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  • há 6 meses

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Transcrição
00:00André Suraki, presente aqui no Camaralho de Salvador, você desfilou lá no Rio de Janeiro com 70 profissionais do sexo,
00:07né?
00:07Aí você levanta essa bandeira mesmo, né? Como é que é essa sua relação, né? Você que já assumiu, né?
00:12Que foi garota de programa, mas como é que você lida com isso hoje?
00:16Olha, eu acredito que falar sobre isso é pedir para que os governantes vejam que essas mulheres precisam ser ouvidas,
00:24precisam de políticas públicas. É a profissão mais antiga do mundo e é inacreditável que nos dias de hoje
00:31a gente ainda não tenha leis que protejam essas mulheres. Mulheres que eu falo de 60, 70 anos que ainda
00:38vivem
00:39do trabalho da prostituição e elas não podem se aposentar, não podem financiar uma casa e todos vão envelhecer.
00:49A gente precisa de saúde e políticas públicas para que elas sejam cuidadas como qualquer ser humano.
00:58Então, quando eu aceitei o convite depois de 13 anos longe do carnaval e a Porto da Pedra estava com
01:05esse samba enredo,
01:07eu disse que eu preciso estar lá. Tanto que eu vim para cá, para Salvador, né?
01:11Estou descansando aqui, está sendo maravilhoso. Vim para o Camaralho de Salvador o segundo ano já.
01:16O Carnaval da Bahia não tem igual. Mas eu disse, não, eu vou interromper minhas férias e vou lá desfilar.
01:24Porque é um tema muito importante que, infelizmente, ainda não tabu para as pessoas.
01:29Eu já trabalhei como acompanhante no momento não. Estou trabalhando, estou casada, estou muito bem, muito feliz com o meu
01:35casamento.
01:36Mas eu precisava dar voz a essas mulheres, né? Até porque todo o meu patrimônio veio grande parte desse trabalho.
01:45E o Sambriano fala, uma puta mulher que sabe o que quer, uma tigresa que mata o leão por dia.
01:53Então, só quem vive isso sabe o quanto sofrimento, o quanto dor é.
01:57Eu não recomendo ninguém a trabalhar com isso. Falar sobre isso não é incentivar ninguém a fazer isso.
02:06Mas é saber que existe. A gente não pode fechar os olhos.
02:09A sociedade chega a ser hipócrita em fingir que essas mulheres não existem.
02:15Então, a gente está falando de saúde, de leis, de direitos humanos.
02:21Então, é sobre isso. E, para mim, acho que o carnaval é isso.
02:25Quando as escolas vêm, elas sempre vêm com o tema, principalmente lutando pela liberdade.
02:31De você ter a sua fé e você acreditar no que você quiser.
02:35Sabe, as mulheres ali lindas, maravilhosas, né?
02:38E, anos atrás, a mulher era muito julgada e usaram uma roupa pura.
02:44Então, o carnaval traz toda essa beleza do corpo da mulher.
02:50Hoje em dia, no carnaval, não pode nem ficar totalmente pelada.
02:54Tu vê que já mudaram as regras, né?
02:56É mais uma arte, uma beleza.
02:57Tanto que a minha fantasia estava impecável, linda.
03:01Não tinha nada de vulgar, não tinha nada de...
03:03E não precisa, né? Não precisa.
03:05Mas, eu estou muito feliz, sabe?
03:08Com tudo isso, as pessoas, a primeira, quando falam sobre isso,
03:13até tem uns maus olhos, né?
03:15De dizer, nossa, homenageando mulheres na noite, na vida.
03:20Mas, quando você para para pensar, é muito triste.
03:24Porque a grande maioria foi levada para esse caminho muito jovem.
03:31Não tem estudo, não tem orientação, não foi necessidade.
03:35Tem aquelas que escolhem, mas, assim, é o direito do outro.
03:38Você pode não concordar, está tudo bem.
03:42Mas, pelo menos, respeite e deixe com que essas mulheres tenham voz
03:45e, pelo menos, tenham dignidade, como qualquer ser humano,
03:48que é ser protegida pelas leis do nosso país.
03:51Isso é isso.
03:53Obrigado, Adelio.
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