20Eu não comprei, amor.
11:22É um presente que eu dou para os pais.
11:26Se ela quiser vir comigo, ela vem.
11:29Se ela não quiser,
11:31eu vou sofrer o resto da vida.
11:33Mas nada eu posso fazer.
11:35Não vai, Maria.
11:36Vai sim, minha filha.
11:37Sua boba, isso aqui você morre de fome.
11:38Fica aqui, Maria.
11:39Não vai, Maria.
11:40Vai, minha filha.
11:42Não, Maria, fica aqui.
11:50Eu vou porque quero.
11:53Eu vou porque quero.
11:54Eu vou porque quero.
11:54E os nossos sonhos?
11:56Eu vou porque quero.
11:58Fui vendida, mas não fui comprada.
12:00E esse homem me quer.
12:02Eu não nasci para morrer aqui.
12:04Entre essa fome e essa seca.
12:07E meu coração manda que eu vá-me embora
12:09com quem venho me buscar.
12:11Adeus.
12:35O que foi?
12:43Onde é que ele está?
12:45O Ricardo.
12:46Que Ricardo, menina?
12:48Você estava sonhando.
12:54Sonhando?
12:59Ouça o final do poema.
13:01Oh, não me chames coração de gelo.
13:04Bem vês.
13:05Trai-me no fatal segredo.
13:07Se de te fujo,
13:09é que te adoro muito.
13:10És bela, eu moço.
13:14Tens amor, eu medo.
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