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  • há 3 horas
Recém-saído do lançamento de seu 16º livro infantil “O bigode da bruxa”, que aconteceu no dia 14/03, o último convidado do podcast Divirta-se é Maurilo Andreas. No novo episódio do Podcast Divirta-se, o autor compartilha detalhes de sua jornada literária, de seu processo criativo e de suas ambições para futuros projetos, além de comentar sobre a importância dos livros infantis na formação de jovens.

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Transcrição
00:00Divirta-se! Divirta-se! Cultura! Divirta-se!
00:04Olá! Seja bem-vindo ao Divirta-se, o seu podcast de cultura.
00:08Eu sou o Otávio e hoje eu tô aqui com a Ana, minha companheira de redação.
00:12Tudo bem, Ana? Tudo bem, Otávio.
00:13Tá animado pra participar aqui pela primeira vez do Divirta-se?
00:16Demais!
00:17A gente vai falar de literatura infantil.
00:20Tô aqui com um convidado que tá lançando seu 16º livro.
00:23Lançou agora no sábado, O Bigode da Bruxa.
00:26Eu estou aqui com o Maurílio Andréia. Seja bem-vindo ao Divirta-se, Maurilão.
00:30Valeu, Otávio. Prazer, Ana.
00:32Muito bom estar aqui pra falar sobre literatura e principalmente literatura infantil, que é a minha praia, né?
00:38Pois é. O 16º livro é isso mesmo, né?
00:41Cara, esse é um número teórico, assim.
00:45Eu imagino o 16º, mas tem livros autopublicados, tem livros feitos coletivamente.
00:50Então é por aí. Entre 15 e 20 tá valendo.
00:53Pode ser mais ainda.
00:55Pode, pode.
00:55Ah, legal. É. O Maurilão tem, como vocês podem ver, uma extensa produção.
01:01Já foi co-autor, já fez livro com a própria filha.
01:05Muito legal.
01:06Então vamos começar pelo começo, né?
01:08Do primeiro livro, como que você teve a ideia, né?
01:11Que é esse daqui, não é?
01:13Isso.
01:13Então vou mostrar aqui, Léo, nosso diretor.
01:16Pedir pra ele mostrar aqui o Todas as Estrelas do Mundo, que é o primeiro livro.
01:22Conta pra gente, então, Maurilão, como surgiu a ideia de escrever esse primeiro livro e de escrever livros no geral.
01:29Cara, eu sempre gostei de ler, mas eu sempre gostei da temática infantil também.
01:34Então, assim, eu tenho uma coisa que durante muito tempo foi até um motivo de vergonha que era.
01:40Eu nunca chorei em cinema pra filme adulto, mas eu morri de chorar em desenho animado.
01:47Da minha filha ficar com vergonha.
01:49E aí quando a minha esposa...
01:51Então o universo infantil sempre me atraiu muito.
01:53E aí quando a minha esposa ficou grávida, eu comecei a querer escrever umas historinhas pra elas.
01:58Pra minha filha.
01:59E aí o Todas as Estrelas do Mundo, ele é isso.
02:01Ele é um livro que brinca com as palavras.
02:03Então, onde estão as estrelas?
02:06Aí as crianças normalmente pensam no céu.
02:09Mas tem estrela no fundo do mar?
02:11Tem até os cinco estrelas.
02:12Tem estrela de cinema.
02:14Tem estrela na farda do general.
02:16Quando você bate a cabeça, você vê estrela.
02:18Então o livro é sobre isso que é um jeito das crianças começarem a brincar com as palavras
02:23e a entender questão de significado, questão de explorar a palavra além do óbvio, esse tipo de coisa.
02:30E aí foi muito legal porque eu mandei meu original, mandei originais pra várias editores.
02:36E aí não havia interesse, é muito difícil a primeira publicação.
02:42E aí uma pessoa da escola da minha filha, quando eu li as histórias e mandei pra escola, falou
02:47Olha, tem uma amiga que é editora.
02:50E aí a Fino Traço, que foi inclusive coincidentemente a editora pela qual lancei o meu livro mais recente,
02:55O Bigode da Bruxa, se interessou.
02:58E aí publicou os meus, acho que três primeiros livros, ou quatro, foram pela Fino Traço.
03:03E o Rogério Fernandes, artista plástico que é muito amigo meu, foi quem fez as ilustrações.
03:08Pois é, já dá pra perceber que desde o início você tinha essa qualidade gráfica,
03:15essa preocupação com boas ilustrações, o que é importante também no livro infantil.
03:21Fala um pouquinho dessa parte, qual que é o papel seu nas ilustrações?
03:27Tipo assim, eu sei que você chama as pessoas pra fazer, nesse caso o Rogério Fernandes,
03:32um baita artista aqui de Belo Horizonte, você sugere, é igual quadrinho, você já sugere aqui,
03:39é uma imagem de tal, ou não?
03:41Você manda o texto e ele sapeca a arte da cabeça dele lá.
03:45Pedir pro Léo também, enquanto isso, mostrar aqui, porque é lindo demais a ilustração.
03:51Vai lá, Marilão.
03:52Cara, na verdade é o seguinte, tem várias formas que os autores trabalham.
03:57Eu conheço alguns autores que são muito mais boas e é mais à mão na questão da ilustração.
04:04Eu não sou assim.
04:05Eu gosto de, eu participo da escolha dos ilustradores junto com a editora,
04:09porque normalmente essa é uma prerrogativa da editora,
04:12porque quem vai arcar com os custos do artista é a editora.
04:16Então eles apresentam alguns nomes, a gente faz a seleção.
04:18No caso do Rogério não foi assim, eu apresentei e eles toparam.
04:22Mas eu gosto de deixar o ilustrador livre.
04:24Do mesmo jeito que eu gosto que me deixem livre para escrever,
04:27eu gosto de deixar o ilustrador livre para ilustrar.
04:31Então o que a gente faz é definir o estilo.
04:35Então assim, tem certas ilustrações que não combinam com certos livros.
04:40Então é mais achar qual ilustração casa com aquele texto.
04:44Mas aí na hora de ilustrar, cara, eu deixo a pessoa fazer o que ela sabe fazer e que eu
04:50não sei.
04:51E nessa escolha, eu pessoalmente sou muito fã do seu trabalho com o Rogério.
04:56Eu gosto muito do Na Horta no Jardim do Quintal.
04:59E nessa escolha, principalmente que você já trabalhou com ele várias vezes,
05:04você tinha falado antes do Benjamin, o Menino Feliz,
05:07que ele teve um papel na escrita do livro também.
05:10Então você às vezes pode participar dessa escolha,
05:13mas como é que os ilustradores influenciam talvez na sua escrita ou na sua história?
05:17É, isso é muito legal. Por exemplo, Benjamin, o Menino Feliz é um livro que o Rogério escreveu para o
05:22filho.
05:22O filho dele, o Benjamin.
05:24E eu mexi no texto e dei o tom de literatura infantil.
05:30Porque às vezes, do mesmo jeito que eu não sei ilustrar tão bem quanto o Rogério,
05:35na verdade, isso é até uma brincadeira, não sei ilustrar nada,
05:37o Rogério escreve bem, mas precisava às vezes de um toque de um escritor mesmo.
05:44Então a gente escreveu juntos, ele escreveu e eu fiz o trabalho juntos, mas é isso.
05:50É um livro guiado às vezes mais pela ilustração do que pelo texto.
05:54Então existem processos e processos.
05:56Tem um livro que eu adoro, de uma autora chamada Suzy Lee, que chama Onda, ela é coreana,
06:02e que não tem palavras.
06:04E a literatura é igual a qualquer texto com palavras.
06:08Ela consegue contar a história por meio de ilustrações.
06:11Aqui é um livro que as ilustrações puxam o texto.
06:14Então tem realmente várias formas de se conduzir esse processo.
06:18Eu, porque realmente, se depender de eu ilustrar para salvar a minha vida, eu estou morto.
06:25Você já fez alguns projetos, teve o livro de graça na praça.
06:30Como que é?
06:31Como que você foi chegando até nisso?
06:34Conta um pouquinho desse processo para a gente, desses projetos que acabou, você fez via edital e tudo.
06:41Como é que é?
06:41Não, na verdade, o livro de graça na praça eu fui convidado.
06:44E aí é que o negócio é muito...
06:46Eu acho que hoje é até mais fácil, porque você tem várias possibilidades de publicação próprias.
06:51Mas quando eu comecei a escrever, era muito difícil entrar no mercado editorial.
06:56Mas depois que você entra, é muito rápido o avanço.
07:02Porque se você fez um livro e as pessoas gostaram, o segundo é mais fácil.
07:05Então vai ter um evento como o livro de graça na praça, que é um projeto muito legal,
07:09que as pessoas...
07:10Está até ali.
07:11Que as pessoas faziam o seguinte.
07:12Elas chamavam vários autores.
07:15E aí cada autor cedia um texto para o livro.
07:18Elas faziam essa coleção de coletânea e distribuíam gratuitamente para as pessoas na praça de Santa Tereza.
07:25Então eu só fui chamado porque eu já era autor publicado.
07:29Alguém conhecia o livro, me indicou.
07:31No caso foi até Ieda Galvão.
07:33Mas então, assim...
07:36Esse caso eu fui convidado.
07:38Agora, eu tenho um projeto de estímulo ao hábito de escrever, que é o Autores do Futuro.
07:45Que esse é o meu projeto.
07:47Inclusive acabou de ser aprovado na Ruanê.
07:50Você, dono de empresa que quiser patrocinar um projeto muito legal.
07:55O Autores do Futuro, ele é um projeto que eu faço de escrita coletiva com as crianças.
08:01Então eu coordeno.
08:03As crianças dão as ideias.
08:04Então só para vocês...
08:05Falando rapidinho aqui.
08:06Aqui, Léo.
08:07Pedi para você mostrar também aqui, enquanto ele vai contando.
08:10Por favor.
08:11Eu fui contar história em uma instituição que chamava Casa da Santíssima.
08:14Eu ia ler para os meninos.
08:15Só que os meninos hoje não têm paciência de ouvir alguém sentado lendo.
08:19Você tem que ter algum teatro no meio.
08:22E eu não tenho isso.
08:23Então eu cheguei à conclusão que eu falei, olha, para eu entreter esses meninos aqui,
08:26eles têm que começar a escrever esse livro junto comigo.
08:29E aí eu fiz uma pergunta para cada um.
08:31Então fala um animal que você acha bonzinho.
08:34Fala um animal que você acha malvado.
08:35Fala uma coisa que tem muito valor para você.
08:39Fala um medo.
08:40E aí eu listei isso tudo num quadro e falei, olha, agora a gente tem que escrever uma história assim.
08:45Tem um crocodilo, tem um pinguim no Parque das Mangabeiras, brigando por causa de um diamante.
08:50Um deles tem medo de leão.
08:52Agora se vira.
08:53E aí eles começaram a ter que discutir como que começa o livro.
08:57E aí um deles falou, o crocodilo e o pinguim nascem de ovo.
09:01Então o livro pode começar com dois ovos no Parque das Mangabeiras.
09:05E aí a gente foi fazendo as histórias e é muito legal, porque um dá uma ideia,
09:10outro dá outra ideia e eles têm que votar.
09:12Você tem que defender a sua ideia.
09:14Você tem que saber que nem sempre a sua ideia ganha.
09:16Você tem que saber argumentar.
09:19Você tem que saber perder.
09:20Então, mais do que escrever um livro, tem nesse projeto várias lições de convivência e de valores que eles vão
09:26aprendendo.
09:26E depois eles gostaram do livro pronto?
09:29Como é que foi essa sensação de levar o livro lá deles mesmo para eles lerem?
09:33Adoraram e a gente faz mais do que isso.
09:36Tem lançamento.
09:38Então eles foram em rádio, saíram em matéria do estado de Minas, no jornal.
09:44Fizeram um lançamento na escola.
09:45Então era muito legal que os meninos de...
09:47Porque é de 7 a 10 anos.
09:487 a 11 anos.
09:49Então os meninos de 9 anos autografando o livro para o cara de 16, que é o bom de bola
09:54da escola.
09:55E eles falaram, caramba, você viu?
09:56Eu autografei o livro de fulano.
09:58Então é muito legal para a autoestima deles.
10:00E para entender.
10:01Porque eu sempre falei para eles.
10:02Eles falaram, olha, a gente não sabe escrever livro.
10:05Eu falei, tá.
10:06Você sabia andar?
10:07Não.
10:08Você não anda.
10:09Anda.
10:09Você sabia falar?
10:10Você não fala?
10:11Não sabia escrever livro.
10:13Quando você escrever, você vai saber.
10:14Então a gente só não sabe fazer o que a gente ainda não fez.
10:18E aí foi muito...
10:19É um projeto muito bacana.
10:21Já tem três publicações.
10:23Uma, inclusive, com cidades do Brasil inteiro e tal.
10:26E que às vezes é isso.
10:27Eu não sou o autor desse livro.
10:31Eu sou o escritor desse livro.
10:34A escrita final é minha.
10:36Mas os autores são eles.
10:38E que é um jeito muito legal de escrever também.
10:40Você não precisa fazer tudo sozinho.
10:42Tive a ideia, escrevi o texto, corri atrás.
10:45Não.
10:45Às vezes é legal também você ter esse outro papel.
10:49E nesse processo de escrita coletiva, você escreveu um livro com a sua filha, o Fantástico
10:54Arroz de Filomena.
10:55Como é que foi essa questão aí?
10:58Eu já tinha alguns livros lançados.
11:00E aí um dia a Sofia virou para mim e falou, ah, eu quero escrever um livro com você.
11:05Eu falei, massa.
11:06Só que eu não vou escrever o livro sozinho e colocar seu nome, não.
11:09Se você quer escrever um livro comigo, você tem que ter a ideia do livro.
11:13Não precisa ser só você, mas vai trazendo ideias e vamos conversar.
11:17Pensa aí.
11:18Ela falou, ah, tá bom.
11:20Aí passou um tempo, ela virou para mim e falou assim, pai, já sei.
11:23O livro que eu quero escrever é o Fantástico Arroz de Filomena.
11:26Então ela já chegou com o título.
11:28Eu falei, pô, legal, mas o que tem no arroz dela que é especial?
11:33Fala, o arroz dela atrai os seres da floresta, atrai os bichos.
11:37Ele é muito...
11:37Falei, ah, legal, já temos uma história.
11:40E aí fomos escrevendo juntos.
11:41E nesse livro tem uma parte muito legal, dando um mini spoiler aqui,
11:46porque tem um caçador que fica encantado com a Filomena e com o arroz dela.
11:55E aí ele tenta entrar na casa e uma hora ele consegue, começa a ajudar ela.
11:58E tem um momento que ele ajoelha para fazer um pedido para ela.
12:02E a minha ideia era que ele fosse pedir ela em casamento.
12:05porque a Filomena é muito feia, mas para dizer que a pessoa pode se encantar com alguma coisa, além da
12:10beleza.
12:10E aí na hora que eu falei, a Sofia falou, pai, você é muito careta.
12:13Quem disse que ela quer casar?
12:15Ele tem que pedir para abrir um restaurante.
12:17Ela cozinha bem.
12:18Eu falei, pô, é verdade.
12:19E aí o que saiu no livro foi isso.
12:21Então esse é um livro que eu posso dizer que ele é 50-50 meu e da Sofia, assim, mesmo.
12:26E muito da Rebeca Luciane, que é a ilustradora, que fez um trabalho maravilhoso.
12:31É, eu mostrei aqui.
12:33Realmente, assim, as ilustrações bonitas são um padrão aí, né, nos seus livros.
12:38Eu queria que você me falasse um pouquinho do processo.
12:41Tipo assim, nesse caso que você escreveu com as parcerias, a gente está entendendo.
12:45Mas, por exemplo, quando você vai escrever sozinho, como foi agora o bigode da bruxa, né?
12:49Você decide o plot inteiro, você já tem, é mais ou menos nesse mesmo processo, você tem uma ideia e
12:56vai desembolando.
12:57E aí você põe na página em branco do Word ali e vai fazendo.
13:01Conta um pouquinho, assim, do nascimento até te levar para a editora mesmo.
13:06É, eu nunca acordo e falo, poxa, preciso escrever um livro.
13:11Não funciona assim comigo.
13:12Eu até acho que eu escrevo muito rápido, mas o tempo de achar a ideia é o que demora.
13:18Então, por exemplo, tem um livro que chama Cachinhos, Conchinhas, Flores e Ninhos,
13:23que é um dos meus livros adotados pelo PNLD Literário, pelo MEC.
13:27Eu tenho dois livros adotados pelo MEC, esse é um deles.
13:30E que aconteceu que minha filha estava na saída da escola e aí uma parente de um outro aluno virou
13:38para ela e falou,
13:39nossa, você é tão linda, porque você não perde sua alma para alisar seus cabelos.
13:44E ela tem os cabelos cacheados.
13:45E aí, quando minha mulher me contou isso, eu falei, olha, fui no porteiro da escola,
13:51falei, não quero essa pessoa perto da minha filha.
13:53E aí, fiquei com aquilo na cabeça e aí escrevi o livro.
13:56Para valorizar as meninas dos cachinhos, que os cachinhos, às vezes, eles podem parecer conchinhas,
14:01às vezes, eles podem parecer ninhozinhos de onde nascem ideias, podem parecer flores.
14:06E aí a história é disso, de uma menina que passa a valorizar seus cachinhos.
14:11Então, muitas das ideias surgem de coisas que eu não estou esperando.
14:14Nunca é preciso escrever um livro sobre isso.
14:16É algo que eu ouço ou que eu vejo e me chama a atenção.
14:20E aí o processo é solitário.
14:22Aí é senta na frente do computador, do Word, escreve, para um pouco, volta e vai ajeitando assim.
14:30Mas eu também tenho uma coisa que é, depois que está pronto, está pronto.
14:34Porque senão o livro nunca sai.
14:37Você fica na edição eterna ali, sempre procurando algum detalhe.
14:41Exato. E aí a editora já vai me trazer algumas observações e aí está ótimo.
14:45Porque se eu ficar olhando, não vai sair.
14:49Porque sempre tem alguma coisa para acrescentar, algum detalhe.
14:52Ah, mas eu não descrevi como que era o vestido da menina no dia.
14:55Pá, não precisa.
14:57Então, aí eu falo, está pronto, a história é essa.
15:00E aí eu vou correr atrás de editora.
15:02E quando você sabe quando é esse momento?
15:05Quando é esse ponto de parar?
15:06Quando você fala assim, não, isso aqui é um bom livro infantil.
15:09Quando eu começo a ter que pensar se precisa acrescentar alguma coisa.
15:13Quando você começa a falar assim, será que precisa?
15:15Será que precisa?
15:16É porque já está pronto.
15:17Porque senão você não pensa no será.
15:19Você olha e fala, faltou isso.
15:21Quando você começa a tentar achar coisa para melhorar e para mudar,
15:25é porque ele já está bom.
15:26E você que está indo além do necessário ali, sabe?
15:34Mas para mim é isso.
15:35Eu nunca tenho uma ideia pronta.
15:39Eu vou falar, teve uma vez que isso surgiu dessa forma.
15:42Que foi o Zunga Birrão que está ali.
15:44Que a gente estava numa fazenda com os meninos, chovendo.
15:47Não é uma fazenda não, no interior com os meninos, chovendo muito, muito, muito, muito.
15:51E aí a casa estava um desespero, cara.
15:54Menino correndo, menino brigando.
15:56E aí eu falei, cara, eu vou inventar uma história para se esses meninos sossegam.
16:00Então essa foi a única vez que eu falei, preciso inventar uma história.
16:04Não era para ser um livro, era só para ser uma historinha para eles se acalmarem ali.
16:07Mas eles gostaram tanto e ficou tão legal que acabou virando um livro também.
16:13Legal demais.
16:13Mas teve um também que você criou, que foi o menino que não aceitava perder, né?
16:18Essas coisas sempre tem, cara.
16:20É isso.
16:21São bem baseados na realidade.
16:22Na realidade.
16:23Sempre alguma coisa que eu ouvi, então o João Ganhão é isso.
16:26Não é uma criança especificamente.
16:28Mas tem muitas crianças que têm dificuldade de perder, de aceitar perder.
16:33Então eu criei o João Ganhão, que era um menino que não sabia perder.
16:37Então não foi um fato específico, mas uma coisa que a gente sabe que...
16:41É comum.
16:42Que é comum, né?
16:44E que muitas crianças se identificam.
16:46Então esse é o livro que mais gente me encontra na rua hoje e fala assim,
16:50Ah, fulaninho, você lembra do Maurílio, fulaninho?
16:53Não.
16:53Ele escreveu o João Ganhão.
16:55Ah, lembro.
16:57Porque foi usado terapêutica e educacionalmente com aquela criança.
17:02Tenho certeza.
17:03Pois é.
17:04Os livros...
17:05Como é que você avalia o sucesso de um livro?
17:08São cópias vendidas?
17:10É a editora que te dá algum feedback?
17:13Ou para você, a partir do momento que escreveu também, já temos um sucesso nesse sentido artístico?
17:21Como é que você avalia?
17:22É, cara.
17:22É muito difícil, assim.
17:24Porque realmente não é uma...
17:26Depende da editora, da época, da temática.
17:29Tem o Estranhas Histórias, que é um livro meu que eu adoro.
17:32Ele é super humor, assim, negativo.
17:37Tem menino que explode.
17:38Tem o incrível menino Uva.
17:40A Ana conhece esse, né?
17:41Esse é.
17:42O incrível menino Uva, que os pais esquecem na praia, ele vira Uva Passa.
17:46Então, assim, ele nunca vai ser um sucesso comercial.
17:49E o objetivo dele não é ser um sucesso comercial.
17:53Ele não vai ser adotado pelo MEC nunca.
17:56Mas eu acho ele um sucesso, porque é um livro que eu leio e falo, cara, isso é divertido, isso
18:00é legal.
18:01Já tem outros que eu meço sucesso, assim, por exemplo, Cachinhos.
18:05O tanto de menina e de mãe de menina que me agradece e fala, nossa, que bom que você escreveu
18:11esse livro.
18:12Se você for ler, é o livro que mais tem vídeos sobre ele, blogs, coisas sobre ele.
18:18Então, esse para mim é um sucesso.
18:19Aí, Ana, você já pode fazer, já vou antecipar para o nosso público aqui, que a Ana tem um projeto,
18:27né, de literatura.
18:29Fala rapidinho do seu projeto para o público do Divirta-se saber.
18:32Então, eu tenho um projeto no Instagram, é uma conta em que eu falo sobre literatura, eu falo sobre livros.
18:38E eu sempre gostei muito de ler, inclusive eu li muitos dos livros do Maurílio quando eu era pequena.
18:43e foi uma coisa que me ajudou muito, assim, a me entender no mundo.
18:47Até os, né, os Estranhas Histórias, que você falou que talvez não sejam sucesso, para mim era um baita sucesso.
18:52Eu lia a história do Menino Camelo, pô, às vezes era uma história até meio triste, mas eu li e
18:56falava assim,
18:57pô, eu sou meio Menino Camelo também.
18:59E aí, assim, eu acho que eu me encontrei muito na literatura e por isso eu quero tentar passar isso
19:05para frente, sabe?
19:05Eu acho que autores, ilustradores, principalmente de livros infantis, têm um trabalho muito grande nisso.
19:12E aí eu queria saber, Maurílio, o que você acha, assim, que é o seu papel no incentivo da leitura
19:18mesmo?
19:18Se você tem esse objetivo de criar leitores, né, tem futuros autores, mas e os futuros leitores?
19:25Será que talvez os futuros autores possam ajudar a criar futuros leitores também?
19:28É, eu acho que até no caso do autor do futuro que você mencionou,
19:32quando um colega vê que o colega dele escreveu um livro, ele tem mais interesse de ler.
19:37Porque, e isso é muito engraçado, as crianças têm uma coisa com o autor,
19:42que é meio como se o autor fosse um ser mítico, assim.
19:45Então eu fui em uma escola uma vez em Ribeirão das Neves, ou em Santa Luzia, não vou me lembrar
19:49agora,
19:50e aí eu fui de bermuda, estava muito calor.
19:53E aí uns meninos me viram e falaram, o autor está de bermuda!
19:57E aí saíram correndo para contar a novidade, tipo assim, ele esperava um autor de galardão, fraco, não sei o
20:04que.
20:04O autor está de bermuda!
20:06E eu acho que, assim, escrever para as crianças tem o objetivo de formar leitores.
20:14Se a gente vai conseguir ou não, não depende só da gente, depende da gente fazer um bom livro que
20:18gere interesse.
20:19Mas tem trabalho de pais, tem trabalho de escolas, então o que eu acho é que eu sou o cara
20:25que produz,
20:27que planta um tomate saudável.
20:29Se as pessoas vão comer, depende de educação, depende de disponibilidade, depende de preço, depende de cultura,
20:36mas eu estou produzindo um tomate saudável, pelo menos tentando produzir um tomate saudável, né?
20:41Pois é, como é que é o processo disso?
20:43Você falou que vai nas escolas e tal, a editora que marca esses eventos ou nem sempre,
20:51às vezes você vai em uma escola de conhecido, de crianças conhecidas, da sua filha,
20:55que já não é mais uma criança, está na universidade, mas conta desse pós, assim.
21:02Cara, as editoras fazem um trabalho durante o lançamento do livro que é assim,
21:06então você vai em feira, você autografa em feira e tal,
21:09mas tem muitas escolas que têm projetos de tentar levar autores.
21:13E eu queria até falar isso aqui, as escolas às vezes não chamam porque não sabem que o autor topa.
21:21Eu já vi várias vezes as pessoas viram, ah, você faz um vídeo, eu falei, você não quer que eu
21:25vá?
21:25Você viria?
21:26Eu falo, iria.
21:27Não são só as crianças que acham que o escritor é a semelhança parda.
21:32Exato, tem uma distância que não existe, que não é real.
21:35É uma distância criada, assim, que não é real.
21:37E eu falo, às vezes as pessoas entram, por exemplo, o Bigode da Bruxa,
21:40uma pessoa entrou, oh, Maurílio, eu tenho um projeto na cidade e tal, e tal.
21:44Você consegue me mandar uns livros?
21:45Eu falei, olha, livros eu não consigo mandar porque eu não tenho os livros.
21:49Eu tenho dois livros.
21:50Quem tem os livros é a editora, mas entra em contato.
21:53Agora, se você quiser, eu posso falar com os meninos.
21:57Ah, não, mas em outro estado.
21:59Ok, remoto.
22:01Ah, tá.
22:02Com o vídeo e tal.
22:02E, sabe, muitas vezes acho que as pessoas não entendem o que é para os meninos.
22:09E quando eles veem isso, é muito uma reação.
22:11Eles estão vendo um autor, é um negócio que para eles é muito bacana.
22:14Principalmente do livro que eles leram.
22:16E aí fazem perguntas.
22:19Por exemplo, tem uma coisa muito legal, o Fantástico Arroz de Filomena.
22:23Na história, a Filomena é muito feia e tal, e andava meio suja.
22:28E aí, mas cozinhava muito bem.
22:30E aí, um dia, numa escola, um menino virou para mim e falou assim,
22:34se ela anda suja, como que ela cozinha?
22:37Por que que ela não...
22:38Ela tem que lavar a mão para cozinhar e tal.
22:40E eu falei, não, ela lava, só que não está no livro.
22:43Mas, poxa, é mesmo.
22:46É até uma informação que eu estou passando ali,
22:48que poderia ter sido um pouquinho mais bem cuidada.
22:51Então, eles têm um olhar atento.
22:52E essa conversa com o autor é legal para eles.
22:55Então, assim, a gente é muito disponível para isso.
22:58As crianças gostam, mas muitas vezes as escolas não acham que podem.
23:04Entendeu?
23:04Ou acham que vão ter que pagar para o autor ir lá.
23:07E ok, lógico, se uma escola do Maranhão me chamar para ir,
23:12eu vou ter que pedir uma ajuda para poder chegar lá.
23:15Mas, escolas aqui de perto da Grande BH,
23:17ou até do interior de Minas,
23:19isso é uma coisa que é muito tranquila, sabe, assim, de fazer.
23:23É, então, se você está nos assistindo e é de alguma escola,
23:27seja do governo, seja uma escola particular para crianças,
23:31entre em contato, deixe um comentário,
23:33entre em contato com a gente, a gente fala aqui com o Maurilo.
23:36Ele é um grande amigo meu.
23:37E agora, então, a gente vai falar do novo livro.
23:40Pedir para o nosso diretor colocar na tela aqui,
23:43porque a gente trouxe ele digital,
23:46para a gente poder também se maravilhar com as ilustrações maravilhosas.
23:51Estamos aqui...
23:53Já estamos na cena aí, Léo?
23:55Para ver aqui, ó.
23:57O Bigode da Bruxa,
23:59ilustrações de André Serino,
24:01livro de Maurilo Andréas Gomes da Silveira.
24:04Fala o que é esse livro, então, para a gente, Maurilão, enquanto isso.
24:08Léo, se você quiser ir passando para a próxima,
24:10só para a gente ir comentando enquanto isso.
24:12Cara, esse livro, de novo, é em cima de uma sensação
24:15de que as crianças, às vezes,
24:18não gostam de alguma coisa nelas
24:20e que os outros gostam muito.
24:23Eu, quando eu era pequeno,
24:25eu tinha um colega, que era o Marcelinho,
24:27hoje é doutor Marcelo, juiz de fora, oftalmologista,
24:29que tinha o cabelo lourinho e cacheado.
24:33E eu chegava em casa e falava
24:35Mãe, eu queria ter o cabelo miudinho,
24:36igual o do Marcelinho.
24:37E eu tinha o cabelo liso.
24:39Liso, igual daquele Príncipe Valente.
24:43E o Marcelinho,
24:44que tinha problema para pentear o cabelo
24:46por causa dos cachinhos,
24:47que é muito mais complicado,
24:48o meu não precisava nem pentear,
24:50queria ter o cabelo liso igual o meu.
24:52Então, foi baseado nisso que eu cheguei nessa história,
24:55que é uma bruxa que nasce com bigodes
24:57e mesmo entre as bruxas o bigode não é bem visto assim.
25:01E aí, ela encontra um menino que era o contrário.
25:04Todo mundo achava que ele era muito criança,
25:06ele não podia fazer nada,
25:07então o sonho dele era ser mais adulto,
25:08ter um bigode.
25:09E aí, fica essa relação dos dois,
25:12um querendo o que o outro tem,
25:14ele querendo ser adulto como ela e ter o bigode,
25:16e ela querendo não ter o bigode,
25:17ter uma vida mais simples como a dele.
25:21Legal, legal.
25:22As ilustrações aqui, a gente pode ver.
25:24Tem alguma pergunta sobre esse livro, Ana?
25:27Agora é o momento.
25:28Eu vou fazer uma, então, rapidinho.
25:32Como que você introduz,
25:34tem alguns livros que tem um aspecto poético,
25:36que você coloca em versos,
25:38outros são mais história contada mesmo.
25:41Como que você decide qual que é o tom desse sentido do texto?
25:46Se vai ser um livro com uma frase,
25:49uma ilustração,
25:50ou igual nesse caso que tem um pouquinho mais de história?
25:53É pela idade.
25:54Eu acho que tem mensagens mais simples
25:58para crianças menores,
25:59e que a rima ajuda muito.
26:02Então, ajuda a memorizar,
26:04ajuda a gostar do texto,
26:06ajuda a entender.
26:07Então, você pode ver que os meus livros mais infantis,
26:10eles usam mais a rima.
26:13Quando a gente...
26:14Mais a poesia.
26:16Quando a gente vai aumentando a idade,
26:17a prosa já funciona bem.
26:20Então, nem todo meu livro para criança menor é poesia,
26:24nem todo meu livro para criança maior é prosa,
26:27mas é uma coisa que é meio natural para mim.
26:29Eu penso com que criança eu estou falando,
26:31e como que ela gostaria de receber aquele texto.
26:34Então, vem muito disso.
26:36E sobre ilustração, cara, uma coisa interessante,
26:39eu acho que o único ilustrador de livro meu
26:41que eu encontrei pessoalmente foi o Rogério,
26:43que já era amigo meu antes.
26:46porque a Rebeca Luciane mora na Espanha,
26:50o Maurizio Manzo,
26:51acho que eu nunca encontrei com ele,
26:53o André Serino,
26:55eu nunca encontrei com ele,
26:56e são pessoas que fazem o trabalho paralelamente,
26:59e que funciona assim mesmo, né?
27:02Mas eu gostaria, às vezes,
27:03de encontrar todos os ilustradores de livros meus, sabe?
27:06Para bater um papo e ver o que eles acharam do livro,
27:10se tem alguma coisa especial e tal.
27:13Quando você escreveu esse livro,
27:14você imaginou que os personagens seriam ilustrados dessa forma?
27:17Eu sabia como que eu não queria,
27:20então eu falei,
27:20eu não quero uma coisa muito assustadora,
27:24a história não é sobre a bruxa no sentido...
27:29De vilão.
27:30De vilão e tal.
27:31Então eu queria já uma coisa mais leve,
27:33aí eu conversei sobre isso com a editora,
27:35com a Filma Traça,
27:36aí a Bethânia trouxe três ou quatro opções de ilustradores,
27:40que já tem um contato com a editora,
27:42que eles já gostam de trabalhar e tal,
27:44e aí eu olhei e gostei,
27:46falei, eu gostei muito do André,
27:47o traço dele,
27:48acho que vai dar essa leveza que o texto precisa,
27:50porque é uma história sobre amizade,
27:52ela não é uma história sobre bruxaria,
27:54ela é uma história sobre amizade com uma bruxa.
27:56E aí ele executou um trabalho lindo assim.
28:01Mas aí tem uma coisa também,
28:02esse negócio da descrição dos personagens,
28:04aí eu não tenho um padrão.
28:06tem livros que eu sinto necessidade de escrever muito o personagem
28:09e tem oito que é só um menino.
28:13Isso no livro mesmo,
28:14não uma orientação para o...
28:16Não, não, não.
28:16No livro, tem histórias no livro,
28:17por exemplo,
28:18Cachinhos, Conchinhos, Flores e Ninhos,
28:19eu tinha que dizer que a menina tinha cabelos cacheados,
28:22então já tem uma descrição física.
28:24Porque isso é parte da história.
28:27O João Gagnão não.
28:29O João Gagnão eu deixei por conta da Marina,
28:33e falei, olha, pode fazer o João Gagnão como você quiser.
28:39Porque assim, não tem um padrão.
28:41E eu não descrevi no livro esse padrão.
28:43Falei, João Gagnão era um menino alto,
28:44ou gordo, ou magro, ou louro.
28:46Não tinha isso.
28:47Porque eu não vejo,
28:48e às vezes é até bom deixar para as crianças imaginarem o personagem
28:53e para o ilustrador.
28:54Então se o ilustrador colocou daquele jeito,
28:56para mim está massa.
28:58Legal.
28:59Você quer ler um pouquinho do Big White da Bruxa?
29:02Você está preparado para isso aí?
29:04Vou ler um trechinho aqui.
29:06É muito legal, né?
29:07A gente está vendo aqui a ilustração,
29:10e realmente uma profundidade,
29:12os olhos expressivos aqui,
29:16questões...
29:17Aí, olha.
29:18Que legal.
29:19Questões sociais,
29:21colocando nessa...
29:24da amizade aí da bruxa com o Marcos, né?
29:28Isso.
29:29E isso é muito interessante, né, Maru?
29:32Você vai falando nisso,
29:33dessa premissa,
29:34que às vezes tem algum objetivo,
29:35igual no caso do caixinhos e tal.
29:38Nesse aí,
29:39você também tirou essa ideia...
29:42Não, é aquilo,
29:43de velocidade.
29:43Às vezes tem coisa que você não gosta em você,
29:45que outros fariam de tudo para ter.
29:47Então é para falar para as crianças,
29:48se você não acha o seu cabelo bonito,
29:51tem gente que daria tudo para ter um cabelo igual o seu.
29:54Se você não acha que você é muito alto,
29:57tem gente que está querendo ser alto como você é.
29:59Então, assim,
30:00não fica vendo aquilo como um defeito seu.
30:04É uma característica sua.
30:06Muitas ideias aqui são úteis até para o pessoal adulto aí,
30:09em muitos aspectos, né?
30:11É, é verdade.
30:11Então, está pronto aí?
30:13Sim, vamos lá.
30:13Vamos lá.
30:14Isso é depois que a bruxazita sai de casa,
30:17e o Marcos também.
30:18Só que o tempo passou,
30:19e como todo mundo sabe,
30:21a vida é cheia de coincidências.
30:23O dia em que Marcos tomou coragem
30:25e resolveu fugir de casa,
30:26foi exatamente o mesmo dia
30:28em que a zita decidiu largar seu cantinho solitário
30:30e correr mundo.
30:31E aí, justamente porque a gente vive
30:35se encontrando e desencontrando por aqui e por ali,
30:37o menino Marcos e a bruxazita
30:39deram de cara um com o outro,
30:41exatamente à meia-noite,
30:43na praça mais bonita da cidade.
30:45Foram dois sustos grandes.
30:46Quer dizer, o Marcos tomou um susto grande
30:49e a bruxazita teve uma surpresa grande.
30:52De qualquer forma,
30:53os dois ficaram muito espantados.
30:55Gente, mas é um menino.
30:57O que será que ele está fazendo por aqui?
30:59Pensou a bruxa.
31:00Uau, é uma bruxa.
31:02E que bigode enorme!
31:03Foi o que pensou o Marcos.
31:05Então, esse é o primeiro contato dos dois, né?
31:07Que poderia ter sido simplesmente uma...
31:10Os dois se olharam, ficaram com medo
31:12e se afastaram.
31:15Então, é...
31:16Isso é uma coisa, assim,
31:17eu acho que descrever as situações,
31:19para mim, é mais importante
31:20que descrever os personagens muitas vezes, sabe?
31:23Então, tem um livro meu que chama
31:24Cama de Menino, Quarto de Monstro,
31:26que também vai estar esse ano
31:28no Plano Nacional do Livro Didático,
31:31do MEC,
31:34do livro de literário.
31:37e que é a história de um menino
31:38que todo dia antes de dormir
31:40pedia para a mãe contar uma história
31:42para o pai, fazer um carinho
31:43e ele enrolava para dormir
31:44porque ele tinha certeza
31:45que tinha um monstro debaixo da cama.
31:48E, naquele mesmo momento,
31:49tinha um monstro que todo dia
31:51na hora de dormir pedia para o pai
31:52coçar as escamas,
31:53para a mãe contar uma história de terror
31:54porque ele tinha certeza
31:55que tinha um menino em cima da cama dele.
31:56E aí, os dois se encontram
31:59e aí, trocam, vão conhecer o mundo do outro.
32:02Que, de novo, parte daquele negócio.
32:04Às vezes, tudo que você tem medo
32:05ou que é muito diferente
32:07e que você acha estranho,
32:08não necessariamente é ruim.
32:10Só é diferente.
32:11Então, os meus livros
32:12vêm muito disso, assim,
32:13de coisas que eu quero falar
32:15e que eu acho que,
32:16para falar com as crianças,
32:18a fábula serve para isso, né?
32:20A fábula serve para falar
32:21de assuntos complexos
32:22de maneira simples, né?
32:24E é o que eu tento fazer.
32:25Eu acho muito bacana
32:27que no livro infantil
32:28dá para ter essa liberdade, assim,
32:30de, pô, explorar certos assuntos
32:32com uma visão mais viva, assim,
32:36mais mágica.
32:38Tem algum assunto
32:39que você ainda quer explorar muito
32:41e ainda não teve a chance?
32:42Tem um livro meu que está pronto,
32:45já tem contrato assinado
32:47e que deve sair esse ano, ano que vem,
32:50que é Vovó Não Lembra Mais De Mim.
32:53que é sobre demência, Alzheimer,
32:57mas do ponto de vista da criança.
32:59Então, esse é um livro
33:00que é um assunto que eu quero
33:02muito ver na rua, assim,
33:03e vamos torcer para dar tudo certo.
33:06É bem delicado, né?
33:07É, exato.
33:08Então, a forma de tratar com o assunto
33:12precisou ser delicada, poética,
33:15e aí eu estou doido para que esse livro saia,
33:17para ver se eu acertei também no tom, né?
33:19E acho que é uma coisa que a gente vê pouco
33:21da perspectiva da criança, né?
33:22Muitas vezes a gente assiste filmes
33:24sobre pessoas que estão cuidando dos pais,
33:27mais velhos, mais poí,
33:28e o menino que está ali
33:29está vendo o próprio avô, a avó,
33:32passando por essa situação.
33:34Confundindo ele com outra pessoa,
33:36a pessoa que lembrava das histórias
33:37quando ele era bebezinho,
33:39não lembrando,
33:40o que que...
33:41Então, assim, essa é a pegada.
33:44E é isso, assim,
33:45eu acho que todo tema,
33:46às vezes, não parece também
33:48que vira livro infantil,
33:50mas eu acho que tudo vira livro infantil.
33:51Tem um livro maravilhoso que chama
33:53O Pato, a Tulipe e a Morte.
33:56Tenho quase certeza que é isso,
33:57que é das coisas mais lindas que tem.
34:00E fala sobre a morte.
34:02Então, dá para falar sobre tudo
34:06pelo livro infantil,
34:07desde que você tenha
34:08o carinho e o cuidado
34:11com o seu leitor, né?
34:13Pois é, eu acho que isso é um bom gancho.
34:16Você acha que mudou
34:17a forma como as escolas
34:20abordam livros?
34:21Porque na minha época,
34:22a gente lia Zé de Alencar
34:24e livros que não são muito acessíveis
34:27para a criança entender ali e tal.
34:31Não menosprezando,
34:32às vezes até Machado de Assis,
34:34que depois de velho eu consegui ler
34:36e aproveitar de uma forma melhor,
34:39mas que antes eram ofertados livros
34:42que às vezes não tinham tanto a ver.
34:44Você acha que isso mudou?
34:45Você acha que isso tem uma possibilidade
34:47de trazer livros mais legais assim,
34:51mais que as crianças possam gostar?
34:53Ou ainda falta muito
34:55nesse caminho aí, cara?
34:57Cara, eu acho que
34:59tem uma questão de ambiente.
35:01Eu, por exemplo,
35:02cresci num ambiente de muita leitura.
35:04No sentido assim,
35:05se a escola não apresentava,
35:07eu tinha em casa.
35:08muito.
35:09Então,
35:10mas a escola tinha uma hora
35:12de biblioteca,
35:13que você pegava os livros,
35:14mas aí,
35:14quem não gostava de ler
35:16não pegava livro nenhum,
35:17ou pegava um livro e não lia.
35:18Quem gostava
35:19tinha biblioteca.
35:20Eu acho que não tinha uma coisa...
35:23Acho que literatura tinha.
35:24Por exemplo,
35:25um dos meus livros favoritos
35:26até hoje é
35:27a bonequinha preta,
35:28que eu li muito pequenininho.
35:30Bonequinho doce,
35:32eu li muito pequenininho.
35:33Então, assim,
35:35eu me lembro das histórias
35:38de infância
35:39muito para alfabetização.
35:41Então,
35:41tinha o barquinho amarelo,
35:44que é para alfabetização.
35:45O vento fazia uuuh,
35:47a água fazia choar, choar.
35:48É mais para alfabetização
35:50do que uma história.
35:51Mas quando você começa
35:51a pegar a bonequinha preta,
35:54que aí já são histórias.
35:55O Monteiro Lobato
35:56tinha muita coisa.
35:57Mas eu acho que
35:58o que não tinha
35:59é que não se percebia
36:01a literatura infantil
36:02com a importância
36:04que se percebe hoje.
36:06De ajudar a lidar
36:07com alguns sentimentos,
36:08de ser uma boa forma
36:10de abordar alguns assuntos,
36:12de melhorar.
36:13Elas eram normalmente aventuras.
36:16Então, eu acho que o que mudou
36:17foi um pouco isso, assim.
36:18E posso estar falando bobagem também,
36:19porque eu tenho a visão
36:21da minha infância, né?
36:23Mas eu acho que hoje
36:24tem uma preocupação
36:25da literatura,
36:26não de passar uma moral
36:28da história,
36:28mas de entender
36:29como que aquele livro
36:30pode ajudar
36:31aquela criança
36:32a lidar com alguma coisa
36:33que ela vê,
36:34que ela está sentindo,
36:34que ela vive,
36:35que acontece.
36:37Legal.
36:38É.
36:38Eu acho que
36:39essa questão do...
36:40De ajudar as crianças
36:41a lidarem com o que elas
36:42estão sentindo,
36:43eu acho muito importante.
36:44Foi uma coisa que
36:45foi muito presente
36:46na minha vida também,
36:47porque acho que,
36:48como você,
36:48eu sempre tive
36:49muito acesso
36:50à literatura
36:51e eu sempre tive
36:52esse contato
36:53com os livros
36:54e eles foram
36:56essenciais, assim,
36:57na minha percepção
36:58de mim mesma
36:59e de outras pessoas,
37:00até no momento
37:02de ajudar
37:02a criar uma empatia.
37:04Então, assim,
37:05esse papel
37:06da literatura,
37:07principalmente
37:08da literatura infantil,
37:09eu acho importantíssimo.
37:11Sim.
37:12Ana, repete, então,
37:13o seu projeto
37:14de literatura
37:15para a gente firmar.
37:17Se você está nos assistindo
37:18aqui, vá lá no Instagram
37:19e coloque.
37:20É, o meu projeto
37:21de literatura
37:22é o perfil
37:22We Read Some Books
37:24no Instagram
37:25e no TikTok
37:25e no YouTube também.
37:28Legal.
37:28Às vezes a gente pede
37:29para um collab
37:30aqui do Portal Aire
37:32no YouTube lá.
37:33Quem sabe.
37:33Maurilão,
37:34já com esse gancho,
37:35então, eu queria que você
37:35falasse um pouco
37:36dos próximos projetos.
37:37Você citou que vai ter
37:38um livro aí.
37:40Eu e o Maurilão,
37:42se você não sabe,
37:43a gente faz um projeto
37:44de basquete,
37:45chama Poste Baixo,
37:46está aqui no YouTube,
37:48no Spotify.
37:50Quem sabe,
37:50aqui, falando
37:52semi ao vivo,
37:53aqui, durante a gravação,
37:54a gente não faz
37:55um livro infantil
37:56colocando a bola laranja
37:58também no meio
37:59da história.
38:00Mas fala um pouco
38:00dos seus projetos,
38:02sigam o Poste Baixo.
38:03Falei.
38:03O Steph Curry
38:04já tem o Golt,
38:05o desenho animado dele,
38:06o Kobe também teve um,
38:08quem sabe a gente encaixe
38:09alguma coisa
38:09na literatura.
38:11Tem os meus próximos projetos,
38:13tem esse livro,
38:13Vovó Não Lembra Mais de Mim,
38:15e tem um outro
38:16que é Papai Campeão,
38:17que é uma história
38:18que eu estou produzindo
38:19com a Bela Higg,
38:21que é uma ilustradora fantástica,
38:22e que ele fala o seguinte,
38:25de um menino
38:25que tinha um pai
38:26que era campeão
38:27de lucha libre,
38:29só que ele estava
38:30sempre vestido
38:31como lutador
38:31de lucha libre,
38:32na reunião da escola,
38:34no supermercado,
38:35na natação.
38:36Então,
38:36como que o menino
38:37lidava com isso?
38:40porque hoje
38:41você tem muitas crianças
38:42que às vezes o pai
38:44é visto como
38:45uma pessoa estranha
38:46ou diferente,
38:47ou é visto como
38:48alguém muito bom,
38:49muito bacana,
38:49e para a criança,
38:50como que é isso?
38:51Como que ela lida
38:52com isso?
38:53Um filho de um músico,
38:55um filho de um artista,
38:55um filho de um criminoso,
38:57um filho de um...
38:59Então,
38:59a ideia é sempre essa,
39:00porque eu tenho uma frase
39:02que eu ouvia muito
39:03e que eu falava assim,
39:04tá,
39:05Hitler pode ter sido
39:06um ótimo pai,
39:08não quer dizer
39:09que ele seja uma boa pessoa,
39:10que ele seja um bom ser humano,
39:11mas a relação
39:12da criança com o pai,
39:14será que depende
39:15desse papel
39:16que o pai tem para o mundo?
39:17Então,
39:18o livro é um pouco
39:19sobre isso.
39:20É,
39:20tem até alguns filmes
39:21que estão esbarrando
39:22um pouco nisso,
39:23aquele do pijama listrado,
39:25que tem a casa
39:26do lado do campo
39:28de consideração.
39:29Sim,
39:30é interessante,
39:31muito legal.
39:32Cara,
39:33só agradecer,
39:35te passar aí
39:36a palavra
39:37para as palavras finais,
39:38você divulgar aí também
39:39o seu Instagram
39:40e tudo mais,
39:42mas,
39:42e dizer que a porta
39:43do Divirta
39:44está sempre aberta,
39:45sempre tiver um livro novo,
39:46vem conversar com a gente,
39:48né,
39:48a Ana também,
39:49Ana,
39:49foi massa demais,
39:51agradeço.
39:52Então,
39:52palavras finais,
39:53Maurilon.
39:53Bom,
39:54cara,
39:54agradecer muito
39:55e se eu tivesse
39:56que falar três coisas,
39:57era,
39:57se você tem
39:58Ruanê na sua empresa,
40:00me procura,
40:01vamos fazer o Autores do Futuro,
40:02vamos colocar mais crianças
40:03como autoras de história,
40:05com mais autoestima,
40:06com mais capacidade
40:06de dialogar,
40:07de ouvir,
40:08de lidar com frustração,
40:09esse é o recado um.
40:10O recado dois é,
40:13vamos conversar
40:15sobre livro com os filhos,
40:16vamos levar livros
40:17para dentro de casa.
40:19Cara,
40:19TV é legal,
40:21música é legal,
40:22vídeo é legal,
40:23livro também é,
40:24é outra experiência,
40:26é outra relação,
40:27não deixe de expor
40:28seu filho,
40:29sua filha,
40:30aos livros,
40:30porque isso é
40:31muito importante.
40:33e aí falar também
40:34que se vocês quiserem
40:35que um autor,
40:37não é um grande autor,
40:39mas um autor disponível
40:41para ir na escola
40:42e conversar com os meninos
40:43e trocar uma ideia,
40:44estamos aí,
40:45é sempre um prazer,
40:46eu adoro fazer isso,
40:47então se você é professor,
40:48se você é dono de escola,
40:50contem comigo
40:51para bater um papo,
40:52para levar livros
40:52para os meninos,
40:53para tocar história,
40:54eu adoro
40:54e agradecer de novo
40:55a oportunidade,
40:56valeu mesmo gente,
40:57eu adorei.
40:57o seu arroba é
40:59maurilão,
41:01sentiu,
41:02no Instagram.
41:03Legal,
41:04e você encontra ele também
41:05no post baixo.
41:07É isso Ana,
41:08é isso aí.
41:08Então está entregue
41:09mais um Divirta-se aqui,
41:11está entregue.
41:12Gostei da sua participação,
41:13muito obrigado
41:14por ter aceitado,
41:15maurilão,
41:16obrigado mais uma vez,
41:17então vou pedir
41:18para o nosso diretor
41:19cortar para aquela ali,
41:21para a gente poder
41:21dar um tchau coletivo
41:23e dizer,
41:24se você gostou,
41:25comenta,
41:25deixa o like,
41:26segue aqui o canal
41:28para notícias
41:29de Minas e do mundo,
41:30em.com.br
41:32Beleza?
41:33Até a próxima
41:34e valeu!
41:35Divirta-se!
41:36Divirta-se!
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