00:00O Congresso abriu uma nova frente de guerra política.
00:02E, dessa vez, o tema não tem a ver com economia, nem com imposto, nem com eleição.
00:07É a criminalização da misoginia.
00:10Não cabe mais ressalvas para tratar sobre a criminalização, se misoginia é ou não é crime.
00:16Nós sabemos muito bem o que nós vivemos as mulheres da nossa sociedade, principalmente aquelas mais vulneráveis.
00:23Um projeto que parecia técnico virou símbolo de uma disputa ideológica
00:27e até expôs rachaduras dentro da própria direita.
00:30Um projeto apresentado pela senadora Ana Paula e aqueles que gostariam, a partir de algumas ponderações,
00:36tentar aperfeiçoar, melhorar o texto para que pudessem se convencer em apoiar.
00:44A proposta equipara a misoginia ao crime de racismo.
00:47Na prática, ataques motivados por ódio contra as mulheres podem passar a ter penas mais duras,
00:52de até cinco anos de prisão, além de serem crimes sem fiança e que também não prescrevem.
00:57O objetivo declarado é enfrentar o crescimento do discurso de ódio e da violência de gênero,
01:02inclusive em ambiente digital.
01:04No artigo 2º A, ele passa a prever a figura típica da injúria praticada por misoginia
01:12ao lado das hipóteses já previstas em relação de raça, cor, etnia ou procedência nacional.
01:22O debate rapidamente saiu do campo jurídico e entrou no campo ideológico.
01:26A discussão revelou divergências importantes dentro do bolsonarismo.
01:30O senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato ao Planalto, votou a favor do projeto no Senado.
01:34Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro criticou publicamente a proposta
01:38e disse que ela representa, abre aspas, uma agenda agressivamente anti-masculina.
01:43Essa diferença de posicionamentos expôs tensões internas sobre como a direita deve lidar
01:48com pautas de costumes e projetos associados à agenda progressista.
01:51Além disso, deputados como o Nicolas Ferreira, a Bia Kicis, o Mário Frias, a Júlia Zanatta
01:56passaram a atacar o texto e prometerem também trabalhar para barrar a proposta na Câmara.
02:01Confesso que estou extremamente decepcionado com o nosso Senado.
02:04Afinal de contas, ninguém se opôs a isso e viu o real perigo do que estava acontecendo.
02:08Ou seja, só mostra que muitos, inclusive da própria direita, estão ainda num berço infantil da guerra cultural.
02:13O argumento central é o risco de censura, perseguição ideológica e restrição da liberdade de expressão.
02:19Ou seja, o tema virou mais um no campo de disputa dentro da própria direita.
02:24Do outro lado, deputadas ligadas à pauta dos direitos das mulheres intensificaram a defesa do texto.
02:29Eu conversei com três delas.
02:31A deputada Ana Pimentel, do PT, afirma que o projeto é um avanço histórico,
02:36mas defendeu que o enfrentamento precisa incluir a regulamentação das redes sociais e políticas públicas de prevenção.
02:43Já a Duda Salaber, do PDT, avaliou que a lei corrige uma lacuna no combate ao discurso de ódio contra
02:49as mulheres.
02:49A deputada Dandara, também do PT, sustentou que a criminalização é essencial para enfrentar uma cultura
02:56que ainda tolera violência de gênero e discursos organizados de inferiorização feminina.
03:02A estratégia, agora, é acelerar a votação na Câmara.
03:06De um lado, governistas tentam aprovar o texto rapidamente,
03:09e do outro, a oposição promete resistência e pode apresentar mudanças até barrar a proposta.
03:14O resultado dessa votação pode indicar,
03:25Mais que uma nova lei, a criminalização da misoginia virou um retrato do Brasil polarizado.
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