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Título Original: Índices de inflação: "como cegos guiados por cegos"
Publicado em OS, 29 de Setembro de 2020 ; BC, First published at 01:39 UTC on October 2nd, 2020.
Créditos: J. M. Pernicião, Marco Batalha, Leafar do Leafarverso
Publicação Original | Vídeo : https://odysee.com/@ancapsu:c/ndices-de-infla-o-como-cegos-guiados-por:b
Publicação Original | Descrição ou Thumbnail : https://old.bitchute.com/video/WfGZB2Fljh4I/
Descrição Original do Autor:
Fontes:
https://youtu.be/iYkW3onj-80
https://www.infomoney.com.br/guias/ipca/
https://tinyurl.com/y3seoytd
http://www.iea.sp.gov.br/OUT/publicacoes/pdf/seto3-1203.pdf
https://mises.org/wire/why-official-inflation-measures-dont-work
Hayek FA. 2011. Desestatização do dinheiro. São Paulo, Instituto Mises Brasil.
Hülsmann. JG. 2008. The ethics of money production. Auburn, Mises Institute.
Murphy RP. 1976. Choice: cooperation, enterprise, and human action. Oakland, Independent Institute.
North G. 2012. Mises on money. Auburn, Mises Institute.
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#Inflação #InflaçãoDeMoeda #InflaçãoDePreço
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Originalmente, o termo inflação era usado para designar tão somente o aumento da quantidade de dinheiro em circulação num dado momento e numa determinada região. O aumento dos preços dos bens e serviços era apenas uma das consequências desse aumento de dinheiro em circulação. Entretanto, ocorreu uma transferência de nomes. Os efeitos, agora, s
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Originalmente, o termo inflação era usado para designar tão somente o aumento da quantidade de dinheiro em circulação num dado momento e numa determinada região. O aumento dos preços dos bens e serviços era apenas uma das consequências desse aumento de dinheiro em circulação. Entretanto, ocorreu uma transferência de nomes. Os efeitos, agora, s
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NotíciasTranscrição
00:00Índice de preços médios são métricas inúteis que geram distorções maiores do que as que pretendem evitar.
00:09Este é o Visão Libertária, sua fonte de informações descentralizadas e distribuídas.
00:14Este artigo foi sugerido e escrito por J.M. Pernicião, revisado por Marco Batalha e narrado por mim, Leafar.
00:22Quantas vezes não acompanhamos estranhas discussões sobre inflação no noticiário econômico?
00:27Gráficos apresentados juntos a siglas esotéricas, longas explicações de por que um determinado número deve ser alcançado, ultrapassado ou, quem sabe, calculado novamente.
00:39E se você suspeita que a maioria dos comentaristas não faz ideia do que está falando, provavelmente tem razão.
00:45Originalmente, o termo inflação era usado para designar tão somente o aumento da quantidade de dinheiro em circulação num dado momento em uma determinada região.
00:54O aumento dos preços dos bens e serviços era apenas uma das consequências desse aumento de dinheiro em circulação.
01:01Entretanto, ocorreu uma transferência de nomes.
01:03Os efeitos agora são conhecidos pelo nome da causa.
01:07E essa não é uma inofensiva alteração de vocabulário.
01:10Há um vídeo aqui no canal intitulado O Poder da Linguagem, como o conceito de inflação foi mudado para ajudar o Estado, que explica muito bem isso.
01:18Como nos aponta Robert Murphy em seu livro Choice, Cooperation, Enterprise and Human Action,
01:25aqueles encarregados de combater a consequência inevitável da inflação, que é o aumento dos preços, estão, na verdade, atacando o sintoma ao invés da causa.
01:34E uma política criada para lidar com efeitos como se fossem as causas acabará necessariamente tornando as coisas piores no longo prazo,
01:41já que a raiz do mal permanecerá intocada no processo.
01:44Infelizmente, essa acepção errónea da palavra inflação para designar o aumento dos preços médios numa economia e não mais o descontrole monetário dos governos
01:53se tornou tão corrente que tentar restaurar o seu significado original não é uma tarefa fácil.
01:59Então, para distinguir o que em nossos dias se convencionou chamar de inflação daquilo que realmente a inflação é,
02:06usarei a expressão inflação de preços para que os jornais costumam chamar de inflação e, assim, diferenciar da verdadeira inflação a inflação monetária.
02:17E não só o alvo das políticas de controle do governo estão no lugar errado,
02:21mas instrumentos usados para orientar essas políticas também são inerentemente defeituosos.
02:26As intervenções governamentais na economia seguiam hoje quase exclusivamente por índices de preços médios.
02:33Esses índices, porém, possuem uma série de problemas incontornáveis.
02:38Eles são incapazes de medir mudanças de qualidade dos produtos, por exemplo.
02:42Também não dizem nada sobre alterações de preferências dos consumidores ou como elas se refletem nos processos produtivos.
02:49Tampouco são capazes de transmitir qualquer informação sobre a importância subjetiva que cada consumidor dá
02:56às diferentes categorias de bens e serviços disponíveis no mercado.
03:00E como se não bastasse, índices econométricos se baseiam em filtros de médias.
03:05E uma vez que temos diferentes maneiras de calcular médias, cada método adotado irá gerar resultados diferentes.
03:12E não existe nenhuma forma definitiva para se justificar a escolha de um método em lugar de outro.
03:18Tomemos o IPCA, o Índice de Preço ao Consumidor Amplo, fornecido pelo IBGE.
03:23Esse é o indicador de inflação de preços oficial do país.
03:27E por isso mesmo, um dos mais importantes guias da política econômica.
03:31O IPCA reúne um conjunto de produtos considerados representativos do consumo do brasileiro médio.
03:38Esses produtos são divididos em grandes grupos, como alimentação e bebidas, transportes, vestuário, saúde, educação e assim por diante.
03:47Esses grupos, por sua vez, possuem subgrupos.
03:51No final, o IPCA é constituído por quase 500 agrupamentos diferentes.
03:57Cada item que compõe esse universo possui um peso específico na equação que gera o índice.
04:03Esse peso é decidido conforme a fatia do orçamento que as pessoas gastam com determinados produtos.
04:08O grupo alimentação e bebidas, por exemplo, representa 19% do índice, enquanto que o grupo educação, apenas 6%.
04:18Além disso, cada região em que os estados são recolhidos também tem um peso diferente dependendo da renda média dos seus habitantes.
04:25Seja como for, independentemente da complexidade desse cálculo, o resultado será enviesado.
04:31Vejamos, para começar, a distribuição da representatividade percentual entre os diferentes itens da cesta.
04:39O esquema de atribuição de preço pretende corresponder às decisões de consumo dos indivíduos.
04:45Entretanto, decisões de consumo mudam com o tempo.
04:48E mudam em parte justamente porque o preço dos bens se alteram de forma diferente uns em relação aos outros.
04:54Aqueles produtos cujos preços sobem mais rápido tendem a ser substituídos por equivalentes que aumentem de preço mais devagar.
05:02Portanto, seria necessário um reajuste constante da representatividade dos produtos que compõem a cesta.
05:09Porém, para o IPCA, a distribuição dos pesos de cada produto é reajustada conforme o POF, Pesquisa de Orçamento Familiar, também realizada pelo IBGE.
05:19Essa pesquisa possui intervalos de alguns anos entre seus levantamentos.
05:24Ilustremos esse ponto com um exemplo simples, um índice de preços de cervejas.
05:30Nesse novo índice, temos apenas dois representantes, a cerveja Turguniev e a cerveja Kogos.
05:37Cada uma delas possui um peso de 50%, já que conforme verificado no levantamento anterior,
05:43a população gasta, em média, aproximadamente o mesmo com cada uma das marcas.
05:48Mas, consideremos que durante um dado período, a cerveja Kogos tenha aumentado 5% e a cerveja Turguniev apenas 1%.
05:57Se a distribuição da representatividade entre as duas cervejas permanecer como está,
06:02teremos uma inflação de preços de 3% no período.
06:06Porém, seria ilusório esperar que o comportamento do consumidor permanecesse o mesmo durante o período.
06:13Por exemplo, os consumidores podem passar a gastar 4 vezes mais em Turguniev do que em Kogos,
06:19devido justamente à diferença na taxa de aumento de preços entre as marcas.
06:24Nesse caso, a representatividade das cervejas teria que ser reajustada para 80% para Turguniev e 20% para Kogos.
06:33A inflação de preços do período seria, portanto, 1,8% e não 3%.
06:40Ou seja, um atraso do reajuste da distribuição de representatividade dos itens que fazem parte do nosso índice
06:47teria levado ao superdimensionamento da inflação de preços do período.
06:51Consideremos agora um índice formado por dois grupos não relacionados diretamente,
06:56por exemplo, transportes de passageiros e alimentação.
07:00E de novo, cada um deles representando metade do índice.
07:03Imaginemos agora uma queda brusca de consumo de passagens aéreas, ônibus, táxis e Uber.
07:10Tudo devido a, quem sabe, uma imposição arbitrária de confinamento coletivo.
07:15Assim, o grupo transporte de passageiros teve uma redução média de 5% nos preços durante o período.
07:22Já em relação ao grupo alimentação, vamos supor um aumento de 10% nos preços no mesmo período.
07:28Novamente, se a representatividade dos grupos permanecer a mesma,
07:32teremos uma inflação de preços de 2,5%.
07:35Mas como a queda de preços no setor de transporte foi ocasionada por uma restrição de consumo,
07:41sua representatividade no índice não poderia continuar a mesma.
07:45Digamos que o consumo no setor de transportes tenha caído pela metade.
07:49Dessa forma, o grupo transporte de passageiros representaria, na verdade, 25% do índice e alimentação 75%.
07:59A inflação do período deveria ser 6,5% e não 2,5%.
08:05Nesse segundo caso, sem um reajuste dos pesos de representatividade,
08:10teríamos um subdimensionamento da inflação de preços.
08:13Portanto, um índice que tenha por objetivo medir movimentos de preços médios
08:18acabará por esconder os movimentos de preços relativos
08:21e, consequentemente, como essas alterações afetam o comportamento do consumidor,
08:26que é o que realmente importa.
08:28Não imaginemos, porém, que um ajuste mais frequente da representatividade
08:32de cada item da cesta de referência evitaria distorções.
08:36Nos nossos exemplos, a mudança de comportamento dos consumidores
08:39não foi decorrente de uma mudança de preferências de consumo.
08:43E preferência de consumo é o fenômeno que mais importa numa economia.
08:47O que ocorre, na verdade, foi um impedimento de acesso aos bens que, de fato, eram desejados.
08:53Impedimento criado ou por uma mudança de preços, no caso das cervejas,
08:57ou por um obstáculo legal, no caso dos transportes.
09:01De qualquer maneira, esse impedimento representa uma queda subjetiva de qualidade de vida.
09:06E essa percepção subjetiva de que a situação atual é inferior que a anterior
09:11nada mais é do que o empobrecimento relativo da população.
09:15Não é possível, porém, representar esse dado num índice de preços médios.
09:19E não é só o comportamento dos consumidores e a corrosão de sua qualidade de vida
09:24que o IPCA é incapaz de revelar.
09:27A maneira como as mudanças de qualidade dos produtos em função dos preços
09:30afetam o comportamento do consumidor também é ignorada pelo índice.
09:34Consideremos um período sem mudanças de preços, porém, com um aumento de qualidade crescente
09:40e constante dos produtos.
09:42Não importa se a percepção de aumento de qualidade é apenas subjetiva
09:46ou um dado concreto dos componentes dos produtos.
09:49O que interessa é que os consumidores considerem que estão obtendo mais qualidade
09:53pela mesma quantidade de dinheiro.
09:56Dessa forma, se tudo continua mais do mesmo, houve uma deflação de preços.
10:01Porém, o IPCA não registraria alterações no período, o que seria, obviamente, falso.
10:08Para tentar contornar o problema da mudança de qualidade, existe o chamado ajuste hedônico,
10:14que consiste basicamente em tentar calcular ganhos de satisfação decorrentes de inovações
10:19tecnológicas.
10:20Porém, como nos mostra Carl Friedrich Israel em seu artigo
10:24Why Official Inflation Measures Don't Work,
10:28Há dois problemas graves com a ideia de ajustes de índices de preços por mudanças de qualidade.
10:34O primeiro problema é que produtores tendem a ressaltar qualidades e melhorias de seus próprios
10:39produtos.
10:40Um processador de computador mais veloz, um motor mais eficiente por litro de combustível,
10:45produtores irão sempre comunicar abertamente ao mercado informações que aumentem a atratividade
10:51do que vendem.
10:52Assim, há sempre presente no mercado um esforço informativo constante para que melhorias de
10:57qualidade sejam transparentes e compreensíveis para os consumidores.
11:01Entretanto, os mesmos produtores também têm incentivos óbvios para esconder informações
11:06sobre defeitos ou quedas de qualidade de seus produtos.
11:09Um novo modelo de smartphone terá melhorias no processamento, o tamanho da tela, a resolução
11:14ou as câmeras ressaltadas pelos seus fabricantes.
11:17Outras características, contudo, onde não houve um ganho de qualidade em comparação
11:22à versão anterior ou, quem sabe, até uma deterioração, não serão mencionadas abertamente.
11:28Por exemplo, componentes de metal substituídos por plástico menos durável não serão alardeados
11:33ao público.
11:34Detectar diminuição de qualidade, portanto, não é uma tarefa fácil.
11:39Mais uma vez, não devemos imaginar que se trata apenas de um problema técnico.
11:43Melhorias de qualidade não são passíveis de serem quantificadas numericamente, já
11:47que são avaliações puramente subjetivas.
11:50Uma pessoa prefere, em primeiro lugar, uma característica específica de um produto
11:54qualquer, digamos, a cor.
11:56Em segundo lugar, a durabilidade.
11:59Em terceiro, o tamanho e assim por diante.
12:01Nem mesmo se toda sorte de especialista avaliasse cada um dos produtos que entregam a cesta do
12:06IPCA, seria possível evitar a distorção.
12:09Digamos que Rebeca, dona de um belo chapéu, tenha como ordem de preferências dos atributos
12:14desse seu chapéu a seguinte hierarquia.
12:17Primeiro, a cor e beleza.
12:19Depois, a textura.
12:21E depois, o tamanho.
12:22Já sua amiga, Janine, prefere o corte, depois a textura.
12:27E é indiferente quanto a cor e a beleza.
12:30Como quantificar o ganho ou a perda de satisfação em função da textura do chapéu?
12:34Dizer que Janine e Rebeca possuem uma equivalência de preferência em relação à textura, pois
12:39essa característica do chapéu figura na mesma posição em ambas avaliações, seria
12:44desconsiderar um fator importante.
12:46A posição de um item numa escala de preferências só possui significado em relação à ordenação
12:52de todos os demais itens dessa escala.
12:55Mesmo que se peça para que Rebeca atribua um valor à textura.
12:58Digamos, um valor numérico numa faixa de 1 a 5, isso não quer dizer que esse número
13:04tenha qualquer significado para Janine.
13:06Qualquer atribuição de valor numérico para representar ganhos subjetivos de qualidade
13:10sempre será arbitrária.
13:13E ainda que utilizemos valores monetários para converter uma ordinalidade de preferências
13:18numa cardinalidade de valores, não seria possível estabelecer qual a porção do preço
13:23negociado equivale a um ganho de satisfação subjetiva em função da qualidade de um produto
13:28do bem.
13:29Por exemplo, digamos agora que na escala de preferências de Rebeca, o chapéu vale pelo
13:33menos R$ 50, já Janine está disposta a pagar até R$ 100 no chapéu de sua amiga.
13:39Nesse caso, podemos dizer que o valor do chapéu de Rebeca nessa relação está em algum lugar
13:45entre R$ 50 e R$ 100.
13:47Se uma troca entre as duas for realizada, o preço pago pelo chapéu representa uma atribuição
13:53de um valor cardinal à preferência de ambas as partes.
13:56O preço, entretanto, não diz nada a respeito do valor objetivo do chapéu.
14:02Não é possível deduzir, a partir do preço pelo qual uma troca foi realizada, um valor
14:06monetário representativo do ganho da satisfação das partes envolvidas.
14:11O valor acordado numa troca não pode coincidir com o valor dado ao próprio bem negociado.
14:16Caso contrário, não haveria motivo para que a troca fosse realizada.
14:20Vamos supor que a troca tenha sido estabelecida em R$ 65, isso significa dizer que Janine
14:26considera que o chapéu de Rebeca se encontra numa posição superior na sua hierarquia de
14:30preferências.
14:31Aqui se encontram os R$ 65 cedidos.
14:34Já para Rebeca, o oposto é verdadeiro.
14:37O bem cedido se encontra numa posição inferior à quantidade de reais recebida.
14:41Tentar determinar o quanto desses R$ 65 trocados pelo chapéu representa o corte ou a textura
14:48do tecido não é entender que atributos individuais não são avaliados independentemente do conjunto
14:53de atributos que constituem um bem.
14:55A própria troca, aliás, é ela própria, uma ação que se realiza no horizonte de preferências
15:01em relação a todos os demais usos alternativos para os quais os bens trocados poderiam ser
15:06utilizados pelos seus donos originais.
15:09Em suma, a teia de preferências e os custos de oportunidade com que cada decisão de consumo
15:14se relaciona, em cada momento específico, para cada consumidor em particular, não é
15:19um dado que caiba numa equação.
15:21A ideia de que seja possível uma ciência econômica baseada em variáveis independentes
15:26é absurda.
15:27Fenômenos econômicos são sempre aspectos de uma cadeia de relações sociais mais ampla.
15:33Não é possível compreender problemas econômicos a partir de uma separação artificial de suas
15:37variáveis dos demais aspectos envolvidos no conjunto das ações humanas.
15:42De qualquer forma, ainda que deixemos de lado o aspecto subjetivo do problema, teremos
15:46uma distorção sistemática dos resultados.
15:49Por um lado, como dissemos, melhorias são sempre divulgadas abertamente pelos fabricantes.
15:54Os preços dos produtos, por meio do ajuste hedônico, serão reduzidos para descontar esse
15:59aumento de satisfação decorrentes dos ganhos de qualidade.
16:02Mas, por outro lado, as quedas de qualidade, como vimos, não são facilmente identificadas.
16:08Assim, as estatísticas oficiais tenderão a desconsiderar um acréscimo nos preços
16:13relativos à queda da qualidade objetiva do bem.
16:16Isso resultará, portanto, numa inflação de preços inferior à que realmente existe.
16:22Mas consideremos a possibilidade de que, de alguma forma, fosse possível identificar
16:27e quantificar com absoluta precisão todas as avaliações subjetivas, assim como as perdas
16:32e os ganhos objetivos de qualidade dos componentes de um bem.
16:36Mesmo nesse caso, a distorção persistiria.
16:39A razão é simples.
16:40O aumento de qualidade de um produto já cria, por si só, uma pressão deflacionária de
16:46preços nos produtos competidores.
16:48Nas palavras de Carl Fred Israel, quando a Apple lançou o primeiro smartphone no mercado,
16:54o iPhone, houve uma pressão deflacionária sobre o preço dos telefones celulares convencionais.
17:00Isso porque a Apple abocanhou uma grande fatia do mercado de seus concorrentes.
17:04Esses concorrentes, por isso, se viram obrigados a baixar o preço de seus celulares, o que não
17:09fariam se o iPhone não tivesse surgido.
17:12Somente por meio de um preço consideravelmente menor, consumidores poderiam ser levados a
17:17trocar seu dinheiro por um produto com uma tecnologia que passou a ser percebida como inferior.
17:22Essa pressão negativa sobre o preço de bens concorrentes, devido às inovações tecnológicas,
17:28já implica uma redução do valor do resultado final do índice.
17:31Em outras palavras, a percepção de melhorias de qualidade por parte dos consumidores é
17:36refletida na cadeia de preços de outros bens diretamente relacionados.
17:40Se houver um ajuste hedônico em cima do ajuste que já ocorre naturalmente no mercado, a inflação
17:46de preços será, mais uma vez, subestimada nos números do IPCA.
17:50Em resumo, índices de preço médio são incapazes de transmitir qualquer informação sobre o
17:56aumento ou diminuição dos custos reais de vida.
17:59Em primeiro lugar, não existe forma objetiva de atribuir representatividade de importância
18:04aos diversos itens que compõem o índice.
18:07E ainda que se pudesse, não seria possível avaliar como uma mudança de comportamento do
18:11consumidor se relaciona com a importância subjetiva atribuída a um item.
18:16Depois, vimos que os efeitos das alterações de qualidade dos bens, que possam modificar
18:21a percepção de satisfação dos consumidores, não são passíveis de matematização.
18:26E ainda que o fosse, não haveriam como saber se os ajustes de preços não ocorreram naturalmente
18:32no mercado.
18:32O grave de tudo isso, porém, não é que uma métrica tão falha como o IPCA seja vendida
18:38por nossos especialistas em economia para o público em geral como um retrato da realidade.
18:42A tragédia, na verdade, é que os responsáveis pelas políticas econômicas conduzem suas
18:47decisões em função de índices de inflação de preços.
18:51Se existe qualquer política econômica que tenha como meta atingir resultados expressos
18:56em valores de medidas em índices de preços médios, significa que estamos nas mãos de
19:01cegos guiados por cegos.
19:03Como é dito em Mateus capítulo 15, versículo 14,
19:06E se um cego conduzir outro cego, ambos cairão no abismo.
19:10Obrigado por sua audiência.
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19:15sua rede social.
19:16Se você deseja ser notificado de outros vídeos, clique em se inscrever e depois no ícone
19:20de campainha.
19:21Um abraço e até a próxima.
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