Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 10 horas
Se você gostou do vídeo inscreva-se no canal, deixe seu like, comente e ative as notificações clicando no sininho!

Agradecemos pela visita!

Mande sua sugestão de pauta pro nosso WhatsApp (81) 97307-1315

Siga nossas redes sociais:
Twitter: @TVTribunaPE
Instagram: @TVTribunaPE @RadioTribunaFMPE
facebook.com/TvTribunaPE

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:08Olá, bem-vindos e bem-vindas. Estamos dando início a mais um Ponto de Vista. Hoje a pauta é saúde.
00:16Vamos falar sobre o Março Azul, uma campanha de conscientização e enfrentamento ao câncer de
00:22intestino ou câncer coloretal, que infelizmente só aumenta no Brasil e no mundo. Para falar sobre o
00:29assunto, nós convidamos o médico João Paulo Pontual, do Hospital das Clínicas da Universidade
00:34Federal de Pernambuco. Ele que é também o coordenador do serviço de endoscopia digestiva
00:40de lá. Doutor João Paulo, seja muito bem-vindo e obrigado por ter aceitado o nosso convite.
00:45Prazer é meu, Fernando. Muito obrigado pelo convite. É um grande prazer estar aqui falando de um assunto
00:51tão importante e tão sensível para a população brasileira. Pois é, eu queria começar falando
00:55exatamente da campanha do Março Azul. É uma campanha que serve para alertar sobre os fatores
01:00de risco e também ao estilo de vida que a pessoa leva e para a importância da colonoscopia.
01:06Esse exame que a gente faz para identificar lesões e mesmo prevenir o surgimento do tumor.
01:13Por que essa campanha é tão importante?
01:15Fernando, a campanha Março Azul começou em 2021 uma iniciativa das sociedades médicas de endoscopia,
01:27de gastroenterologia e de coloproctologia para sensibilizar a população para esse assunto.
01:32O câncer de cólon ainda é um tabu entre as pessoas e vem, como você falou muito bem,
01:41escalando na estatística. Já faz alguns anos que o Inca publica uma estatística anual
01:48em que o câncer de cólon é o segundo mais frequente no Brasil em homens e mulheres.
01:54O homem, todo mundo sabe que é próstata, seguido de cólon, nas mulheres mama, seguido de cólon reto.
02:01Então, era um assunto que era muito pouco falado ou existia algum constrangimento
02:08e as sociedades médicas se uniram para quebrar esse tabu.
02:12Os artistas aí deram um passo à frente para falar sobre isso,
02:17chamar a atenção da importância da prevenção e como isso impacta na vida das pessoas.
02:25O senhor falou aí que é desde 2021, então é muito recente, né?
02:29Essa campanha tem cinco anos, está fazendo agora cinco anos.
02:33Ela tem se disseminado de uma forma que vocês estão satisfeitos?
02:38As pessoas estão falando mais sobre essas doenças?
02:41Estamos todos muito satisfeitos.
02:45Precisava de uma virada de chave, inclusive entre os médicos.
02:49Alguns médicos não tinham o hábito de pedir a colonoscopia para os seus pacientes,
02:54às vezes por próprio receio pessoal, às vezes porque os pacientes não gostam de falar sobre o assunto.
03:01Então, do momento que a gente traz isso para o radar da população,
03:08o próprio paciente chega perguntando para os seus médicos,
03:11os médicos estão mais sensibilizados, assim como a população.
03:14Foi um trabalho em todas as frentes.
03:17Foi uma coisa muito boa o Marçazur.
03:19É importante, doutor, que as pessoas também falem mais sobre esse tipo de câncer,
03:24já que o senhor mesmo disse que as pessoas, havia um tabu, né?
03:29As pessoas gostavam de falar.
03:30É importante falar, levar esse assunto para os médicos e para a sociedade, de um modo geral?
03:36Demais, Fernando, demais.
03:38O câncer de colon implica em duas coisas que as pessoas tendem a ficar embotadas, retraídas.
03:46Ninguém gosta de falar de doença maligna.
03:48Veja, é uma doença extremamente comum, como a gente falou, a segunda mais comum.
03:54Ninguém quer falar em uma doença maligna ou comentar com os amigos, dizer,
03:58ó, tive esse diagnóstico, as pessoas ficam muito preocupadas.
04:03E aí a campanha ajuda isso para mostrar que a sensibilização é importante.
04:08Cada um, quando conversa isso com seus pares, com seus amigos,
04:11sensibiliza as outras pessoas para o risco e para a importância.
04:15E segundo, o cólon.
04:17O cólon é um órgão que as pessoas ainda ficam encabuladas de conversar a respeito.
04:23Mas é preocupante, que é muito frequente.
04:25A gente precisa conversar sobre isso.
04:27E a campanha é tudo nesse foco.
04:30A partir de que idade, doutor, é importante fazer o exame da colonoscopia?
04:35Esse é um assunto que vem mudando nos últimos cinco anos.
04:39Previamente eram 50 anos.
04:41Todo mundo, tenha sintomas ou não, teria que fazer a colonoscopia aos 50 anos.
04:48Nos Estados Unidos, as sociedades lá mapearam uma tendência de lesões em pacientes cada vez mais jovens.
04:55Então, haviam lesões avançadas em pacientes cada vez mais jovens.
05:00Há exemplo a famosa Preta Gil, que todo mundo ficou sabendo do caso.
05:04Ela, com 50 anos, teve o diagnóstico de uma lesão avançada.
05:07Então, mapeando isso, os Estados Unidos encabeçaram a recomendação de começar o rastreio aos 45 anos.
05:15Hoje, a recomendação é, se você tem 45 anos, tenha sintoma ou não, você tem que fazer algum tipo de
05:23rastreio de colon.
05:25Também se disse que o exame pode prevenir o tumor.
05:29De que forma isso?
05:30Porque o exame pode ser prevenir o tumor.
05:34O tumor não já estaria lá?
05:36Porque fazer o exame pode ser um motivo de prevenção.
05:40Que bom que você tocou nesse assunto, porque é uma coisa que é exclusiva da endoscopia e exclusiva do câncer
05:49coloretal.
05:50O câncer coloretal é a única neoplasia prevenível com o exame médico.
05:56Quando a mulher faz a mamografia, o homem faz o rastreio para a próstata, ele está procurando lesões bem no
06:05comecinho, antes de estar em uma coisa muito grave.
06:08A colonoscopia, não.
06:09A colonoscopia identifica lesões pré-malignas, os chamados pólipos.
06:14Então, do momento que a colonoscopia identifica um pólipo, ele retira uma lesão que pode vir a ser um câncer.
06:23Não é para todo mundo ficar preocupado, ah, eu tive um pólipo, minha colonoscopia, minha endoscopia, deu um pólipo, eu
06:29tenho um câncer.
06:30Não.
06:31Alguns pólipos são malignos, mas é a minoria dos pólipos.
06:35A propósito, todo pólipo deve ser retirado?
06:38Todo pólipo deve ser retirado por causa disso.
06:40Alguns poucos são malignos e a maioria tem um potencial de evoluir para uma neoplasia.
06:47Se você tira ele, você está tirando a chance de virar um câncer.
06:51Então, quem faz uma colonoscopia e tira um pólipo, está reduzindo em até 80% a chance de ter um
06:57câncer coloretal.
06:58É um bom negócio, é uma promoção muito boa.
07:02O senhor falou aí já rapidinho sobre Preta Gil, ela faleceu no ano passado, né?
07:07Sim.
07:07Eu queria ainda, falando ainda dela, a doença dela comoveu muita gente, né?
07:12As pessoas comentavam, foi reportagem em vários canais de televisão, né?
07:17O sofrimento dela, todo mundo acompanhou.
07:20Isso, de certa forma, ajudou as pessoas a falarem mais sobre colonoscopia, câncer coloretal, câncer de intestino também, que é
07:32a mesma coisa.
07:33O senhor acha que a doença da Preta Gil, a doença e depois até a morte dela, ajudaram, de certa
07:40forma, a divulgar mais a doença?
07:42Sem dúvida.
07:43Não só a doença, mas a prevenção também.
07:44A prevenção.
07:45E ela levantou esse estandarte, né?
07:48Ela quis sensibilizar a população sobre um problema muito sério, que é o câncer coloretal, e ela, por todo o
07:56seu impacto de mídia, por ser uma pessoa querida pelos brasileiros, por ter o pai de quem é no Brasil,
08:02teve uma capilaridade, uma penetração muito grande.
08:08E as pessoas começaram a olhar e ver, eita, Preta Gil teve um problema muito sério, ela está dizendo que
08:13é comum, então eu vou ver se eu posso fazer alguma coisa para evitar isso comigo, com meu vermilhar, com
08:19meu pai, com meu irmão.
08:21Ela falava de sua colostomia, de como foi difícil para ela a questão da colostomia.
08:26Então, o diagnóstico do câncer avançado de colo é um fardo pesado e Preta Gil compartilhou essa caminhada dela com
08:36o Brasil.
08:37E o Brasil se sensibilizou e, com certeza, passou a estar mais atento para como evitar isso, porque a gente
08:44pode evitar.
08:45Agora, Preta Gil, ainda falando dela, ela tinha acesso, pelas condições financeiras da família e tudo, ela tinha acesso aos
08:53melhores tratamentos, né?
08:54Tanto é que foi até os Estados Unidos fazer tratamento e acabou sendo vencida pela doença.
08:59O câncer do intestino é um câncer muito letal, mas pode ser prevenido, né?
09:07Ele pode ser vencido, debelado também.
09:10É importante as pessoas saberem disso para não acharem que, poxa, uma pessoa com tantas condições e morreu com esse
09:18tipo de câncer.
09:19O recurso financeiro e influência, nas lesões malignas, nem sempre consegue resolver a equação.
09:28Veja Steve Jobs, por exemplo.
09:31Então, assim, quando a neoplasia está avançada, às vezes recurso não é suficiente.
09:40Por isso que a gente sempre tem levantado a bandeira da prevenção, do diagnóstico precoce, porque a história é diferente
09:49quando o diagnóstico é cedo, quando consegue diagnosticar antes de ter sintoma ou com sintomas muito leves.
09:55Preta Gil falava nas entrevistas dela, minhas fezes eram em fita, eu tinha dificuldade de evacuar, eu evacuei com sangue.
10:04Roberto Dinamite também, que teve colo, ele deu uma entrevista, eu comecei a evacuar com sangue, demorei para procurar atendimento
10:12médico.
10:12Então, quando posterga isso, chega numa situação que recurso e influência a gente não consegue mais reverter.
10:21Por isso que a campanha Março Azul tenta compartilhar histórias como essa, e vários outros artistas compartilharam,
10:29porque, além dos artistas muito brasileiros, muitas pessoas do mundo todo passam por essas histórias e, nessa jornada aí da
10:39vida, que é o tema da Março Azul desse ano, a jornada da vida,
10:43a gente pode tomar algumas decisões que minimizam a chance de chegar a essa situação tão difícil que eles passaram.
10:50E essas situações que levaram à morte do paciente, eu acho que reforçam ainda mais a importância da prevenção também,
10:57né?
10:57Esse é o ponto. A gente compartilhando histórias extremas, que as histórias deles foram extremas, a gente sensibiliza as pessoas
11:05para se cuidar,
11:07porque tem a opção de se cuidar e colhe os frutos quem faz a prevenção.
11:13Agora, doutor, antes se associava esse tipo de câncer à pessoa mais velha, às pessoas mais velhas, né?
11:19Os idosos ainda são maioria, mas a gente tem visto cada vez mais pessoas mais jovens sofrendo desse tipo de
11:27problema.
11:29Isso se deve a quê, exatamente? A ciência explica os médicos desse setor, né, que o senhor faz parte.
11:37Vocês estudam isso para tentar entender por que cada vez mais as pessoas têm apresentado esses problemas tão mais jovens?
11:44É uma resposta extremamente difícil, Fernando. Não tem uma resposta só. Certamente é multifatorial.
11:53Esse fenômeno é muito claro no câncer de cólon, mas tantos outros cânceres estão acontecendo também,
12:00lesões malignas em pessoas cada vez mais jovens.
12:04E existem alguns pontos muito óbvios de fatores de risco.
12:09Alimentação rica em corcevantes, ultraprocessados, corantes, estilo de vida sedentário,
12:19que as cidades cada vez mais estimulam ou propiciam a pessoa ter uma vida que não se mexe,
12:28que não faz exercício, comendo alimentos enlatados, alimentos com muita gordura, tudo isso predispõe.
12:37Isso ao longo da vida toda tem consequências.
12:43Agora, que fatores específicos, quais são as moléculas que estão causando isso, a ciência ainda não explica.
12:50A gente sabe, microplástico, como muita gente menciona, alguns tipos de conservante, os plásticos do BPA.
13:00Na conversa que a gente teve antes de vir aqui para o estúdio, o senhor falou até da carne, né?
13:03O consumo de carne também influencia, também pode ter a ver com a incidência desse tipo de câncer.
13:11Perfeito.
13:12São alguns fatores que a gente sabe, a gente está falando dos fatores que a gente não sabe que causam
13:18para mais jovens,
13:19mas tem algumas coisas que se sabem há muito tempo, tá?
13:22Consumo excessivo de carne vermelha.
13:25Consumo excessivo, quer dizer, você não precisa ser vegetariano,
13:28mas se você come carne vermelha duas vezes por dia, todos os dias, isso é um consumo excessivo.
13:34A maior incidência de câncer coloretal no Brasil é na região sul, no Rio Grande do Sul,
13:39onde se come muita carne vermelha.
13:41Então, está claramente associado.
13:44Se as pessoas olham para a sua dieta e veem que tem um hábito mais do que uma vez por
13:50dia,
13:51ou diariamente de carne vermelha, se sugere reduzir isso, que isso é um fator protetor.
13:58Outro fator protetor, alimentações ricas em fibras.
14:01Salada, verdura, frutas de todos os tipos,
14:07menos alimentos ultraprocessados, pelo que a gente já falou.
14:11E atividade física, sedentarismo também é um...
14:14Sedentarismo e obesidade é um fator de risco para 16, se não me falha a memória,
14:20neoplasias, entre elas, o câncer de colo.
14:23O sedentarismo é ruim para qualquer doença, pelo jeito, né?
14:26Todo médico fala que você não pode levar uma vida sedentária.
14:29Nosso corpo evoluiu, se desenvolveu para estar se mexendo.
14:34Somos máquinas desenvolvidas ao longo de milhões de anos.
14:37O estilo de vida que a gente tem na sociedade hoje é totalmente diferente do propósito que nosso corpo foi
14:43desenhado.
14:44Então, nosso corpo precisa estar se mexendo.
14:47O exercício físico tem que ser uma coisa natural desde as crianças,
14:55não é uma coisa que precisa ser sacrificada.
14:57É uma coisa como tomar água, como se alimentar.
15:00A gente precisa caminhar, a gente precisa de alívio, a gente precisa estar flexionando os músculos.
15:05Isso vai mexer na nossa saúde em todos os pontos.
15:09Muito bem, doutor.
15:10A gente vai fazer um rápido intervalo.
15:11Você que está acompanhando, não saia daí.
15:13A gente volta já, já.
15:26O Ponto de Vista está de volta.
15:28Hoje eu estou recebendo aqui o médico endoscopista João Paulo Pontual.
15:33Doutor, o senhor trabalha com isso todos os dias.
15:36As pessoas estão mais conscientes, estão procurando mais os consultórios
15:41e até pedindo para fazer a colonoscopia?
15:44Positivo, Fernando.
15:46As pessoas estão mais sensibilizadas com a importância de fazer a colonoscopia,
15:52fazer um rastreio para a câncer de cólon.
15:55E isso está mudando totalmente a história de vida de tantas pessoas.
16:00Porque quando a gente diagnostica precocemente,
16:04a possibilidade de cura é extremamente alta, ultrapassa 90%.
16:09A gente não deve esperar ter sintomas.
16:12E o senhor percebe isso mesmo nas pessoas mais jovens também?
16:15Pacientes mais jovens procurando o médico?
16:18A sensibilização é tão grande, seu ponto é perfeito.
16:21A sensibilização é tão grande que às vezes pacientes jovens demais
16:24ficam querendo fazer colonoscopia.
16:27Não, eu vi preta Gil, teve câncer de cólon com 50 anos.
16:30Eu tenho 35 anos, quero fazer uma colono.
16:33Então, cabe ao médico também orientar e explicar os benefícios
16:38e qual é a idade correta.
16:41A idade correta, se você é assintomático, 45 anos.
16:44Se você não tiver fatores de risco na família, por exemplo,
16:49pessoas que têm parente de primeiro grau que teve câncer coloretal,
16:53devem procurar seu médico e aí ele vai orientar qual é o momento ideal.
16:57Muitas vezes é antes dos 45 anos, mas aí é caso a caso.
17:01Qual a importância, doutor, do diagnóstico precoce?
17:04Ele aumenta as chances de cura, por exemplo?
17:07Com certeza.
17:08O diagnóstico precoce, vamos só pontuar o que a gente chama de diagnóstico precoce.
17:14A lesão maligna, o câncer, ele tem vários estágios.
17:19Ele vai crescendo superficial no intestino e vai como um paralelo
17:26se enraizando na parede do intestino.
17:28Quanto mais profundo, mais avançada é a lesão.
17:32E quanto mais profundo, maior a chance dele mandar metástase,
17:36que é aquelas células que vão pelo sangue, pelo sistema linfático,
17:41botar e se implantar a doença num local que não é o sítio de origem do tumor.
17:46Então, quando a gente chega em um dado ponto, antes dele estar enraizado demais,
17:52muitas vezes a gente consegue resolver por endoscopia ou por cirurgia sem necessidade da quimioterapia.
18:00Então, quais são essas fases?
18:02Normalmente, quando a pessoa não tem sintoma.
18:05Quando a pessoa está com algum dos sintomas de risco, que a gente já falou,
18:09sangramento nas fezes, fezes em fita, dor abdominal, constipação progressiva,
18:16a pessoa está com cada vez mais dificuldade de evacuar.
18:22Esses sintomas, quando estão presentes, reduzem cada vez mais a chance de uma cura definitiva.
18:28Então, por isso que a gente sempre bate na tela.
18:31Prevenção, prevenção, prevenção.
18:33O tumor, ele é silencioso.
18:36Ela é uma doença silenciosa.
18:38É por isso que dizem que ela não apresenta nenhum sintoma na fase inicial, né?
18:42O paciente não sente dor.
18:43Não sente dor, o paciente não sangra, não tem nenhum tipo de indisposição, não emagrece.
18:51Todos esses sintomas só acontecem em estados avançados da doença.
18:55Então, a campanha Maço Azul tem essa bandeira de sensibilizar as pessoas.
19:03O que a gente mais escuta quando tem a infelicidade de dar um diagnóstico de uma doença avançada,
19:09ou até precoce, o paciente diz, mas doutor, eu não sentia nada.
19:14Então, a gente tenta divulgar ao máximo que não sentir nada é o momento de fazer a prevenção.
19:25Sinal de alerta, então, já seria indício de que alguma coisa está errada, né?
19:29Se a pessoa sentiu algum sinal desses aí que o senhor falou,
19:32é porque já tem alguma coisa, quase certamente vai encontrar alguma coisa ou não.
19:38Então, veja, tem um maior risco da gente encontrar alguma coisa, tá?
19:44A medicina tem um leque grande de patologias.
19:50Por exemplo, se a gente vai falar de sangramento nas fezes,
19:53a maior parte dos sangramentos vão ser doenças hemorroidárias ou doenças anorretais benignas, tá?
19:59Então, se a pessoa está evacuando com sangue nas fezes, pode ser uma doença hemorroidária,
20:08mas tem que investigar também doença maligna.
20:10Para também não dizer se está com sangue nas fezes é um tumor.
20:14Pode ou não ser.
20:16Se você está com qualquer sintoma, se a pessoa está com qualquer sintoma,
20:20é bem importante que ela procure um atendimento médico para saber se ela vai precisar ou não fazer uma colonoscopia.
20:26Porque aí pode ser preocupante.
20:28Como, por exemplo, perda de peso, anemia, sangramento, constipação progressiva, como a gente acabou de falar.
20:34Perda de peso sem nenhuma causa aparente.
20:37Isso.
20:37Perda de peso sem nenhuma causa aparente é um sinal amarelo, né?
20:42Então, é um fator que a gente precisa de uma atenção e investigar neoplasias de todas as causas.
20:48Como a neoplasia coloretal é a segunda mais frequente, ela está no radar para quem está perdendo peso sem estar
20:56tomando as injeções ou fazendo dieta.
20:58Sim, as canetinhas.
20:59As canetinhas, é.
21:01Queria saber com relação à inteligência artificial.
21:04Hoje a gente vê que a inteligência artificial está em todas as áreas e na medicina não é diferente, né?
21:10Na sua área, a inteligência artificial tem ajudado muito os médicos?
21:14A inteligência artificial na endoscopia está evoluindo em galope acelerado, como em todas as áreas da sociedade.
21:23A inteligência artificial hoje, ela só está presente em alguns tipos muito específicos de aparelhos, tá?
21:31Ela é um acessório a mais, que é como se fosse um médico companheiro que está lhe sugerindo o momento
21:40todo onde possivelmente tenha lesões.
21:43Então, ela aumenta a detecção em relação a quando não tem inteligência artificial.
21:49É um ponto de vista interessante, porque no dia a dia, a gente tem que estar muito atento.
21:57E se a gente tem uma segunda opinião toda hora ali chamando a atenção, a gente vai ter resultados melhores.
22:03Ainda mais uma segunda opinião de um médico que não cansa, né?
22:05Não cansa nunca.
22:06Ela está lá o tempo todo.
22:07Você pode piscar as inteligências artificial, nem se quer pisca.
22:10Então, se por azar, numa fração de segundo que você piscou, passou uma lesãozinha ali, a inteligência artificial vai dizer,
22:16opa, volta ali.
22:17Então, faz a diferença.
22:21Hoje, a endoscopia líder mundial, a liderança mundial da endoscopia são os países asiáticos, notadamente o Japão,
22:28desenvolvendo tecnologias avançadas de inteligência artificial no estadiamento de doenças precoces, na localização.
22:36Então, no Japão, hoje, os hospitais que a gente teve a oportunidade de visitar, eles estão com protocolos de inteligência
22:44artificial,
22:45que a inteligência artificial analisa a lesão e lhe diz se ela já está muito avançada ou não, com um
22:51grau de acurácia,
22:52aí sim, até maior que o do operador humano, porque ela consegue processar uma quantidade de detalhes minúsculos na imagem
23:01que o olho humano não consegue.
23:03E aqui, doutor, você falou do Japão.
23:05Sim.
23:05Mas aqui já está sendo usada no dia a dia?
23:08Essa aí é pesquisa.
23:09Isso aí foi quando eu passei um tempo lá, ano passado, mas vai chegar muito em breve.
23:13Aqui, hoje, a inteligência artificial lhe ajuda a detectar pólipos e lesões precoces.
23:19Então, lesões muito pequenas...
23:21E vai ser muito usada por todos os endoscopistas, de modo geral?
23:25Vai ser muito usada por todos os endoscopistas, é um aparelho muito especial, não está disponível em tantos lugares,
23:31a parte da inteligência artificial, tem que ter um treinamento para isso, mas está disponível, sim, em alguns locais,
23:38no momento, em alguns poucos.
23:40Uma vez detectado que o paciente tem um câncer do intestino, o percentual de cura é alto?
23:47Quando o tumor é descoberto logo no início, as chances de cura são maiores?
23:52Se a gente chega no início da lesão, passa de 90% de cura.
23:58Então, o câncer de cólon, ela é uma neoplasia que tem uma taxa de cura muito alta se a gente
24:05chegar a tempo.
24:07Quando está muito avançado, fica mais difícil.
24:11De novo, por isso o Marçazul está aí, sensibilizar a população para a gente fazer essa prevenção, que salva muitas
24:18vidas.
24:18Eu disse logo no início do programa que o senhor é do Hospital das Clínicas, ligado à Universidade Federal de
24:24Pernambuco.
24:25Como é que está a questão da endoscopia aqui no Estado?
24:29Que outros hospitais oferecem o tratamento, tanto do tratamento de câncer de intestino,
24:35quanto o próprio serviço de colonoscopia, de endoscopia também?
24:40Os hospitais aqui do Estado estão bem servidos? Qual a avaliação que o senhor faz?
24:46A gente pode falar dos hospitais da rede SUS, do sistema de saúde público e da rede privada.
24:52Na rede pública, os hospitais, todos os grandes hospitais têm bons serviços de endoscopia.
24:59Temos hoje UPAs Especialidade, que tem serviços de endoscopia de triagem também.
25:06A endoscopia em saúde pública cresceu muito, mas ainda tem um espaço muito grande para chegar no local ideal de
25:18prevenção para a população.
25:20Mas eu diria que os hospitais estão bem equipados e bem servidos.
25:24Para a prevenção, eu acho que a saúde pública vai chegar lá e está num caminho que está numa direção
25:31boa.
25:31Nos hospitais particulares, também todos os grandes hospitais têm aparelhos de excelente qualidade,
25:37equipes muito bem formadas, com capacidade de diagnóstica e muitas vezes de tratamento para câncer de cópia.
25:46Agora, o acesso da população à colonoscopia não é simples.
25:50A gente sabe que tem alguns hospitais, como o senhor falou, hospitais públicos que fazem,
25:55mas não é qualquer paciente que queira fazer uma colonoscopia que encontra esse serviço de graça pelo SUS.
26:02O que é que esse paciente deve fazer?
26:05O paciente que está preocupado com seus sintomas ou com sua prevenção,
26:10deve procurar seu posto de saúde que atende sua região.
26:14Ou, se tiver plano de saúde, deve procurar seu médico assistente,
26:18seja seu clínico, seu cardiologista, seu ginecologista, seu urologista,
26:21e tratar do assunto dessa preocupação e ele vai referenciar.
26:26Os hospitais de grande porte, como o HC, o Getúlio Vargas, o Oswaldo Cruz,
26:31eles não são portas abertas.
26:33A população não pode chegar lá batendo e dizer, eu quero fazer uma colonoscopia.
26:36Precisa ser referenciado, porque é uma estrutura hierarquizada da Secretaria de Saúde.
26:41Precisa ter a entrada da triagem pelos postos de saúde.
26:44Eu queria saber agora uma coisa que a gente ouve falar, mas muita gente não entende.
26:49Dizem que o intestino é como se fosse uma extensão do cérebro, é um outro cérebro.
26:55Como é isso? Dá para o senhor explicar para as pessoas em casa entenderem o que é?
27:00Qual a relação do cérebro com o intestino?
27:02Dá sim.
27:04O cérebro, ele tem uma conexão muito íntima com o intestino, com o sistema endócrino,
27:12com os hormônios e com o sistema imune.
27:16Em especial o intestino, o intestino tem uma rede neural gigante, múltiplos nervos e neurônios,
27:22que faz o sistema nervoso quase em paralelo do sistema nervoso central.
27:27Então, ele, em muitas fases, ele tem um funcionamento meio que separado do cérebro
27:35e muitas vezes ele faz o caminho contrário.
27:37Ele influencia o comportamento da pessoa, porque tem uma quantidade de neurotransmissores
27:42sendo produzidas ali e tem muitas teorias surgindo sobre as bactérias, a flora intestinal,
27:49influenciando na produção desses neurotransmissores,
27:53quantidade de depressão, doença inflamatória intestinal.
27:57É um assunto bem extenso e que está surgindo muita coisa interessante.
28:01Muito bem.
28:02Eu acho que a gente abordou vários assuntos.
28:04A nossa entrevista está acabando.
28:06O nosso tempo se esgotou já da entrevista.
28:08Eu queria lhe agradecer muito pela presença aqui no Ponto de Vista, doutor.
28:12O prazer é meu, Fernando.
28:14Muito obrigado pelo convite e pela disponibilidade de tocar num assunto tão importante para a população.
28:19Obrigado.
28:20E para você que acompanhou até aqui, obrigado pela audiência e companhia.
28:23A gente volta na semana que vem.
28:27A gente volta na semana que vem.

Recomendado