00:00Mas vamos repercutir esse tema agora com o Dr. Madier Saldanha Corrêa, que é médico endocrinologista
00:07e especialista em saúde metabólica. Vamos lá receber o Dr. Madier aqui nos nossos estúdios
00:16para bater um papo com ele. Vamos lá.
00:19Olá, boa noite, Dr. Madier. Seja muito bem-vindo. Obrigada pelo seu tempo e por estar aqui conosco.
00:25Boa noite. Obrigado pela oportunidade de falar com vocês, tá?
00:27Obrigada a você. Vamos lá, começando sobre esse estudo, não é?
00:32Que cita uma associação entre o tempo de uso de fone Bluetooth e o surgimento de nódulos na tireoide.
00:40Por que isso não significa necessariamente, Dr. Madier, uma relação entre causa, uma relação causa e efeito?
00:49Perfeito. Primeiro que o estudo não conseguiu mostrar causa e efeito.
00:52Então, um estudo, obrigatoriamente, ele tem que mostrar, ó, isso determina isso.
00:57O número de pessoas, o N, que a gente fala, é baixo.
01:02E outra coisa, teve duas questões do estudo.
01:04Foi mais feito em jovens, então a gente não consegue considerar a população inteira.
01:08E o estudo, as pessoas relataram que elas responderam o questionário.
01:14Normalmente, no estudo, a gente pega as pessoas e eles são acompanhados pelos profissionais de saúde que fazem o estudo, entendeu?
01:20Então, outra questão importante, essa radiação não ionizada do Bluetooth, do Wi-Fi, do celular, é muito pequena para poder afetar uma tireoide.
01:31Se a gente falasse de um paciente que estivesse fazendo radioterapia para algum câncer no pescoço, isso normalmente leva a alterações da tireoide.
01:39Mas essa é muito baixa, essa radiação no Bluetooth.
01:42Então, assim, eu acho que é uma questão para a gente ficar de olho, acompanhar durante o período agora, mas em jovens.
01:50Porque em jovens tem a tendência de usar mais fones de ouvido que pessoas mais velhas, num som mais alto e para mais tempo.
01:56Mas o estudo ainda ficou aquém do que o estudo completo deveria estar, tá entendendo?
02:01É um estudo para a gente ficar atento e tentar buscar uma causa e efeito.
02:05Ainda o estudo não foi muito claro em relação a isso.
02:07Agora, doutor Mader, você comentou até que o estudo foi feito baseado em questionários autodeclarados.
02:14Qual seria o melhor processo, digamos assim, como são os processos científicos para fazer essa relação?
02:20Qual que seria o modelo correto de estudo?
02:23Perfeito. Primeiro, a gente tem que ter um N grande.
02:25O que é um N grande? Um número grande de pessoas.
02:28Por exemplo, se tu for analisar tireoide, tem que pegar de 15 até 60, 70 anos.
02:33Um N grande e várias idades.
02:36E o acompanhamento, por exemplo, o paciente tem que estar dentro do laboratório, sendo acompanhado, dados escritos.
02:42Eu acompanho um estudo, ele é feito com um acompanhamento minucioso, detalhe por detalhe,
02:47para a gente realmente entender o seguinte.
02:49Será que aquilo que a gente está buscando no estudo realmente é causa ou não é?
02:53Será que a medicação que a gente usa no estudo, ela é benéfica ou não é?
02:56Entendeu?
02:56Sempre falando que a medicina é baseada totalmente em evidência, né?
03:00Ela não é baseada em achismo, nada.
03:01A gente só tira a conclusão quando um estudo que é sério, com um N grande, que nos mostra dados corretos,
03:09de que aquilo é bom ou aquilo é ruim.
03:10Se aquilo causa ou não causa certa doença.
03:13Agora, doutor Mader, inclusive, essa hipótese que foi levantada do impacto dos raios da radiação não ionizante,
03:23perdão, a tireoide, o que a ciência sabe real hoje sobre essa possibilidade de influência da radiação não ionizante na tireoide?
03:36Então, depende o quão alto é essa radiação.
03:39Como eu até falei, numa radioterapia, por exemplo, a gente sabe que são raios parásis em toda parte do pescoço.
03:45Então, um exemplo, você está com câncer de laringe, tá?
03:48E você vai ser submetido a sessões da radioterapia.
03:50Obrigatoriamente, a tireoide vai estar no meio disso, porque a radioterapia vai em todas as partes do pescoço.
03:55Então, a gente sabe que essa radioterapia destrói a tireoide.
03:58E, normalmente, causa um problema chamado hipotireoidismo.
04:01Ou seja, a tireoide começa a funcionar de maneira precária.
04:05Então, ela libera menos hormônios que o normal.
04:07Então, a gente sabe que raios com maior frequência e com maior poder ionizante, sim, afetam a tireoide.
04:13Por que o Bluetooth ainda a gente tem que ter um certo cuidado para não alarmar as pessoas, na verdade?
04:17Porque a gente tem vários raios ionizantes, o telefone, o Wi-Fi.
04:19Porque a frequência é baixa.
04:22Ou seja, o poder desses raios é baixo.
04:25Então, imagina só se todo raio que saísse do telefone, do Bluetooth, do Wi-Fi nos fizesse mal.
04:32A quantidade de tempo que a gente tem à disposição nessas coisas é absurda.
04:35Então, a gente, eu acho que a radioterapia, sim, ela já está comprovada, a gente já sabe que ela causa a tração na tireoide.
04:42Bluetooth ainda a gente tem que tomar cuidado, não alarmar as pessoas e esperar mais estudos daqui para frente.
04:47Ou seja, o uso de fones de ouvido, talvez, cientificamente, ele pode causar outros problemas também para a pessoa que não necessariamente, então, uma emissão de uma radiação não ionizante.
05:03Nesse sentido, qual seria o melhor procedimento para evitar qualquer tipo de comprometimento com a saúde pelo uso prolongado desse tipo de aparelho?
05:13Então, primeiro, a gente tem que cuidar a régua dos 60 a 60, né?
05:17Tentar usar 60% até o máximo do som e tentar não ficar com o fone muito tempo.
05:23Na verdade, a gente tem que ficar 60 minutos e parar de usar ele, não tem para o teu ouvido.
05:28O grande problema de usar fone de ouvido, na verdade, é a tua audição, né?
05:30A pessoa começa a escutar menos, ela vai ter problema auditivo.
05:34Então, assim, a exposição a longos períodos de fone de ouvido e um som muito alto realmente vai prejudicar muito mais o teu ouvido do que a tireoide ainda, né?
05:43Como eu falei, os estudos são um N pequeno, uma população pequena.
05:48Novamente, a tireoide é bastante prevalente na população brasileira.
05:51A gente tem uma certa prevalência.
05:53Mas ainda em relação ao Bluetooth, a gente não pode tirar a conclusão.
05:56A gente precisa de estudos mais robustos, mais evidências, mais dados científicos para a gente poder afirmar para as pessoas
06:01e realmente, ó, se eu usar o Bluetooth por tanto, tanto tempo, tu vai ter problema em relação ao teu tireoide.
06:05Neste momento, não há nenhuma contraindicação de eu usar o Bluetooth em relação ao tireoide.
06:11Perfeito.
06:11Está aí a participação de Dr. Madier Saldanha Corrêa, que é médico endocrinologista e especialista em saúde metabólica.
06:20Dr. Madier, muitíssimo obrigada pela sua participação.
06:23Espero encontrá-lo em outros momentos por aqui também.
06:27Perfeito. Eu que agradeço a oportunidade, tá?
06:29Muito obrigada. Boa noite.
06:31Boa noite.
06:32Está aí, pessoal.
06:34Fizemos aí uma entrevista com o Dr. Madier.
06:36Espero que vocês tenham gostado.
06:38Pois é.
06:38Precisa ainda ter estudos a respeito disso.
06:42Bom, e, claro, vamos tentar seguir essas dicas, não é, pessoal?
06:46Essa regra do 60 a 60, pelo menos para se prevenir.
06:50Eu não tenho dificuldade, não, porque eu não gosto muito de ficar com aquele fone no ouvido.
06:55Agora, quem gosta, presta atenção.
06:56Não é uma conta, porque eu não gosto muito rote.
07:02Então, vamos lá.
07:03Para continuar.
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