00:00Vocês sabem que eu vou pra rua o tempo inteiro, né?
00:02Saio gravar o hino e tudo mais, fazer entrevistas.
00:05E aí eu encontrei uma pessoa que disse assim,
00:08Olga, que maravilha te encontrar, tiramos foto e tudo mais.
00:12Ela é minha fã, me acompanha há mais de 30 anos.
00:16E aí ela falou sobre um problema grave que ela teve de saúde.
00:20E eu falei assim, meu Deus, como é possível isso?
00:24E Matheus entrou em ação e foi lá conversar com a nossa amiga.
00:27Quer ver? Acompanhe a história dela.
00:30Viver sem estômago.
00:32Para muita gente, isso parece impossível.
00:36Mas essa é a realidade da Cleusi há sete anos.
00:40Que precisou reaprender a se alimentar, a cuidar do corpo
00:44e a encarar a vida de uma forma completamente diferente
00:48após um diagnóstico de câncer.
00:51Ai, quando eu fiz o exame que falou que eu estava com câncer,
00:57o mundo desabou.
00:59Abriu um buraco, caí lá dentro do PAC.
01:03Porque minha filha estava com os exames em mãos que fizemos.
01:06Daí passei mal, ela me levou e falou, doutora, olha esse exame aqui para mim.
01:10Não, leva no poço.
01:11Foi feito, eu não olho aqui, só dou medicamento e mando embora.
01:14Mas doutora Sara, olha, por favor.
01:17Ela olhou e falou, quem que pediu isso?
01:19Daí ela falou, Paulo, farmácia do Paulo pediu.
01:22Daí ela fala, isso vai xingar nós.
01:24Ai, meu Deus, tua mãe está com câncer.
01:26Quando ela falou isso, porque eu não sabia que os exames estavam com as meninas escondidas
01:30de mim, todos os dias falavam, mãe, está bem?
01:33Mãe, está boa, mãe?
01:34Mãe, como é que a mãe está?
01:35Estou bem, por quê?
01:36Todo dia elas queriam saber que está doendo o estômago da mãe.
01:39Elas ficavam, estavam tudo meio assim, sabe?
01:40Meu filho também via, me abraçava, assim.
01:43Falei, alguma coisa está acontecendo, né?
01:46Daí um dia eu passei mal.
01:48Daí ela me levou lá, né?
01:49A doutora viu.
01:50Ai, eu vou levar minha mãe.
01:52E eu caí, desmaí.
01:54Caí assim, sem mal.
01:56Falei, não quero morrer, igual morreu meu irmão, né?
01:57Porque eu perdi um irmão de casa.
02:00Daí ela falou, a minha filha falou, vou levar minha mãe lá no gastro.
02:03O doutor, gastro clínico, não sei aonde aí, né?
02:07Daí a doutora falou, não.
02:08Já vi tudo, está tudo em mãos, o que eu preciso.
02:11Manhã, sete da manhã, isso foi no domingo.
02:14Você pode levar tua mãe lá no PECAM, que com esses exames em mãos,
02:19eles vão ver o que vai fazer.
02:21Não, não precisa fazer mais nada.
02:23Não.
02:24Levou lá, examinaram e tal.
02:27Daí pegou e falou, domingo, seis da tarde, traz tua mãe para internar.
02:31Já foi numa semana, já fui, já operei.
02:34A história dela é um exemplo de superação e também de como a medicina pode transformar vidas.
02:41Os sintomas iniciais acenderam um alerta na família.
02:45Tudo que comia, fazia mal.
02:47Do ir, vinha uma, não comida nada, uma crosta branca, assim, sabe, linguenta,
02:56tipo uma clara de ovo, assim, sabe, eu vivia guspindo aquilo.
02:59Quando vinha, assim, podia estar lá na pia, lavando a louça, tinha que sair correndo, guspindo.
03:04Daí eu mandava foto para minhas filhas, ó, mãe, estou vomitando isso aqui, o que será que é?
03:08Vinha com essa um limbo, sabe, uma coisa estranha.
03:12Daí ia sofrendo, na fila do posto esperando uma endoscopia.
03:17Mas ia fazer dois anos e não saía.
03:20Daí ela falou, vamos pagar, mãe, não está bem.
03:23Uma noite eu passei uma noite inteira com a barriga desse tamanho,
03:26sentada assim na frente do ventilador sem ar.
03:29Morava só eu e ele aqui no centro, uma casinha no estacionamento.
03:33Nós temos estacionamento no Lusitano.
03:36Daí eu falei, Ana, acho que a mãe vai morrer, Ana.
03:39Falei para ela, passei a noite inteira mal, teu pai dormia a noite inteira, não viu nada e eu estou
03:43muito mal.
03:44Meu Deus, buscar a mãe para cá de volta, ela disse.
03:48Em minha casa, tinha dado para o meu filho morar.
03:51Daí ela pegou e separou, assim, um pouco para ele, metade para ele, metade para mim, buscou eu, trouxe ele.
03:56Daí ela falou, vou pagar um exame para a mãe.
03:58E foi onde constou que eu estava.
04:01Depois da descoberta, Dona Cleusi passou por quatro cirurgias e ficou cerca de dois meses internada.
04:08A retirada total do estômago, chamada de gastrectomia total, é um procedimento complexo,
04:15geralmente indicado em casos graves, como câncer ou outras doenças que comprometem o órgão.
04:22A Dona Cleusi, ela foi tratada conosco lá na OPECAM.
04:25Ela chegou para nós com uma queixa de dor gástrica, ao se alimentar, associada a vômitos e com isso ela
04:32já veio com uma endoscopia,
04:33que mostrava uma lesão no estômago dela.
04:36Foi feita a biópsia dessa lesão que confirmou, então, ser um câncer gástrico.
04:40Era um câncer gástrico inicial para a sorte da Dona Cleusi e a gente conseguiu resolver, remover todo ele com
04:48cirurgia.
04:48Ela não precisou complementar o tratamento com quimioterapia porque foi um diagnóstico muito inicial.
04:54Isso já tem sete anos.
04:57E, desde então, a gente acompanha a Dona Cleusi e é muito importante a gente falar que ela foi uma
05:03vencedora nesse processo todo,
05:05porque não foi tão simples assim.
05:06Ela passou por muitas complicações no pós-operatório, além da cirurgia que ela fez, que foi uma gastrectomia total,
05:13ela teve algumas complicações referentes a isso, ela precisou ser submetida a mais três procedimentos cirúrgicos
05:20e ela foi uma vencedora.
05:22Ela passou muitos dias lá com nós internado, mas ela nunca desistiu, continuou lutando para estar aí viva.
05:29E aí, há sete anos já sem a doença.
05:32Sem o estômago, o corpo precisa se adaptar.
05:35A alimentação passa a ser feita em pequenas quantidades, várias vezes ao dia.
05:41E com acompanhamento constante.
05:44Inicialmente, quando a gente faz a cirurgia, a nossa equipe tem o costume de deixar um desvio para alimentar,
05:49que a gente chama de jejunostomia, por um período curto de tempo.
05:53A partir do momento que a emenda, que a gente reconstrói esse estômago,
05:56a gente reconstrói com uma parte do intestino.
05:58Quando essas emendas que a gente faz lá por dentro, elas já estão bem cicatrizadas,
06:03a gente começa a liberar que o paciente comece a alimentar via oral, pela boca.
06:07E aí, depois disso, isso pode durar de 15 a um mês para ele estar comendo normalmente depois da cirurgia.
06:14Hoje, a dona Cleusi vive uma rotina relativamente normal, mas com algumas mudanças pontual.
06:22Tudo isso graças ao próprio organismo e ao acompanhamento médico que salvou a vida dela.
06:29Sim, o organismo precisa se readaptar.
06:32Ele perde um órgão, então ele precisa aprender a conviver com a falta dele.
06:38Então, a gente faz esse novo estômago para o paciente e aí o paciente percebe que alguns alimentos ele não
06:44tolera tão bem,
06:45alguns alimentos ele tem que mastigar mais, comer mais devagar, mais vezes ao dia.
06:52Então, são algumas mudanças que vai ser para a vida toda, que ele tem que reaprender também com essas mudanças.
06:58Mas é totalmente possível, totalmente viável e vida que segue.
07:03Após a cirurgia, o esôfago é conectado diretamente ao intestino delgado.
07:08Isso permite que o alimento continue seu caminho pelo sistema digestivo, mesmo sem passar pelo estômago.
07:15Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deve registrar 780 mil novos casos da doença por ano até 2028.
07:25O câncer gástrico, a cirurgia para o câncer gástrico, ela é o melhor tratamento.
07:32A gente precisa operar o paciente que tem câncer gástrico para a gente dar uma chance de cura para esse
07:38câncer.
07:39Então, sim, normalmente o paciente que tem câncer gástrico no estágio não tão avançado,
07:44ele cedo ou tarde vai ser submetido a uma cirurgia com intenção curativa,
07:49de remover todo esse tumor, remover todo esse câncer e ele ficar curado dessa doença.
07:52Dona Cleusi passou por toda essa luta firme e forte.
07:57No hospital, reunindo a força necessária para enfrentar e superar esse processo.
08:03Seguraram para não chorar.
08:05Quando elas me entregaram para uma enfermeira lá na porta,
08:08ela me buscou, eu assim com tanto carinho, sabe?
08:12Conversando, me levando.
08:16As meninas ficaram olhando para trás, ficaram assim, chorando.
08:24A banana mão dando um tchauzinho.
08:26Eu olhei e falei para elas, me segurei assim, sabe?
08:30Mas me segurei para não chorar.
08:32E aí falei para elas assim,
08:35não chore, a mãe não vai morrer.
08:37A mãe vai sair dessa, tenho certeza que eu vou sair.
08:40Só rezo o Salmo 91 para mim, que a mãe pediu.
08:44Todos os dias que eu fui na lança, fiz um Salmo.
08:49Falei, vai ficar aqui na estante, coladinha aqui.
08:52Vocês rezem todos os dias que eu estou pedindo,
08:54que Deus tocou para mim o Salmo.
08:59Ia me livrar, né?
09:01Sabe? Você é católica?
09:02Então tá.
09:03O Salmo é bem poderosa a oração.
09:07Daí a Luana disse que tirou, ela da estante,
09:10ela ia orando e voltava, rezando.
09:13Todos os dias.
09:14Quando eu saí do hospital, ela estava com o Salmo.
09:17A mãe, eu coloquei no meio da Bíblia.
09:19Que a mãe pediu.
09:21E estou aí.
09:22Fiquei muito fraquinha, muito ruim.
09:24Lembro do hospital, lembro de tudo assim, sabe?
09:29Porque um monte de clientes,
09:30tudo elas iam me visitar quando eu saí do ATI,
09:33saí do isolamento e tal.
09:34Falei, estou melhorando, estou saindo dessa, estou, né?
09:38Fui para o isolamento, fui para o quarto.
09:41Minhas clientes iam lá me visitar, falavam comigo.
09:44Não conseguia falar muito, né?
09:46Muito machucada e tal.
09:48Mas elas ficavam ali em volta de mim, conversando.
09:51Tenho bastante clientes, um monte de gente.
09:53Daí tem uns que, os parentes do lado do pai dela,
09:57falou, Dona Creuzi, a gente fez doação de sangue também.
10:01Falei, obrigado, Deus abençoe, né?
10:02Precisei sangue.
10:04Mas estou aí, eu lembro de muita coisa.
10:07Com disciplina, acompanhamento e força de vontade,
10:11é possível reconstruir a rotina e seguir em frente.
10:15A história da Dona Creuzi mostra que,
10:19mesmo diante de grandes desafios,
10:21o corpo humano e a fé podem abrir novos caminhos para recomeçar.
10:27E a união da família, com orações e promessas,
10:31ajudaram para esse momento ter um final feliz.
10:35Essa santa.
10:36Eu saía com a Ana, passava de frente à igreja matriz,
10:39por ali no fundo.
10:40Chegava aquela santa e eu chorava.
10:43A Ana dizia, mas por que a mãe chora?
10:45Cada vez que a mãe vê essa santa.
10:46Falei, Ana santa que estava lá em roda de mim,
10:49no hospital, me cuidando.
10:50Falava para ela.
10:51É bem ela mesmo, é essa santa.
10:54A Ana comprou uma grande assim para mim,
10:56ela e a Ana compraram, me deram.
10:58E a pequenininha põe dentro do meu carro,
11:00está lá no meu carro.
Comentários