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NotíciasTranscrição
00:08Olá, bem-vindos e bem-vindas ao Ponto de Vista.
00:11Nossa pauta hoje é comunicação.
00:14Eu tenho a honra de receber aqui no estúdio da TV Tribuna
00:17uma das profissionais mais respeitadas do telejornalismo brasileiro,
00:22a jornalista Vera Iris Paternostro.
00:26Ela está no Recife para lançar um novo livro.
00:29Vera Iris é uma especialista em comunicação no país.
00:33Vera, seja muito bem-vinda e obrigado por aceitar o nosso convite.
00:37Muito prazer, Fernando. Estou muito feliz de estar aqui.
00:40Acho que a conversa vai ser boa.
00:41Vai ser boa, tenho certeza.
00:43Vera, quando você está aqui para lançar o livro,
00:45eu queria começar falando logo sobre esse livro,
00:48o seu novo livro, Aristóteles no Mundo Digital.
00:54Eu confesso a você que quando eu vi o livro, eu disse,
00:57como é que pode, né?
00:58O que é que Aristóteles, foi quem Vera foi buscar em Aristóteles,
01:03filósofo da Grécia Antiga e que tem a ver com a nossa comunicação do século XXI.
01:09Explica isso para a gente.
01:11Explico, sim.
01:11Eu acho que Aristóteles é a base de repertório para todo mundo que quer fazer comunicação.
01:19Por que eu fui buscar Aristóteles?
01:21Porque quando a gente faz comunicação, jornalista, publicitário, marketing,
01:26criador de conteúdo de internet, de digital, produtor, influencer,
01:30todo mundo conta uma história.
01:32Quem definiu os elementos essenciais de uma história foi Aristóteles,
01:37lá atrás, no século IV a.C., na Grécia Clássica, na Grécia Antiga.
01:43Como é que ele fez isso?
01:44O que que acontecia?
01:45Ele era um filósofo, um grande pensador,
01:47e a dramaturgia grega estava no auge nessa época.
01:51Já havia teatro, já havia palcos em formas de arena em toda a Grécia.
01:56E ele, então, observando a dramaturgia, observando o teatro,
02:01ele começou a perceber alguns padrões.
02:03Por exemplo, prólogo, episódio e êxodo.
02:07O que que é isso?
02:09Começo, meio e fim.
02:10E hoje, quando a gente fala, vamos contar uma história,
02:13a gente fala assim, ah, toda história tem começo, meio e fim.
02:16Quem definiu esses elementos foi Aristóteles,
02:20no seu tratado chamado Poética.
02:22É um tratado importantíssimo que restou e ainda existe algumas folhas guardadas
02:27que hoje a gente tem várias traduções.
02:30E não só esses elementos, mas ele definiu todos os conceitos da dramaturgia,
02:36inclusive dramaturgia.
02:38E isso, ao longo de milênios, ao longo dos séculos,
02:41foi passando para quem conta história.
02:43Para o teatro, Shakespeare usava esses elementos,
02:47esses elementos, depois para o cinema, para todas as artes,
02:50para toda a obra criativa.
02:52Então, é por isso que eu fui buscar em Aristóteles a base da narrativa digital.
02:58Quem hoje faz alguma coisa, publica alguma coisa na internet,
03:03conta uma história.
03:04Para contar uma história, precisa entender o que Aristóteles definiu como uma história.
03:10Basicamente é isso.
03:11Vou falar logo do livro, então.
03:14Vera, ele está lançando esse livro aqui no Recife, no próximo domingo,
03:18às 15h30, na livraria Jaqueira do Recife Antigo.
03:23Então, anota aí para não perder esse lançamento.
03:26Vera, então, pelo que você está falando,
03:29desde os tempos de Aristóteles, a essência da comunicação é a mesma.
03:34Toda, se você quiser contar uma história,
03:37ela tem que ter começo, meio e fim,
03:39mesmo que não seja nessa ordem.
03:40Mesmo que não seja nessa ordem, é importante.
03:43E Aristóteles falava isso.
03:45Começo, meio e fim não precisa ser temporal,
03:49não precisa ser cronológico quando você conta uma história.
03:51Você pode contar o fim no começo, o começo no fim,
03:55mas para você pensar numa história que tenha propósito,
04:00que tenha objetivo e que tenha algo consistente,
04:05você precisa entender esse raciocínio de começo, meio e fim.
04:09E isso passou, isso é a dramaturgia, a dramaturgia clássica também é ato um, ato dois, ato três.
04:16Não quer necessariamente dizer que a história tenha que ter o fim no final cronológico.
04:23Então, isso é muito importante.
04:24Aristóteles definiu também outros elementos essenciais, por exemplo, as peripécias.
04:30As peripécias são chamadas pontos de virada.
04:33Toda história tem um ponto de virada.
04:35Ela vai crescendo, de repente ela muda, faz uma reviravolta.
04:39E isso é uma definição de Aristóteles.
04:42A catarse, que é a liberação das emoções.
04:45Quando a gente escreve uma história, nós jornalistas,
04:48quando a gente está contando um fato, contando uma notícia,
04:51a gente vai levando aquela história para chegar a algum final,
04:55para ter algum sentimento, para ter alguma emoção.
04:58Essa emoção foi definida por Aristóteles,
05:00que para uma história chegar ao seu alcance, ao seu público,
05:05ser eficiente, ela precisa ter emoção, ter sentimento.
05:10E é isso que a gente, como jornalista, faz, não é assim?
05:13Claro.
05:14Vera, na comunicação no mundo digital, ela é cada vez mais rápida,
05:18mais instantânea, como a gente pode dizer também.
05:21E mesmo assim, seja num reel do Instagram, seja num vídeo do TikTok,
05:27a comunicação acontece.
05:28Ela é completa? Ela pode ser completa, mesmo sendo em segundos?
05:33Ah, eu acho.
05:34E eu acho que é importante o pessoal que faz conteúdo na internet,
05:39esse conteúdo digital, entenda que toda a história,
05:44tudo o que você vai fazer na internet, tudo o que você vai publicar,
05:47precisa ter essa base de repertório, essa base de conhecimento.
05:52E isso faz com que ela, com que a história, mesmo em 30 segundos,
05:57ela seja mais eficiente, ela seja mais envolvente.
06:01E aí, o que é que eles pretendem?
06:03Ter o que a gente chama hoje em dia de engajamento, não é?
06:06Então, para que haja o engajamento, é preciso que a história tenha essa consistência.
06:12Então, para isso, eu acho que os ensinamentos de Aristóteles
06:16ajudam a qualquer pessoa que queira fazer uma publicação
06:20em qualquer formato tecnológico da internet.
06:24Vera, você que viveu intensamente o telejornalismo brasileiro do século XX,
06:30como é que você está acompanhando e vivendo e vendo esse telejornalismo
06:35que está sendo feito hoje, no século XXI?
06:38Olha, Fernando, eu vou te dizer, eu trabalhei mais de 40 anos no jornalismo.
06:42Então, foram quatro décadas.
06:44Eu posso dizer que, nesse tempo, a cada mais ou menos 10 anos,
06:50a tecnologia foi se transformando, foi evoluindo.
06:53E o jornalismo, o modo de fazer jornalismo, foi evoluindo junto com a tecnologia.
06:59No meu caso, no nosso caso, que foi o jornalismo audiovisual,
07:02onde a gente, praticamente, o trabalho inteiro da vida,
07:07você percebe que essa, a importância da evolução tecnológica,
07:12cada vez que ela traz alguma novidade, algum formato novo,
07:17o jornalismo, ele se refaz, ele se ressignifica o modo de fazer
07:23para ficar mais eficiente.
07:24Então, eu acho que agora, com a internet, com a globalização,
07:29como a gente estava conversando,
07:32a gente está vendo hoje um repórter da CNN na guerra, lá em Doha,
07:37olhando para cima e vendo o míssil.
07:39Então, isso é uma coisa impensável, há algum tempo atrás.
07:42Então, essa tecnologia, essa globalização da tecnologia,
07:46fez uma evolução no jornalismo,
07:48coisas que a gente não podia nunca imaginar ver e estar vendo.
07:52Então, eu acho isso muito importante, muito interessante para o jornalismo.
07:57É uma mudança fundamental.
07:58O espectador também deixou de ser passivo.
08:01Antes, as pessoas só recebiam a informação.
08:05Hoje, a pessoa, na hora que está vendo a notícia,
08:09já está compartilhando, já está comentando.
08:12Como é que você vê esse aspecto?
08:13É, eu acho que é a interatividade, né?
08:15Acho que é a interatividade que veio junto com a internet, principalmente.
08:20A gente já tinha, há algum tempo atrás,
08:23o centro de atendimento ao telespectador.
08:25Vamos dizer que fosse uma interatividade.
08:27O telespectador conseguia ligar, fazer uma pergunta,
08:30o jornalismo respondia.
08:31Mas era muito simples.
08:33Hoje, a interatividade é através das telas,
08:37das multitelas, dos comentários
08:39e através das redes sociais online, né?
08:43Acho que as redes sociais online,
08:44elas vieram, assim, para ficar, né?
08:50E trazer essa interatividade ativa.
08:54Não é mais uma coisa passiva.
08:56O telespectador não assiste.
08:58Ele assiste, pode até assistir, vamos dizer,
09:00a televisão, o jornalismo,
09:02mas aí, quando ele vai comentar,
09:03ele vai para a internet hoje comentar.
09:05E aí, ele se compartilha o seu comentário,
09:09o seu comentário é compartilhado com outros
09:12e outros comentam os seus comentários, né?
09:15Quando que a gente podia imaginar que isso acontecesse?
09:19Eu não sei.
09:20Agora, enquanto você respondia aí,
09:22eu fiquei pensando,
09:23Humberto Eco dizia que a internet e as redes sociais
09:26deram voz a milhares de imbecis.
09:29É.
09:30Como é que...
09:31Qual análise que você faz dessa frase?
09:33Olha, eu não falaria essa palavra,
09:36mas eu falaria que eu acho que a internet
09:39deu voz, vamos dizer assim,
09:41as fake news.
09:42Eu acho que essa é uma questão séria
09:45da ética jornalística
09:47que a gente não tinha, vamos dizer assim, né?
09:49A gente sempre trabalhou no jornalismo
09:52com a apuração,
09:53com a checagem dos fatos.
09:55As informações, por cada jornalista,
09:58eram checadas com fontes, fontes próprias,
10:01com a sua privacidade e tal.
10:03Então, essa apuração
10:06que traz a credibilidade ao jornalista
10:09de checagem, etc.,
10:11isso aí eu acho que
10:12a gente perdeu um pouco,
10:15a verdade é essa,
10:16e eu sinto muito que a gente tenha perdido,
10:18porque as fake news
10:21acabaram invadindo esse mundo,
10:23e é uma luta.
10:24Eu acho que é uma luta para a gente,
10:27acho que é uma luta constante,
10:28é uma batalha do jornalismo,
10:30de credibilidade.
10:31A gente estava falando há pouco
10:32das marcas, das grandes marcas,
10:34dos grandes jornais,
10:36da imprensa,
10:37que fez uma transformação no país,
10:40que trazia as notícias verídicas,
10:43verdadeiras.
10:44Então, quando tem essa marca,
10:46a gente sabe que é um jornalismo
10:48de credibilidade,
10:49eu acho que é nisso que a gente tem que acreditar.
10:51Eu acho que até o jornalista
10:53que usa as redes sociais,
10:54a credibilidade é a grande vantagem,
10:58digamos, dele.
10:59As pessoas prestam atenção
11:01no que ele está dizendo
11:02pela credibilidade que ele tem
11:04e que ele tenta transmitir para as pessoas.
11:06Pelo histórico,
11:07pelo trabalho que ele vem desenvolvendo
11:10e aonde ele vem trabalhando,
11:12em que veículo ele vem trabalhando.
11:14Porque eu acho que a gente não pode
11:16deixar perder
11:19essa linha de verdade,
11:22de apuração,
11:23de trabalho verídico,
11:26de trabalho confiável,
11:27de fidelidade aos fatos,
11:29por impulsos
11:31de produtores de conteúdo,
11:33que às vezes,
11:35como também a gente estava falando,
11:36tem um celular
11:37e todo mundo produz conteúdo.
11:39Mas qual conteúdo?
11:41Acho que a gente tem que...
11:42Jornalista desconfia de tudo, né?
11:44A gente vai até o limite da desconfiança.
11:47Eu acho que esses conteúdos
11:48que viralizam na internet,
11:50muitas vezes tem que ser...
11:52A gente tem que desconfiar
11:53o público comum,
11:55tinha que entender um pouco melhor
11:57e aprender a desconfiar também.
11:59Todo mundo tinha que ter um pouco
12:00de fato ou fake, né?
12:01É, exatamente.
12:02Isso é fato ou fake?
12:03É.
12:04Vamos checar, vamos ver.
12:05Será que tem outra marca...
12:07Antes até de compartilhar.
12:09Antes de compartilhar.
12:10E checar se tem outro veículo
12:12com marca,
12:14com confiabilidade,
12:16com credibilidade,
12:17que esteja publicando
12:19a mesma informação.
12:20Porque é importante
12:21a gente comparar também.
12:23Vera, eu queria terminar
12:24esse primeiro bloco
12:25falando um pouquinho
12:26da Globo News, né?
12:27Um canal de 24 horas
12:29de notícias
12:30que você foi uma das fundadoras
12:31na TV Globo, né?
12:32Quando você trabalhava ainda
12:34no Grupo Globo
12:35e criou a Globo News
12:37que está fazendo esse ano
12:38inclusive 30 anos, né?
12:40Como é que foi essa experiência
12:41de criar no Brasil
12:43o primeiro canal
12:43de notícias 24 horas?
12:45Olha, Fernando,
12:46foi um desafio muito grande,
12:48uma aventura.
12:50Era um projeto inovador
12:52realmente para o momento.
12:551996, a gente está falando,
12:5715 de outubro.
12:58E eu acho que o grande...
13:00A grande sacada,
13:02a grande magia desse projeto
13:04foi que a redação
13:05ela unia jovens jornalistas
13:09e jornalistas sêniors.
13:11Então, essa junção,
13:13essa fusão
13:14de jornalistas mais jovens também
13:17que queriam fazer algo novo
13:18e os sêniors
13:19que tinham uma experiência
13:21e que se adaptaram ao trabalho
13:24foi isso que consolidou a televisão.
13:26A Globo News entrou no ar
13:28e acho que em um ano,
13:30dois anos,
13:31no máximo,
13:31ela estava consolidada,
13:33ela era assistida
13:33em todos os lugares,
13:34já em todo o país
13:36e trazia também
13:38uma informação.
13:40A gente conseguia fazer,
13:41apesar dos poucos recursos,
13:43uma informação apurada,
13:45checada, confiável,
13:47fiel
13:48e isso fez com que ela se consolidasse
13:50e que ela crescesse,
13:52evoluindo, mudando,
13:54mudando toda a programação
13:55o tempo todo,
13:56evoluindo nesses 30 anos.
13:58Eu acho que foi...
14:00Todos esses canais
14:01de jornalismo 24 horas,
14:03Globo News,
14:04os Band News,
14:05CNN Brasil,
14:06eles trabalham muito
14:07com a informação ao vivo.
14:08É legal ter a informação ao vivo,
14:11mas ela também comporta
14:12um certo risco
14:13de trazer a informação incompleta,
14:15às vezes imprecisa.
14:16Você se preocupa com isso também?
14:19Quanto mais vivo, melhor.
14:21Mas é preciso saber
14:23que tipo de ao vivo está sendo feito.
14:25É, eu me preocupo.
14:27Eu me preocupo muito
14:29e eu acho,
14:30às vezes,
14:31que os vivos,
14:33por impulso,
14:34quer dizer,
14:34todo mundo pode fazer vivo,
14:35eu não acho isso.
14:37Eu acho que precisa ter
14:38um certo repertório.
14:40Quem faz o vivo,
14:41faz um improviso normalmente.
14:43E o improviso,
14:44ele não é uma coisa improvisada.
14:47Ele é um improviso
14:48que tem base,
14:49que tem consistência,
14:50que tem repertório.
14:51Eu acho que o bom vivo
14:54é aquele que é o factual contextualizado.
14:58Quer dizer,
14:58você dá aquele factual,
15:00mas você pode dar
15:01mais alguma informação
15:02que contextualize aquele factual,
15:05que dê a esse vivo,
15:07a essa,
15:08algo melhor,
15:09algo mais consistente,
15:10que o telespectador assista
15:12e entenda melhor
15:14o que está acontecendo.
15:15Porque o factual,
15:17pelo factual,
15:18esse improviso de impulso,
15:20repetindo,
15:21muitas vezes o que está vendo,
15:23eu sinto falta,
15:25eu acho que falta
15:25um pouquinho de base,
15:27acho que falta
15:28um pouquinho de conteúdo,
15:30de repertório mesmo,
15:31para que aquilo fique melhor,
15:33fique mais eficiente mesmo.
15:35Muito bem.
15:36Conversa boa passa rápido, né?
15:38A gente está chegando
15:38ao fim do primeiro bloco.
15:40Você que está acompanhando,
15:41não saia daí.
15:42A gente volta já, já.
15:58Ponto de Vista está de volta,
16:00hoje eu recebo aqui
16:01a jornalista
16:02Vera Iris Paternostro.
16:04Vera,
16:05você é autora
16:06de um livro clássico
16:07no jornalismo,
16:08que é o texto na TV, né?
16:10Eu fui estudante de jornalismo
16:11nos anos 80
16:12e li esse livro
16:15lá nos anos 80.
16:16Várias gerações
16:17de estudantes
16:19estudaram, né,
16:20com esse livro.
16:21Muitos hoje
16:21são seus colegas
16:22de profissão,
16:23como eu, né?
16:24Você tem noção disso?
16:26Então, eu tenho,
16:27tenho noção,
16:28porque esse livro
16:29me dá muita alegria,
16:30muita felicidade.
16:31Eu venho aqui,
16:32todo mundo fala
16:32que estudou no livro,
16:34tal,
16:34e isso é muito bom.
16:36E o livro tem
16:36uma história interessante.
16:39Eu fui dar aula
16:40na faculdade
16:41e era aula
16:42de telejornalismo,
16:43eu já trabalhava
16:43na televisão
16:44e aí eu comecei
16:47a fazer uma apostila
16:49para os alunos,
16:50porque naquela época
16:50a gente falava apostila.
16:52Então, eu comecei
16:53a fazer uma apostila
16:55explicando como é que era
16:56o dia a dia
16:56da televisão,
16:58como é que era
16:58o texto,
16:59o que fazia.
16:59E aquilo foi,
17:00aquela apostila
17:01foi ficando grande,
17:03foi crescendo,
17:04eu cada vez tinha
17:05mais ideias,
17:06aquilo foi crescendo.
17:06e aí um dia
17:08eu conversando
17:08com um editor,
17:09eu falei,
17:09olha,
17:10eu estou fazendo
17:10uma apostila
17:11para os meus alunos
17:12sobre o texto na TV,
17:14um manual de telejornalismo,
17:15ele falou,
17:16nossa,
17:16não existe isso.
17:18Como você está fazendo?
17:19Eu falei,
17:19da minha experiência,
17:20eu estou sentando
17:20e escrevendo.
17:22Ah,
17:22eu quero publicar,
17:23vamos publicar.
17:24Eu falei,
17:24ah,
17:24tá bom.
17:25Então,
17:26quando eu acabei
17:27a apostila,
17:28escrita a máquina ainda,
17:29a máquina de escrever
17:30nessa época,
17:31eu mandei para ele
17:32e ele falou,
17:33vamos publicar,
17:34vamos publicar.
17:34E aí ele publicou
17:35e realmente chamou
17:37o texto na TV,
17:37manual de telejornalismo.
17:40A grande vantagem dele
17:41é que foi,
17:42na verdade,
17:43uma experiência minha,
17:44que eu coloquei no papel
17:46e que foi o primeiro.
17:48Ninguém tinha colocado
17:49no papel.
17:51Então,
17:51não se preocupava
17:53muito com isso.
17:53Eu fui me preocupar
17:54porque eu fui dar aula.
17:55Eu sempre me preocupei
17:56com a formação
17:57de jovens profissionais.
17:58Isso era uma coisa minha,
17:59pessoal.
18:00ao longo de toda essa vida,
18:02eu sempre fiz isso.
18:03Então,
18:03aquilo era uma preocupação.
18:05E aí,
18:05o livrinho,
18:06que era um manual assim,
18:07depois foi republicado,
18:09depois revisado,
18:10ele virou um pouquinho
18:11mais grosso.
18:11E aí,
18:12a gente foi publicando
18:13até,
18:14publiquei até 2010,
18:16a última vez,
18:17e ele
18:18virou aí
18:19uma edição
18:21e circulou
18:22no Brasil inteiro
18:23porque todos os professores
18:25de telejornalismo
18:26começaram a ver
18:28que eles tinham ali
18:29um recurso,
18:30uma bibliografia
18:31para o curso.
18:32Virou bibliografia.
18:33Eu não fiquei rica,
18:34não,
18:34não ganhei dinheiro.
18:35Mas eu sei
18:36que todo mundo
18:36estudou com ele
18:38e eu fico muito
18:39agradecida,
18:40assim,
18:40de ele ter tido
18:42essa carreira aí
18:43na universidade.
18:45Teve mesmo,
18:46até hoje
18:46ele é usado.
18:48Até hoje.
18:49Com um celular
18:50na mão
18:50como esse aqui,
18:52qualquer pessoa hoje
18:53acha que pode ser
18:54jornalista
18:54e mandar uma informação.
18:56Ela, de fato,
18:57manda conteúdo,
18:59mas a qualidade
19:01desse conteúdo
19:02continua sendo importante
19:03e é aquilo que a gente
19:04falava um pouco antes,
19:05né?
19:06A questão da credibilidade.
19:08Quem recebe
19:08esse conteúdo
19:09tem que ter um senso crítico
19:11mais apurado?
19:13Como fazer isso
19:14para saber
19:14se aquilo que ele está
19:16olhando ali
19:16e recebendo
19:17é verdade ou não?
19:18É,
19:19eu acho que essa é uma questão
19:20bastante complexa.
19:24a gente não tem bola
19:25de cristal
19:26para definir isso,
19:28mas o que preocupa
19:30também
19:30é o conteúdo
19:32da internet
19:32e o conteúdo também
19:33que vai para os grupos
19:34de WhatsApp, né?
19:36Porque todo mundo
19:37passa na rua,
19:38filma alguma coisa
19:38e manda para as famílias
19:40e tal.
19:40Isso é uma coisa
19:42hoje muito comum, né?
19:44Então,
19:45achando que está fazendo
19:47informação,
19:49passando jornalismo,
19:50fazendo jornalismo, né?
19:51Na verdade,
19:52não é isso.
19:52A gente sabe
19:53que o jornalismo
19:54é uma missão,
19:55é um trabalho missionário
19:57de informar
19:58e formar, né?
19:59Porque quando a gente
20:00faz uma matéria,
20:02uma reportagem,
20:03a reportagem,
20:04ela é uma base
20:06de informação
20:07e de formação,
20:08porque cria
20:09senso crítico,
20:11discernimento,
20:12quando ela é
20:13verdadeira
20:14e quando ela é
20:15apurada.
20:15Então,
20:16eu acho que a gente
20:17tem uma situação
20:18complexa
20:19e que é essa
20:20da gente
20:22receber conteúdo
20:23de todo lado
20:24ou serem publicados.
20:26Como a gente já falou,
20:28as fake news
20:28se tornaram um problema
20:30que não existiu.
20:32Não existiam fake news.
20:34O que era publicado
20:35era verdadeiro, né?
20:37E, de repente,
20:37com esse mundo
20:39da internet,
20:40um mundo rápido, né?
20:41A informação rápida,
20:43a gente começou a ter
20:44notícias falsas, né?
20:46Então,
20:46eu acho isso
20:46muito complicado,
20:48muito sério.
20:48Como uma pessoa
20:49que vive o telejornalismo
20:51brasileiro
20:51desde o início,
20:53o que é que você
20:53vê em termos
20:55de telejornalismo
20:56daqui para frente?
20:57O que é que vem
20:57por aí
20:58para o telejornalismo
21:00aqui no Brasil?
21:02Olha,
21:02eu acho que o telejornalismo
21:04tem um desafio,
21:06já está tendo
21:07um desafio grande
21:08de se firmar,
21:09como ele tem
21:10que se firmar.
21:12A gente vê que,
21:13se você pensar
21:14no telejornal
21:15do horário nobre
21:17da noite,
21:19muita gente
21:20já se informou
21:21durante o dia inteiro
21:23sobre as notícias,
21:24quando procura
21:25canais confiáveis,
21:27e quando ele
21:28vai ver à noite,
21:30ele precisa
21:31de uma extensão
21:32daquela notícia,
21:33né?
21:34Ele precisa
21:35mais do que a manchete,
21:36mais do que o factual,
21:38e eu acho que
21:39esse é um trabalho,
21:40esse é um desafio
21:41que o telejornalismo
21:42tem pela frente.
21:43o telejornalismo
21:44do século XXI
21:45é diferente
21:46do telejornalismo
21:47antigo,
21:48do século XX.
21:49Ele precisa ser
21:51não só factual,
21:54ele precisa ir além,
21:55ele precisa trazer
21:56um pouco mais
21:57de consistência,
21:59de informação
22:00e de formação
22:02ao telespectador.
22:03Eu acho que o telejornalismo
22:04tem um trabalho
22:05aí para fazer.
22:06A notícia que é dada
22:07no fim do dia
22:08deveria ser dada
22:09já com uma certa análise,
22:11e uma certa explicação.
22:12É, eu acho que
22:14precisaria ter um pouco,
22:15ir um pouco além
22:16do factual, né?
22:18Porque quando você
22:19vê o jornal da noite,
22:20você lê a manchete,
22:22o que você já sabe
22:23desde as nove horas
22:24da manhã
22:25daquele dia
22:26é muito tempo, né?
22:27Não pode ser só
22:28a mesma coisa, né?
22:29Não pode.
22:30Eu acho que teria
22:31que ter um pouco mais
22:32de profundidade,
22:34de contextualização,
22:36de um arquivo
22:37um pouco mais profundo,
22:39que dão acesso
22:40um pouco mais
22:40de formação.
22:41Eu acho que os jornais
22:42impressos estão conseguindo,
22:43alguns deles,
22:44muitos deles já estão
22:45conseguindo fazer isso.
22:47Aprofundar mais.
22:48Aprofundar mais.
22:49Trazer o comentário,
22:50trazer a opinião,
22:51trazer o especialista, né?
22:54Para aquele assunto,
22:55que dê ali ao factual
22:57um pouco mais de robustez, né?
22:59Porque o factual
23:00a gente já tem.
23:02Já tem em todo lado, né?
23:04Vera, quando eu recebo
23:05profissionais até
23:06de outras áreas aqui,
23:07médicos, escritores,
23:11eu sempre pergunto
23:12sobre inteligência artificial, né?
23:15A IA, no jornalismo,
23:17de que forma ela pode ser usada
23:21positivamente, né?
23:22Uma inteligência artificial
23:24que não venha só para trazer
23:28mais volume,
23:29mas também qualidade
23:30da informação.
23:32O jornalismo está fazendo
23:34um bom uso da IA,
23:35na sua opinião?
23:36É, eu acho que está começando.
23:38Eu acho que a gente está
23:39já num segundo momento da IA.
23:41O primeiro foi o grande impacto, né?
23:43Que teve aquele temor
23:44de todo mundo.
23:46Aliás, todos os profissionais
23:47falaram, agora vamos perder
23:49os nossos empregos para a IA, né?
23:51Para o robô, né?
23:53Vai fazer o trabalho.
23:55Eu acho que sempre deve ser
23:56um apoio.
23:57Mesmo na área médica,
23:58a gente já vê cirurgias com robô,
24:00mas sempre com os médicos
24:02operando o robô, né?
24:03Então, é possível, né?
24:05Ela não tirou o lugar do médico,
24:07nem vai tirar.
24:08Então, não vai tirar o lugar
24:09do jornalista, né?
24:11O que que a gente...
24:12Eu acho que ela é importante
24:13nas redações.
24:15Eu acho que ela é importante
24:16para as pesquisas,
24:17ela pode ajudar nas pesquisas.
24:19Eu acho que ela é importante
24:21em tabelas, estatísticas,
24:25que coisas que agilizam
24:26o trabalho do jornalista.
24:28E eu acho que hoje
24:30tem IAs já específicas
24:32para trabalhar em redações,
24:34onde você pode fazer,
24:36onde o jornalista faz
24:37uma curadoria
24:38das informações imputadas
24:40na IA,
24:41porque ela precisa
24:42de informações imputadas
24:43por um jornalista.
24:45Então, ela sempre vai
24:46depender do jornalista.
24:47E essas IAs
24:51para o jornalismo,
24:52elas podem ser usadas
24:54como fonte de informação
24:55pelos jornalistas
24:57que estão cobrindo
24:58um certo assunto,
24:59como se fosse a guerra
25:00ou a política
25:01ou a eleição,
25:02onde aquele é um bloco
25:04de informações
25:05que os próprios jornalistas
25:07da redação imputaram ali
25:10e os outros jornalistas recebem
25:12com senha fechada e tal
25:15para que aquilo contribua.
25:17E eu acho que nesse sentido
25:18a IA é muito útil.
25:20Ela adianta o arquivo
25:23de informações
25:24pode estar na IA.
25:25Ela pode facilitar muito
25:27o trabalho
25:27se for bem usada.
25:28Agilizar no sentido.
25:30E ela pode ser bem usada.
25:32Acho que ela é fundamental.
25:34Sem tirar o lugar
25:35do jornalista,
25:36sempre vai ter.
25:37Acho que é fundamental
25:38que a curadoria
25:39seja feita por um jornalista,
25:42trabalhando dentro
25:43de uma redação.
25:44A TV aberta,
25:45as pessoas,
25:46ela ainda é fonte
25:47de informação
25:48de muita gente
25:48no país.
25:50A TV aberta,
25:50as pessoas continuam assistindo.
25:52mas isso está em constante
25:54transformação,
25:55não é, Vera?
25:56Será que ela vai se manter
25:57como fonte de informação
25:59por muito tempo ainda?
26:01Então,
26:02eu acho que há
26:03que ter uma...
26:04É um desafio
26:05e eu acho que há
26:06que ter uma mudança.
26:08Tem que rever ali
26:09o tipo de jornalismo
26:11que se faz,
26:12como eu estava falando.
26:13Acho que não pode ser
26:14baseado no factual.
26:15Acho que a imprensa
26:18escrita já viu isso
26:19e ela leva isso
26:21para a imprensa digital,
26:22quer dizer,
26:22os jornais hoje
26:23não são mais só de papel,
26:25eles estão no digital
26:26e no digital
26:27eles já estão
26:28mais aprofundados.
26:29Então,
26:30eu acho que a televisão,
26:31ela precisa pensar nisso.
26:33Claro que você tem isso
26:34no canal a cabo,
26:36não tem isso muito
26:36na TV aberta,
26:37mas eu acho que a TV aberta
26:38está no momento
26:39de repensar um pouco,
26:40sim,
26:41a informação
26:42e trazer para o seu público
26:46algo além do factual.
26:47Eu acho.
26:48para encerrar,
26:49qual o conselho
26:50que você daria
26:51para o jovem jornalista,
26:52o jovem que está ainda
26:54na faculdade
26:55querendo ser jornalista?
26:57Eu daria um conselho
26:59que é estudar,
27:00estudar, estudar,
27:02ler, ler, ler.
27:03Eu acho que sempre
27:05que você puder
27:07associar as suas reportagens
27:10algo a mais,
27:11você vai ser um diferencial,
27:13você vai ser um repórter
27:16que traz algo.
27:17Há muito tempo atrás
27:18uma pessoa me falou,
27:19se você gosta de orquídeas,
27:21estude tudo sobre orquídeas,
27:23porque um dia
27:24você vai fazer uma cobertura
27:26sobre o Papa,
27:27o Papa está chegando no Brasil
27:29e ele recebe um vaso
27:30de orquídeas,
27:31por coincidência.
27:32E você será o único repórter
27:35que saberá dizer
27:36qual é a espécie
27:37daquela orquídea,
27:38porque você sabe
27:39tudo de orquídeas.
27:40Então, vai ser um diferencial
27:42na sua reportagem.
27:43Então, quanto mais você estuda,
27:45quanto mais você lê,
27:46mais você tem referências
27:48para você contextualizar melhor
27:50suas reportagens.
27:51E aí é que vem o diferencial,
27:53eu acho isso.
27:54Muito bem, Vera.
27:55Eu queria encerrar a entrevista
27:57mostrando mais uma vez aqui
27:58a capa do livro
28:00Aristóteles no Mundo Digital,
28:02que vai ser lançado
28:04nesse domingo
28:05na Livraria Jaqueira
28:07do Recife Antigo,
28:08às 15h30.
28:11Vera, muito obrigado
28:13pela entrevista.
28:14Foi muito bom poder ter
28:15essa conversa hoje aqui com você.
28:16Eu adorei, Fernando.
28:17A gente sempre se acompanhou
28:19na história toda,
28:21no jornalismo,
28:21sempre vi você
28:22no Recife, em Brasília,
28:24trabalhando e aqui.
28:25Imagina,
28:25maior prazer ser entrevistada
28:27por você.
28:27Muito obrigada.
28:28Prazer, sempre nosso.
28:30E você que acompanhou até aqui,
28:31obrigado pela audiência e companhia.
28:33A gente volta
28:34na semana que vem.
28:37E aí