00:00Economistas do mercado financeiro voltaram a indicar um corte de juros menor na reunião do Comitê de Política Monetária.
00:09Assunto para a Denise Campos de Toledo, que tem todos os detalhes.
00:14Estamos de olho nesta reunião, o que deverá acontecer, o que o mercado está dizendo nesses últimos dias sobre essa
00:20reunião que deverá acontecer.
00:22Denise, ótima tarde a você.
00:23Boa tarde, Bruno. Boa tarde a todos que nos acompanham.
00:26Depois, o mercado financeiro não passou imune a toda essa situação provocada pela guerra no Oriente Médio, a disparada do
00:32petróleo, o reajuste dos combustíveis aqui no Brasil, do diesel em particular, mas a gente vê no varejo altas em
00:38geral.
00:38Isso renovou preocupações com relação à inflação e o mercado, no relatório Focus, que foi divulgado hoje pelo Banco Central,
00:45ele subiu de 3,91% para 4,10% a previsão de inflação deste ano.
00:51A inflação que vinha com as projeções em queda há muito tempo, agora chega a 4,10%, já não está
00:57de novo tão longe assim do teto da meta, que é 4,5%, para 2027 mantém 3,8%.
01:04Agora, em relação à Selic, o mercado voltou a subir a projeção para o final deste ano para 12,25%,
01:11já contando com um corte nesta semana de apenas 0,25%.
01:16Antes de toda essa turbulência, se imaginava um corte de meio ponto, o Copom havia sinalizado na última reunião que
01:22iniciaria o ciclo de cortes da taxa básica de juros na reunião desta semana, agora do mês de março.
01:28Só que há uma desconfiança do mercado e não se descarta, inclusive, a possibilidade de estabilidade, de manter a taxa
01:35Selic de novo em 15%.
01:37Em relação ao PIB, o mercado subiu a projeção de crescimento da economia este ano de 1,82% para
01:441,83%.
01:45A economia tem mostrado um fôlego acima do esperado.
01:49Nós tivemos, inclusive, a divulgação hoje do BCBR, que é a prévia do PIB do Banco Central, mostrando alta de
01:540,8% no mês de janeiro.
01:57Foi a maior variação mensal em um ano.
01:59Não fugiu tanto assim da expectativa, mas, na verdade, contraria o que nós tivemos no mês de dezembro,
02:04porque os vários setores estão em alta e o BCBR subiu, apesar da agropecuária ter apresentado no mês queda de
02:111,5%.
02:12Portanto, serviços alavancaram essa recuperação e até o setor industrial.
02:17E quando a gente pega os dados do IBGE, os vários setores vieram com variações positivas no mês de janeiro.
02:23E quando há um aquecimento maior da economia ou não há a desaceleração esperada por conta dos juros elevados,
02:30o Banco Central também fica mais cauteloso por conta disso.
02:33Então, o mercado abriu a semana até com comportamento favorável.
02:36Nós temos a bolsa em alta, o dólar em queda, o petróleo mais ou menos estável,
02:41o Brent rodando ainda na faixa dos 100 dólares o barril.
02:45Uma leve queda, mas ainda acima dos 100 dólares, mas permanece essa preocupação, né?
02:50Vamos ver como é que o Copom vai lidar com tantas incertezas de cenário na reunião.
02:55A decisão sai na quarta-feira.
02:57É isso. Obrigada, Denise.
02:59Daqui a pouco a gente volta a conversar mais.
03:01Vamos trazer esse assunto também econômico para a nossa pauta com os analistas.
03:04O Mano Ferreira, já era previsto, já era esperado que o Copom reduzisse a taxa de juros,
03:11mas existia uma expectativa de que fosse uma redução mais alta.
03:14Já estão falando aí em cortar pela metade, pelo menos, do que estava sendo ventilado anteriormente.
03:20Quais são os motivos para isso?
03:21Porque a gente está falando de guerra no Oriente Médio, de várias situações que envolvem a volatilidade de preços no
03:27mercado internacional
03:28e acaba respingando também aqui no nosso território.
03:31Exatamente, Bia. A guerra amplia as incertezas.
03:34E de um ponto de vista econômico, a incerteza é pior do que a certeza de um cenário ruim.
03:41Porque, com a certeza de um cenário ruim, os agentes econômicos podem colocar isso na conta
03:48e planejam a sua atividade considerando os cenários negativos.
03:54Já a incerteza gera, muitas vezes, um cenário de paralisia.
03:58Porque não tem como ter um cálculo preciso para fazer negócios.
04:04Por isso, uma guerra, especialmente nessa região do globo, o Oriente Médio,
04:09onde a gente sabe que qualquer movimentação militar tem um impacto imediato nas cadeias globais de valor
04:16e, sobretudo, no petróleo, a gente acaba tendo um efeito cascata de incertezas
04:23que dificulta o cenário em todo o mundo.
04:26Então, isso explica o porquê a expectativa de corte está reduzida
04:33e, provavelmente, veremos uma desaceleração desse rumo mais lenta.
04:39A Cássio Miranda, a gente sabe que tem itens aqui nessa pauta que o governo federal não consegue controlar.
04:45Estão fora do escopo aqui, quando a gente fala em guerra, quando a gente fala em preço de dólar.
04:50Se bem que tem pontos, sim, relacionados a isso da valorização da moeda brasileira
04:54que poderiam ser movimentados pelo governo.
04:57Que o Banco Central é independente, pelo menos na teoria.
05:00A decisão do Copom não precisa passar pelo aval de um presidente da República.
05:04Mas que existiria um mecanismo, sim, que o governo federal poderia adotar
05:09para nós termos uma taxa de juros em um cenário ainda mais confortável para os brasileiros.
05:15Qual seria essa solução e por que a gente não vê ela no horizonte, Cássio?
05:19Bia, verdade seja dita.
05:21Vou fazer uma brincadeira aqui.
05:22Se eu tivesse essa resposta exata, eu acho que eu me candidataria a presidente do Banco Central
05:28ou, minimamente, a ministro da Fazenda.
05:32Mas é importante nós observarmos alguns aspectos.
05:35Primeiro, numa economia globalizada, num contexto de globalização,
05:41nós estamos vinculados e estamos sujeitos a fatores externos.
05:46E o Mano e a Denise bem disseram a toda a questão relacionada à guerra, ao conflito no Irã
05:54e as suas consequências na nossa cadeia produtiva, que pressionam a nossa economia.
06:01Em segundo lugar, há fatores internos.
06:06E estes fatores internos, especialmente a desvalorização da nossa moeda,
06:13também influenciam na manutenção ou na queda da taxa de juros.
06:20É importante nós observarmos, por fim, que o Banco Central dá indicativos
06:25que na sua próxima reunião, na próxima reunião do seu conselho,
06:30fará uma diminuição da taxa de juros.
06:33Por conta da pressão econômica que se faz
06:37e também muito por conta da pressão política.
06:40Afinal, estamos num período eleitoral.
06:44No fim do dia, o que a população brasileira quer
06:48é que o nosso dinheiro, que o nosso real,
06:53mantenha o seu poder de compra,
06:56esteja menos sujeito à inflação
06:59e esteja menos sujeito a uma eventual desvalorização.
07:04Mas responder a sua pergunta é muito difícil,
07:07porque são vários os elementos, são vários os fatores.
07:13E, no fim do dia, o presidente do Banco Central,
07:16sozinho, não é capaz de resolvê-los.
07:21Infelizmente.
07:22E se alguém está de olho nesse corte de juros,
07:26a Cássio é o consumidor, né?
07:28É quem acorda cedo todos os dias, que vai ao serviço,
07:31que tem um filho na escola,
07:32que depende de uma saúde pública,
07:34esse não recebe nenhum fundo eleitoral,
07:36ou seja, ele ainda financia quem vai disputar uma eleição
07:39e o resultado, na maioria das vezes,
07:42esse nunca chega.
07:43O que chega é os juros sempre aumentando.
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