00:00E agora trazer um pouquinho o noticiário para o nosso quintal, o ministro Fernando Haddad vai começar a pré-campanha
00:05ao governo de São Paulo apenas em abril.
00:08Ô Beatriz Manfredini, que bom falar contigo novamente aqui, né, depois do seu merecido descanso, mas conta pra gente, né,
00:15o que que deve acontecer então nessa próxima semana,
00:19o que que o Haddad tem trabalhado como estratégia diante de uma competitividade complicada com o Tarcísio de Freitas, que
00:26tá muito bem avaliado por aqui,
00:27e quais são seus bastidores hoje, minha amiga?
00:32Tem que descansar um pouquinho antes da maratona eleitoral que promete, não só aqui em São Paulo, mas no Brasil,
00:38né, Evandro?
00:39Bom falar com você também de novo, olha, o que tá acontecendo aqui em São Paulo é que essa decisão
00:45de Fernando Haddad de deixar o Ministério da Fazenda até semana que vem
00:49foi muito motivada, inclusive, pelas pesquisas eleitorais nacionais, que tem mostrado Flávio Bolsonaro mais competitivo contra o presidente Lula
00:58e tem aí ampliado a necessidade de um palanque, né, de um impulsionador aqui em São Paulo, o maior colégio
01:06eleitoral do país, pro atual presidente.
01:09Haddad, a gente já falava aqui há muitos meses, é visto como essa figura.
01:14Então a expectativa do PT aqui em São Paulo é que o ministro da Fazenda deixe o cargo até o
01:19fim da semana que vem,
01:20não tem uma data exata, mas que não mergulhe imediatamente de cabeça nessa pré-campanha.
01:25O que eu ouvi de algumas fontes do Partido dos Trabalhadores aqui em São Paulo é que Haddad vai tirar
01:30uns dias de descanso depois de deixar a Fazenda.
01:34Então deve ficar umas duas semanas em casa, como um período de férias mesmo de descanso e aí a partir
01:41de abril deve então se voltar e mergulhar de cabeça aqui no estado de São Paulo.
01:47No dia 6 de abril, inclusive, o Partido dos Trabalhadores planeja um evento, aí um evento nacional que vai acontecer
01:53em Brasília, de arrecadação de fundos.
01:56O convite fala em comemoração do aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores, que aconteceu em fevereiro, como motivo
02:03principal desse encontro,
02:04mas é justamente um encontro em que os convites serão cobrados, justamente pensando na arrecadação para o período eleitoral.
02:11Fernando Haddad, por exemplo, é esperado nesse evento, assim como Camilo Santana da Educação e até mesmo o presidente Lula.
02:17Então esse evento vai ser o pontapé inicial, digamos assim, para a eleição e a partir daí Haddad então deve
02:22se voltar de vez para São Paulo.
02:24Deve ter conversas, por exemplo, com Marina Silva e Simone Tebet, ministras de Lula, que podem ser candidatas ao Senado
02:31aqui também pelo estado de São Paulo,
02:33definições que vão saindo aí nos próximos dias, mas a princípio então a ideia é essa.
02:38Haddad deixa o cargo até o fim da semana que vem, tira uns dias de descanso e em abril se
02:43volta para a campanha aqui no estado.
02:46Como eu disse, muito disso também diz respeito a resultados recentes de pesquisas eleitorais.
02:52Mas, apesar de Haddad ter perdido para Tarcísio de Freitas em 2022, na última eleição ao governo, foi uma eleição
02:59considerada boa.
03:00Haddad ficou com cerca de 44% dos votos contra 55% de Tarcísio de Freitas.
03:06Foi considerado um bom resultado, melhor inclusive do partido, tentando uma candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.
03:12E, por isso, a figura de Haddad é vista como muito importante aqui justamente para jogar a figura de Lula
03:18para cima num colégio eleitoral tão grande,
03:20o maior do país e tão importante quanto o estado de São Paulo.
03:23Evandro.
03:23Valeu, Beatriz Manfredini.
03:25Beatriz sempre vai voltar com bastidores para a gente aqui ao longo desse período, né?
03:28Muito forte de cobertura eleitoral.
03:31Ô, Lucas Berreiro, Fernando Haddad vai precisar puxar bastante fôlego, porque a situação vai ser braba para ele aqui no
03:37estado de São Paulo.
03:39Que chato, né? Você participar de uma eleição, de todo esse trabalho, faz campanha, vai para a rua, aí organiza
03:48plano de governo, tudo,
03:49para saber que, no final das contas, as chances de Fernando Haddad ganhar o governo do estado de São Paulo
03:57são as mesmas do sol nascer quadrado amanhã.
04:00Quer dizer, são nulas, são ínfimas.
04:01O Fernando Haddad não tem a menor chance de ganhar essa disputa e ele sabe muito bem disso e o
04:07PT sabe muito bem disso.
04:08A gente já comentou isso várias vezes ao longo das últimas semanas, né?
04:11O PT precisa ter um candidato.
04:14Afinal, de contas, é o maior estado, é o estado mais rico da federação, é o estado mais importante sob
04:20certos aspectos.
04:21Fica meio feio não ter nenhum candidato.
04:24O Lula precisa de um palanque eleitoral para a candidatura dele à presidência da república,
04:29se é que ela vai se manter, né? Isso é um outro debate.
04:32Mas precisa de um palanque para a candidatura dele à presidência aqui no estado de São Paulo.
04:37Então, o PT ficou pressionando, pressionando, pressionando.
04:41O Haddad disse várias vezes que não queria de jeito nenhum sair candidato ao governo,
04:44não queria concorrer com o Tarcísio.
04:46Mas agora parece, por enquanto, o que tudo indica, né?
04:49É que ele cedeu aí as vontades do PT e aceitou enfrentar essa disputa em glória.
04:56A gente sabe que o interior de São Paulo jamais vai permitir que o PT governe esse estado um dia.
05:02O Haddad já ganhou, é verdade, a prefeitura de São Paulo, né?
05:06Da cidade de São Paulo.
05:07Porque na capital ainda tem bastante gente que pode votar no PT, né?
05:13Agora, no interior, isso fica muito complicado.
05:16Acho que o interior de São Paulo vai impedir, em qualquer cenário,
05:20que o PT um dia governe o estado de São Paulo.
05:22E olha, graças a Deus, agradeço ao interior de São Paulo por isso, viu?
05:25Túlio Nassa, qual que é o cálculo político pra gente entender aqui
05:29de que um nome que, mesmo tão rejeitado em diferentes partes do estado,
05:33ainda assim conseguiria puxar votos pra Lula?
05:35Quer dizer que nem todo eleitor de Tarcísio necessariamente se identifica
05:40com o candidato à presidência da república
05:42que se posicione mais ao centro ou mais à direita?
05:45Pois é, Beatriz. O Lucas falou tudo.
05:47A política é a arte do possível.
05:49O presidente Lula precisa de um palanque aqui em São Paulo.
05:52Ele não tá necessariamente visando ganhar as eleições,
05:55mas ele tá visando minimizar os prejuízos.
05:58Ter um nome forte, um nome que possa representá-lo,
06:01pra que ele possa ter o maior número possível de votos.
06:05Agora, Fernando Haddad realmente tem mostrado uma lealdade, né?
06:09Uma fidelidade muito grande ao presidente Lula.
06:12Desde a época em que Lula estava preso ali em Curitiba,
06:15ele já manifestava apoio e ele tem ido pra todas as missões possíveis.
06:19Agora, ele tem ido pra uma missão que Churchill falava,
06:22que a política é tão excitante quanto a guerra,
06:25e não menos perigosa, porque na guerra só se morre uma vez.
06:28Na política se morre várias vezes.
06:31E Fernando Haddad tá indo pra mais uma morte política,
06:34em nome de Lula.
06:37Valeu, Túlio Nassa.
06:38E eu quero falar um pouquinho também sobre esse movimento com o nosso Alan Ghani.
06:41Por quê?
06:41Com a saída de Fernando Haddad, Dário Durgan,
06:43que é o número dois da pasta, assume essa cadeira.
06:46E a gente pode esperar algum tipo de mudança em relação às diretrizes
06:50que já haviam sendo conduzidas por Fernando Haddad, hein, Alan Ghani?
06:53Zero.
06:55Probabilidade zero.
06:56Por duas razões.
06:57Primeiro, que ele é o número dois da pasta,
07:00não vai fazer nada diferente do que fazia o seu antecessor,
07:05o ministro Fernando Haddad.
07:06E segundo, que é ano eleitoral.
07:07Então, nenhuma grande reforma estrutural em época de eleições.
07:12Porque, geralmente, reformas estruturais são aquelas que trazem um ônus político,
07:18um ônus para a população, mas que beneficiam o país a médio e longo prazo.
07:22Então, vai ser mais do mesmo simplesmente para cumprir tabela, Evandro.
07:27Agora, Alan Ghani, o secretário do Tesouro, que é o Rogério Seron,
07:31falou que o Brasil ainda tem tempo pra um ajuste fiscal.
07:34A Fernando Haddad foi muito cobrado por esse ajuste fiscal,
07:37tá deixando o cargo e ele não aconteceu.
07:39Que tempo é esse que aconteceria, então, num ano eleitoral?
07:42Pois é.
07:43O Rogério Seron, ele responde a sua pergunta e em base ao que eu te respondi.
07:49Ele diz o seguinte, olha, a janela de oportunidade é o ano de 2027.
07:54Então, ele já tá cantando a bola que 2026 não vai ter nenhum ajuste fiscal.
07:59Ele fala em 2027.
08:01E aí, ele faz o diagnóstico.
08:03O diagnóstico até correto, reforma da Previdência, diminuir o limite superior, né,
08:10da regra do arcabouço fiscal, que você pode gastar até inflação mais 2,5.
08:15Então, diminuir, sei lá, talvez pra inflação mais 1%.
08:19E também a questão da sobreposição dos benefícios sociais.
08:23Muitas vezes você tem o Bolsa Família, tem o Auxílio Gás, tem o BPC,
08:27então, enxugar isso daí.
08:28Agora, a pergunta é, ok, ele faz um diagnóstico correto.
08:31Por que que não fez antes, então?
08:33Por que que deixa pra 2027?
08:35A mesma coisa, né, você vai no médico, vai no médico...
08:37Olha, eu tinha um diagnóstico guardado aqui,
08:39e aí eu resolvi tirar ele da gaveta pra dizer pra vocês que é só em 2027 que ele vai
08:43ser implantado.
08:43Mas já poderia ter sido feito antes, mas ele tava guardadinho aqui.
08:46Pois é, é como se o médico, né, se eu fosse ir no médico, o médico falasse o seguinte,
08:50olha, você tem que fazer isso, isso, isso, isso, por conta que você tá com essas doenças,
08:55mas não agora.
08:57Espera.
08:57Espera.
08:58Continua doente.
08:59Mas fala, pô, mas eu poderia ter feito antes.
09:00É, pois é, não deu.
09:01Vamos fazer lá na frente, né?
09:03Então, é esquisito.
09:04Agora, de qualquer maneira, quem quer que seja eleito vai ter que mexer nesses temas impopulares, né?
09:12Auxílios aí, Bolsa Família, Auxílio Gás, dá uma enxugada nisso daí,
09:17fazer uma outra reforma da Previdência, tem a questão também dos supersalários.
09:21Essa talvez entre em 2026 porque tem apoio da população.
09:24Olha aqui as aspas de Rogério Seron.
09:26As pessoas costumam olhar apenas para o futuro e para o que é ideal.
09:30Mas, voltando 10 ou 20 anos no tempo, o quanto do que se imaginava foi realmente implementado?
09:39Ah, teve muita coisa que foi implementado.
09:41Porque ele tá querendo dizer o seguinte, olha, a gente não implementou, mas os outros governos também não implementaram.
09:47Não é bem assim.
09:48Você pega, por exemplo, o governo Temer criou o teto de gastos, que tava funcionando bem.
09:53Tudo bem, ele foi furado algumas vezes, mas bem ou mal, a trajetória da dívida pública tava se estabilizando.
10:00O déficit fiscal tava diminuindo.
10:02Ele implementou uma reforma trabalhista.
10:04Se você pegar no governo Bolsonaro, houve a implementação da reforma previdenciária, que é muito impopular, mas super importante.
10:14E ela se manteve.
10:16Então, veja, ocorreram reformas, Evandro, no passado e que se sustentaram.
10:22Diferentemente do tal do arcabouço fiscal, que nasceu absolutamente morto.
10:27Nath Morto.
10:27Por quê?
10:28Porque já era uma regra convidativa ao gasto público.
10:32Obrigado, Alangane.
10:32Até já.
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