00:00Agora vamos falar de economia porque o presidente Donald Trump completa hoje um ano no poder e a gente quer saber quais impactos econômicos para o nosso país desse primeiro mandato e também para o resto do mundo.
00:12Vamos chamar a Denise Campos de Toledo para analisar isso. Oi Denise, boa tarde, bem-vinda.
00:17Boa tarde, Márcia. Pois é, foi dos anos mais confusos, complicados, instáveis que nós tivemos aí em muito tempo. Trump é muito midiático, ele vai tomando medidas tempestivas, volta atrás, assusta todo mundo.
00:33Estamos numa fase assim agora, mas fazendo o balanço do primeiro ano, ele partiu do campo econômico daquele dia da libertação, anunciando tarifa para tudo quanto é lado, pegando todos os países com os quais os Estados Unidos tinham comércio e aos poucos foi revendo esse processo todo.
00:49E isso até ajudou a economia dos Estados Unidos a não sofrer um grande impacto.
00:53No final das contas, toda essa tarifação que ele anunciou no dia da libertação poderia ter provocado muita inflação e chegou a provocar inflação, tanto que ele acabou cedendo depois de algum tempo para determinados países, como é o caso do Brasil.
01:07Cafezinho lá ficou mais caro, a carne ficou mais cara, suco de laranja, então aos poucos ele foi revendo isso daí.
01:13Mas isso não impediu um adiamento do início do corte dos juros pelo Federal Reserve, o que mexeu com as várias economias também, porque o mercado global fica de olho no que acontece com os juros nos Estados Unidos.
01:25A inflação lá encerrou ano passado na faixa de 2,7%, a meta é 2%, então o Fed continua com cautela.
01:33Ele iniciou todo aquele programa de expulsão dos imigrantes para tentar garantir mais emprego junto com as tarifas, não conseguiu também resultado.
01:41O último balanço que se tem no mercado de trabalho lá mostra a taxa de desemprego em 4,6%, a maior taxa em pouco mais de 4 anos.
01:50Agora, do ponto de vista do Brasil, toda essa turbulência causada por Trump acabou mexendo com a credibilidade do mercado dos Estados Unidos,
01:57do uso do dólar e dos títulos americanos como instrumento de proteção nos momentos de maior instabilidade, já que a instabilidade estava vindo em boa parte dos Estados Unidos.
02:07Então aumentou muito o fluxo de investimentos aqui para o Brasil, a nossa Bolsa de Valores subiu mais de 30% no ano passado,
02:14em boa parte pela forte participação do capital externo, o dólar caiu mais de 11% frente ao real,
02:21e no campo comercial, mesmo com os Estados Unidos atrasando uma negociação com o Brasil, o Brasil buscou novos mercados.
02:29É um movimento que se viu por parte de quase todos os países atingidos pelas tarifas, é a busca de novos mercados.
02:36Então nós tivemos um saldo comercial no ano passado até menor do que outros anos, menor em relação aos Estados Unidos,
02:43mas essa queda teve muito mais a ver com o aumento das importações, porque o Brasil passou a importar mais,
02:49porque a nossa economia cresceu mais do que se previa, havia a previsão de uma desaceleração mais acentuada.
02:54Então foi isso que mexeu mais com o saldo comercial do Brasil, e o Brasil expandiu os negócios para outras regiões.
03:02Então, no final das contas, os Estados Unidos também podem perder espaço no comércio internacional,
03:07porque ninguém quer ficar à mercê desse uso das tarifas como instrumento de pressão, instrumento de barganha,
03:13como a gente vê agora em relação à União Europeia.
03:17Obrigada, então, Denise Campos de Toledo, pela análise.