00:00No alto do morro, o som que ecoa é o do atabaque, da gaita, do surdo e do mineiro.
00:11No alto José do Pinho, na zona norte do Recife, o carnaval começa muito antes da folia oficial.
00:18Com os inconfundíveis trajes e passos marcados e sincronizados, os caboclinhos reúnem gerações,
00:25mantêm vivas as tradições e mobilizam uma comunidade para fazer do bairro um grande cenário da cultura popular.
00:34É através do caboclinho Tapirapé que o alto José do Pinho se transforma em um dos polos mais vibrantes do carnaval recifense.
00:46Fundada em 1957, a tribo indígena Tapirapé carrega no corpo e na dança a força dos povos originários.
00:56Criada pelo mestre João, a Tapirapé atravessou décadas e hoje segue viva pelas mãos da filha dele, Tânia Lima.
01:04Ela quem conduz o grupo enfrentando desafios diários para manter o legado do pai e da comunidade.
01:11De geração em geração, tem meus netos já dançando, tem meus sobrinhos já tomando conta, todos.
01:19E assim vai, não vai deixar morrer de jeito da cultura popular, não vai deixar morrer de jeito nenhum.
01:25O caboclinho Tapirapé é um dos mais antigos e tradicionais do Recife.
01:31Não à toa, acumula vários títulos e troféus no carnaval.
01:35Um legado vencedor e transformador passado de geração em geração.
01:40Nele como pessoa, eu danço na tribo da Tapirapé.
01:46A gente é o atual campeão de 2025 e dia 17 estamos lá na Avenida Dantas Barretos, em custa de mais uma vitória.
01:57A tribo é orgulho da comunidade que apoia e vibra.
02:02É uma brincadeira boa, sadia, bom para as crianças, para a comunidade, né?
02:07É um orgulho, é um orgulho, é um orgulho.
02:09Então isso é muito importante que exista na comunidade, que seja fortalecida pelos poderes públicos,
02:15porque eu acredito que tem um poder transformador enorme.
02:17Outro símbolo da força da cultura popular dos morros é o Afoxé.
02:23E um dos mais tradicionais é o Ilê de Ebá.
02:26Um grupo que surgiu nos anos 80 nas rodas de samba e de Afoxé, no bairro da Mangabeira, aqui na zona norte do Recife.
02:33Mas foi em 1984 que o grupo deu o primeiro grito oficial pelas ruas do Alto José do Pinho.
02:41O Ilê de Ebá é o Afoxé mais antigo em atividade no Recife.
02:46E o terceiro mais antigo de Pernambuco.
02:49Um patrimônio vivo que segue abrindo caminhos,
02:52embalado pelo som dos atabaques, do timbal, do agogô e dos abéis.
02:57Isso é que é a música negra, isso é o Ilê de Ebá.
03:00Independente do ritmo, independente da sua qualidade, independente da sua vitória,
03:04a música sempre vai trazer paz, amor e alegria para as pessoas.
03:08Para Nouga, que tem mais de 35 anos no grupo,
03:11Além da tradição, o Afoxé carrega também um significado de transformação e resistência.
03:18A música salva, a arte salva, me salvou, pode salvar qualquer um.
03:22No Alto José do Pinho, o caboclinho e o Afoxé são mais do que símbolos de uma festa popular.
03:29São memória e resistência que sobrevivem nas ruas, vielas e escadarias,
03:35não só na época do carnaval.
03:37A música salva, a música salva, a música salva,