00:00Pessoal, gente, vamos trazer um ingrediente pra essa discussão, porque o presidente Lula disse durante uma agenda no Nordeste que
00:05é preciso ampliar as alianças para ter a maioria no Congresso, mas disse que senador que tem mandato de oito
00:12anos pensa que é Deus. Vamos ouvir.
00:15Na minha opinião, o mais importante do Brasil é a gente tentar manter o regime democrático funcionando, inclusive com as
00:21suas instituições, sabe?
00:23Então as eleições presidenciais passam a ter uma importância muito grande, as eleições para o governador muito grande, mas as
00:29eleições para o Senado são muito importantes.
00:32São muito importantes porque um governador mantém uma relação civilizada com o presidente da república porque o governador também precisa
00:41do presidente da república.
00:42Mas o senador com mandato de oito anos, ele pensa que é Deus.
00:46E ele pode criar muitos problemas se você não tiver uma base de sustentação dentro do Senado.
00:52E aí, Fábio Piperno, essa frase do presidente Lula, dizendo que senador que tem um mandato de oito anos, pensa
00:58que é Deus, foi uma indireta alguém?
01:01Eu acho que foi uma indireta, sim, pra muita gente. Agora ela não tá muito longe da realidade, não, porque
01:07oito anos, convenhamos, é muita coisa.
01:10A gente tá falando de quase uma década. Quer dizer, o sujeito disputa uma eleição e se garante por oito
01:16anos.
01:16Quer dizer, se ele consegue se reeleger, ele vai ficar dezesseis anos.
01:21Então, é muita coisa, é algo que o Brasil tinha realmente que repensar.
01:27Mas é melhor...
01:28Eu tenho até muito medo quando surgem ideias mirabolantes aí pra se mexer em legislação eleitoral, em regras eleitorais.
01:37Eu acho ruim.
01:38Mas talvez possa ser pior ainda se os nossos criativos parlamentares quiserem mexer nisso.
01:44Mas, realmente, nesse diagnóstico, o presidente tem razão.
01:48Ô, Garen, sabe que é muito importante também, né, fazer alianças, ter uma boa governabilidade, né, do Poder Executivo aí
01:55com o Poder Legislativo,
01:56pra conseguir aprovar projetos, avançar com pautas, discussões importantes pra sociedade, mas sem fazer essas alianças.
02:02E, é claro, um senador, sabe, tem oito anos pela frente, ele utiliza isso como uma espécie de barganha, moeda
02:07de troca,
02:08pra dificultar esses acordos e também ter algo em troca?
02:11Totalmente.
02:12Aliás, aliás, o Senado representa hoje os interesses da sociedade brasileira?
02:18Essa é uma pergunta a ser feita.
02:20Porque, veja, há um grande clamor na sociedade, ou pelo menos de boa parte dela,
02:25de que o Senado faça um contrapeso, um bom embate em relação à Suprema Corte.
02:30E poder não deixa vácuo.
02:32O Senado é omisso.
02:33Aí, é claro que a Suprema Corte avança pela omissão do Senado.
02:37Então, muitas vezes, o pessoal critica com razão a Suprema Corte, mas não critica a omissão do Senado.
02:44Porque o Senado que deixa a situação chegar nesse ponto, de não fazer o freio, de não fazer o contrapeso.
02:51Esse é o primeiro ponto.
02:52Segundo ponto, acaba de aprovar aí uma lei, né, da tal da misoginia, uma lei vaga,
02:58que praticamente pode inviabilizar uma série de relações pessoais que são normais,
03:05levando a uma situação aí bem problemática para a sociedade.
03:11E aí eu pergunto também, é prioridade da sociedade brasileira esse tipo de coisa,
03:15ou é saneamento básico?
03:17É, então o Senado é omisso.
03:19Agora, para brigar por emendas parlamentares, aí não tem omissão.
03:22Aí, aí, aí é tigrão, né?
03:26Para brigar lá com o Poder Judiciário é gatinho.
03:28Mas para brigar por emendas, aí é tigrão.
03:31Para sentar no processo de indicação do Messias, aí também vale, né?
03:39Sendo que é prerrogativa do Presidente da República.
03:41Aí senta por bastante tempo, aí é tigrão.
03:44Então, assim, o Senado tem decepcionado.
03:47A verdade é essa.
03:48Nesse caso, eu concordo com a fala do Presidente.
03:53O Senado tem decepcionado, sim.
03:55Ô, Gani, só para falar, o tigrão pode.
03:57Tigrinho que é proibido, viu?
03:58Tigrinho, aí já é...
03:59Os próprios parlamentares votaram que é proibido o tigrinho.
04:02Mas tigrão está liberado.
04:03Tá bom.
04:03Bom, Zé Maria Trinidade, eu quero te ouvir porque, ao longo desses últimos anos,
04:07a gente cada vez mais vê governos de coalizão e a dificuldade dos próprios presidentes
04:12e do próprio Poder Executivo de conseguir governar.
04:16Você acredita também que esse poder que Lula fala em relação aos senadores achando que é Deus
04:21tem muito em relação a isso?
04:23De eles determinarem o que é importante e o que não é?
04:28É interessante que um amigo meu foi convidado para ser o secretário de imprensa do Supremo Tribunal Federal.
04:35E ele foi conversar com o presidente do Supremo e aí, na conversa, o presidente levou esse meu amigo
04:44para cumprimentar cada um dos onze ministros, né?
04:48E aí, no caminho lá dos corredores, o presidente do Supremo virou para esse meu amigo e disse
04:53Olha, cuidado, viu?
04:55Isso aqui é um campo minado.
04:56Porque tem muito ministro aqui que pensa que é Deus.
05:00E os outros têm certeza.
05:02Então, no Senado, tem muito senador que tem a certeza que é Deus.
05:06Que estão acima de regimento, dessas coisas tipo Constituição e leis e tal.
05:12Então, tem muito senador que pensa que é Deus e uns que tem certeza, né?
05:18Então, é essa história.
05:19Eu vou te mostrar aqui como o país sofre e o país se beneficia de uma política boa,
05:29uma política unida, em dois movimentos.
05:31O primeiro, Michel Temer, assumiu o governo numa condição muito ruim.
05:36O Brasil estava a passos largos para o brejo.
05:40Aí, ele instituiu uma situação que ele mesmo chama de presidencialismo congressual.
05:48O que significa?
05:49Ele dividiu o ministério, de uma forma transparente, entre os partidos e diz, olha,
05:56consequências e bônus.
05:58Ou seja, quem tem bônus sofre o ônus de gerir e de seriedade em cada pasta.
06:05E deu certo.
06:06O governo Temer foi bom, tirou o Brasil da ida para o brejo, né?
06:11No final do governo Dilma.
06:13E depois veio o presidente Lula.
06:15Ele fez um acordo de gestão de governabilidade que funcionou.
06:22Funcionou, né?
06:23Há trancos e barrancos ali e é por isso que ele conviveu com partidos
06:28que foram contra ele na eleição.
06:30Mas esse acordo do presidente Lula com os partidos foi apenas desde a gestão de governabilidade.
06:37E desde o início foi muito claro de que isso não incluía as eleições, como agora.
06:44Então, ele não tem que estar ressentido de partidos e de líderes que o apoiaram no Congresso Nacional,
06:50porque apoiaram o país, apoiaram em propostas.
06:53Todas as propostas do governo foram modificadas e aprovadas, como reforma administrativa e outras, né?
07:00Reforma administrativa não foi.
07:02Essa é porque o governo não quer.
07:03A reforma tributária e outros, como o PEC da Segurança Pública aprovada na Câmara,
07:08essa antifacção aprovada no Congresso Nacional, né?
07:11Câmara e Senado.
07:12Tudo dentro desse acordo de governabilidade, que é diferente.
07:16Então, assim, existe a possibilidade de se fazer um acordo de governabilidade com vistas ao futuro do país.
07:24Mas, deixando claro, olha, a eleição é outra coisa.
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