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Apresentado por Denise Campos, o Economia em Foco chega com mais uma análise economia essencial e descomplicada.

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Transcrição
00:05economia em foco. Olá pra você
00:08que acompanha a Jovem Pan, eu
00:09sou Denise Campos de Toledo e
00:11no Economia em Foco de hoje nós
00:12vamos debater o atual cenário
00:14macroeconômico incluindo os
00:15impactos da guerra do Oriente
00:17Médio e as possíveis
00:18implicações para os consumidores
00:20e atividade empresarial e um
00:22momento que já se constata
00:23desafios como os recordes de
00:25inadimplência. Contamos hoje com
00:27a participação da Camila Abdel
00:29Malac que é economista-chefe da
00:31Serasa Experian, do economista
00:33Gézé de Oliveira, sócio da Gol
00:35Associados, professor da FGV e
00:38online lá do Rio de Janeiro o
00:39economista Gilberto Braga que é
00:41professor do IBMEC. Então vamos
00:43ao Economia em Foco de hoje.
00:53Bom e já agradecendo a presença
00:55dos nossos convidados eu começo
00:57conversando com a Camila. Camila
00:58logo de abertura. Boa noite
01:00antes de mais nada. Logo na
01:01abertura eu falava desse problema
01:04de inadimplência que é uma
01:05questão que chamou atenção aí nos
01:07últimos dias não só pelos dados
01:08que foram divulgados inclusive
01:10pela Serasa mas o presidente Lula
01:12está falando muito disso. Ele
01:13falando que a população está
01:14gastando demais e depois coloca a
01:16culpa no governo e a gente tem
01:17outros levantamentos também em
01:19relação às empresas. Nós temos em
01:21paralelo alguns estudos do comércio
01:23principalmente preocupado com
01:24comprometimento de rendas com as
01:26betes mas tem uma questão que eu
01:28queria puxar que aí tem relação com a
01:31guerra do Oriente Médio e esse cenário
01:32todo é que o Copom cortou os juros
01:35menos do que se imaginava e deixou em
01:37aberto o que pode acontecer daqui
01:38pra frente e vai depender de todo
01:40esse contexto. Então você acha que a
01:42situação pode piorar? Qual que é a
01:43tua expectativa? Bom Denise muito
01:46obrigada pelo convite um prazer estar
01:48aqui nesse bate-papo com você sobre a
01:51perspectiva de política monetária né?
01:53Então a gente viu que o Banco Central
01:56deu um passo inicial um pouco mais
01:58cauteloso do que era esperado algum
02:00tempo atrás justamente em
02:01circunstância por conta do conflito
02:03que está acontecendo no Irã e a
02:07grande expectativa é se essa
02:09política monetária, se esse ciclo de
02:11corte de taxa de juros vai ter algum
02:13efeito no mercado de crédito o
02:15suficiente para reverter a tendência
02:18que nós estamos observando na
02:19inadimplência desde 2025 que é uma
02:22tendência de alta. Então quando a gente
02:25olha para os números de inadimplência
02:26do consumidor na base da Serasa
02:28Experian nós estamos acompanhando
02:30recordes desde janeiro de 2025. Quando
02:34a gente fala de CNPJs e inadimplência
02:36das empresas também a gente acompanhou
02:39recordes desde janeiro de 2025 e
02:42agora o dado de janeiro de 2026 que
02:45veio um pouquinho mais baixo. Mas aí eu
02:48queria até fazer uma observação
02:49também tem o problema de recuperação
02:51judiciais. É uma parte que a gente não
02:52vai entrar nisso mas também é um
02:54reflexo de dificuldades financeiras que
02:56as empresas vêm enfrentando. Sem dúvidas
02:59e aí o ponto é o seguinte será que com
03:02esse ciclo de corte de taxa de juros
03:05que começou a ser promovido pelo
03:07Banco Central haverá uma reversão no
03:09mercado de crédito? E no meu ponto de
03:11vista é muito cedo para a gente
03:14afirmar isso. Primeiro porque a gente
03:15não sabe onde realmente essa taxa de
03:17juros ela vai parar ao final do ciclo.
03:19A gente viu que pelo boletim Focus as
03:22expectativas de Selic para o final do
03:24ano de dois mil e vinte e seis estavam
03:25ao redor de doze por cento. Algum tempo
03:27atrás agora já está em doze vírgula
03:29cinco por cento. E tem gente falando em
03:32treze. Nós por exemplo na Serasa
03:34Expira nós estávamos projetando uma
03:36Selic de treze por cento e vamos
03:37promover um ajuste provavelmente para
03:40cima. Então eu acredito que esse ciclo
03:43de corte de juros ele vai ser
03:44insuficiente para mudar a tendência do
03:47mercado de crédito e
03:49consequentemente ainda é muito cedo
03:51para a gente falar que essa tendência
03:53de elevação da inadimplência está
03:56próximo do fim. E a gente ainda viu
03:58alguns ajustes do mercado financeiro
04:00depois da decisão do Copom, da
04:01divulgação da ata, do comunicado, toda
04:03cautela colocada pelo Banco Central
04:06acabou fazendo com que o mercado se
04:08mexesse. A gente viu pressões na chamada
04:10curva de juros, isso bateu no custo dos
04:13títulos públicos, teve toda a necessidade
04:15inclusive de atuação do Tesouro, mas
04:18essa é uma questão do ponto de vista
04:20dos investidores, mas há uma cautela
04:24maior do crédito em relação tanto a
04:26perspectiva de corte dos juros como
04:28essa situação de inadimplência, né?
04:29Sem dúvidas, quando a gente olha para os
04:31números na Serasa nós estamos falando
04:33de 81,7 milhões de CPFs negativados
04:38dado de fevereiro de 2026. Quando nós
04:42olhamos para as empresas são 8,7
04:46milhões de CNPJs negativados, sendo que
04:50desses ao redor de 8,3 milhões são
04:52micro e pequenas empresas. Quando a
04:55gente olha também a quantidade de
04:57dívidas por CPFs negativados, então
05:00cada CPF negativado em média carrega
05:02quase quatro a cinco dívidas
05:06negativadas e quando a gente fala do
05:08CNPJ, um CNPJ negativado em média
05:11carrega sete restrições. Então isso
05:13mostra o quão difícil que é para o
05:16brasileiro, pessoa física e para o
05:18empreendedor e para a empresa ali,
05:21pessoa jurídica, voltar a ficar
05:23adimplente. Então hoje esse é o quadro
05:25da inadimplência pela base de dados da
05:27Serasa. Primeiro a gente tem que ter uma
05:29perspectiva de crédito mais barato,
05:31depois um acesso mais fácil a novas
05:34condições de crédito, renegociação de
05:36dívida, tem a perspectiva também de
05:38atividade econômica, porque para as
05:39empresas, por exemplo, é importante
05:41que haja uma atividade boa e as
05:44previsões não são tão favoráveis para
05:46este ano. Mas agora eu queria falar com
05:48o Gilberto Braga, direto do Rio de
05:50Janeiro, para saber a opinião dele a
05:51respeito disso, finanças pessoais, a
05:54situação está pesando muito para o
05:55consumidor e como a Camila colocou,
05:57também para as empresas, não é?
06:03Denise, Géssia e Camila, um prazer
06:06muito grande participar desse bate-papo
06:08com vocês e a todo mundo que acompanha
06:10esse programa na Jovem Pan. Bom, o que a
06:13gente pode dizer é que com juros elevados
06:15por um período muito longo, é extremamente
06:18difícil, em glória, do ponto de vista das
06:21famílias, dos consumidores, você manter um
06:23orçamento equilibrado. Então, os últimos
06:27dados mostram que aproximadamente 80%
06:30das famílias estão endividadas e desses
06:3380%, um pouco mais de 50%, mais da metade,
06:37portanto, das famílias, não conseguem
06:40manter as suas contas em dia ao longo do
06:43mês, ou seja, pagam com algum atraso.
06:46Então, a gente pode dizer que o nível de
06:49endividamento das famílias cresceu do
06:51ponto de vista da quantidade de famílias
06:54que têm mais dívidas, como a gente olha
06:56dentro de uma perspectiva histórica,
06:59embora a gente possa dizer que até
07:01algumas são boas, tem gente comprando
07:04bens duráveis, a casa própria, o
07:07automóvel, mas uma boa parte desse
07:11endividamento tem a ver com a
07:13manutenção das dívidas correntes, das
07:15contas do dia a dia e que são pagas com
07:19atraso por conta de rolagem de inadimplência
07:23em relação a um determinado pagamento, um
07:26determinado boleto e que você começa
07:29aquele efeito de pagar com juros, pagar
07:31com acréscimos, bola de neve, começa a
07:34selecionar o que vai pagar e isso é uma
07:37consequência de uma economia que cresce
07:40menos do que se deseja, do que seria
07:43necessário e uma manutenção muito grande
07:46de taxa de juros elevados como remédio
07:49para controlar os preços e a inflação.
07:51Então o que nós temos é um cenário
07:53muito desafiador e que se mostra com
07:56esse crescimento da inadimplência que
07:59foi comentado na base de dados citada
08:02pela Camila em relação à Serasa Experian.
08:07E Gilberto, eu queria acrescentar um
08:08outro ponto que muita gente reclama
08:11também que é o custo de vida. A gente
08:13vinha com uma perspectiva de queda da
08:17inflação, a tal convergência para a meta
08:20que o Banco Central tanto fala, mas é um
08:23comportamento atual da inflação. Isso não
08:26quer dizer que ela esteja devolvendo um
08:28aumento de custo muito forte que nós
08:30tivemos no passado. Eu acho que cada um
08:32de nós percebe no dia a dia um
08:34comprometimento maior de renda com
08:36aquelas despesas normais,
08:38independentemente de dívida. É uma
08:40questão que também pesa, né? Com certeza,
08:44né? Uma das principais formas de
08:48percepção popular com relação a
08:50dinheiro, com relação a qualidade de
08:53vida, é aquilo que você coloca como
08:55alimentação na sua casa. Então as
08:57famílias quando vão ao supermercado,
08:59quando fazem suas compras, elas percebem
09:02se o dinheiro está dando, se o dinheiro
09:04está faltando e tem uma percepção de
09:07preços relativos. Ou seja, se semana
09:09passado ou mês passado, o açúcar, o
09:12feijão, a carne, o frango, estavam mais
09:15caros ou mais baratos e ao longo do
09:18tempo existe uma uma espécie de uma
09:21percepção generalizada de que o custo
09:24de vida veio aumentando e isso pressiona
09:27esse orçamento e que as diminuições,
09:30ainda que capturadas, ainda que
09:32registradas, de vários íquens que
09:35tiveram comportamentos acimétricos, elas
09:38não são suficientes para você desfazer
09:42essa impressão de que o custo de vida
09:45está caro. Ou seja, a memória que o
09:47consumidor tem de quando ele pagava
09:49X reais no preço ou no quilo de
09:52determinado item, ele sabe que subiu,
09:55ele sabe que caiu um pouco, mas não
09:57voltou para aquele preço que ele tinha
09:59memorizado. E isso é muito comum,
10:02inglês e colegas, quando a gente tem um
10:05período de inflação elevada, como é o
10:09caso, prolongado, porque os preços eles
10:12sobem, sobem de maneira contínua e
10:15quando eles caem, eles regrevem, mas
10:17nunca para ter patamar que a gente
10:20chama de referência que o consumidor
10:22tinha na memória. Então a percepção é
10:25uma percepção ruim e isso se dá
10:27inclusive nas pesquisas de não
10:30aprovação do governo e um dos ícens
10:33que é mais citado é o preço do custo
10:37de vida dos alimentos principalmente e
10:40isso pressiona junto com o aumento do
10:42custo geral. Então nós temos serviços
10:44básicos como energia, como telefonia,
10:47como medicamento subindo acima da
10:49inflação e de alguma forma isso tudo
10:52nesse conjunto ponderado pressiona os
10:54orçamentos no sentido de deixá-los
10:58desequilibrados e aí você tem a
11:00questão da necessidade de buscar o
11:03cheque especial, o cartão de crédito, de
11:05fazer uma dívida, de pegar um empréstimo
11:08consignado, de fazendo a ginástica que o
11:10brasileiro está acostumado a fazer para
11:13sobreviver. É uma ginástica, como a
11:15Camila disse há pouco, que não está dando
11:16muito resultado porque a inadimplência
11:18cresceu muito. Nós temos esse contexto de
11:21risco de mais pressões inflacionárias
11:23até relacionado à guerra, aumento de
11:25petróleo, de combustível, todos os
11:28efeitos fertilizantes, a preocupação
11:30com o agro, o endividamento que já
11:33vinha muito forte e essa falta de
11:35perspectiva quanto ao que pode
11:36acontecer com juros. Agora eu quero
11:38saber a opinião do Géser sobre esse
11:40cenário todo. Géser, obrigada pela
11:41sua presença, eu quero saber como é
11:43que você avalia essas questões que nós
11:45estávamos falando.
11:46Olha, em primeiro lugar é um privilégio
11:48estar aqui, Denise, com você, com a
11:50Camila, com o Gilberto. Eu diria que a
11:54gente está numa situação na qual tem
11:57alguns indicadores agregados que estão
12:00aparentemente positivos, né? Um
12:03crescimento do crescimento do PIB, uma
12:07taxa de desemprego relativamente baixa
12:10ou baixa, na verdade. No entanto, você
12:15tem fontes muito claras de
12:19preocupação, né? Eu acho que o principal
12:22ponto de atenção é a fragilidade
12:24fiscal, do ponto de vista doméstico, o
12:27que torna a economia mais vulnerável a
12:32oscilações em um momento em que o
12:34mercado internacional é uma grande fonte
12:36de incerteza, né? Você tem, como foi
12:40mencionado, muito bem mencionado, um
12:43elevado nível de endividamento das
12:45famílias, uma situação na qual você
12:51está desacelerando a inflação, mas
12:54quando a gente olha pra frente, em
12:56função do choque internacional, você
12:59tem pressões de custo e pressões de
13:02custo que podem afetar diferentes
13:04cadeias produtivas, né? Então, certamente
13:10do ponto de vista de logística haverá um
13:12impacto forte, e isso com o crescimento
13:17do preço do diesel, certamente haverá um
13:21impacto no frete e, consequentemente,
13:24nas mercadorias. Algumas cadeias podem
13:28sentir mais, sobretudo a cadeia proteica
13:31pode sentir bastante, em função, como você
13:34mencionava, o aumento do preço dos
13:37fertilizantes, isso pode ter um impacto
13:39grande. Agora, são impactos
13:42potenciais, né? Porque a gente está
13:44vendo uma desaceleração da inflação,
13:47quando a gente olha pra frente nas
13:50previsões do relatório de inflação do
13:52Banco Central, o terceiro trimestre do
13:56ano que vem, a inflação está próxima
13:59da meta.
14:01O Banco Central, nesse relatório que foi
14:02divulgado na última semana, ele não esteve
14:04otimista demais com relação a essa projeção
14:06de inflação de 3,9%.
14:08É, Gabi, a gente falava, o mercado já
14:10subiu pra mais de 4%.
14:12O Banco Central não está sendo muito
14:13conservador, não só em relação aos juros,
14:15mas também às projeções. Aliás, foi uma
14:17questão colocada desde que saiu o
14:19comunicado da última reunião, não é?
14:22É, pelo próprio modelo do Banco Central,
14:26você deveria estar no terceiro trimestre
14:29do ano que vem, você deveria estar muito
14:33próximo à meta. Então, a preocupação
14:36com a, digamos, em você chegar à meta
14:40permitiria, olhando simplesmente o
14:43modelo, você poderia ter uma redução
14:47até maior do que 0,25, poderia ter 0,5.
14:52Aí, prevaleceu uma posição conservadora
14:57de falar assim, não, mas tem um grande
14:59choque externo, o que é real, há uma
15:03fragilidade fiscal, então optou-se por um
15:06movimento muito tímido, só pra sinalizar
15:10que cortou. Cumpriu o que eu disse que
15:14eu ia fazer. Exatamente. Então, eu tenho
15:17a impressão que eu, ao contrário da
15:20maioria dos analistas, eu acho que
15:22deveria ser 0,5, porque eu prefiro
15:25sempre seguir a técnica, não é? Se você
15:28depois, em prevalecendo um choque
15:33externo prolongado, se a guerra se
15:35prolongar, aí você muda, não é? De
15:40qualquer maneira, você está olhando
15:41pra frente. Olhando pra trás, realmente
15:45a inflação está declinando. Olhando
15:46pra frente, há razões pra estar
15:49preocupado. Mas isso ainda não se
15:52materializou. É, nós tínhamos o IPCA
15:5515 acima do esperado, foi divulgado na
15:58última semana, mas não ainda por conta
16:00do impacto, inclusive a gente observando
16:02combustíveis lá, estavam bem comportados.
16:05Agora, Camila, você concorda com essa
16:07visão de que deveria haver um corte
16:09maior dos juros e depois acompanhar.
16:11Lembrando que o presidente do Banco
16:12Central, Galípolo, nessa semana, ele
16:14falou que uma das vantagens do Brasil é
16:16justamente já estar com juros altos,
16:18prevendo que outras economias, diante de
16:20pressões inflacionárias, possam ter de
16:22elevar os juros. Exatamente, quando a
16:24gente olha, por exemplo, pra Europa, a
16:26gente sabe que tem um desafio aí a ser,
16:28né, perseguido por parte do Banco Central
16:30Europeu, a gente sabe também que o Banco
16:32Central da Inglaterra também, né, tem
16:35esse mesmo desafio agora, né, equilibrar essa
16:37elevação da taxa de juros por lá, enquanto a
16:40gente sabe que o Federal Reserve, o Banco
16:42Central dos Estados Unidos, foi divulgado
16:44ali, né, pelo comitê deles, que a projeção
16:47de corte de juros esse ano é de um corte só e
16:50talvez a gente saiba que isso também possa
16:52ser corrigido pra nenhum corte no ano de
16:54dois mil e vinte e seis. Agora, em relação à
16:57taxa de juros aqui no Brasil, eu acredito
16:59que a gente tem talvez uma janela de
17:01oportunidade de corte um pouco mais estreita
17:05do que o mercado está enxergando, né, então
17:07quando a gente olha as projeções de taxa de
17:10juros no boletim Focus, a gente percebe que
17:13tem projeções de cortes ao longo do ano e aí a
17:17gente olha ali pro intervalo do segundo
17:19semestre, imaginando que a partir de
17:22agosto a temperatura do ambiente político
17:25vai começar a subir e que essa temperatura do
17:28ambiente político se reflete na curva de
17:31juros, né, isso coloca prêmio na curva de
17:33juros, coloca prêmio na nossa taxa de câmbio, se
17:36mexe no câmbio, mexe nas expectativas de
17:38inflação, então eu entendo que essa janela de
17:41corte de juros do segundo semestre aqui no
17:44Brasil ela é mais estreita, então talvez se o
17:47Banco Central tivesse, né, ambiente pra cortar
17:50essa taxa de juros em 0,5%, talvez seria agora a
17:54oportunidade de cortar a taxa de juros porque eu
17:56entendo que no segundo semestre a gente vai
17:58ter aí outros desafios. Gilberto Braga, sua
18:02opinião aí, direto do Rio de Janeiro, vamos
18:04lá. Olha, eu acho que o comunicado, a minha
18:09acta do Copom já deu a entender que eles
18:12irão numa velocidade mais lenta. Eu acho
18:16que o que a Camila falou faz sentido,
18:20entretanto, eu acho que tem um componente
18:23político muito forte que a gente precisa
18:25considerar, né, pro discurso da campanha, a
18:30reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da
18:32Silva, é muito importante, até por tudo que ele
18:36falou ao longo do seu atual mandato com
18:39relação à crítica aos juros, que a gente
18:41tem uma queda da taxa de juros. Trocando em
18:44miúdos, eu acho que o Copom sinalizou
18:47prudência, sinalizou que vai continuar a
18:50princípio olhando o cenário internacional,
18:54então se não houver uma deterioração das
18:56contas internacionais, da situação geopolítica,
19:01ele vai fazer reduções progressivas de 0,25
19:05pontos percentuais. E essa redução vai se
19:09dar de maneira ao máximo que for possível,
19:13por conta de ser um componente eleitoral
19:16fundamental dentro do discurso de reeleição
19:18do presidente da república. Então, eu
19:21acredito que a gente está falando hoje em um
19:24tomar muito próximo de uma série que é o
19:27final do ano, ao redor de 13%, com cortes de
19:320,25, enquanto for possível, e se o
19:36ambiente melhorar, a gente pode ter mais
19:39dois cortes chegando até a 12%, que era
19:44uma projeção inicial que o mercado fazia
19:46para esse ano de 2026.
19:49E já tem exatamente esse componente
19:52eleitoral também mexendo com as
19:54expectativas de mercado financeiro, e
19:56você citou a questão das contas públicas,
19:58eu acho que muito da reação do mercado
20:01em relação a pesquisas eleitorais, em
20:03relação às próprias eleições, tem a ver
20:05com isso, né?
20:06Com certeza, eu acho que vai haver, acho
20:10que a Camila levantou, Gilberto também,
20:12o segundo semestre vai ser
20:15período preponderantemente político, né?
20:19Agora, eu acho que é importante para a
20:22autoridade humanitária manter a técnica,
20:26né? Eu quero dizer, realmente, porque é uma
20:28baliza clara, né?
20:33Muitas vezes há uma pressão, o presidente
20:36eventualmente possa criticar que não
20:39baixe os juros, isso acontece nos Estados
20:41Unidos também, mas eu tenho a impressão
20:43que a referência básica tem que ser o
20:46próprio modelo do Banco Central.
20:48Que tem sido bem independente, né?
20:50Que tem sido bem independente.
20:51Justiça seja feita, o Banco Central,
20:55ele realmente conseguiu quebrar
20:57expectativas inflacionárias fortes,
21:01e havia um pessimismo muito grande em
21:04relação à inflação, etc., e isso foi
21:07quebrado. As expectativas, na linguagem
21:11do cupomês, ainda estão um pouco
21:14desancoradas, vamos chamar assim, mas, de
21:17qualquer maneira, houve uma
21:21desaceleração. Então, isso é positivo,
21:25é importante que o Banco Central
21:27mantenha esse tipo de postura, mas, ao
21:30mesmo tempo, é a arte da política
21:33monetária, porque, realmente, a gente está
21:35com uma taxa real de juros elevadíssima.
21:38Exatamente.
21:39E, obviamente, isso tem um impacto
21:41muito perverso sobre a economia, a gente
21:44está com o setor produtivo sofrendo
21:47bastante, e famílias muito endividadas,
21:52quer dizer, está com uma economia muito
21:55doente do ponto de vista financeiro,
21:59né? Então, é preciso, realmente, você
22:01conseguir esse declínio dos juros.
22:03Agora, a impressão que eu tenho é que
22:06você está naquelas manhãs de uma
22:08neblina muito forte. Quando a gente
22:10olha, além de junho, é uma neblina
22:15muito forte, né? Diferente dos
22:18aeroportos, não dá para cancelar voos,
22:21você tem que continuar, né?
22:22Voos de instrumentos, vamos por
22:24instrumentos, é isso. Não tem jeito, tem
22:27que seguir adiante. Então, vai depender
22:31muito, obviamente, da conjuntura
22:33internacional. Eu acho que é natural
22:36que o Banco Central não tenha dado
22:39nenhum guidance, não tenha dado, assim,
22:42não falado, ó, vamos continuar, vamos
22:44fazer isso, etc.
22:45Para não se comprometer, né?
22:45Porque não dá, porque em nenhum lugar
22:50do planeta hoje você pode dizer onde
22:52estaremos daqui a três meses, né?
22:54E você colocou essa névoa depois de
22:56junho, eu já estou vendo ela aí na
22:57janela. Eu acho que já está bem
22:59próxima, porque fica essa dúvida em
23:02relação à guerra. Vai parar, não vai
23:04parar? A gente tem toda uma briga de
23:07retórica, né? Entre Trump e o Irã,
23:11sinalizando essa possibilidade. O mercado
23:13não comprou muito essa ideia, nós vimos
23:14no fechamento da semana, petróleo ainda
23:16é alta. Aliás, o balanço da semana, o
23:18petróleo recuou um pouco, porque chegou
23:20no extremo quando o Trump falou que ia
23:22atacar as unidades de produção de
23:24energia do Irã. Não aconteceu no
23:26começo da semana, depois ele deu um
23:28prazo até seis de abril, mas essa
23:30névoa continua, não é? Sem dúvidas,
23:32Denise. E aí, quando a gente fala de
23:34política monetária no Brasil, muito
23:36também se reflete o comportamento do
23:38câmbio, né? Porque o câmbio, ele
23:40acaba acertando em cheio a nossa
23:42inflação, né? Inclusive, para abrir
23:45uma aspas aqui e voltar para esse
23:46assunto da inflação, a gente teve um
23:49comportamento bastante positivo do
23:51câmbio no ano de 2025. Então, isso foi
23:54muito importante para essa
23:57desaceleração da inflação que a gente
23:59observou em preços de alimentação em
24:01domicílio, a gente saiu de uma inflação
24:03lá em 2024 bem alta, na casa dos
24:06nove por cento, fechamos ano passado com
24:08uma inflação em domicílio perto dos
24:09dois por cento, a gente tem que lembrar
24:11que o preço das commodities agropecuárias,
24:13eles são negociados no mercado
24:15internacional em dólar, o preço dos
24:18produtos industrializados, a gente
24:20também tem aí o componente do dólar,
24:21porque a gente importa muitos
24:23componentes. Então, grande parte
24:26dessa desaceleração da inflação, ela
24:28veio também por conta da melhora da
24:29taxa de câmbio. A gente vê que essa
24:31taxa de juros que ficou nos quinze por
24:34cento entre junho do ano passado, até
24:36agora há pouco, quando o Banco Central
24:38promoveu o primeiro corte, não foi o
24:41suficiente para trazer a inflação de
24:43serviços para baixo, a gente continua
24:45com uma inflação de serviços navegando
24:47na casa dos cinco, seis por cento. Então,
24:49esse câmbio tem se mostrado muito
24:52importante para essa construção da
24:54história da inflação aqui no Brasil. E
24:56ano passado, essa taxa de câmbio aqui no
24:58Brasil, ela melhorou, o real conseguiu se
25:01mostrar valor em relação ao dólar, porque
25:03a gente viu nos Estados Unidos um
25:05movimento de corte de juros, foram três
25:07cortes de juros. E quando a gente tem a
25:09principal economia do mundo, que é os
25:11Estados Unidos, cortando juros, a gente
25:13tem ali uma saída de recursos dos
25:15Estados Unidos, para as economias
25:16emergentes, não é? E as incertezas
25:18causadas por Trump, né? Exatamente. E
25:20também ajudaram nessa queda do dólar
25:22em geral, não é? Exatamente. Então, o
25:25Brasil, ele recebeu investimentos, né?
25:27Não só no mercado acionário, mas também
25:29porque a gente tem uma taxa de juros
25:32altíssima e isso tudo ajudou a
25:34construir essa história da inflação. Então,
25:36quando a gente olha agora para o ano de
25:38dois mil e vinte e seis, a gente tem
25:40essa incerteza também em relação ao
25:42comportamento do câmbio, né? Então, até
25:44agora, a gente ainda tem um câmbio bem
25:46comportado, porque o Brasil, só olhando
25:48para o mercado acionário, já recebeu aí
25:50um fluxo muito intenso de investimento
25:53estrangeiro nesse ano. Mas só que a gente
25:56sabe que tão rápido esse dinheiro entra,
25:58mais rápido ele sai quando começam as
26:00incertezas políticas. Então, a gente tem
26:02aí muitos componentes ainda para explorar
26:05e aí, puxando a sardinha para o lado,
26:07né, da Serasa, como economista da
26:09Serasa, eu trago uma provocação. A
26:12seguinte, a gente tem um número recorde
26:14de inadimplentes no Brasil hoje, na
26:16nossa base, em um cenário em que essa
26:18inflação, por mais que a gente veja um
26:20ou outro componente ali no supermercado,
26:23que às vezes, né, entra em destaque com
26:25uma alta, a gente está com uma inflação
26:26que, né, não estamos vivendo um choque ali
26:29quando a gente olha para o preço de
26:30alimentação em domicílio. Então, se isso
26:32eventualmente acontecer, por conta do
26:34contexto da guerra, por conta do choque do
26:36preço ali do petróleo, impactar toda a
26:39cadeia e isso chegar no preço da
26:40alimentação, isso significa que a gente
26:43pode ter um quadro ainda pior de
26:46inadimplência, não só do número de
26:48inadimplentes, do número de brasileiros,
26:50porque a gente já está falando em
26:51aproximadamente 50% da população
26:54adulta, mas também no ticket médio
26:56dessa dívida. Então, como eu falei
26:58para você no começo do programa, a gente
27:00está falando que um CPF negativado, em
27:03média, tem quatro a cinco restrições. Um
27:06ticket médio ao redor de mil e seiscentos
27:08reais, isso é quase um salário mínimo.
27:10Então, imagina para onde pode ir esse
27:12cenário se, de repente, a gente enfrentar
27:14um choque, né, de inflação, de preços.
27:16Gilberto, você vê riscos maiores em
27:18relação à inflação ou você acha que ela
27:20pode seguir numa trajetória mais
27:23favorável caso não haja o prolongamento,
27:28o acirramento da guerra no Oriente Médio?
27:32Beniz, essa pergunta de um milhão de
27:34dólares, né, porque, na verdade, qualquer
27:37palpite sobre esse comportamento, ele
27:40implica em você saber qual é o desfecho
27:42da guerra entre Estados Unidos e Israel
27:48lá no Golfo Persico. Então, o que nós
27:51temos que observar é que alguns fatores
27:55são importantes. Não há como negar que
27:58vai haver repasse para o preço dos
28:00alimentos. Nós temos um cenário de
28:03alminho, ou seja, de dificuldades
28:06climáticas, já temos dificuldades,
28:09portanto, de escoamento, teremos
28:11problemas, muito provavelmente, algumas
28:13culturas com perdas, sobretudo aquelas
28:17na região sul, no sul de Mato Grosso.
28:19Então, teremos alguma perda de grãos em
28:22função de questões climáticas, já há falta
28:25de diesel em algumas regiões do país ou ele
28:29chega mais caro. Então, isso vai ter que ser
28:32repassado na cadeia logística para o preço
28:35do produto. Então, de alguma forma, existe
28:37pressão inflacionária. Por outro lado, a gente
28:40precisa lembrar, se a gente olhar que a gente tem
28:42uma taxa de juros que vem sendo mantida alta
28:45há muito tempo e que ela já produziu o efeito
28:48de baixar a inflação. E aqui falando em números
28:51rebondes, se a gente tinha uma inflação
28:53acumulada em 12 meses, 5%, essa inflação hoje
28:56está abaixo de 4%, e trabalhar, e trabalharmos,
29:00que a gente teve aí uma redução de 20%, de uma
29:04forma geral, na inflação, sem ter mexido na taxa
29:08de juros, a gente continua com uma taxa de juros
29:10muito elevada. Ou seja, só a correção dos preços
29:14e a queda, aproximadamente, de 15% na taxa de câmbio
29:20em relação ao que ela era em meados do ano passado
29:23acima de 5,50, com um pacamar perto de 5,20 que nós
29:29temos atualmente, a gente tem uma redução de
29:32correção de taxa de juros que poderia ajudar muito
29:36a economia brasileira. Por isso, a gente insiste
29:39que apesar da pressão de preços, apesar de haver
29:43um ambiente ainda de incerteza, existe espaço para a
29:48queda de juros e isso favorece o comportamento da economia
29:52a partir desse ano de 2026. Se o cenário continuar
29:56volátil, a taxa de juros vai continuar caindo
29:59numa velocidade mais baixa. Essa é a nossa
30:02expectativa, é o que a gente aposta. Por outro lado,
30:06uma deterioração ainda maior do cenário geopolítico
30:09internacional, a gente vai para o outro lado. Ou seja,
30:13a gente vai ter um impacto maior e aí a redução da taxa
30:16de juros fica limitada por essa contaminação, por
30:20assim dizer. Levando em conta esse cenário, a gente
30:24vai aumentando aí os tópicos de incerteza, né? Ele
30:27falou até do El Ninho, que é o outro fator que a gente
30:30pode ter. Chesney, você vê o risco de o Brasil ficar mais
30:33ou menos como está? A gente corre o risco de uma crise
30:36mais séria, mais perceptível, que traga mais dificuldade
30:40para as empresas e para os consumidores, para além
30:43dessa inadimplência que nós falamos no início? Olha, eu
30:46acho que o Brasil, ele está mais vulnerável, né? Eu acho
30:53que não, quer dizer, está numa situação que não é uma
30:55situação de crise aberta, mas é uma situação de grande
31:00vulnerabilidade. Eu acho que é útil a gente, é sempre útil
31:04contrastar com o passado para ver o que que há de peculiar
31:07na situação atual. Vamos pegar para o choque da pandemia e
31:14logo depois da pandemia houve um grande choque pelo
31:17problema do, da obstrução dos canais logísticos, uma forte
31:21pressão inflacionária, etc, que a gente vivenciou. Naquele
31:26momento, a pressão era muito mais forte que a atual. Por quê?
31:31Porque naquele momento você tinha, além do problema da
31:34oferta, você tinha o problema da demanda crescendo
31:38rapidamente também. É uma demanda reprimida que cresceu
31:42rapidamente. Na retomada pós-pandemia. Na retomada
31:44pós-pandemia. Nós teremos o choque atual, mesmo com uma guerra
31:52um pouco mais prolongada, ele, de certa forma, é atenuado por
31:56uma demanda global bem mais fraca. A gente vê no mercado de
32:00petróleo. O mercado de petróleo tem um problema óbvio de
32:06fornecimento, de problema logístico e de expectativa, mas
32:12nós não vivíamos um problema de demanda muito aquecida. Então,
32:16acho que isso é um aspecto importante. Outro aspecto
32:20importante é a reação em relação ao dólar. Acho que a Camila
32:23comentava antes. Várias situações de crises anteriores, o dólar é um
32:29porto seguro, claro, você mesmo comentou. Coisa que ficou menos
32:35clara no período atual, em parte devido à gestão Trump, que é bem
32:42mais imprevisível, e houve um certo deslocamento. Os ativos
32:47denominados em dólar não são tão porto seguro quanto eram. Ainda são
32:52o porto mais seguro do planeta, mas tem um grau de desconfiança um pouco
32:57maior e, consequentemente, um impacto menor na desvalorização das moedas
33:03emergentes. Então, acho que a gente andou nessa situação. Agora, em uma
33:11situação de um choque mais forte, por exemplo, de uma guerra de três, quatro
33:18meses à frente, com uma pressão de custo grande, a gente falou do diesel, o Gilberto
33:24chamou muita atenção nisso. Obviamente, isso pode dar um impacto bem maior e
33:32realmente deixar a economia numa situação bastante difícil. Eu acrescentaria
33:40a situação, porque muitas vezes a gente fala da economia como se a economia fosse
33:45homogênea, mas uma situação extremamente heterogênea e, no mercado de trabalho, uma
33:51situação muito heterogênea com a superabundância de trabalho informal, etc., mas, ao mesmo
33:58tempo, um mercado de trabalho muito pressionado. Se a gente olha na inflação, a inflação
34:05de serviços, como a Camila chamou atenção, já está num patamar mais alto. Os núcleos
34:11da inflação num patamar mais alto. Porém, o índice de difusão da inflação também
34:16um pouco mais elevado, acima de 62% dos preços que estão crescendo. Agora, quando a gente
34:23olha mão de obra no Índice Nacional da Constituição Civil, corre a 8, 9%.
34:30Tem alguns setores que não conseguem contratar. É isso. Falta mão de obra.
34:34Exatamente. Falta mão de obra. Uma pressão extremamente forte. Então, se você combina essas
34:39situações, é uma economia extremamente vulnerável. Famílias que estão muito apertadas financeiramente,
34:48empresas em grande dificuldade, alavancadas e com dificuldades financeiras e pressões de
34:56custo preocupantes. Então, é uma situação de grande vulnerabilidade.
35:01Talvez seja até por conta desse desequilíbrio que quando a gente fala que a economia apresentou
35:06uma melhora, teve uma certa reação no mês de janeiro, depois de uma piora em dezembro,
35:11alguma coisa assim. As pessoas criticam e falam, melhora onde? E que ponto melhorou?
35:15Questionam, inclusive, os dados de desemprego. É curioso isso, porque a gente vem numa trajetória
35:21de queda do desemprego subiu na última PNAD para 5,8%, mas está muito abaixo de um ano
35:27atrás. E é como se as pessoas não tivessem percebido essa melhora, não é?
35:31Exatamente. E quando a gente contrasta com o dado da inadimplência, tem esse paradoxo.
35:35Como que a inadimplência está no patamar recorde num momento em que a gente tem taxa de desemprego
35:40superbaixa? E a resposta, ela passa pelo endividamento das famílias. Então, quando a gente olha os dados
35:48do Banco Central, que eles divulgam mensalmente no relatório de política monetária e crédito,
35:53lá a gente consegue perceber que o pagamento de serviço da dívida compromete mais ou menos
36:00a renda do brasileiro ao redor de 29, 30%. Quando a gente desconta financiamento imobiliário,
36:07que representa uma parcela bastante importante, ainda assim é um percentual bastante elevado,
36:12que é de 27%. E aí eu trago dados da Serasa Experian para contrastar com esses
36:18números do Banco Central, porque no do Banco Central a gente olha num agregado. Quando
36:22a gente olha ali nos dados da Serasa Experian, a gente tem os nossos modelos de renda e a
36:27gente percebeu que a renda do brasileiro, em média, está 70,5% comprometida. Comprometida
36:36não só com dívidas, mas também com as contas do dia a dia. O que são as contas do dia
36:41a dia? As contas básicas. Água, luz, gás, telefone.
36:46Aquelas que não dá para escapar. Aquelas que não dá para escapar. E quando a gente
36:50olha para as faixas de renda menor, um salário mínimo esse comprometimento chega a 90%. Dois
36:56salários mínimos chega a 80%. Ou seja, o brasileiro está bastante endividado. E quando a gente
37:03olha a participação dos setores na dívida, Denise, então na base da Serasa Experian a
37:09gente tem ali mais de 320 milhões de dívidas negativadas. E a gente percebe que houve um
37:16aumento da participação das dívidas com o setor financeiro. O que a gente chama de setor
37:21financeiro? Considerando bancos, cartões e financeira. Saiu de um nível pré-pandemia
37:26ao redor de 37,5% para atualmente uma participação de 45% das dívidas negativadas na nossa base.
37:34Então teve um aumento bastante expressivo da participação das dívidas do setor financeiro.
37:39A gente vê que tem uma representatividade maior dessas dívidas nas faixas de renda menor,
37:45muito por conta do desenvolvimento do sistema financeiro, os novos players que entraram no
37:51mercado.
37:52Nesse levantamento de vocês tem alguma aferição em relação ao comprometimento de renda
37:56consignado?
37:57A gente não consegue separar o que é o consignado ali dentro.
38:02O consignado não vira inadimplência, a pessoa empregada é lá.
38:06Mas o consignado é um outro ponto bastante interessante porque sim, a chance de inadimplência
38:13é muito menor. Ainda assim, a inadimplência pode acabar acontecendo, às vezes pelo desemprego,
38:20a multa recisória, a FGTS não é o suficiente para cobrir, tem aquela inadimplência.
38:25Mas um outro ponto que foi muito importante da discussão quando o governo lançou o consignado,
38:31o novo consignado, o crédito do trabalhador lá em março do ano passado, então estamos
38:35completando um ano desse relançamento, é o risco também referente às empresas.
38:40Porque a gente tem aí novas, então isso daí ficava muito na carmada ali das grandes
38:47empresas oferecendo isso para os funcionários a partir do momento que o funcionário do MEI
38:51pode ter, o trabalhador rural, o trabalhador doméstico.
38:55O risco não é só de quem está tomando crédito, mas de quem está ali por trás,
38:59né, oferindo esse crédito.
39:01Então das empresas, por exemplo, a gente tem empresas de pequeno porte, que você precisa
39:05avaliar o risco também dessa empresa, porque essa empresa pode falir no meio do caminho,
39:09ela pode fechar.
39:10Então o consignado, ele é ali um ponto um pouco mais complicado, agora que a gente
39:15tem aí também essa economia desacelerando, esses números de inadimplência PJ aumentando,
39:21o número de recuperação judicial aumentando, a gente também tem um ponto de observação
39:25bastante importante em relação ao comportamento do consignado, Denise.
39:29Perfeito.
39:29E Gilberto Braga, nós falávamos antes também nessa questão de renda, de endividamento,
39:34a preocupação do governo com relação ao endividamento elevado.
39:39E o governo está tentando buscar fórmulas para diminuir.
39:43Serasa tem feirão, a gente tem outros planos, outros programas de renegociação de dívida.
39:48O governo pode tomar alguma medida que altere essa situação?
39:54Olha, Denise, é extremamente difícil a gente imaginar que tem algum coelho novo para sair
40:00dessa cartola, né?
40:01Acho que as mágicas de leilão para feirão, desculpa, para limpar nome, todas as formas de
40:10renegociação já foram feitas, mas existe um pedido do presidente da República para
40:16que o Ministério da Fazenda tome alguma medida nova.
40:22Isso dentro de um cenário eleitoral, mais uma vez, é algo que nos parece, eu diria, oportunista.
40:30Do ponto de vista do comportamento do consumidor, das famílias, dos endividados, a gente observa,
40:38como já foi citado, que boa parte das pessoas que estão com endividamento elevado, elas têm
40:45um comportamento, eu diria, permanente, né?
40:50São pessoas que já estavam endividadas antes, algumas limparam o nome e voltaram a se tornar
40:58inadimplentes, ficaram endividadas novamente.
41:01Então, existe aí uma característica, eu diria, sociocultural, social, que a gente precisa
41:08entender melhor do ponto de vista sociológico e econômico.
41:13Então, o que o governo pretende fazer, a gente não sabe qual é a medida que eles vão
41:19bolar, mas certamente deve vir alguma coisa.
41:22Agora, é importante a gente contextualizar que o desemprego abaixo de 6%, ele tem se mantido
41:29assim, de maneira resiliente, mesmo contra todas as previsões dos economistas que estudam
41:36essa área do trabalho, é algo bastante interessante, porque, apesar da precarização da mão de obra
41:45e de muito trabalho informal, trabalho remunerado, para quem procura, existe.
41:52Não necessariamente para aquela pessoa fazer aquilo que ela acha que é a competência dela,
41:58não para ser remunerada da forma como ela entende que seria justo, mas um trabalho qualquer
42:04existe para quem procura algum tipo de emprego, ou seja, eu preciso botar comida na mesa,
42:09eu preciso botar algum dinheiro em casa, existe alguma atividade para se fazer na economia.
42:15Por outro lado, como já foi também mencionado, existe uma carência muito grande de mão de
42:20obra qualificada.
42:22Então, o que é isso do ponto de vista econômico que nós estamos vivendo hoje, dentro desse
42:27cenário de endividamento, nesse cenário de perspectivas econômicas?
42:32Essa precarização que a gente tem da mão de obra tem muito a ver com a falta de
42:38qualificação, com o ensino deficiente e com os efeitos da pandemia, porque boa parte
42:43da população que chega na idade economicamente ativa, está na faixa de 18 a 23 anos, era
42:51aquela geração que, durante o período da pandemia, estava no que a gente chama de
42:55período de formação, de polimento, de complementação do seu ensino fundamental, do seu ensino técnico,
43:03e que chega agora completamente despreparada na idade adulta, ingressando no mercado de
43:09trabalho, sem saber direito o que fazer e para onde correr.
43:12Então, essa falta de reposição de mão de obra qualificada, apesar de haver mão de
43:19obra abundante, isso trava um pouco a economia brasileira e não ajuda dentro desse cenário
43:25de levar as vendas das famílias e de melhorar a capacidade de pagamento das contas.
43:32E, Géser, a gente vê essa preocupação que o governo falou que o Gilberto Paga acha que
43:37não tem como tirar mais coisa da cartola, mas o fato é que Galípolo está preocupado
43:42com o cartão de crédito e ele citou isso, o presidente do Banco Central, que vem mantendo
43:47os juros num patamar muito alto há muito tempo para controlar a inflação, ele está
43:52preocupado com o tipo de endividamento brasileiro.
43:54O cartão de crédito já passou por mudanças de regras e não adiantou.
43:58As pessoas caem no rotativo, aí não conseguem pagar o rotativo da forma como tem que pagar,
44:03caem no empréstimo bancário, que é muito caro.
44:06Então, a gente tem estruturalmente as dívidas relacionadas à taxa de juros muito mais
44:14altas que a Selic, não é?
44:15Não, com certeza.
44:17É interessante, porque as manchetes são sempre sobre a Selic a 15, a 14, 75, etc.
44:26Só que a realidade do brasileiro é muito diferente.
44:30Na média, a pessoa física está acima de 50% e quem cai no rotativo está muito
44:39mais do que isso, está em três dígitos.
44:41Então, realmente, é um juro completamente impagável, fica uma bola de neve.
44:46Tem 400% ao ano, é um negócio assim, você fala, de onde, gente?
44:49Como é que você paga isso?
44:50É impossível você pagar.
44:53Daí, eu acho que a importância de uma estratégia, não tem milagre, como o Gilberto colocou, não
45:00há milagre, mas eu acho que uma estratégia de, primeiro, tentar atenuar esse endividamento
45:08em uma linha, como o programa Desenrola e a linha de algumas renegociações são importantes,
45:20são necessárias para um alívio de trocar a dívida, acompanhada de muita orientação
45:28e educação financeira.
45:30Também aqui seria ingênuo imaginar, bom, agora todo mundo vai ser especialista em finanças,
45:37às vezes, isso não vai acontecer, eu acho que é mais na linha do que o Gilberto dizia,
45:41que é preciso trabalhar, e é um trabalho de médio e longo prazo, trabalhar no sentido
45:49de dar opções para que a pessoa atenue um pouco o endividamento, comece a trocar dívida
45:56mais cara por dívida barata e comece a ter uma atividade, uma atividade que ela possa
46:06tirar algum dinheiro, daí, eu acho que é muito importante uma linha, assim, de ter profissão,
46:16o ensino profissionalizante é muito importante nesse sentido, de facilitar o pequeno empreendedor,
46:24eu acho que é crucial para que você comece a dar, acho que o microcrédito é fundamental,
46:31é, quer dizer, é lógico, primeiro tirar da corda do pescoço, depois dar um estímulo
46:40para alguma atividade que dê uma renda adicional e você começar a criar uma situação que
46:47aquela pessoa vire um micro, um pequeno empreendedor ou arrume um emprego formal.
46:53Mas tem que ter uma formação específica, e aí eu volto o que a Camila tinha colocado
46:58também, da situação das empresas, que também passam por dificuldades e também relacionadas
47:03aos juros, empréstimos, financiamento, capital de giro é caro.
47:07Sem dúvidas, Enesia, aí a gente estava falando da educação financeira pensando no consumidor,
47:12na pessoa física, mas essa também é uma realidade quando a gente está falando de CNPJ,
47:17volta, porque se a gente olhar para o Brasil, 94% das empresas ativas são micro e pequenas
47:23empresas, 52% micro empreendedores, individuais.
47:29Então, esse micro empreendedor, esse empresário do pequeno negócio, muitas vezes ele está
47:35focado e orientado à sua atividade e não tem tempo para o planejamento financeiro, e nem
47:42só o planejamento, porque quando a gente fala de planejamento, a gente pensa à frente, a gente
47:46está falando de gestão financeira, ali, do dia a dia.
47:49Então, a gente percebe isso com muita clareza, ali dentro da Serasa, justamente por conta
47:55do score, né, a gente sabe que o score, ele é uma referência quando tanto a pessoa física
48:01ou a pessoa jurídica precisa de um crédito, então a gente tem ali a história que é contada
48:06por trás desse CPF, desse CNPJ, e a gente percebe que muitos empreendedores, eles não
48:13entendem como funciona esse score, eles vão procurar entender como que as considerações
48:19a respeito dele no momento em que ele precisa de crédito.
48:22Então, ele precisa de um crédito, está com a água aqui já batendo no pescoço, o
48:28crédito é negado, aí ele entende sobre o score, aí ele procura buscar informação.
48:32Então, o score, por exemplo, ele não é só afetado pela informação negativa como a
48:37inadimplência. A pontualidade do pagamento de uma conta de água, de uma conta de luz,
48:42isso influencia positivamente. Qual que é o problema?
48:45É a nota de avaliação, se é um bom devedor ou não devedor, para quem não conhece bem
48:50essa linguagem, é isso?
48:51Exatamente, o score a gente tem a pontuação, né, que vai basicamente de zero.
48:55Então, a empresa que atrasa contas, normalmente, conta de luz, conta de telefone, ela também
49:01é prejudicada nessa avaliação?
49:02Sem dúvida, e se ela pagar em dia, ela acaba também sendo beneficiada, porque é um histórico
49:09de comportamento de pagamento, tanto do consumidor quanto da empresa. Então, você vai criando
49:15o seu histórico de pontualidade de pagamento, você mostra que você é um bom pagador, você
49:21também tomar o crédito, pagar aquele crédito em dia, mostra ali também a sua pontualidade
49:26com o pagamento, você tem uma construção da sua história ali por trás do score. Então,
49:31informações cadastrais, você ter as suas informações cadastrais também são importantes
49:36para esse score. E aí, a questão relacionada ao crédito, principalmente quando a gente
49:42fala de micro e pequenas empresas, está pela falta de histórico daquela empresa. Então,
49:49você chega numa instituição financeira, né, muitas vezes a micro e pequena empresa,
49:53ela não tem uma garantia para apresentar, para conseguir tomar esse crédito.
49:57É, porque na verdade era uma pessoa física que virou empreendedor e pode trazer os mesmos
50:01vícios e não formou um histórico diferente.
50:04Exatamente. Tanto que, quando a gente fala das micro e pequenas empresas, o score do consumidor,
50:11da pessoa física, do sócio, interfere no score da empresa. Então, essa é uma outra informação
50:18bastante importante. Então, dentro da Serasa, a gente tem uma unidade de negócios que olha
50:23atentamente para as pequenas e médias empresas, tem também um portal de conteúdo para que eles
50:29se informem. E a gente está aqui novamente falando o quê? De educação financeira.
50:34A gente sabe que ninguém vai começar a estudar a educação financeira, entender sobre finanças
50:39todo dia, mas tem ali o básico do beabá do dia a dia para a gestão do seu próprio negócio
50:44que pode, né, ajudar ali o empreendedor.
50:47Eu acho que a disciplina é fundamental, porque você percebe que as pessoas, muitas pessoas,
50:52desde o início, quando começam a ganhar dinheiro, sabem administrar melhor.
50:57Tem uma contenção lá na hora de despesas, sabe como é gerenciar, evita dívidas.
51:02Eu acho que tem procedimento, nós estamos falando da nossa realidade hoje, que não é tão favorável assim.
51:07Nós vamos numa rodada final. Eu queria saber, Gilberto Braga, como é que você avalia as perspectivas
51:12da economia, se levando em conta esses fatores todos que nós citamos.
51:15As dificuldades que as empresas vêm enfrentando, especialmente as micro e pequenas, como a Camila
51:20ela ressaltou, a situação da pessoa física, também do consumidor que está endividado,
51:27que está com aperto financeiro e essa macroeconomia desafiadora.
51:34Olha, Denise, primeiro eu queria só complementar dizendo que nós, com relação à questão da educação financeira,
51:41nós temos hoje um currículo escolar enciclopédico e que não privilegia coisas básicas que as pessoas
51:48usam no dia a dia. Finanças e dinheiro é algo que qualquer pessoa, independentemente
51:52de aptidão, conceitos básicos de matemática, precisam ser mais enfatizados e destacados
51:59dentro do currículo escolar. Eu acho que isso é uma providência necessária que precisamos
52:06incentivar e resgatar como primeira medida de educação financeira para que as pessoas
52:11cheguem na idade adulta com o mínimo de conhecimento para lidar com as suas contas, com o seu dinheiro.
52:17Com relação às expectativas, eu sou cautelosamente otimista em relação ao Brasil,
52:24apesar desse cenário completamente indefinido do ponto de vista internacional,
52:30do ponto de vista do preço do petróleo, que entre o começo do conflito e agora com relação
52:36à cotação acima de 100 dólares, a gente já tem aí em alguns momentos, é quase que o preço dobrou
52:43e isso tem impacto de inflação mundial, isso repercute aqui, mas nós temos neste momento ainda
52:50uma situação de baixa contaminação. Não é possível dizer que não haverá repasse, não é possível dizer
52:58que não haverá interferência. Existirão várias, eu diria, contaminações para a economia brasileira,
53:07mas é possível dentro de um cenário de que essa guerra tende a não se prolongar por tanto tempo,
53:14pelo menos é isso que os especialistas dizem, no sentido até da dificuldade de armamentos,
53:20de custos e de análises que combinam questões políticas e etc. Então é possível a gente esperar
53:28que possamos ter, a partir de um, dois meses à frente, pelo menos um desfecho previsível
53:37e que permita um planejamento empresarial mais célebre e com maior grau de confiabilidade.
53:45Com relação às pequenas empresas, a gente mencionou ao longo desse bate-papo
53:49o crescimento do número de recuperações judiciais.
53:52Hoje, inclusive, existe a chamada medida protetiva antecedente
53:57que muitas empresas médias estão recorrendo, ou seja, antes de ir para uma RJ,
54:03você pede uma proteção, uma espécie de congelamento no pagamento dos seus encargos
54:11para que você possa se reestruturar e renegociar antes de partir para uma recuperação
54:18propriamente indica, como a gente sabe, tem ali a figura do administrador judicial
54:22e a tutela judicial. Então, nesse sentido, está crescendo o número de empresas
54:30que recorrem a esse tipo de expediente, o que mostra essa dificuldade de você lidar
54:35com fluxo de caixa, com capital de giro, de fazer planejamentos, de tomar empréstimos
54:41a preços e a custos mais módicos e que, de alguma forma, potencializam o desenvolvimento
54:48empresarial. Apesar disso tudo, Denise, eu sou otimista.
54:52Muito bom. Eu acho que o Gilberto conseguiu resumir essa dificuldade que nós temos.
54:58Chegamos ao final do programa. Não vamos poder completar a nossa rodada,
55:04mas eu agradeço muito a participação do Géssia Oliveira, Camila Vindemarlac,
55:07ou Gilberto Braga, que esteve com a gente. Eu agradeço muito a sua audiência,
55:12você que nos acompanhou até agora. Se você não acompanhou desde o início,
55:16fica disponível nas redes da Jovem Pan News, no YouTube, o programa na íntegra
55:21para você conferir essa nossa conversa sobre esse momento nebuloso que nós temos
55:25na macroeconomia e as dificuldades que as empresas e os consumidores vêm enfrentando.
55:29Uma ótima semana para vocês. Temos feriado na sexta-feira, mas domingo estaremos
55:34de volta com a Economia em Foco. Até lá, uma ótima semana a todos.
55:45A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião
55:50do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
55:56Realização Jovem Pan
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