00:00A estátua do Juquinha, na Serra do Cipó, homenageia o gentil andarilho que vivia nas montanhas e trocava flores silvestres
00:07por ajuda.
00:08Seu nome era José Patrício, e o estado de Minas conta sua história, imortalizada pelo monumento recém-restaurado,
00:15situado a 110 metros da rodovia MG10, em Santana do Riacho.
00:20Começamos pelo cemitério da Vacaria, onde ele foi enterrado em 1983.
00:25Quem nos conta a história é Dilceu Moreira, que o conheceu até os 14 anos e morou no mesmo terreno
00:32que Juquinha.
00:33Aqui você vê várias sepulturas, nenhuma delas identifica como sendo a dele,
00:38porque naquela época, por causa da simplicidade da família, não tinham condição de fazer uma sepultura na época,
00:44mas todos têm conhecimento de que ele foi sepultado aqui.
00:49De volta à região do Alto Palácio, a estátua fica próxima à casa onde o andarilho dormia
00:54depois de passar o dia na estrada.
00:56Aqui foi o local onde o Juquinha viveu.
01:00Todo o trabalho dele, durante a vida dele na beirada da estrada,
01:05mas ele vivia aqui e ele morava com o irmão, com a cunhada e com os sobrinhos.
01:11E essa casinha é onde ele tinha a privacidade.
01:16Era aqui que ele dormia.
01:17E eu convivi com o Juquinha durante toda a minha infância.
01:21Quando ele faleceu, eu tinha 14 anos de idade.
01:24Esta casinha aqui é uma cópia fiel da casinha onde ele morava,
01:28feita de pau a pique, muito simples o material.
01:31Você vê que todo ele de madeira simples, madeira rústica.
01:35Aqui tem até um...
01:38Não é parafernado que pertenceu a ele.
01:40Aqui uma cozinha muito pequena, que está ocupada.
01:43Esse é o quartinho onde ele dormia.
01:45Sabe como era a cama daquela época?
01:47Era de capim, colchão de capim, travesseiro de capim e a cama de madeira.
01:53Coisas muito simples, como o Juquinha era realmente muito simples.
01:58E todo esse reconhecimento que ele tem hoje
02:02é por conta da homenagem que fizeram para ele lá na beirada da estrada.
02:06Porque ele passou a vida inteira na beirada da estrada como subsistência.
02:11Ele vendia as coisas para viver.
02:13Claro, muitas pessoas ele dava também, dava informação,
02:17mas era uma pessoa muito querida.
02:19Todo mundo que vinha de outras cidades aí para cima,
02:21como o Serro, Conceição e Dom Joaquim,
02:24faziam questão de presenteá-lo durante a viagem.
02:26Como quase todo mundo naquela época do interior de Minas,
02:30era uma pessoa muito simples do Juquinha.
02:33Fumava o seu cigarrinho de paia,
02:36às vezes um cachimbo,
02:37andava com a espingarda caçando um bichinho.
02:40Porque naquela época tudo era subsistência.
02:43Você tinha que caçar para viver,
02:44você tinha que plantar para viver.
02:46Ninguém naquela época tinha os recursos que tem hoje.
02:49E por isso ele usava dessa facilidade que ele tinha
02:54para ir para a beirada da estrada para conseguir alguma coisa.
02:57Inclusive, em muitas ocasiões,
02:59ele ajudava a família do irmão com as coisas que ele ganhava na beirada da estrada.
03:03Pura amizade, pura troca de simpatia que ele tinha com o pessoal
03:09que frequentava a estrada da MG10.
03:13As montanhas, lagos e cachoeiras onde Juquinha viveu
03:17têm uma exuberância que explica, em parte,
03:19a alegria do sorriso que conquista turistas
03:22e foi imortalizado pela estátua de Virgínia Ferreira.
03:25Obrigado.
03:25Obrigado.
Comentários