00:00Vamos juntos então. E o presidente americano Donald Trump discursou hoje no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e voltou a fazer ameaças em relação à Groenlândia.
00:11Primeiro ele disse que não vai tomar o território usando a força, mas exige sim uma negociação imediata.
00:19Eliseu Caetano, direto dos Estados Unidos, então vai atualizar pra gente.
00:23Trump não ia deixar escapar esse discurso sem falar do principal, né, do que tá em foco. Eliseu, boa tarde, bem-vindo.
00:30Oi, Márcio e Bruno, muito boa tarde pra vocês e pra todos que nos acompanham em tempo real aqui na programação da Jovem Pan.
00:37Olha, discurso longo de Donald Trump, viu, lá em Davos, na Suíça.
00:41Ele falou ali por cerca de 70 minutos, algo em torno de 1 hora e 10 minutos, e ultrapassou.
00:48Como fez, aliás, nas últimas vezes, o tempo previsto, viu, alocando em torno de 45 minutos a mais
00:56do que a organização do evento havia previsto pra ele.
01:00Eu estava de olho, obviamente, acompanhando tudo.
01:03Aliás, eu e Luca Bassani, nosso correspondente lá na Europa, que fez a tradução simultânea aqui na programação da Jovem Pan.
01:08Sobre Groenlândia, um ponto sensível, ponto alto, um dos mais importantes.
01:13Ele insistiu na aquisição da Groenlândia pelos Estados Unidos por razão de segurança nacional estratégica.
01:19Chegou até a dizer que era por uma questão de proteção global.
01:22Dizendo ainda que nenhuma outra nação poderia proteger a Groenlândia.
01:26Aliás, ele depois pluralizou isso.
01:28Diz que nem todas as nações juntas poderiam fazer isso, viu.
01:33Pediu negociações imediatas pra discutir a compra da Groenlândia, mas também arrefeceu um pouco, viu.
01:40Deixou claro que não usaria força.
01:43Aliás, ele repetiu esse termo várias vezes.
01:46Ele repetiu essa frase várias vezes.
01:48Não usaremos a força.
01:49criticou lá a Dinamarca por não ceder.
01:53Chamou a ilha, inclusive, de um pedaço de gelo necessário para a segurança.
01:57Aliás, a nossa equipe da Jovem Pan em São Paulo separou dois trechos importantes das falas de Trump.
02:04Vamos conferir o primeiro.
02:07Tenho enorme respeito, tanto pelo povo da Groenlândia, quanto pelo povo da Dinamarca.
02:12Enorme respeito.
02:13Mas todo aliado da OTAN tem a obrigação de ser capaz de defender o seu próprio território.
02:18E o fato é que nenhuma nação ou grupo de nações está em condições de garantir a segurança da Groenlândia,
02:24a não ser os Estados Unidos.
02:27Somos uma grande potência, muito maior do que as pessoas imaginam.
02:31Só os Estados Unidos podem proteger esta grande massa de terra,
02:36esse enorme pedaço de gelo, desenvolvê-lo, melhorá-lo e torná-lo bom para a Europa,
02:41seguro para a Europa e bom para nós.
02:44É por isso que estou buscando negociações imediatas para discutir.
02:48Mais uma vez, a aquisição da Groenlândia pelos Estados Unidos.
02:52Assim como adquirimos muitos outros territórios ao longo de nossa história.
02:55Assim como muitas nações europeias fizeram.
02:58Não há nada de errado nisso.
02:59Esses foram dois trechos, dois pontos altos da fala de Donald Trump lá no Fórum Mundial em Davos.
03:10Ele também falou sobre economia, por exemplo, sobre as conquistas dos Estados Unidos.
03:15Celebrou o que chamou de milagre econômico americano sob a liderança dele.
03:18Diz que há por aqui um crescimento sem precedentes, aberturas de plantas de energia, remoção de turbinas eólicas,
03:27que segundo ele são perdedoras de dinheiro, que matam os pássaros, demissões de burocratas, redução de impostos para produtores domésticos.
03:36Ele disse que ele contrapôs isso a tarifas mais altas sobre nações estrangeiras.
03:41Mais uma vez conclamou lá o tarifácio, dizendo que os Estados Unidos estão mais ricos do que nunca.
03:46E graças a ele e ao tarifácio.
03:48Também falou de outros temas sensíveis, viu?
03:51Mencionou a liderança dos Estados Unidos em inteligência artificial, em criptomoeda.
03:55Aliás, Miami, aqui no sul da Flórida, é conhecido hoje como o polo mundial da criptomoeda, não é verdade?
04:00Superando, inclusive, a China.
04:02Falou também sobre o outro ponto sensível, deportações em massa.
04:05Já já a gente vai voltar em tempo real falando sobre a questão dos vistos que foram congelados a partir de hoje para 75 países.
04:13Entra em vigor hoje.
04:14Ele também citou isso lá.
04:16E claro, não poderia deixar de ser, né?
04:18Falou de cooperação com a Venezuela após a abdução de Nicolás Maduro.
04:23E disse que a Venezuela vai ter um futuro ali de oportunidades maiores e muito mais grandiosas do que qualquer coisa na história da humanidade.
04:32Agora, Márcia, para encerrar daquele jeitinho que você gosta, colocando uma pimentinha para o teu debate aí,
04:37aqui nos Estados Unidos, alguns analistas estão dizendo que a fala dele foi divagante, foi humbling, prolixa, viu?
04:45Por várias fontes, inclusive, dizendo que ele usou um tom de autoelogio e fazendo críticas diretas aí às políticas globais e jogando louro para si mesmo, viu?
04:54Eu volto com vocês no estúdio, mas já já eu volto, porque tem muita notícia internacional hoje aqui, em tempo real.
04:59É o que ele sempre faz, né, Elizeu? Não foi um discurso muito diferente dos últimos.
05:04Obrigada pelas suas informações.
05:06Vamos chamar os nossos analistas do dia, então, Mano Ferreira.
05:10E a gente vai chamar também o Emerson Tawil, é isso?
05:13Os dois, então, com a gente.
05:14Boa tarde.
05:16Vamos começar com o Mano.
05:17A gente estava falando agora, há pouco, com o Eliseu Caetano.
05:21O Trump fala em negociação imediata, mas é muito difícil negociar com alguém que acredita que está sempre acima de todo mundo, né?
05:30Ele é o poder na mão e ou você negocia com o que me facilita, com o que também eu tenho interesse, ou eu não negocio com você.
05:39Essa política de Trump, realmente, vai ser complicada para a União Europeia e para os países americanos, não, para os países europeus, Mano, tomarem alguma decisão a favor da Groenlândia.
05:53Você acha que existe uma saída ou vai ter que realmente ser do jeito que Donald Trump quer?
05:58O jogo está muito complicado, viu, Márcia?
06:01Muito boa tarde para você, Emerson Bruno, toda a nossa audiência da Jovem Pan.
06:06Sempre um prazer estar aqui em tempo real.
06:08A gente está assistindo à morte da Ordem Liberal Internacional, que era uma ordem baseada em regras, em direito internacional, em acordos, em respeito à soberania territorial de outros países.
06:25Sempre foi uma ordem incerta, imprecisa, não plenamente coerente, mas havia um constrangimento
06:35de que certas regras precisavam impor limites à ação dos países, sobretudo às grandes potências.
06:43O comportamento de Trump é um comportamento que subverte essa lógica.
06:49Ele não busca sequer um discurso baseado em valores para tentar legitimar a sua ação.
06:56Ele simplesmente age porque pode, porque é mais forte.
07:01Isso substitui a ideia de um mundo de coexistência pacífica, baseada em regras universais, pela lei do mais forte.
07:10Como a Europa vai lidar com isso?
07:12Porque quando Trump diz que exige uma negociação imediata, ele não se comporta como um negociador,
07:21um parceiro que está numa mesa entre iguais.
07:24Ele, na verdade, acaba se colocando como alguém que está exigindo a completa subordinação de um aliado histórico.
07:34Isso bagunça completamente o tabuleiro da geopolítica, como nós conhecemos desde o fim da Guerra Fria.
07:41Emerson, ainda rapidamente sobre esse assunto.
07:45Ontem, nós acompanhamos, assistimos aqui ao vivo na Jovem Pan, um longo discurso do presidente americano,
07:51e o que me chamou a atenção é informações que não são tão reais assim.
07:55Exemplo, ele disse ontem que conseguiu reduzir em 600% o valor dos medicamentos.
08:02A gente consegue reduzir em 100%.
08:04Eu não sou especialista em economia nem em matemática, mas imagino que conseguimos reduzir em 100%.
08:10Em 600% são números soltos que não conferem com a realidade.
08:15Essas longas entrevistas, longos discursos, colocam ele em um cenário um pouco mais complicado,
08:22de insegurança até na economia?
08:24Boa tarde, Bruno. Boa tarde, Márcia. Mano e a toda audiência da Jovem Pan.
08:29Ele sempre traz, através das suas narrativas, esses holofotes dos quais ele faz uso de uma forma extrema e voluntária.
08:36Essa é a grande verdade.
08:37Mas ele sempre tenta, ele vai escalonando a sua narrativa, de forma a sempre tentar agregar aos seus interesses,
08:46não tanto aos Estados Unidos, mas unicamente a ele.
08:50Essa figura do empresariado, quando assumem cargos do executivo, como o qual Donald Trump acaba ocupando,
08:56isso traz, sem dúvida alguma, essa prepotência, ainda que de uma forma um pouco implícita,
09:02mas de maneira totalmente particular e privada.
09:05Quando se fala de um chefe do executivo, é preciso não quebrar as regras da diplomacia,
09:10como bem disse aqui o Mano em sua fala.
09:13Ele dá um novo cenário diplomático ao mundo, do qual ele tenta quebrar os seus protocolos
09:19e colocar a sua imposição, a sua vontade.
09:23Ele tenta colocar os Estados Unidos não só como uma superpotência, mas uma macropotência,
09:27em que todos devem estar subordinados à sua ordem.
09:31É um conflito, um cabo de tensão, do qual é muito delicado, muito sensível.
09:37Os danos podem ser desastrosos.
09:39Basta uma fagulha para que essa labareda crie um incêndio gigantesco.
09:45Essa equação do qual o Donald Trump coloca o mundo, ela é inovatória,
09:49sempre testando, colocando de uma forma pujante esse questionamento,
09:53a sua autoridade exacerbada, diga-se de passagem, e a quebra do protocolo diplomático.
09:59É preciso reequalizar isso, porque não basta só a estratégia voltada aos Estados Unidos,
10:05é preciso sentar à mesa, conversar com todas as autoridades do mundo,
10:09para que espera-se de um chefe do executivo essa parcimônia, essa conclusão e essa capacidade
10:17de articular, sentar de uma forma diplomática, educada, sem imposição,
10:22de forma autoritária, como tem surgido e soado para todo mundo.
10:28É muito delicado e Donald Trump não gosta de se curvar,
10:32talvez por conta dessa particularidade de ser um empresário muito bem sucedido,
10:36de ter ali a ordem sempre dita por si só, como única e exclusiva,
10:42mas o mundo não se curva a isso e ele vai encontrar barreiras das quais
10:46já vem sofrendo algumas retaliações.
10:48Tanto é que não vai usar força militar, como ele bem disse,
10:51até porque seria uma coisa dantesca colocar os Estados Unidos contra a própria Europa,
10:56isso seria de uma arbitrariedade assim e efeitos totalmente desastrosos.