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00:00Eu consegui trazer ao programa hoje o Evandro, esse homem que está machucado, ferido pela morte da filha.
00:07Estamos aqui tentando descontrair, né, doutor Gilberto?
00:10Descontrair o Evandro.
00:12E aí você falou assim, né, Evandro?
00:15Eu digo descontrair, sabe por quê?
00:17Porque o Evandro saiu do trabalho e falou assim, até o doutor Gilberto, muito obrigada, tá, Gilberto?
00:22Porque ontem à noite eu conversava com o Gilberto e com a Ju, um beijo pra Ju, tá?
00:27Que é a esposa do Gilberto.
00:28E a gente falava, o problema está sendo ele conseguir sair do trabalho, né?
00:33E aí a gente conseguiu e está tudo certo, né?
00:36Mas o Evandro está nervoso.
00:38E aí a gente estava conversando, né?
00:40Você falou que me conhece desde as antigas.
00:43Sim, eu te conheço desde 94.
00:4694.
00:47Antes eu ia embora pra Toledo.
00:48E antes de eu ir embora pra São Paulo.
00:50Escutem você, você me falou do hino.
00:53Eu te abordei uma vez pra você cantar o hino?
00:55Não me abordou, abordou, o rapaz estava próximo a mim.
01:00Perde você.
01:01E eu acho que na ocasião, acho que eu não ia.
01:05E você sabe cantar o hino?
01:06Não sei, até hoje não sei cantar o hino todo.
01:10Você me dizia que você é mecânico da parte pneumática de caminhão.
01:16Você só trabalha com caminhão?
01:17Sim.
01:17E vem caminhão de tudo que é lugar pra você resolver?
01:20Sim.
01:22Eu, modéstia à parte, eu sou bom no que eu faço.
01:25Há quantos anos você é motorista?
01:28Eu sou mecânico há 29 anos.
01:31E o que te levou a morar em Toledo?
01:34Oportunidade de emprego.
01:36Você estava aqui meio?
01:38Aqui estava...
01:39Não é que estava meio, estava muito ruim.
01:43E aí tu foi e lá está tudo bem, está tudo bem.
01:45A não ser tudo isso que aconteceu.
01:47E você, Gilberto, você já conhecia o Evandro?
01:50Sim, nós já tínhamos um relacionamento prévio já.
01:54E você ficou sabendo do caso da Mayara logo no dia?
01:59No dia, no mesmo dia.
02:00A gente acompanha.
02:01O que eu não sabia?
02:02Que era filha do Evandro.
02:04Filha do Evandro.
02:05Na outra manhã, então, eu estava numa outra atividade e aí me ligaram, olha, filha
02:10do Evandro, passou por isso.
02:12É ela que é a pessoa da...
02:13Meu Deus, a gente precisa contribuir, ajudar o máximo possível agora.
02:18Sim, sim.
02:18Tem uma série de situações que quando acontece esse tipo de...
02:25Infelicidade, né?
02:26Vamos usar um termo...
02:27É muito triste.
02:28Que fica, que recai sobre a família e se ela não tiver o amparo, o apoio de alguém,
02:34tudo fica mais difícil.
02:36Muito mais difícil.
02:37Evandro, você tem quantos filhos?
02:39Irmãos da Mayara?
02:40Irmãos da Mayara são quatro filhos.
02:42Olha o total que eu tenho.
02:45Moram todos aqui?
02:46Não.
02:47O meu menino mora no Mato Grosso, minha menina mais nova mora no Rio de Janeiro,
02:54daí tem a Carol e a Mayara em Cascavel.
02:56E você me dizia que nasceu aqui também, você é daqui, né?
02:58Sim, sou Cascavelense, eu nasci aqui em 76.
03:02Certo.
03:03E você falava sempre com ela ou você era um pai distante?
03:07Diariamente eu falava com ela.
03:08Diariamente.
03:09Sim.
03:09Ela mandava vídeos no neném pra mim, que ela era evangélica,
03:15daí ela sempre colocava o neném pra cantar na igreja dela e fazia vídeos dele cantando na igreja.
03:23daí mandava o vídeo dele pra mim todo.
03:26O seu netinho?
03:27Sim.
03:29Ele, nossa, ele é uma criança assim, espontânea, não para, não sossega um minuto.
03:37Ele é muito ativo.
03:38Como é que era a sua relação com a Mayara, ainda quando ela estava em casa?
03:43Ela se casou ou não, só se foi viver junto com o pai do filho dela?
03:50Como é que foi isso?
03:51Não, ela casou em julho, no cartório.
03:58Só que ela tinha o sonho de se vestir de noiva.
04:01Peraí, julho do ano passado, com esse homem?
04:04Sim.
04:04Dela tinha o sonho de casar.
04:06Mas o pai do menino, vamos voltar um pouquinho, o pai do seu neto?
04:09Não, não é ele.
04:10Tá, onde que tá esse homem?
04:13Ele está preso.
04:15Ah, o pai do filho está preso.
04:18Sabe por que ele está preso?
04:19Não sei.
04:20Você sabe por que, Gilberto?
04:21Também não sei.
04:22E ela estava separada desse homem há quanto tempo?
04:25Faz, acho que uns três anos, dois ou três anos.
04:29E aí ela começou a namorar com esse homem?
04:33Rapaz, sim.
04:34Ela casou com ele, ela conheceu ele na igreja, casou com ele em junho.
04:43Agora é junho passado?
04:44Sim.
04:45E aí em dezembro ela tinha vontade de casar na igreja, de vestir de novo.
04:51Ela casou no dia seis, no dia seis de dezembro, na igreja.
04:57Daí eu fui levar ela para o altar.
05:01Daí entreguei a mão da minha filha na mão do assassino.
05:05Agora é seis de dezembro, o recente.
05:07Você tem foto dela casando?
05:10Não tem?
05:11Não, aqui comigo não tem.
05:12Não tem, não tem.
05:14Aqui comigo não tem, que eu...
05:17Inclusive até tirei a foto.
05:20Ela tinha tirado foto nossa dentro do carro, vestido de novo.
05:25A Maiara era muito bonita.
05:27Sim, uma moça linda, linda, linda, linda.
05:30Imagina toda de noiva.
05:31Linda.
05:32Realizando o sonho de se casar na igreja e vestida...
05:36Vestida de noiva.
05:38Eles viveram quanto tempo antes de se casar?
05:41No papel, enfim, na igreja?
05:44Eu acho que não viveram nem, porque pelo fato de ser evangélica,
05:49daí a religião não permite viver junto.
05:54Ah, entendi.
05:55Não permite, tem que casar.
05:56É, daí eu acredito que foi meio que instantâneo.
06:03Evandro, ela te falava alguma coisa sobre ele?
06:06Quando conheceu ele, enfim?
06:08Não, ela falou que conheceu o rapaz, conhece tal, conhece tal.
06:12Mas, tipo, a respeito de rapaz ser violento,
06:17a única coisa que ela falava pra nós é que nós não conhecíamos o Daniel.
06:24Isso ela falava?
06:25Sim.
06:26E você perguntava por quê?
06:28Porque ele não é o que você acha que ele é.
06:32Ela falava isso.
06:35Porque, tipo, assim, pra nós, ele era um cara que falava baixo.
06:40Ele nem alterava a voz.
06:42Ah, falava mano.
06:43Mano, sim.
06:46Daí, a Maiar contava certas coisas.
06:49Pra nós, eu falava Maiar, mas pai, você não conhece o Daniel.
06:53O que ela contava, por exemplo, Evandro?
06:55Não, ela fala que eu curti com o Daniel, porque, na verdade,
06:59o que eu conversei com ele três vezes, pessoalmente.
07:03Conversei por WhatsApp, por mensagem, conversei com ele.
07:07Pessoalmente, foi três vezes.
07:09E sobre o que vocês conversaram?
07:11Ah, nós conversamos com...
07:14Sobre qualquer coisa, coisa padrão.
07:15Coisa da vida.
07:16Coisa da vida, é.
07:19De respeito de igreja, porque ela conheceu ele na igreja.
07:24E foi dali, conheci ele ali, o pastor da igreja que ela frequentava.
07:31Meio que falou que ela tinha que casar e coisa tal.
07:35Aí casar.
07:36Casar, que é o que aconteceu.
07:38Em cumprimento, eu conversei com a pastora da igreja deles na época.
07:42Nos dias, né, que aconteceu.
07:44E a Maiar, ela tinha um sentimento de que ela ia conhecer alguém
07:48que fosse o cumprimento da vida dela.
07:51Certo.
07:52Pai para aquele filho, inclusive.
07:53É, alguém que fizesse um lar.
07:57E quando conheceu esse rapaz, inclusive a partir de uma amiga,
08:01ele era irmão, irmão de uma amiga dela.
08:05E aí ela ia até a casa do rapaz para buscar a irmã dele para ir para a igreja.
08:12Eles foram se conhecendo ali e aí que o relacionamento começou.
08:15Como ela estava dentro da igreja.
08:18Então, o caminho natural dessa vertente dos evangélicos é o casamento.
08:25Tá, e o que a pastora falou mais para você, Gilberto?
08:28Bom, eles tinham um relacionamento desde o começo um pouco problemático.
08:34Assim, eles discutiam, iam, voltavam.
08:38Separavam ou voltavam?
08:39Voltavam.
08:39A ideia do casamento era justamente tentar equilibrar isso.
08:43E mesmo durante o casamento, e você pode me corrigir se você tiver mais informações,
08:47mas as informações que nós tivemos e a conversa que você teve com a família,
08:51com os amigos próximos, porque a família próxima são os vizinhos, né?
08:54E a comunidade evangélica que ela pertencia, é que era isso, é que eram muito idas e vindas.
09:01E o Evandro chegou a declarar, desculpa, o Daniel chegou a declarar que a Maiara pertencia a ele.
09:09Numa dessas discussões.
09:12Ela falava isso para você? Ele batia nela?
09:15Não.
09:18Uns 20 dias atrás, ela falou que ele agrediu ela.
09:24Ela pegou, como a casa era dela, ela que bancava a casa, pagava, folgueia e tudo,
09:31mandou ele embora, ele foi.
09:3320 dias atrás?
09:34Sim.
09:35Daí não sei por que, cargas d'água, ele voltou.
09:40Daí ela fez uns vídeos dentro da igreja e ele estava no vídeo.
09:45Daí eu perguntei para ela, Maiara, você voltou o Daniel?
09:49Daí ela me ligou.
09:51E o que ela te contou?
09:52Ela pegou, ele me ligou e falou, pai, eu não voltei com ele.
09:56Nós só fomos na igreja junto.
09:59Mas eu não voltei com ele.
10:02Mas sabe o que é?
10:03O pior, pai, o pior é que eu gosto dele.
10:07O pior é que eu gosto dele.
10:10Depois disso, ele voltou para casa.
10:13Não demorou, acho que oito dias, ele cometeu o crime.
10:17Ela trabalhava no quê?
10:18Ela trabalhava em uma empresa de faxina.
10:22E a casa, então, está no nome dela?
10:25Não, ela pagava aluguel.
10:27Ah, ela pagava aluguel.
10:28Mas quem bancava a casa era ela?
10:29Sim.
10:30Ele não contribuía com nada?
10:31E você não achava estranho isso?
10:33Não, até onde eu sei, até onde eu sei, o casamento foi ela quem pagou toda a fé.
10:41Tipo assim, a comunidade da igreja bancou, ajudou ela a bancar o casamento.
10:50Ela teve muita doação no casamento.
10:53Mas só que o restante, assim, que tem que pagar, foi ela que pagou.
11:01Você vê, doutor, que situação, né?
11:04Esse vai e volta, vem e volta.
11:06Ela dizia para o pai, né?
11:08Que gostava dele.
11:09Tem aí o lado da igreja, né?
11:12Que também, eu creio que vem um apoio aí moral da parte da igreja.
11:17O aconselhamento não vem?
11:18Sim, a pastora mesmo, tanto a pastora quanto o pastor, chegaram a comentar sobre esse aconselhamento.
11:27Dizendo que talvez fosse muito cedo ainda para que eles casassem, que eles contraíssem as núpcias, né?
11:35Segura um pouco mais, Mayara.
11:37Conhece um pouco melhor, mas o amor, o sentimento que a pessoa tem ali na hora, acelerou tudo isso.
11:46E a gente tem que entender a competência que a outra pessoa tem de influenciar.
11:55Então ela foi, a gente olhando de fora, entende que houve essa influência muito forte sobre ela.
12:02Inclusive, ele dizia para ela tudo o que ela queria escutar para um relacionamento.
12:08Sim.
12:10Inclusive, indo para a igreja e dizendo, eu estou transformando a minha vida, você está transformando a minha vida.
12:15É que essa coisa da igreja também é muito forte, né?
12:17Não, eu estou na igreja porque eu gosto de você e eu vou mudar.
12:20Porque é verdade isso que ele estava usando o tornozeleiro?
12:23É verdade.
12:24Você sabia, pai?
12:25Eu fiquei sabendo depois do casamento.
12:28Quando ele casou, já estava de tornozeleiro?
12:30Estava, só que eu nunca tinha visto ele.
12:33Sim.
12:34Dei o dia que eu vi, eu vi por um acaso, numa foto.
12:38Ela compartilhou uma foto nos estados.
12:42Eu vi, eu falei, Mara, o que é isso?
12:45É o que eu estou imaginando?
12:47É.
12:48Eu esqueci de te falar.
12:51Ai, meu Deus, que aperto, pai.
12:53Que aperto no coração.
12:54Mas só que tem uma coisa, Algo.
12:57Eu acredito em mudança.
12:59Só que não adianta você querer que eu mude e eu não querer mudança.
13:04Ah, se eu não quiser mudar, eu não mudo.
13:06Doutor, me fala, doutor Gilberto, por que crimes ele tinha cometido no passado?
13:11Por que ele estava de tornozeleiro agora?
13:12Ele estava respondendo pelo crime de furto, artigo 157 do Código Penal, e receptação, artigo 180.
13:22Então, ele respondia pelos dois, progrediu de regime, né, do fechado para o semiaberto.
13:27Ele estava...
13:28Ele estava preso.
13:29Estava preso.
13:30Quanto tempo preso?
13:33Olha, essa informação exata não tem para te dar.
13:37Não, mas também não importa, não importa.
13:39Mas havia um pouco mais de um ano que ele havia sido liberado, com o uso de tornozeleira, progrediu.
13:44Ele tinha lá as benesses que ele tinha conseguido na cadeia, durante a prisão dele,
13:50que fez com que ele fizesse jus ao uso da tornozeleira.
13:54Ok, foi liberado.
13:55No momento que ele rompeu a tornozeleira eletrônica, ele automaticamente...
14:00Isso é um ato infracional, é um novo crime.
14:02Então, ele perde o direito à liberdade novamente.
14:04Ele tem que ser...
14:05E foi o que o juiz fez.
14:07Ele se pediu o mandado de prisão logo pelo rompimento da...
14:10Então, o primeiro mandado que surgiu de prisão foi pelo rompimento da tornozeleira.
14:15Doutor Gilberto, você tem mais alguma coisa do histórico desse homem?
14:19A gente deu uma boa olhada na ficha dele.
14:22Como é que vem a ficha dele?
14:24Ele tem algumas passagens por posse, por tráfico de drogas, furto, receptação.
14:34E tem o que tem na vida anterior dele, antes de completar 18 anos, que esse a gente não tem
14:39acesso.
14:39Essa informação...
14:40Quer dizer, uma vida no crime?
14:42Ele já vinha de uma vida meio torta, meio diferente.
14:47E o pai do seu neto também tinha problemas com a polícia, com a justiça?
14:52Sim.
14:53Mas esse você conhecia também ou não?
14:55Não, eu conheci ele...
14:57Uma vez eu o vi pessoalmente.
15:00Foi o dia que a Maiara levou ele na minha casa para conhecer ele.
15:05E a mãe da Maiara?
15:07Onde que ela está?
15:08Ela mora aqui em Caçável.
15:10Você chegou a falar com ela depois que tudo aconteceu?
15:14Conversei com ela no sábado, porque tenho que conversar com ela agora para ver o que vamos fazer, né?
15:23Então, o que vai acontecer agora?
15:25Como é que está?
15:25Onde está o seu neto?
15:26Com quem?
15:27Quem vai ficar com a criança?
15:28Vai ficar com a Caroline.
15:30A minha mais velha.
15:32A sua filha mais velha?
15:33Sim, porque ela tem duas meninas e o conselho achou por melhor ficar com ela provisoriamente por causa das primas,
15:43né?
15:44Que dele tem convívio com as primas e tudo.
15:47A que idade tem as priminhas?
15:48Uma tem nove e a outra tem sete.
15:51Olha, legal.
15:53Ele tem cinco, né?
15:54É.
15:54Caroline, que idade tem a sua filha?
15:56Vai fazer 32 anos.
15:58Um pouquinho, mas a Mayara tinha 31, né?
16:02É um dia, é um ano e um dia, a diferença uma da outra.
16:06Um ano e um dia.
16:06A Caroline, do dia 29 de março e a Mayara, do dia 31 de março.
16:12O senhor me disse que falou com ela, num dia anterior, a morte dela.
16:19O que vocês conversaram nesse dia?
16:21Quem ligou pra quem?
16:23Não, eu liguei pra ela.
16:25Porque eu liguei pra ela pra perguntar sobre o carro.
16:30Porque ela não falou nada sobre o carro.
16:33O que que tinha o carro?
16:33Não, que eu tinha feito o motor do carro daí.
16:36Porque ela precisava do carro pra levar o filho dela na escola e no trabalho.
16:41E o motor do carro dela foi o senhor que fez?
16:44Sim.
16:44Entende tudo, né, doutor Gilberto?
16:47Eu peguei e fiz o motor dela.
16:50Ela tá muito feliz.
16:52Ela falou pra mim que ela ia trocar de emprego,
16:54porque no emprego que ela tava, ela não trabalhava em estrada.
16:59Ela diz, ela que trocou de emprego, tava trabalhando, registrada agora, não sei aonde.
17:06Ela tava registrada ou não, será?
17:07Então, eu recebi agora um pouco a informação da irmã, né,
17:10que é essa nova empresa que ela tava trabalhando.
17:12Inclusive, precisa fazer o pagamento dos dias que ela trabalhou.
17:16E a família ainda não tem acesso às contas, tá tudo bloqueado.
17:20Então, esse é um trabalho que eu vou ter que fazer.
17:21E quando eu sair daqui, eu já vou atrás disso.
17:23Então, você teve essa informação agora?
17:25Pouco antes de chegar aqui.
17:26Ela tava registrada há pouco tempo nessa empresa, então?
17:28Pouquíssimo tempo.
17:29Há dias.
17:31Ah, o filho terá algum benefício, alguma coisa assim, pelo fato de ela estar registrada?
17:35Isso aí, a gente vai ter que verificar como é que foram os recolhimentos ao longo do tempo aí do,
17:39né, do INSS dela.
17:41Se ela tem um período de INSS recolhido, dependendo do período que ela tiver, sim, ele vai ter direito.
17:46O filho consegue?
17:47Consegue.
17:47Consegue.
17:48A sua filha tem condições de criar esse sobrinho?
17:53Olha...
17:53Precisa de ajuda também?
17:54Precisa de ajuda.
17:55Não vai ser muito fácil, porque ela com três crenças...
17:59É.
18:01Não é fácil, não.
18:02Porque tá certo, ela não paga aluguel, mas mesmo assim...
18:06Não, imagina.
18:07É uma família grande.
18:08E o carro, o senhor trouxe de Toledo?
18:10Não, o carro tá em Cascavel.
18:13Ah, tá, tá em Cascavel.
18:14Sim, porque eu consertei...
18:16Ele fugiu com o carro?
18:17Ele fugiu com o carro, sim.
18:18Ele fugiu com aquele carro.
18:19O carro que o senhor tinha acabado de trazer?
18:20Sim, consertar.
18:22Ela nem aproveitou o carro?
18:24Não, aproveitou.
18:25Aproveitou os dias?
18:27Eu não tenho bem certeza, mas faz uns 20 dias que ela trouxe o carro de volta pra Cascavel.
18:34Eu fiquei com esse carro oito dias lá em Toledo.
18:38Até consertar.
18:39Até consertar, daí ela trouxe pra cá de volta.
18:43E aí usou ele, eu acho que uns 15, 15, 20 dias.
18:48Daí aconteceu tudo o que aconteceu.
18:50Onde que ele foi encontrado mesmo, doutor Gilberto?
18:52Ele foi encontrado no Floresta.
18:54Não muito distante da...
18:55Não muito longe dali, né?
18:57É porque o bairro é perto do outro, né?
18:58Acho que a rua Andorinha, se não me engano, é uma coisa assim, onde o carro foi encontrado.
19:02Ele não sabia dirigir.
19:03O rapaz fugiu do carro sem saber dirigir.
19:04Ele não sabia dirigir.
19:05Ele não sabia dirigir, quase atropelou a criança dando o ré no carro.
19:09Sim, é verdade.
19:09Tá nas imagens.
19:10E ele abandonou o carro justamente porque não sabia dirigir.
19:14A gente até foi...
19:15Nós tivemos uma delegacia pra dar uma olhada no carro.
19:18O carro ainda vai ser periciado.
19:20Ele ainda vai passar por perícia.
19:23E depois é que ele vai ser liberado pra família, né?
19:26Pra que a gente possa tomar as providências que tem que tomar.
19:29Inclusive, tá com o vidro quebrado.
19:30Por quê?
19:31A própria criança jogou...
19:33Pedra, né?
19:33Pedra.
19:34Jogaram pedras, né?
19:34Bateu com madeira.
19:36O vidro tá quebrado.
19:37Dá pra ver na imagem, né?
19:39É...
19:40É terrível olhar isso.
19:43Muito triste.
19:44Muito triste.
19:45Eu estive lá no local.
19:47Eu estive no número 80.
19:48Acho que nunca mais vou esquecer o número da casa.
19:50Número 80.
19:51As pessoas estavam muito revoltadas.
19:54Muito, muito, muito.
19:55Ó, telefone aqui.
19:57Tira só o volume desse telefone aqui, por favor.
20:00É o telefone que a gente usa aqui pra receber mensagem.
20:02Vê se tem alguma coisa aí referente ao assunto.
20:04A gente já fala.
20:05Bom, que ano é esse carro, seu Evandro?
20:08Eu...
20:08Se eu não falo em memória, é 99.
20:1299.
20:13E agora?
20:14Isso vai ser vendido?
20:15Como é que faz com as coisas?
20:17A princípio, vão vender, né?
20:19Então, a gente precisa passar por um processo...
20:22E esses processos são demorados, né, doutor?
20:24Não é tão rápido.
20:25Primeiro, a gente tem que verificar, de fato, a documentação do carro, verificar se existe
20:30alguma dívida.
20:31E aí, em nome de quem que de fato está o carro, isso a gente ainda também não sabe, né?
20:39Eu tenho uma reunião com a irmã, pra gente poder tratar de todos os assuntos, inclusive
20:44da regularização da guarda.
20:45É, a Caroline é que está à frente de tudo.
20:48Sim, a quinta, você vê, é...
20:51Ela é à frente.
20:52Ela que está...
20:54Eu passei o contato dela com o doutor Gilberto, o doutor Gilberto está entrando em contato
20:59com ela.
21:00É, você chegou a ter...
21:02Conversou com o Daniel?
21:05Chegou a conversar com ele?
21:06Não.
21:06Não.
21:07Não conversou.
21:07O senhor chegou a conversar com ele?
21:08Não.
21:09E com o seu neto?
21:11Você conversou com ele?
21:13Eu converso com ele.
21:15Conversei com ele na sexta, no salto.
21:19A criança, ele...
21:20Como é que ele está?
21:21O que vocês conversaram?
21:24Foi difícil a conversa com ele, porque a hora que eu olho pra ele, ele...
21:31Nossa, ele é muito apegado à mãe.
21:34Você entende?
21:35Eu dei...
21:35Se eu olho pra ele, ele não caiu a ficha dele ainda.
21:40Eu acredito que vai começar a cair a ficha dele a partir de hoje.
21:45Porque hoje começa a rotina.
21:48Escola, igreja.
21:50Ele vai...
21:51Cadê minha mãe?
21:53Mas ele não perguntou pra você?
21:55Só no velório.
21:57No velório.
21:58Ele foi no velório?
21:58Sim.
21:59No velório dela, ele chegou perto do caixão, olhou pra ela e perguntou.
22:06Ninguém vai trocar a roupa da minha mãe?
22:08Ela não gosta dessa roupa.
22:14Oh, meu Deus.
22:16Que dor, Evandro.
22:19Você vê a reação da criança?
22:21Ninguém vai trocar a roupa da minha mãe?
22:24Ela não gosta dessa roupa.
22:25E alguém respondeu ele alguma coisa?
22:27Alguém disse alguma coisa pra esse menino?
22:29Não.
22:30Na hora?
22:32Na hora?
22:33Porque no dia de hoje, já faz quase uma semana, embarga a voz.
22:39Imagina a hora.
22:41A comoção foi muito grande.
22:43Muito grande.
22:45Ele tem só cinco aninhos, né?
22:48Ele tem só cinco aninhos, né?
22:48É muito pequeno, né?
22:50Mas ele não tem entendimento total pra isso.
22:54Mas, sabe?
22:55Esse momento é o momento...
22:56Eu creio que, de maior dificuldade, né?
22:59Ele vê a mãe no caixão.
23:00Ele não entendeu muito bem nada, com certeza, né?
23:03Pra ele falar, inclusive, da roupa.
23:04Não entendeu o que aconteceu.
23:07Agora, ele vai precisar de um acompanhamento psicológico, né, doutor?
23:10Sim.
23:10E isso, o Conselho Tutelar falou que vai com providencial.
23:19E nesse dia, depois já do velório, ele foi pra casa da Caroline?
23:23Sim.
23:23Tá lá até hoje.
23:25Já ela acolheu.
23:26E que notícias você tem?
23:28Ele tá brincando?
23:30Ele tá...
23:30Enfim, como é que ele tá?
23:31Tá comendo?
23:32Tá dormindo?
23:33Eu vi ele no sábado, no sábado, no domingo eu vi ele.
23:37Tá...
23:37Ele tá tranquilo.
23:39Ele tá brincando com as primas.
23:41Por isso que eu lhe digo que não caiu a ficha dele ainda.
23:45Tá, e quando ele lhe viu, ele perguntou da mãe ou não?
23:48Não.
23:48Não, não perguntou.
23:49Não.
23:50Da Carol, eu levou ele pra igreja ontem.
23:53Tem ocupado ele bastante?
23:55Sim.
23:56Só que eu não sei a hora que ele começar a pedir a mãe.
24:03Agora, os danos, né, doutor?
24:05Nós não somos psicólogos aqui, mas os danos a uma criança que vê a mãe ser assassinada,
24:12brutalmente assassinada, sim?
24:13É, o papel do advogado também passa pelo aspecto psicológico.
24:19Então, a gente tem que garantir, a partir de agora, que ele também receba o apoio e acolhimento psicológico
24:27pra poder se desenvolver naturalmente, porque ele assistiu toda a cena.
24:30Bem ou mal, isso vai ficar gravado no psicológico dele.
24:35Sim, imagina ele pegando pedra, jogando no carro, né, porque ele sabia que ele tinha feito aquilo com a mãe
24:40dele, né?
24:40E ele percebeu claramente que alguma coisa tinha acontecido naquele momento.
24:43Em que pese agora ele esteja, assim, abstraindo, né, as pessoas estão distraindo ele com outras coisas,
24:49ele vai encarar isso mais tarde.
24:52Isso ele não vai esquecer nunca mais.
24:54Não, porque...
24:56Imagine nascendo, porque ele foi o único que viu, né?
25:01Foi o único que estava dentro da casa.
25:03Quem estava mais na casa?
25:06Só estava...
25:06Ela, só a Maiara, ele e o cara que estava lá que fez.
25:12Só os três.
25:14Inclusive, na hora que ele estava saindo, ele falou,
25:17Enzo, não vai contar nada pra ninguém.
25:20Ele falou pro menino isso?
25:22Falou.
25:22Isso foi o Enzo que falou pra mulher lá, vizinha, que acolheu ele na hora que aconteceu tudo.
25:31Quer dizer, quando ele fugiu com o carro, antes de fugir ele disse isso pro seu neto?
25:35Disse isso pro...
25:36Não vai contar nada pra ninguém.
25:37Isso foi a vizinha que me contou.
25:40Certo que ele falou isso.
25:43Sim.
25:45O que você pretende fazer, Evandro?
25:51Na verdade, eu só orar a Deus e pedir força, que agora não tem mais o que fazer, porque a
26:01minha filha não volta, né?
26:04Minha filha nunca mais volta, até aí...
26:07É um dia de cada vez.
26:08Olha, eu oro a Deus e peço força e que seja feita a vontade de Deus na vida desse cara,
26:17porque esse cara acabou a caminha.
26:24O que faltou você falar pra tua filha?
26:28Eu acredito que nada.
26:34Eu acredito que nada, porque toda vez que nós conversávamos, eu falava pra ela que amava muito ela.
26:45Ela me dizia o mesmo.
26:48Que nós tivemos um tempo que não estava afastado um do outro, mas agora nós se reconciliamos.
26:56Estava muito boa nossa convivência.
27:01E acontece isso.
27:03Se você pudesse voltar no tempo, Evandro, como seria?
27:08O que você ia fazer?
27:09Nossa, quando eu me separei da mãe, eu ia amarrar ela no meu pé.
27:16Eu ia ficar junto comigo.
27:18Porque ela falou que ela deveria ter feito isso.
27:22Quando a mãe dela foi embora, ela deveria ficar comigo.
27:28Se ela tivesse ficado comigo, talvez nada disso teria acontecido.
27:34Agora você está aí protegido, doutor Gilberto, toda a equipe.
27:38Fazendo o que é possível um advogado fazer, né, doutor?
27:41E além, né, Olga?
27:44Você sabe, a gente já conversou, a gente tem um trabalho já desenvolvido de combate à violência de gênero, né?
27:53De elucidar o maior número de casos possíveis e de reeducar a sociedade que a gente vive.
28:01Tentar trabalhar nisso.
28:02Então, durante dois anos, a gente participei do grupo de extensão e nós visitávamos as escolas e as empresas que
28:11a gente se oferecia, né, para falar sobre o assunto.
28:14Sim, um trabalho voluntário, maravilhoso.
28:16É um trabalho voluntário.
28:32O trabalho é de consciência da sociedade e que a gente não feche os olhos nunca contra...
28:40Quando a gente vê qualquer tipo de situação de agressão.
28:44A Mayara deixou de prestar queixa contra o rapaz para ele não perder o direito à liberdade dele, né?
28:54Era amor isso?
28:55Que doença, que amor doente, hein, Eduardo?
28:59Porque ela recusou a medida protetiva, né?
29:02Justamente para ele não perder o benefício.
29:04É, porque senão ele seria preso novamente, né?
29:06E ia voltar para a cadeia, então ela não seguiu.
29:09Em que pede se também fosse uma medida que o próprio Ministério Público deveria ter tomado, ou poderia ter tomado,
29:16não sei por que razão, não tomou.
29:19Deve ter tido as razões dele.
29:21Ou não chegou ao conhecimento do Ministério Público na época.
29:23Porque hoje a agressão contra a mulher, ela já não é mais, não depende mais da representação da mulher.
29:31Hoje ela é incondicionada.
29:33O Ministério Público é quem assume esse papel.
29:36Você acredita que ele vai ser condenado há quanto tempo?
29:40A gente acredita que um homem desse vai ficar na cadeia, né, Ivandro?
29:43Que vai ser condenado, né?
29:44Que o juro vai condenar um homem desse, né?
29:46Com certeza, porque se ele não tivesse saído com o trono, ou zeleira, não tivesse ganho a liberdade, ele não
29:55tinha feito isso.
29:57E isso prova que não merecia o convívio da comunidade.
30:03Que pena ele pode pegar, doutor Gilberto?
30:05A pena combinada dele pode chegar a 40 anos.
30:0740 anos.
30:08Porque o feminicídio, ele já é um crime agravado, né?
30:12Em um terço da pena base.
30:14E ele ocupou bastante.
30:17Quando você...
30:18Na hora que o Ministério Público, e eu auxiliando na medida do possível,
30:23começamos a elencar todas as qualificadoras ali, o que foi piorando,
30:28na medida que também, agora tem 10 dias para terminar o inquérito, já que ele está preso, né?
30:34Você vai ver, ele vai ocupar muito do...
30:37Existe um rol, né?
30:38E esse rol, ele ocupou vários...
30:41Não é pequeno.
30:41Não é pequeno.
30:42E ele tem vários pontos.
30:44Então, a gente acredita que ele vai pegar quase todas as qualificadoras, nesse caso aí,
30:49o que vai levar a pena quase 40 anos.
30:52Bom, eu não tenho...
30:54Eu não vou dar lição de moral em ninguém.
30:57Não é do meu feitio.
30:59E nem esse o objetivo.
31:00Mas eu quero pedir um favor a vocês, mulheres.
31:03Que estão sozinhas, que estão conhecendo uma pessoa, um namorado, né?
31:09Que de repente você vai colocar dentro de casa esse homem.
31:12Ou não, mesmo que seja para namorar, cada um na sua casa.
31:16Cuidem.
31:17Cuidem.
31:18Procurem saber quem é este homem.
31:20Porque quantas mulheres que estão sendo mortas, que têm filhos também sendo maltratados,
31:26filhas, meninas violentadas por padrastos, né?
31:31Homens que vocês colocam dentro de casa sem saber quem são esses homens.
31:35Quem é este homem?
31:36Que passado ele tem?
31:38Onde nasceu?
31:39De onde ele vem?
31:40Tem pai, tem mãe?
31:41Já foi casado?
31:42Tem homens que já mataram uma, duas e estão com a terceira mulher e você poderá ser essa vítima.
31:47Então, por favor, pensa nisso.
31:50Procure saber quem é este homem que você está se envolvendo.
31:54É verdade, dizem que o amor é cego, mas o amor também que esses homens dizem sentir, esse amor também
32:00mata.
32:01Então, por favor, pensem nisso.
32:03Por favor, esse é o meu apelo aqui.
32:07E, sentindo o sofrimento deste pai, com o coração estraçalhado, eu te peço isso hoje.
32:15Faça essa análise.
32:17Não se envolva com uma pessoa sem saber quem ele é.
32:20Evandro, força aí.
32:22Essa dor é só sua.
32:24Por mais que eu fale aqui, qualquer coisa que eu fale, nada vai te consolar, nada vai abrandar a sua
32:29dor.
32:30Força.
32:31Se precisar, a gente está aqui.
32:33Amém.
32:34Muito obrigado.
32:35Não desanime, não desanime.
32:36Vai em frente.
32:37Você tem um neto, você tem mais filhos, você tem outros netos, você tem uma profissão.
32:43E muitíssimo obrigada por você ter vindo.
32:46Amém.
32:47Obrigado por você, por receber, ouvir, ouvir a minha parte da história.
32:57Desculpa não poder te falar mais, porque embarga a voz.
33:02Obrigada por você ter vindo.
33:04Obrigada, doutor Gilberto, por trazer o Evandro para falar com a gente hoje.
33:09Muito obrigada.
33:09E desejo sucesso aí, na causa.
33:12É um sucesso infeliz, mas a gente vai buscar o máximo de força que a gente tiver para poder levar
33:22isso às últimas consequências.
33:24Exatamente.
33:25Força.
33:26Amém.
33:27Deus te abençoe, te proteja, te cuide e cuide da sua família toda.
33:31Amém.
33:32É o que eu peço, eu peço só força.
33:34Ele vai te dar.
33:35Amém.
33:39Amém.
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