00:01A gente segue pelo caminho do canavial, para mostrar um pouco dessa cultura popular.
00:09Esse é o maracatu cambinda brasileira, fundado em janeiro de 1918, há 108 anos.
00:16É o mais antigo, a gente tem a cambindinha de Alasoiaba.
00:20Meu avô sempre contava para a gente que foi de uma pescaria.
00:24E o primeiro peixe que pegaram foi uma cambinda.
00:27Aí, a senhora de engenho lá do Cumbi, deu como nome o maracatu cambinda brasileira.
00:35A sede fica nesse vilarejo da cidade de Nazaré da Mata.
00:39A história do grupo se mistura com a história do maracatu de Baquisolto, ou maracatu rural,
00:44que une influências africanas, indígenas e europeias.
00:49Um folguedo que surgiu aqui na zona da mata canavieira de Pernambuco.
00:53O que se conhece sobre o maracatu rural é baseado em histórias que foram repassadas de geração em geração.
01:01Não tem registros escritos.
01:03A manifestação começou no século XIX, por pessoas negras escravizadas que trabalhavam nos engenhos.
01:12O mais popular dos integrantes é o caboclo de lança.
01:15Ele desfila com o chapéu exagerado, a vestimenta colorida e balançando os chocalhos.
01:23Entre os personagens, também tem o caboclo de pena, que é menos popular, mas com uma importância ancestral.
01:30Me inspirei nos rei mais antigos que passou pelo maracatu e até hoje eu sigo esse segmento aí do caboclo de pena no maracatu.
01:42O caboclo de pena é a inspiração dos caboclos da mata.
01:48É um índio dentro do maracatu rural.
01:50Partido pelo lado espiritual, é um personagem muito forte dentro do maracatu rural.
01:55A delicadeza é reservada às baianas, que prendem nossa atenção em cada giro.
02:01No passado, as baianas eram homens vestidos de mulheres.
02:06Ao longo do tempo, elas conquistaram o espaço e passaram a fazer parte da brincadeira.
02:11As mulheres foram ganhando esse espaço, né?
02:13E hoje em dia a gente tem não só baianas inteiramente femininas,
02:19como também caboclos, que às vezes são mulheres também.
02:22Temos rei mais que também são mulheres, tem eu que sou artesã, uma mulher,
02:27a nossa vice-presidente também é uma mulher.
02:29E a mulher sim ganhou bastante espaço dentro do maracatu ao longo do tempo.
02:34Essa baiana tem só 14 anos.
02:36Gislaine fala com sensação de pertencimento ao grupo que ela conheceu na infância.
02:42Eu sinto uma alegria, porque da minha nação, do meu sangue,
02:47fico feliz por vestir e continuar.
02:49Vai até um dia eu cansar assim, né?
02:54E tiver velhinha.
02:55A dança com passos ligeiros é conduzida pela música percussiva.
03:00E pelas louas, composições poéticas que narram os rituais.
03:06Um som que envolve e fascina, ecoa por todo lado.
03:20Onde eles ensaiam, tem casas ao redor, mas não incomoda ninguém.
03:25A vizinhança sente orgulho.
03:27É a cultura da cidade, entendeu?
03:30Nazaré é a terra do maracatu.
03:33Um folguedo cheio de simbologia e mística.
03:36Alguns usam tecinhos nos braços.
03:39E o caboclo de lança só se apresenta com um cravo na boca.
03:43O cravo significa a proteção do caboclo.
03:45E é assim, carregados de história, devoção, tradição e resistência,
03:50que eles se apresentam no Carnaval de Pernambuco.
03:52E nem precisa de tantos ensaios.
03:55Com o grupo todo, formado por 150 pessoas,
03:58são apenas dois ensaios por ano.
04:00E além da folia de momo, recebem convite para outras festas populares.
04:07Quando surge a apresentação, a gente está fazendo não só aqui em Nazaré, mas na região.
04:10Aqui em Nazaré, a gente tem como costume participar aqui,
04:13sempre quando é a municipação política da cidade,
04:16o mês de folclore também está sempre se apresentando.
04:18O traje e os acessórios são preparados com capricho.
04:22O que foi usado no Carnaval passado é repaginado.
04:26Tudo feito na sede, por artesãs e costureiras.
04:29Tem que ajustar ele todinho, ficar com cara de novo.
04:34Me vesti de cabocla de lança e senti o peso da responsabilidade.
04:39Para mim, a sensação é que eu estou carregando aqui, uns 10 quilos.
04:45Quando termina o Carnaval, vem o cansaço e a recompensa.
04:49Realizado, né? Por ter finalizado mais o Carnaval.
04:52O cansaço é enorme, mas a emoção de estar fazendo parte supera o cansaço.
04:56Esse é o Maracatu Rural, que tem a missão de se perpetuar.
05:01Os pais repassam tudo para os filhos.
05:04Foi assim com o seu João, pai de Josenildo, o atual presidente dessa nação.
05:09O meu avô, ele sempre teve essa ideia de passar gerações em gerações, né?
05:13Foi com ele, depois foi meu pai.
05:15Aí meu pai já está se tornando uma pessoa idosa também,
05:17mas nunca deixa de estar perto de mim, passando experiência, né?
05:21E eu hoje estou assumindo essa responsabilidade aí.
05:23Uma cultura que não parou no tempo.
05:25Se renova, sem perder a identidade.
05:31Seu João se dedica à profissão de agricultor e é o comandante de honra do grupo.
05:37Eu vim do passado, hoje estou no presente.
05:39A história do passado é uma coisa, hoje é mais diferente.
05:43O Maracatu é mais diferente, a estambada é diferente dos mestres.
05:46Passado e presente alinhados.
05:49Passado e presente alinhados.
05:50Passado e presente alinhados.
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06:00Passado e presente alinhados.
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