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  • há 5 semanas

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Transcrição
00:02Este é o programa número um da televisão humorística, é o Chaves, interpretado pelo
00:13super comediante Gespirito, com Carlos Vilagrã como Kiko, Ramon Valdez como seu Madruga,
00:27Florinda Messa como Dona Florinda, Ruben Aguirre como Professor Girafales, Edgar Vivar como Senhor
00:43Barriga e Maria Antonieta de las Nieves como Chiquinha. Direção Henrique Segoviano.
01:04Cadê? Cadê? Cadê?
01:10Cadê? Mas, cadê?
01:18Peraí, peraí, peraí. Vem cá.
01:21Cadê? Onde é que você vai com essa faca?
01:22Aqui fora, no pátio. É que estamos brincando.
01:26Brincando com facas? Quer fazer pipi na cama?
01:29Mas é que...
01:30Cala a boca e deixa isso aí!
01:32Mas...
01:32Nada demais! Você não viu no jornal que o menino perdeu um olho?
01:37O menino perdeu o olho?
01:39Que senhora! E sabe por que ele perdeu?
01:41Por que não presta atenção onde deixa as coisas?
01:44É falta de cuidado.
01:47Essa demais! Perdeu um olho por andar brincando com facas!
01:51Deixa isso aí!
01:52Tá bem!
01:53Caramba! Ah, mais uma coisa! Onde é que estão as toalhas?
01:57Como assim onde estão as toalhas?
01:59Se nós só temos uma, pai!
02:03Bom, essa toalha, onde é que está?
02:05Eu emprestei para o Chaves do Oito.
02:07Será possível que...
02:09Ao Chaves do Oito?
02:10Ao Chaves do Oito?
02:16E para quem emprestou a ele?
02:19Bom!
02:24Olê! Olê! Olê!
02:28Olê! Olê! Olê! Olê! Olê! Olê!
02:32Muito bem, muito bem, muito bem, muito bem, muito bem, muito bem, bem, bem.
02:36E isso porque o Sr. ainda não me viu colocando bandeirinhas.
02:39Ah, ele coloca bandeirinhas.
02:40Olê! Olê! Olê! Olê!
02:54De novo foi você que começou Chaves! A culpa é só sua!
02:57Foi sem querer querendo.
02:59Eu sinto muito, mas...
03:01Toma!
03:05Só não te dou outra porque...
03:07Aqui tá guardado pro Kiko.
03:10Pobre Charlinho, sempre é o coitado que acaba pagando os pratos quebrados.
03:15Vou ter que pagar, é...
03:17Quem vai pagar os pratos quebrados é outra.
03:20Agora peça dinheiro pra comprar doces.
03:22Me dá dinheiro pra comprar doces?
03:25Foi o senhor mesmo que mandou pedir.
03:27Olha o que eu vou te dar.
03:29Além disso, a culpa foi dela.
03:30Foi ela que foi buscar a toalha na sua casa pra que a gente brincasse de toreiro.
03:34Ah, é assim, Imprócrita.
03:36Você é que teve a culpa porque foi você que teve a ideia.
03:39E você tem sempre que dar ouvidos ao primeiro idiota que te diz alguma coisa?
03:43Boa, Chávez.
03:44Claro.
03:45Então.
03:45Mas no fundo, o Kiko tem razão, filha.
03:48Além disso, se ele teve a ideia, é porque não pegou uma toalha da casa dele.
03:51É, e foi isso mesmo que eu te disse, não foi?
03:54Mas você não quis.
03:55Sim, mas é que não dá pra torear com uma toalha arrendada.
04:01Ah, rendada?
04:02O que é rendada?
04:04O rendado?
04:06O rendado, bom, é...
04:07O rendado é...
04:08É um pano, é um pano.
04:11Não, não, não precisamente um pano, mas é um...
04:13É uma porção de buraquinhos rodeados de fios emendados.
04:17Você entende?
04:17Sim.
04:18É, sim, sim.
04:19Então, é...
04:19Mas me diga uma coisa, Kiko.
04:20Você só tem toalhas rendadas em casa?
04:22Ah, não, seu Madruga, não.
04:24Também temos bordadas à mão.
04:28Ai, Kiko, toalhas bordadas à mão.
04:30Você é mesmo bem convencido.
04:32Convencido por quê?
04:33Ah, tá, tá, tá.
04:34Bom, chega, crianças.
04:35E você, Chaves, vai jogar isso no lixo?
04:37Sim, senhor.
04:38Com cuidado.
04:40E você...
04:44Não faz mal, os cacos já estavam quebrados.
04:48Ainda bem, não?
04:50Anda logo, que eu te dou uma...
04:52Escute, papai.
04:54E agora, em que pratos vamos comer?
04:56Eu sei lá, filha.
04:58Digo, digo, a não ser que eu tirasse as vasilhas de ágate.
05:04Vamos comer dentro do pinico?
05:09Essa não.
05:10Essa é demais.
05:11Eu disse ágate.
05:13Vasilhas de ágate.
05:14Sabe o que é uma vasilha?
05:15Ah, eu sei.
05:16A Chiquinha é bastante vazia.
05:18É bem pequenininha.
05:19Bastante vazia?
05:20Pois eu prefiro ser vazia a ter bochechas de mamão macho.
05:23Ih, vocês têm pernas.
05:24Chega, senhor.
05:25Chega.
05:26Vamos, vamos, pare com isso.
05:27Ai, ai, ai, ai.
05:29E depois, pra que precisamos de prato?
05:30Pra comer sanduíche de mortadela?
05:32Não precisamos nem de prato, nem de garfo, nem de perna, nem de faca, nem de...
05:35Ei, ei, pera um pouco, Chiquinha.
05:38E por falar em facas, se estão brincando de torear,
05:40por que, afinal, iam usar facas?
05:42Ah, é que o Chaves do oito estava toreando muito bem.
05:45E daí?
05:46Pra cortar as orelhas do Kiko.
05:48Sim.
05:58Eu vou contar tudo pra minha mãe,
06:00que vocês queriam cortar uma orelha minha.
06:02As duas.
06:03A gente ia cortar as suas.
06:04Você vai ver só.
06:07Que que é isso?
06:08Por que disse o Kiko que queriam cortar a orelha dele?
06:12Pois não tem jeito de lhe cortar o rabo.
06:14Escute aqui, Chiquinha.
06:15Eu não estou pra brincadeira.
06:16E te aviso uma coisa.
06:18Olha, eu da próxima vez não vou esperar que...
06:20Já.
06:21Já o quê?
06:22Já joguei no lixo.
06:25E a toalha?
06:25Foi o que eu joguei no lixo.
06:28Essa é demais.
06:29Pera aí, Chaves.
06:30Era pra jogar os pratos que estavam dentro da toalha,
06:32não a toalha.
06:33Vai buscar a toalha antes que o lixeiro passe e leve embora?
06:36Sim, senhor.
06:36Vai de prança.
06:38Esse idiota ainda...
06:39Papai, não fique bravo.
06:40O Chaves do oito não teve culpa.
06:42É que o senhor explicou quando disse
06:44jogue isto no lixo.
06:46Bom, mas estava pra entender que eu falava dos pratos quebrados,
06:49não da toalha.
06:50Bom, quem sabe ele não escutou bem.
06:52E pra que servem as orelhas desse cretino?
06:54Ah, quer dizer que o seu negócio é cortar orelhas, não é?
06:57Cortar o quê?
07:00Vamos, Kiko.
07:01Não se misture com essa gentalha.
07:03Sim, mamãe.
07:04Gentalha, gentalha.
07:08Está vendo?
07:09Devia ter deixado cortar as orelhas dele.
07:11Cala essa boca.
07:12Cortar as orelhas.
07:13Já.
07:14Já o quê?
07:16Já trouxe a toalha.
07:18Mas sem os pratos quebrados, Chaves.
07:21Vai jogar os cacos fora e me traga a toalha.
07:23Sim, senhor.
07:23Até parece que eu falo grego.
07:31Mas tinha que ser o Chaves mesmo.
07:34Foi sem querer querendo.
07:36Foi sem querer querendo.
07:37Sim, toda a vida é sem querer querendo.
07:39Mas sempre que eu chego aqui na vila, você me recebe com um golpe.
07:42Oh, meu Deus, quando vai acabar isso?
07:44Bom, a esperança é a última que morre.
07:51Eu digo o mesmo.
07:53Escuta aqui.
07:54Não, não, não, não.
07:54Não me diga nada, senhor Barriga.
07:56Não me diga nada.
07:56Aposto que o senhor veio me cobrar o aluguel.
07:59Não me diga.
08:01Muito bem.
08:01Quando é que adquiriu esse poder de adivinho?
08:04Bem, o senhor sabe.
08:05Intuição.
08:15Intuição.
08:16E quando vai me pagar o aluguel?
08:18Olha, senhor Barriga, se eu lhe contar a minha situação nua e crua como ela é,
08:21pergunte para a Chiquinha.
08:22Não temos nem pratos mais para comer?
08:23Mas não importa, porque hoje nós vamos comer sanduíches.
08:27Muito bem.
08:28Hoje vamos comer sanduíches.
08:29Mas o que acontecerá no dia de amanhã?
08:31Se eu quiser comer uma boa almôndega?
08:34Ai, papai.
08:36O senhor não é antropófago para comer o senhor Barriga.
08:39Não foi o senhor que disse que ele era uma almôndega com patas?
08:43Chiquinha, não seja mentirosa.
08:45Nunca disse que o senhor almôndega era uma barriga.
08:47O quê?
08:49Digo, digo...
08:50Olha, melhor não dizer nada.
08:51Diga-me apenas por uma santa vez.
08:54Quando é que vai me pagar o aluguel?
08:55Amanhã.
08:57Amanhã?
08:57Amanhã eu digo quando vou pagar.
09:00Descute.
09:00E o papai aí vem vendo Chaves.
09:02Tenho medo cada vez que ele se aproxima.
09:05Arrastando a toalha.
09:07Bem, diga ao senhor Barriga o que você foi jogar.
09:10Os pratos pratidos.
09:13Não se diz pratidos, se diz pratados.
09:17E você cala-me.
09:18Cala-me.
09:19O senhor entende, senhor Barriga.
09:21Me quebraram os pratos.
09:23Pegaram a minha toalha para torear.
09:25E já me perderam uma faca.
09:27E me acertaram uma que...
09:28Nossa!
09:29Etc, etc.
09:30Como é que eu posso ter dinheiro para pagar o aluguel, senhor Barriga?
09:33Vocês brincavam de toreiros?
09:36Sim.
09:36É, de toreiros.
09:37Sim, mas é que...
09:38E usaram como capa a toalha?
09:41Como adivinhou?
09:42É que há muito tempo eu fazia o mesmo.
09:46Ah, é?
09:47Pois é.
09:48Vocês sabem que eu nasci nesse cortiço, não sabem?
09:50Bom, sim, mas eu sei que o senhor, com seu esforço e trabalho, conseguiu muito dinheiro e o comprou.
09:55Comprou o cortiço, não é?
09:57E vocês sabem que eu me ergui à base de muito esforço?
10:00Ficou muito cansado?
10:04Não.
10:06Quero dizer que com o esforço, trabalho e a coragem, foram os materiais que construí a mim mesmo.
10:12Olha que sobrou material em algumas partes, hein?
10:15Olha só.
10:17Quando foi que me disse que iria pagar o aluguel?
10:20Eu sou o que você fez.
10:22E é indo tão bem.
10:36E já está sabendo.
10:37Vá tratando de arrumar o dinheiro para pagar o aluguel, senão daqui eu não saio.
10:41Está bem, senhor pai.
10:42Está bem.
10:43Da próxima vez, se a Chiquinha não cala a boca, eu não respondo por mim.
10:46E bem depressa.
10:47Não tenha o seu tempo.
11:15Não tenha o seu tempo.
11:45Não tenha o seu tempo.
11:49Olê!
11:50Olê!
11:51Olê!
11:52Olê!
11:53Joia, seu barriga!
11:54Um grande estilo, um belo estilo.
11:56Com isto, olhe com isto.
11:59Não, eu estava só...
12:00Que nada, que nada.
12:01Agora há pouco o senhor me disse que como chavinho, o senhor também gostava.
12:05Quando criança de touradas...
12:06Mas use isto, isto é uma muleta.
12:08Sim, eu sei.
12:09É uma muleta que eu guardo como lembrança de quando eu fui toreiro.
12:12Ah, o senhor foi toreiro?
12:13Ah, claro que sim, fui um grande toreiro.
12:15Claro que não, com esta figura imponente de toreiro que o senhor tem.
12:19Mas, enfim, eu fiz o que podia.
12:21O senhor sabe que eu sou louco por touradas.
12:23Dá para notar, dá mesmo.
12:25Às vezes penso que o meu lugar é na praça de touros.
12:27Em que fila?
12:28Não, na arena.
12:29Frente ao touro.
12:30O picador?
12:32Matador.
12:33O matador, é o que eu quis dizer, é o que eu quis dizer.
12:36Já estou vendo o senhor na praça de touros.
12:38Com toda a minha honra.
12:39Com a capa e esvoação.
12:40Com toda a agilidade.
12:41Bravo toreiro.
12:42Olé.
12:44Olé.
12:47Olé.
12:48Olé.
12:50Olé.
12:51Olé, olé, olé, olé.
12:53Olé.
12:56Olé.
12:57Olé.
12:57Vem, garoto.
12:58Olé.
13:00Olé, olé, olé, olé.
13:01Ah, bom, muito bom.
13:04O senhor barriga deve ter custado um dinheirão esse carro de touro.
13:07Claro que não, seu Madruga.
13:09Não foi nada.
13:10Contanto que as crianças se divirtam.
13:12Sim, sim, está bem, mas...
13:13E os chouriços?
13:15E as linguiças?
13:16E o caracol de vinho?
13:18E o requeijão?
13:19E tantas outras coisas que o senhor trouxe, senhor.
13:21Sem se esquecer das azeitonas.
13:23Sim, sim.
13:24Os 14 meses de aluguel que me perdoou.
13:27Bom, boa era.
13:28Sim, sim, olé.
13:30Parece que eu não me lembro disso.
13:33De ter perdoado 14 meses de aluguel.
13:37De onde terá me saído essa ideia, senhor?
13:39É mesmo, hein?
13:40Olé, olé, olé.
13:56Olha, não é por nada, senhor barriga, mas eu comi apenas meio chouricinho e o senhor arrasou com toda a
14:01mesa, hein, cara?
14:02Me perdoe.
14:03Seu Madruga, eu nem havia me dado conta.
14:05Claro, porque lhe convém.
14:07Mandando de assunto, eu vou lhe dar uma semana para que me pague alguma coisa desses 14 meses de aluguel
14:11que me deve.
14:11Olé, olé, olé.
14:12Vejam que grande toureiro é este senhor.
14:14Mas se não me pagar, semana que vem lhe ponho de patas na sarjeta, hein?
14:18Pode ter barriga, senhor certeza.
14:21Que?
14:21Digo, pode ter certeza, senhor barriga.
14:23Menos mal.
14:25Lá vem o touro, olé.
14:34Tinha que ser o Chaves.
14:39Foi sem querer querendo.
14:42Ai, Chaves, você tem que ter mais cuidado.
14:45Outro tombo desses e o senhor barriga é capaz de provocar um terremoto na vila inteira.
14:50Ai, que péssima ideia dar esse carinho de touro para vocês brincarem.
14:54Passe para cá.
14:54Não, não, não, não, não, não, não.
14:55Quem dá e tira com o diabo fica, sua mão se danifica, sua avó será maldita e sua sogra ressuscita.
15:01Me dê isso aqui.
15:02Não, não, não, não, não, não, não.
15:03Espere, Chaves, Chaves, você não entendeu.
15:05Eu não queria tomar o carrinho de vocês.
15:07Só queria mostrar como se faz para que tenham mais cuidado.
15:11Enfim.
15:12Olé, oh, touro, olé.
15:16Ai.
15:20Chaves, já pode voltar para cá.
15:22Já se foi o disco voador.
15:31O senhor ia embora, não?
15:33Sim.
15:38Chaves, Chavinho, vem e traz o carrinho.
15:41Não, agora você empurra o carrinho e eu vou ser o toureiro.
15:44Não, Chaves, eu sou a toureira.
15:45Nada disso, agora eu que sou toureira.
15:46Você já abusou, é minha vez, sai.
15:52Você vai ver, vou contar para o meu papai que me arrancou a muleta.
15:57Papai!
15:58Pois saiba que não me importa.
16:02Olé!
16:12Com licença, deixe-me...
16:13É, do seu madruga.
16:15Me empresta só um pouquinho.
16:17Alô, meu irmão, meu irmão.
16:21Olha, Chaves, me empresta.
16:23Alô, meu irmão.
16:25Outra vez, outra vez.
16:28Chaves, eu ordeno que me empreste.
16:31Sim.
16:32Nossa, é uma autêntica muleta de toureiros.
16:38Veja só.
16:40Toro, venha!
16:42Venha, toureiro!
16:44Venha!
16:47Venha, toureiro!
16:49Venha!
16:51Venha, toureiro!
16:56Venha!
17:02Professor, o senhor gosta de touros?
17:06A mim, encantam os touros.
17:09E também as vacas.
17:18Bezerras.
17:22Cabritas.
17:25Pois.
17:28Zebos!
17:30Não deu.
17:32Que, que, que, que, que...
17:34Concorda, sencinha!
17:37Eu gosto muito de touros porque sou fã das festas bravas.
17:41Vejam isto.
17:43Venha, touro!
17:44Ei!
17:45Venha, touro incrível!
17:47Ei!
17:48Passe isso pra cá.
17:49Toma, minha filha.
17:51Toma!
17:52E só não te dou outra porque...
17:56Tó, tó, tó, tó, tó, tó, tó!
18:01Perdão, professor, mas...
18:03Não me disse que foi o Chaves quem tirou a amuleta?
18:05Pois sim, foi o Chaves.
18:07Sim, mas depois o professor Girafales tirou de mim.
18:10É, bem sim.
18:11Eu queria a amuleta para recordar meus tempos de toureiro.
18:14Como?
18:15O senhor também foi toureiro, professor?
18:17Claro!
18:18É mesmo?
18:18Moça, por que disse o senhor também?
18:20Porque o senhor Madruga também foi topeiro.
18:23É, sim.
18:25Eu fui toureiro, Chaves.
18:27Isso, isso, isso.
18:28Claro que dentre os toureiros, eu fui um dos grandes.
18:32E meu papai foi um dos magros.
18:34Pois sim.
18:35E você cala a boca.
18:36Sim.
18:36E vai lá brincar com os meninos.
18:38Não, obrigada.
18:38Já disse pra você brincar com os meninos.
18:40Ai, papai.
18:42Professor, por acaso o senhor sabe quem me dirigia?
18:45Um chafé de táxi.
18:50Um maquinista de trem.
18:53Um piloto de avião.
18:56Um puxador de mula.
19:00Um joquei no hipódromo.
19:04Não deu?
19:06Não deu.
19:08Cai fora, senhor.
19:09Ah, tá bom.
19:10O senhor sabe quantos animais eu já matei?
19:14Contando a lagartixa que o senhor matou na escola.
19:18Eu estou falando de animais bravos.
19:20Ah, pois se é assim, o meu papai já matou mais de 500.
19:25Bem, nem tanto, minha filha.
19:28Nem tanto, não.
19:29Sim, papai.
19:30Não lembra que o senhor já trabalhou num açougue?
19:36Olha, não dê ouvidos, professor.
19:38Não dê ouvidos.
19:38Ah, ainda não lhe mostrei minhas pernas, não é?
19:49Perdão, como disse?
19:51Que o senhor ainda não viu minhas pernas.
20:00Olha, a pura verdade é que eu nem quero ver, professor.
20:03É para lhe mostrar as cicatrizes que são resultado de algumas chifradas.
20:11Perdão, professor.
20:12Eu também tenho.
20:13Olha, olha, olha.
20:14Tá bem.
20:14Observe, olha.
20:15Vamos ver, vamos ver.
20:18O que acha?
20:19Bom, eu...
20:24Pois eu também tenho.
20:26Olha, olha, olha.
20:28Eu não vejo nada.
20:30Como não vê nada, professor?
20:31Como não vê nada?
20:32Chaves, vem, vem, vem, vem.
20:34Diga ao professor o que você vê aqui.
20:36Diga, diga.
20:38Não se vê nada.
20:41Outro.
20:41Você está cego, Chaves.
20:43Não está vendo a cicatriz que eu tenho na perna?
20:45Mas não dá para ver nem a perna.
20:50Ah, não?
20:51Não, não, não.
20:51Espera, espera.
20:52Acho que sim.
20:53É, é, é.
20:54Está vendo?
20:55O que eu disse?
20:55O que eu disse?
20:56Não está muito, mas daqui sim dá para ver.
20:58Viu só?
21:00Eu estou falando da perna.
21:03Deixa eu ver, deixa eu ver.
21:05Deixa eu ver, deixa eu ver se eu vejo.
21:06Olha aqui, com essa perna aqui também tem.
21:08Olha, olha, olha.
21:09Ah, sim, agora eu estou vendo.
21:11Sim, são duas.
21:13Uma e duas.
21:14E vejam só essas meias.
21:16Parecem aquelas arvorezinhas que estão pintadas com cal
21:19para que as formigas não subam.
21:22Olha, deixa eu fazer uma pergunta para ele.
21:24Seu Madruga, suas pernas são essas varetinhas que aparecem embaixo das calças?
21:35Mas, mas que panturrilhas ridículas.
21:40Jamais havia visto umas panturrilhas tão bagrelas.
21:44Ah, não?
21:45Então que tal aquelas que vêm vindo aí?
21:55Professor Girafalhas.
21:59Dona panturrilha.
22:02Perdão, digo, dona Florinda.
22:06Que milagre, o senhor por aqui?
22:09Viu lhe trazer este humilde presente.
22:13Vem me dar a sua mão.
22:17Nossa, o ramo de flores que eu trazia...
22:21Ah, eu deixei...
22:24Eu vou buscá-lo, não demora.
22:29O que será que...
22:30Olha, tesouro.
22:33Sim, mamãe.
22:37Sabe se o professor Girafalhas está me preparando alguma surpresinha?
22:41Quem é que vai saber?
22:59Olê!
23:01Viram só que naturalidade é tudo uma questão de mover bem a muleta, vejam.
23:06Olê!
23:08Muito bem, e agora pra cá.
23:11Olê!
23:12O touro Valentim, velha!
23:15Olê!
23:17Mil perdoes, eu posso explicar tudo, não?
23:19Não, não, não, peraí, peraí.
23:23Olha, tesouro, o professor Girafalhas ainda não regressou?
23:26Não, mamãe, por quê?
23:31Por nada.
23:32Obrigado.
23:37Ué?
23:39Ela não me bateu?
23:40Bom, mas vai.
23:41Continua toreando.
23:43Ah, como não?
23:43Eu mostrava o movimento da muleta.
23:45Veja a importância que ela tem.
23:46Observe.
23:48Observe, perceberam?
23:48Muito ruim, muito ruim, muito ruim.
23:51Ah, é?
23:53Com certeza faz muito melhor, não é?
23:55Com certeza faz muito melhor, não é?
24:06Então, tomar muito cuidado para conseguir desviar das chifradas.
24:10Uma vez que o touro avançar, o touro avançar, o touro tem que ter muita calma para que saia exatamente
24:15como mover a muleta, sem engano, no momento crucial do ataque.
24:20Ah, é?
24:20E o senhor acha que isso é muito bom, né?
24:22Não.
24:22Mas é claro que sim, meu senhor.
24:24Eu fui um grande toureiro.
24:25Ah, é?
24:26Eu já lhe mostrei as cicatrizes que as chifradas me deixaram.
24:29Olha, aí estão.
24:30Não, sim, sim, sim.
24:31Eu já vi, mas...
24:36Mas eu também tenho, professor.
24:38Olha, olha, olha.
24:39Eu já tinha lhe mostrado.
24:40Sim, mas esta aqui é de um touro que invadiu a arquibancada.
24:44Ah, é?
24:45Pois essa é de um caminhão que invadiu a calçada.
24:48Não, não, não, minha filha.
24:49A do caminhão é outra.
24:50Esta aqui é de um touro.
24:51Sim, mas vejam bem.
24:52Esta é de um touro de Sevilha.
24:54E esta foi de um cachorro dessa vila.
24:56Caramba, filhinha.
24:57A do cachorro foi...
24:58A do cachorro foi essa aqui.
25:02Parece um fiapo de carne seca.
25:09Eu pareço o quê?
25:13Tripa de gato.
25:16Corda de guitarra.
25:20Cadarço de sapato.
25:23Espaguete ao dente.
25:27Pois não deu.
25:29Não deu.
25:30Digam que disserem esta é uma chifrada que levei de um touro quando estava lhe cravando bandarilhas.
25:35Acontece que o Chaves ainda não viu.
25:38Olha.
25:41Olha.
25:43São as pernas ou as bandarilhas?
25:48Se eu fosse o senhor, eu ficava calado.
25:52Pois se eu fosse o senhor, também ficaria calado.
25:56Porque está dizendo que sabe tudo sobre touros, que é isso, que é aquilo e que conhece tudo de touradas,
26:01mas olha.
26:05Para que o senhor saiba, eu conheço a história dos toureiros desde o princípio.
26:10Não diga.
26:11Digo sim.
26:13Coisa.
26:14Vamos ver.
26:14Responda-lhe uma pergunta.
26:15É fácil.
26:16Quem foram os primeiros que se divertiram com os touros?
26:19As vacas.
26:22Olha, fica quietinho, Chaves.
26:24Vamos ver.
26:25Manda outra.
26:26Não, não, não.
26:26Primeiro, responda esta.
26:27Quais foram os primeiros a organizar espetáculos taurinos?
26:32Oh, pois isso quem não sabe...
26:34Quem não sabe...
26:36Digo...
26:37Os...
26:38Os empresários.
26:42Os habitantes de Creta.
26:45Os habitantes de onde?
26:46De Creta, da ilha de Creta.
26:49Ah, sim, sim.
26:50Os cretinos.
26:53Os cretenses.
26:54Os cretenses.
26:56Sim, sim, sim, sim, sim.
26:57Agora responda a miota.
26:58Manda lá.
26:59Quem deu o primeiro banho em Lourenço Garcia?
27:02A mãe dele, quando ele era um bebezinho.
27:05Chiquinha, por favor.
27:07Vamos ver.
27:08Agora vai uma pergunta para o senhor.
27:10Aí vai uma.
27:10Sim.
27:11Como deve ser repartida a praça dos toureiros?
27:13Com o serrote.
27:18O que?
27:19Com uma faca.
27:22Com uma tesoura.
27:24De mãos limpas.
27:27Puxa, eu não dou uma dentro.
27:30Com uma navalha de barbear.
27:32Não deu.
27:35Não funcionou.
27:37Não passou.
27:39Não...
27:42É que o senhor também faz umas perguntas que...
27:45Nossa, só faltou perguntar para que serve a pele do touro.
27:49Para envolver o touro.
27:53Para que as tripas não se espalhamem pela arena.
27:57Minha vez.
27:58Aposto que nenhum dos dois vai saber essa.
28:01Onde se vendem os bilhetes para os touros?
28:05Pois nas bilheterias.
28:07Pois está errado.
28:08E então onde é?
28:10Em lugar nenhum.
28:12Não, não, não.
28:12Olha, Chiquinha.
28:13Os bilhetes para os touros são vendidos nas bilheterias.
28:16Me perdoa, papai, mas não são.
28:18Nas bilheterias se vendem bilhetes para as pessoas.
28:21Os touros entram de graça.
28:24É, por essa me esperavam, hein?
28:27É verdade.
28:28Claro.
28:29Não, mas...
28:30Ela tem razão.
28:31Ela tem razão.
28:32Não, ela tem razão.
28:32Não, eu não vou se entender uma coisa.
28:34Não, eu não vou se entender uma coisa.
28:39Boa tarde, senhor.
28:47Boa tarde, senhor.
28:53Onde vai?
28:55Dez flores.
28:57Jogar essas flores do latão de lixo da esquina.
29:00Que coincidência é assim, ó, mas...
29:02Força isso.
29:15Vem, touro, bravo.
29:17Vamos!
29:18Vamos!
29:19Olê!
29:21Que touraço!
29:23Vem, vem, touro bravo.
29:24É agora, é agora, é agora.
29:26Olê!
29:28Terminado!
29:29Obrigado, público, obrigado, público.
29:32Obrigado.
29:33Chiquinha, Chiquinha, quer jogar bola comigo?
29:36Não.
29:38E por que não?
29:39Porque eu estou brincando de ser uma grande toreira.
29:42E olha que meu touro está por aí, hein?
29:44Ah, sim, claro.
29:46Como se estivesse brincando com um touro de verdade.
29:49Quer dizer que se eu me virar agora, vou encontrar um touro com chifre tudo bem aqui na...
30:01O que deu nele?
30:02Eu acho que ele se assustou com a careta do touro.
30:05Não seja palhaço, Kiko, sai daí.
30:10Oh, Kiko, você não percebe que está atrapalhando aí?
30:14Ah, deixa ele, Chaves, olha aqui.
30:16A gente pode brincar no outro pátio.
30:18É mesmo, não é?
30:19Mas claro.
30:19Então vamos.
30:20Vamos, touro, vamos para uma grande tourada.
30:28Ah, Kiko, tesouro, meu filho, tudo bem?
30:34O que aconteceu?
30:35O que te fizeram?
30:37Mamãe, ele tem dois chifres.
30:40Quê?
30:41Já sumiu.
30:43Quem?
30:44Ai, mãezinha, olha, não vai acreditar, mas alguém aqui na sua vizinhança tem um touro de verdade.
30:51Tesouro, um touro de verdade na vizinhança.
30:54Sim, mamãe, ou melhor, era um boi.
30:57Mas eu me assustei muito.
31:00O senhor assustou o meu filho?
31:06Olha, eu acabei de chegar agora.
31:09Não me diga.
31:11Sim, mamãe, é verdade.
31:13Se tivesse sido o seu Madruga, eu não teria me assustado.
31:16Eu teria morrido de rir.
31:20É, isso é verdade.
31:22Mas ouça bem uma coisa, hein?
31:24Que eu não saiba que o senhor assustou o Kiko, porque o senhor vai ver só uma coisa.
31:28Não, peraí, peraí, peraí.
31:29Eu estou acabando de dizer que eu cheguei agora.
31:31Não me diga.
31:32Eu até falei que eu não me conheço.
31:33Será que sempre eu vou ter que pagar o pato por tudo que acontece aqui?
31:37A senhora que está pondo coisa na cabeça.
31:39Eu não tenho nada com isso.
31:40Tudo que acontece aqui sou eu.
31:41Eu não acredito no que eu estou ouvindo, seu Madruga.
31:43Não, peraí, peraí, peraí.
32:13Eu estou acabando de dizer que eu cheguei agora.
32:15Que culpa que eu tenho.
32:21Chapinho, vamos voltar lá e continuar brincadeira.
32:23Eu vou ser o Toreirei.
32:26Por favor, dona Florinda.
32:28Olha, dona Florinda, por favor, olha.
32:30Dona Florinda, por favor, dona Florinda.
32:33Dona Florinda, está bem, está bem, está bem, não é, Florinda.
32:36Eu já entendi tudo.
32:37Está bem, está bem, está bem.
32:38Está perdoada, dona Florinda.
32:41E não se fala mais no assunto.
32:44Dona Florinda, Kiko, dona Florinda, está bem?
32:49Dona Florinda, eu já entendi tudo.
32:51Ela está falando a verdade.
32:53Eu já tinha percebido, mas não tem problema, não tem problema.
32:56Está perdoada, não se fala mais no assunto.
32:58Kiko!
32:59Mamboi!
33:00Você não se feriu?
33:02Não, mãezinha.
33:03Ai, que bom.
33:04Mas é preciso ter muito cuidado em meu tesouro.
33:07Chega o resultado que tenho que brincar com você.
33:10Empurrando o touro, o que você está pensando?
33:12Ai, de que serve o carrinho se não tem ninguém para empurrar?
33:15Para essa!
33:16Então era disso que se tratava, não é?
33:20Que coisa, não?
33:23Poderiam me dizer de onde saiu essa porcaria?
33:27Não se sabe.
33:29Ele é órfão.
33:32Não, a dona Florinda está falando do carrinho de touro.
33:36Exato!
33:38Ah, ele é meu!
33:40Ah, eu já imaginava mesmo.
33:44Espera aí, espera aí.
33:45Eu posso explicar tudo o que acontece.
33:49Sua valentona!
33:50Por que não procura alguém do seu tamanho?
33:52Isso, minha filha.
33:54Olha, é melhor você calar essa boca, tá?
33:56Sim, papai.
33:58Olha, me escuta muito bem.
34:00Cala essa boca!
34:01Não tem dinheiro para pagar o aluguel ao senhor Barriga.
34:05Mas para comprar porcarias ele tem.
34:09Ouça um minutinho.
34:11Cale essa boca!
34:12E acima de tudo, o senhor não tinha um brinquedo mais perigoso para as crianças?
34:18Senhora, eu...
34:19Cale essa boca!
34:26Muito bem!
34:27Certo!
34:29Olha, senhora.
34:30Em primeiro lugar, se eu pago ou deixo de pagar o aluguel ao senhor Barriga, é um assunto muito meu.
34:36Em segundo lugar, esse carrinho foi dado às crianças pelo senhor Barriga para que brinquem aqui.
34:42Em terceiro lugar, não é nenhum brinquedo perigoso.
34:46Isso digo eu, que fui toureiro.
34:48Olê, olê.
34:50O senhor foi toureiro?
34:52Claro, e por que não?
34:53E dos bons?
34:54Que venha o touro.
34:55Olê, olê, outra vez.
34:57Pois agora está parecendo um burro.
34:58E dos bem-asmos?
35:10Vamos embora, tesouro.
35:12Não se jude com essa gentalha.
35:14Sim, mamãe.
35:15Gentalha, gentalha!
35:26Seu Madruga, o senhor foi toureiro mesmo de verdade, é?
35:31Claro.
35:33Claro, e saiba também, Chaves, que no meu tempo me chamavam de o rei da muleta.
35:38E ainda é.
35:39Quando seu Barriga chega, vai correndo buscar a muleta para não pagar o aluguel.
35:47Eu estou falando da muleta de toureiro.
35:50Essa.
35:51Quer saber?
35:52Eu vou mostrar para vocês como eu toureiro.
35:55Sim, sim.
35:55Fica aí para trás.
35:56Sim, papai.
35:57E você também.
35:58Abra um espaço, abra um espaço.
36:00É assim que se faz, olha.
36:01Aí vem o touro.
36:03Olê!
36:04O touro valente investe, mas eu faço assim e o touro...
36:11Estão me achando com cara de touro, é?
36:14De touro não, de vaca.
36:16Chiquinha, por favor.
36:18Ah, é?
36:20Um momentinho, dê só um instantinho e eu explico tudo.
36:23Se me permite...
36:26E da próxima vez, vê se batorear a sua avó.
36:30Seu Madruga, a sua avó tem chifre.
36:35Vamos, Chico.
36:36Não se jude com essa gentalha.
36:38Chico.
36:45Mas que ousadinha.
36:48Ah, mas dessa vez eu lhe...
36:50Eu ia bater no Chaves, o que ficou na frente?
36:59Alice.
37:00Minha senhora.
37:02Sim.
37:03Minha senhora, eu peço que não me dirija a palavra.
37:09E se pensa que voltei a esta vila para ver a senhora...
37:13Está muito enganada.
37:17Mas o que foi?
37:18Vai ver por quê.
37:22Como vai, professor?
37:26O que é isso?
37:27Vai me explicar o que aconteceu?
37:28Eu o espero amanhã com os seus padrinhos.
37:42Como disse?
37:44Que o espero amanhã com os seus padrinhos.
37:47Mas é para serem padrinhos do civil, do religioso?
37:53Testemunhas de sua traição, insolente.
37:57Professor Girapalhos...
37:58Não me toque.
38:01Mas por que...
38:02Não me toque.
38:05Traidora.
38:07Professor Girapalhos, mas pelo menos me explique por...
38:26Vem.
38:40Papai, sabe, eu não entendi bolhufas do que aconteceu.
38:44Pois saiba que eu também não.
38:47O que eu não entendo é essa insistência do professor em querer conhecer os seus padrinhos.
38:54Vai ver que ele quer perguntar para os seus padrinhos...
38:56se o senhor foi batizado com água natural ou com álcool 96 graus.
39:02Agora me diga uma coisa, Chaves.
39:04Quando foi que você me viu tomar uma gota de álcool?
39:08Não, não, nunca.
39:10Então por que o professor vai perguntar se me batizaram com álcool?
39:13Pelo ressecamento da sua pele.
39:17Talvez tenha um batizado com água raso.
39:22Ou...
39:22Ou então com vinagre.
39:26Ou...
39:26Tchau!
39:28Muito bem.
39:30Se o professor Girapalhos insiste em ver os meus padrinhos, é porque está planejando um duelo.
39:37Um duelo?
39:38Um duelo?
39:41E onde vai ser o velório?
39:47Quero dizer que ele está querendo uma luta.
39:51Eu não falei de luto.
39:53Ah, mas a luta não é feminino do luto?
39:56Eu quero dizer que um duelo, com luta, que se supõe que...
40:01Que te importa?
40:05Acho que ele se zangou.
40:07Ah, deixa.
40:09Olha, Chaves, vamos continuar brincando de toureiro?
40:11Isso, isso, isso.
40:12Mas agora você empurra o carrinho e eu vou ser o toureiro, tá bom?
40:16Ah, não, Chaves, de jeito nenhum.
40:18Não, Chaves, por que...
40:20Por...
40:21Por que eu...
40:22Por que...
40:23Por que...
40:23Por que...
40:24Por que o carrinho é muito pesado, Chaves?
40:27Não me diga isso.
40:29Pois é, Chaves.
40:30Você não percebe que eu sou uma pobre, frágil e uma indefesa mulher?
40:36Por outro lado, você tem a fama de ser o mais forte, o mais robusto do colégio todinho.
40:45Eu?
40:46Sim, pois é, pois é, pois é.
40:59Não, Chaves, eu disse que você é um gatinho porque é forte.
41:03Mostre que é forte com o muque.
41:05É com esse músculo chamado bíceps.
41:09Ah, sim, sim, sim.
41:10Isso?
41:11Ah, sim.
41:13Agora deixa duro.
41:15Já tá duro.
41:20Tô forte?
41:22Ah, sim, fortíssimo.
41:24Você é tão forte que com um só golpe é capaz de derrubar um burro.
41:32Ninguém vai me derrubar, não.
41:35Pois fique sabendo que eu sim, porque eu sou o mais forte de toda...
41:40de...
41:40de...
41:41de...
41:41de...
41:41de escola, não é?
41:42Ah, sim, claro que é.
41:44Ah, sim, acredito.
41:47E aquele dia que você brigou com o Nhonho, ele não quebrou todinho a sua cara?
41:51Mas, mas, mas acontece que o Nhonho joga sujo quando ele briga.
41:58Joga sujo como?
42:00Ele foge quando a gente vai bater nele.
42:04E acontece que ele bateu em você também, não é verdade?
42:08Ah, sim, mas me pegaram entre seis.
42:12Fala a verdade, mentiroso.
42:14O Nhonho te pegou sozinho.
42:16Isso eu já sei.
42:17Então por que disse, me pegaram entre seis?
42:20Entre seis e sete da noite.
42:24E a essa hora eu começo a ficar com sono.
42:28Ah, agora eu me lembro, sabe, o Godinez também bateu em você.
42:33Godinez?
42:34Ah, sim, eu me lembro, mas ele não brigou limpo, não.
42:37Ele não brigou limpo? Como não brigou limpo?
42:39Sujei ele com o meu sangue.
42:42Ah, mas eu me lembro também do dia que você brigou com o Godinez.
42:46E ele bateu tanto em você, Chaves, que quando ele terminou, você estava todo inchado.
42:51Não, o Godinez não me bateu, não.
42:53Acontece que eu dei narizada na mão dele, foi isso.
42:59Ah, que conversa é essa de dar com o nariz na mão dele?
43:02Não, é isso mesmo.
43:03Eu vi você apanhando o nariz, mas pensando que eu sou besta.
43:06Ah, não vou acreditar numa história dessa.
43:08Que isso, agora bateu na nariz na mão dele?
43:10Chega!
43:12Olha, Chaves, você vai empurrar o carrinho, sim ou não?
43:16Porque se você não empurrar esse carrinho, quem vai empurrar é o Kiko.
43:19Não, foi eu, foi eu, foi eu.
43:21Ah, agora você vai, né?
43:24Chiquinha, e do que eu vou brincar?
43:25É, você assiste.
43:27Assistir, mas...
43:28Ah, não, não, não, deixa eu brincar um pouquinho.
43:29Kiko, solta.
43:40Ai, Chavinho, você chifrou o Kiko.
43:44Ele foi o culpado, porque ficou na frente quando eu avancei na muleta.
43:49Foi ele o...
43:50E se ele morrer?
43:54Eu vou embora.
43:56Merda, mãe!
44:13O que aconteceu, querido?
44:16Hein?
44:17Tesouro, o que aconteceu?
44:19Mamãe, o toro me deu uma chifrada.
44:23Um momentinho, um momentinho, eu posso explicar perfeitamente.
44:27Acontece que...
44:29Vamos, Taro.
44:30Tesouro, não se junte com essa gentalha.
44:33Sim, mamãe.
44:34Gentalha, gentalha!
44:39Mas se pelo menos uma vez eu pudesse me vingar,
44:43encontrar alguém que eu pudesse dar uma cacetada nele como...
44:55Gentalha, gentalha!
44:56Gentalha, gentalha!
45:08OLE!
45:10Outra vez, vamos lá, Taro.
45:12Venho!
45:13OLÊ!
45:15Olha, Chiquinha, agora você vai me dizer onde foi parar o...
45:23Não se esqueça de deixar o seu lugar.
45:23Tem que ser o Chaves. Vem cá, vem cá, você vai ver.
45:29A culpa foi sua. O senhor que entrou no meio da arena.
45:33O quê?
45:38Primeiro pego o Chaves. Depois é a sua vez.
45:44Como? Sumiu.
45:51Mas ele não me escapa.
45:57Chaves, sai daí.
46:00Chaves, vamos continuar brincando.
46:02Não quero mais.
46:03Mas eu te deixo ser o touro.
46:06Eu era o touro e eu pegava o touro.
46:10Você é o touro.
46:12Pode ser o que você quiser, porque eu vou ser o touro.
46:15Você vai ser a mocinha bonita que está na primeira fila.
46:18Você vai ser a moça bonita?
46:22Claro.
46:23Bom, é só uma brincadeira, não é?
46:26Vai logo.
46:27Está bem, vem.
46:28Não, não, não. Espera, espera.
46:35Aqui um pouquinho. Isso. Mais um pouquinho.
46:39Agora sim.
46:41Vem, vem, vem.
46:44Esse touro está parecendo um boi.
46:49E lugar de boi é no pasto.
46:53Você pode dizer o que quiser.
46:55Acontece que os touros não entendem essa língua.
46:59Vamos lá.
47:01Olha a marmelada.
47:03Pipoca, cigarro.
47:06Vamos, vamos, vamos.
47:08Quê?
47:10Eu estou animando a tourada, Chaves.
47:13Anda, acaba com ele.
47:21Não é isso. É para usar amuleta.
47:25Amuleta?
47:26Claro que...
47:29Que burrice.
47:31Que burrice.
47:32Esse é o movimento do touro.
47:34E como é?
47:38Esquece, vai.
47:39É melhor matar ele logo.
47:40Mas como é que eu vou matar?
47:43Para isso eu preciso de uma espada.
47:46Ah, sim, claro. Uma espada.
47:50Não, professor, por favor.
47:51Não empresta a espada para ele, professor.
47:53Eu sou muito jovem para morrer, por favor.
47:55Para pedir com o professor, não.
47:56Olha, o Kiko.
48:01Mas o que deu no Kiko?
48:03Aquele bobo pensou que a espada era para matar ele?
48:08Está louco.
48:09É para matar o seu pai.
48:14O meu papai?
48:16Sim.
48:24Lei guarda.
48:26O quê?
48:27A sua hora chegou.
48:29Calma, calma, calma.
48:31Espera aí, espera aí. Toma cuidado.
48:32Pode estar carregada, professora.
48:34Cuidado, hein?
48:35Cuidado, cuidado, cuidado.
48:41Chaves.
48:43O que você fez?
48:44O senhor não viu que eu dei uma chifrada nele?
48:47Vamos ver quem é o selvagem que...
48:49Professor Girafales!
48:52Professor Girafales, o que foi?
48:54Professor Girafales!
48:56Foi...
48:56Foi uma apunhalada certeira.
48:58Não, não foi uma apunhalada certeira.
49:01Foi uma apunhalada traseira.
49:04Mas como é que foi?
49:14Olha, um momentinho. Eu posso explicar tudo.
49:17Não, não, não.
49:19Venha cá, seu covarde!
49:21Venha cá!
49:27E foi isso que aconteceu.
49:29Tudo se esclareceu...
49:30E o professor Girafales com minha mamãe de novo se entendeu.
49:34Pois é.
49:34Só uma pena que meu pai esteja no hospital.
49:37Mas vocês acreditam que ontem no hospital...
49:40Ele insistia com a história da tourada...
49:43E contava pra todo mundo que era o rei da muleta?
49:46E continua sendo.
49:49Que medo!
50:19Se inscreva no canal.
50:32Se inscreva no canal.
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