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  • há 5 horas

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Transcrição
00:00Em parte, aliviado, porque nada tira o sofrimento de não ter mais a minha filha.
00:10Mas traz um alívio saber que ele tá preso, que não vai ter perigo de ele cometer essa atrocidade com
00:17mais ninguém.
00:21Com a prisão dele, a minha mãe voltou a comer, voltou a dormir.
00:28Ela se sentiu muito aliviada, como eu já tinha dito que nada atrás da minha filha é de volta.
00:37Mas só que é um alívio que ele esteja preso.
00:43Existia um histórico de violência, ela chegou a relatar alguma vez pra vocês, que ele era violento, que ele teve
00:51algum posicionamento violento com ela?
00:53Então, uns 15 ou 20 dias atrás, ele agrediu ela fisicamente.
01:01Dela, pediu e trocou de casa.
01:06Ele voltou, depois que ele voltou, foi uns 5, 6 dias depois, aconteceu o que aconteceu.
01:14Que foi tipo, pra nós, ela relatava, que nós não conhecíamos o Daniel.
01:21Que eu acho que ela quis dizer que pra nós, ele era um e dentro de casa, ele era outro.
01:27E eu não sei bem dizer como era, a única coisa que eu sei, que ela relatou essa criação.
01:35Que foi quando eles se separaram, e depois disso que ele voltou pra casa.
01:41Pra vocês, pra família, ele não aparentava ter esse nível de agressividade?
01:46Não, nenhum.
01:48Porque ele, inclusive, ele falava até baixo.
01:54Eu conversei poucas vezes com ele, eu conversei com ele, assim, pessoalmente, 3 vezes.
02:01As 3 vezes que eu conversei com ele, foi assim, ele falando muito baixo, e não aparentava
02:10um cara ser agressivo, o ponto de fazer o que fez.
02:16Quando vocês receberam a notícia de que ele havia cometido crime, como é que foi pra vocês
02:22esse sentimento?
02:23A gente sabe que, lógico, é desesperador, é uma coisa muito triste, né?
02:27Muito revoltante.
02:28Mas como é que foi pra família?
02:30Porque se vocês não sabiam de nada, não tinham esses indícios, né?
02:34Como é que foi receber essa notícia?
02:36Porque no dia, na quarta-feira, que eu recebi a notícia, eu tinha que acabar de chegar
02:45só fazer o jornal, daí o vô da minha filha ligou e falou isso, falou, olha, aquele vagabundo
02:54matou a Maiara, eu achei, é mentira, não existe, como?
02:59Eu tinha conversado com a Maiara na terça, daí ele falou, não, aconteceu isso, assim,
03:04assim, eu fiquei sem acreditar e mesmo assim eu vim pra Cascavel, que eu moro em Toledo,
03:10eu vim pra Cascavel, eu cheguei aqui, daí eu constatei a veracidade dos fábricos.
03:18Na terça-feira você disse que conversou com ela, como é que ela estava?
03:22Tranquila, contando piada, porque, nossa, eu tinha feito um ator do carro dela, dela falando
03:29que o carro tinha ficado muito bom, que ela, nossa, ela tá muito grata, foi tipo assim,
03:36uma conversa descontraída entre pai e filha, foi uma coisa ruim.
03:43Naquele momento, então, não relatou nenhuma desavença?
03:46Nada, nada.
03:49Então, a princípio, fora de casa, com as outras pessoas, outros familiares,
03:54ele era uma pessoa super tranquila, super calma, não apresentava ser o que era?
04:00Não, não apresentava de forma alguma, de forma alguma, eu não posso dizer,
04:07nas três vezes que eu vi ele, eu nunca vi esse homem, pelo menos erguia a voz.
04:13Só que daí, como ela disse, vocês não conhecem o Daniel, vai ver,
04:20pra nós ele era um e pra ela era outro.
04:23Mas ela nunca reclamou de nada em relação a ele?
04:27Não, a única vez foi essa vez que ele agrediu ela, e ela falou pra ele sair de casa.
04:35Daí, ele voltou há uns oito ou dez dias atrás e fez o que fez.
04:41Você já tem uma definição, quem vai ficar com ele?
04:45Como é que tá o psicológico dessa criança?
04:48Olha, pelo que dá pra ver, parece que ele não caiu a ficha dele ainda.
04:54Ele pergunta da mãe se amanhã vai demorar a chegar.
05:00Eu acho que é a hora que ele cair na rotina dele de volta, de escola,
05:04e voltar a ir pra igreja de novo, daí que ele vai começar a sentir a falta da mãe.
05:11Vocês não conversaram nada em relação a ele, em relação a mãe com ele ainda?
05:15Não, não, tipo assim, foi dito, foi dito pra ele, no velório, ele chegava,
05:22olhava pra mãe dele no caixão e perguntava,
05:26ninguém vai trocar o pai, minha mãe?
05:31Ou seja, ele ainda não entendeu o que aconteceu?
05:35Não.
05:36E o mais triste de tudo foi que ele falou pra vizinha, que acudiu ele no dia,
05:45que o Daniel falou pra ele, pra ele não contar pra ninguém o que ele tinha feito.
05:55Ele viu e ouviu tudo o que aconteceu.
06:03Você entende?
06:04Ele chegou a comentar alguma coisa sobre o que aconteceu?
06:07Não, porque nós não tivemos coragem de perguntar.
06:12E ele também não fala nada?
06:13Não, ele só fala que cadê a mãe, perto da mãe, por que que a mãe não veio.
06:21Ele pergunta, porque a minha filha, Carol, que tá com ele, que ele tem as primas dele,
06:27daí o conselho achou por melhor deixar com ela.
06:33Daí, ele só pergunta e diz, por que eu tô aqui? Cadê minha mãe?
06:38Ele ainda não caiu a ficha, mas a hora que ele voltar pra escola,
06:44acostumado com a mãe, levar ele pra igreja, levar ele pra escola todo dia,
06:50não vai ter mais a mãe.
06:51Daí, nós estamos pensando que é aí que vai cair a ficha dele.
06:57E como que a família tá lidando com essa situação?
07:01Sendo difícil?
07:02Muito difícil.
07:07Muito difícil, ainda mais pra mim, porque eu nem aqui em Cascavel moro.
07:13Eu moro em Toledo, qualquer coisa eu tenho que me deslocar de lá aqui.
07:18Não é tão simples.
07:20Pra mim, tá sendo mais complicado ainda.
07:24E você tem outros filhos?
07:26Tem.
07:26Eu tenho uma menina, a Carol, que ela vai completar 32 anos.
07:33Tinha a Maiara, daí tem um outro menino, e uma menininha mais nova.
07:37Eu tenho quatro filhos, o total.
07:41E agora fica faltando, então, uma parte da família.
07:46E agora fica?
07:48A CIDADE NO BRASIL
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