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A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (30) que o risco de propagação do vírus Nipah é considerado baixo. Para falar sobre o assunto, a Jovem Pan entrevista o Dr. Guilherme Henrique Campos Furtado, infectologista.

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Transcrição
00:00Agora a gente vai falar sobre a Organização Mundial da Saúde que apontou que há um risco baixo de propagação do vírus Nipah.
00:08O órgão não recomenda restrições de viagens ou comércio à Índia.
00:13O país registrou recentemente dois casos da doença que surgiu na década de 90 em criadores de porcos da Malásia.
00:20Para falar sobre esse assunto e alertar também sobre os cuidados, será que o vírus pode chegar ao Brasil?
00:26A gente recebe agora o infectologista doutor Guilherme Henrique Campos Furtado.
00:31Doutor, bom dia. Obrigada pela participação aqui no Jornal da Manhã.
00:36Bom dia, Márcio. Bom dia, Roberto. É um prazer estar aqui com vocês.
00:40Doutor, quais os cuidados a gente deve ter como brasileiro apenas com uma situação de viagem à Índia?
00:47Como é que se infecta, né? Como é que o vírus se propaga? Explica pra gente, por favor.
00:52Bem, esse é um vírus que foi descrito no final da década de 90, né?
00:58Inicialmente, inclusive na Malásia, em Singapura, com uma transmissão muito relacionada à presença do morcego.
01:06Um morcego que existe naquela região lá, que é do gênero piterópolis.
01:09Aqueles morcegos bem grandes, né? Que a gente não tem no Brasil.
01:13Essa espécie não tem no Brasil e aí é um primeiro ponto que aí já dificulta muito o surgimento da doença aqui no Brasil.
01:21Então, o morcego contamina locais geralmente ligados à produção agrícola ou de frutas.
01:29No caso, agora na Índia e Bangladesh, a gente tem muita relação com a produção de tâmaras, né?
01:34Que é aquela fruta que a gente usa muito aqui no Brasil, inclusive uma fruta bem doce.
01:38E o morcego contamina lá aquelas palmeiras e aí a seiva dessa fruta.
01:45E aí os trabalhadores se contaminam e, inclusive, a população também pode ser contaminada aí com a utilização dessa fruta.
01:53Então, tem sido muito restrito aquela região ali de Bangladesh e aquela região fronteiriça ali da Índia, né?
02:00Que fica num país vizinho.
02:01E os casos têm acontecido lá com alguma frequência desde o início da década passada.
02:08Mas sem muito... ela não tem se disseminado para outros países.
02:15Tem uma possibilidade de ocorrer também na África, porque esse morcego também pode...
02:19Ele tem uma presença na África, mas aqui nas Américas, na região Europa e na região mais ocidental
02:26não tem a presença desse morcego, o que vai dificultar muito a transmissão e a manutenção da doença aqui no Brasil.
02:34O que pode acontecer, evidente, é uma transmissão trazida por pessoas que vão para a Índia, né?
02:42A turismo e tudo, para aquela região e que podem se contaminar com esse vírus e voltar, né?
02:48De avião para o Brasil e chegar no Brasil.
02:50Hoje nós sabemos que as viagens internacionais são muito intensas, né?
02:54E aí alguma pessoa pode chegar ao Brasil contaminado, né?
02:59A transmissão...
03:00Opa, desculpe.
03:01Concluí.
03:03Não, eu ia falar só da transmissão, que ela ocorre mais por contato próximo de pessoas contaminadas,
03:08por contato por gotículas, né?
03:10Transmissão é por via respiratória.
03:12Também por contato de mãos, que o vírus pode ficar também nas mãos.
03:15E, entanto, as precauções, utilizam mais as precauções relacionadas à via respiratória e de contato.
03:24Doutor Guilherme, o senhor citou que ele surgiu no final dos anos 90, né?
03:28Acho que por volta de 98, 99.
03:31E, claro, quando a gente ouve uma história dessa, todo mundo já se assusta,
03:35porque a gente está, entre aspas, escolados por causa da Covid,
03:39que foi um vírus que surgiu do nada e se espalhou pelo mundo todo.
03:41E aí, quando se falou desses casos na Índia, todo mundo já ficou esperto e preocupado.
03:48O fato de ter surgido lá no final da década de 90,
03:51indica que já há um cuidado maior, ou pelo menos um cenário de tratamento melhor para esse vírus
03:58do que o que a gente teve na Covid, que foi uma surpresa para todo mundo?
04:02Exatamente. Eu acho que sim.
04:04Eu acho que os dois países conseguem fazer um controle muito bom localmente, né?
04:09Quando o vírus aparece nessa região, eles têm, apesar da Índia e Bangladesh serem países muito populosos,
04:15aparentemente eles têm controlado bem a situação localmente.
04:19Esse vírus tem uma característica também muito importante,
04:23porque ele tem um risco de transmissão muito baixo, né?
04:26Em torno de 0,48.
04:28Não sei se você lembra do Covid, foi comentado muito sobre isso,
04:30que é o chamado R0,
04:32que seria o risco de uma pessoa transmitir para outra pessoa.
04:35Realmente com valores acima de 1, 2, né?
04:38A pessoa transmite para uma, duas pessoas.
04:40Então, desse vírus, em estudos mais recentes, é de 0,48.
04:45Então, ele é um vírus que necessita de um contato mais próximo, né?
04:49Ali mais familiares.
04:52Então, o risco é baixo de transmissão.
04:55Ele tem essa característica de ser um vírus zoonótico, né?
04:58Ele fica no morcego, né?
05:03Ele é um vírus que o morcego tem e ele não tem sintomas.
05:07E ele, quando vai lá comer, né?
05:09Eles são morcegos que a gente chama frugívoros, né?
05:12São morcegos que comem só frutas, né?
05:14Então, eles vão atrás dessas frutas lá,
05:16geralmente naquela região.
05:18Contaminam muito essa questão da tâmara.
05:21E isso existe o risco de contaminação das pessoas que trabalham.
05:26Ele foi descrito inicialmente na Malásia, não na Índia e Bangladesh, né?
05:30Chegou depois.
05:31Mas na Malásia foi em criadores de porcos, né?
05:33Porque contaminou os porcos, os morcegos contaminaram os porcos.
05:38Teve uma descrição também em Filipinas com cavalos, né?
05:42Mas é um vírus...
05:44E esses locais aí ficaram restritos.
05:46Foi um período só e não teve mais novos episódios.
05:49Demonstrando que o vírus não se alastra muito.
05:52É um vírus que tem realmente um poder de transmissão mais baixo.
05:56Então, eu acho que dá pra gente ressaltar que o risco realmente...
06:00O que a OMS tá falando, né?
06:02Dos relatos da OMS é que o risco de transmissão aqui pra nós,
06:05aqui no Brasil, é pequeno.
06:07Evidente, né?
06:08Algum turista que chegue no Brasil contaminado
06:10e que tenha sinais clínicos de infecção...
06:14É uma infecção que tem sintomas respiratórios e sintomas neurológicos.
06:19Então, a pessoa pode ter inicialmente tosse, falta de ar, como se fosse um quadro gripal.
06:26E também ele é muito associado a um quadro neurológico.
06:30Doutor de cabeça, confusão mental, né?
06:33Então, o paciente que tem esses sintomas combinados e vindo de uma região onde existe a doença,
06:41é evidente que ele tem que procurar rapidamente o serviço de saúde.
06:43Os sistemas de saúde do Brasil estão preparados pra conter qualquer risco maior de contaminação,
06:52de disseminação aqui no Brasil.
06:54E, normalmente, os cuidados são feitos em ambientes hospitalares.
06:57O paciente vai ter que ser internado, ficar sob cuidados médicos.
07:01É uma doença que, infelizmente, tem uma mortalidade alta, né?
07:05De 40 a 75%.
07:06É uma doença...
07:08Por isso, há uma preocupação da OMS, há uma preocupação dos países,
07:11porque nós não temos um tratamento específico pra ela.
07:15Nós não temos o antiviral, nós não temos vacina ainda pra essa doença.
07:19Estão em estudos, né?
07:21Algumas vacinas e também alguns antivirais, alguns anticorpos monoclonais,
07:26pra tentar se usar nessa doença, que ela é considerada pra OMS uma doença de risco,
07:33de prioridade pra OMS.
07:34Desde 2017, ela é considerada uma doença de prioridade importante pra OMS.
07:38Muito obrigada, doutor Guilherme Henrique Campos Furtado,
07:43pela sua participação aqui no Jornal da Manhã.
07:47Muito obrigado.
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