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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que fez mais pela Otan “do que qualquer outra pessoa viva ou morta” durante discurso que marcou o primeiro aniversário de seu segundo mandato. A declaração ocorre em meio a uma das maiores crises da aliança militar, provocada pelo desejo manifestado por Trump de anexar a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca, que também integra a Otan. Acacio Miranda e Henrique Krigner comentaram.

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Transcrição
00:00Vamos para o cenário internacional, porque o Departamento de Guerra dos Estados Unidos
00:04planeja reduzir a participação do país em algumas estruturas da OTAN.
00:10O Eliseu Caetano participa com a gente, tem todos os detalhes direto dos Estados Unidos.
00:14Eliseu, bom dia pra você, bem-vindo.
00:17Oi, Nonato, muito bom dia pra você, pra Paula e pra todos que acompanham a programação da Jovem Pan.
00:22Bom, segundo fontes militares e também diplomáticas internacionais,
00:27o plano é reduzir gradualmente a participação dos Estados Unidos em quase 30 grupos consultivos
00:33e centros de comandos da Aliança, unidades que tratam de áreas que vão desde a segurança energética
00:40e guerra naval até operações especiais e também inteligência.
00:46A ideia, de acordo com essas fontes, não é retirar imediatamente as tropas ou as equipes,
00:51mas não substituir os militares americanos à medida em que seus mandatos nas estruturas da OTAN terminam
00:59é um processo que pode demorar anos, o que significa uma presença menor de especialistas
01:06daqui dos Estados Unidos dentro de unidades-chave da Aliança.
01:11Entre os efeitos práticos desse plano estaria, por exemplo, a redução de cerca de 200 posições americanas
01:18em centros de comando e também de planejamento, como o Centro de Fusão de Inteligência no Reino Unido
01:25ou até mesmo nos comandos de operações especiais que existem na Bélgica e em Portugal.
01:32Na prática, de acordo com os analistas por aqui, esse número não é considerado grande, né?
01:38Porque diante dos mais de 80 mil militares dos Estados Unidos que estão baseados apenas na Europa,
01:45o simbolismo disso está sendo interpretado pelos aliados como um enfraquecimento da aliança, né?
01:53Justamente em um momento em que a OTAN encara desafios, como por exemplo a guerra da Ucrânia,
01:58a competição entre Rússia e China, a situação também envolvendo Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia.
02:06As autoridades europeias e diplomatas, inclusive, alertaram nas últimas horas que a redução pode até desencadear
02:13aí um chamado efeito dominó de retração de confiança na aliança, justamente quando, apesar de divergências, né?
02:21Os membros europeus vêm tentando consolidar uma espécie de defesa conjunta que completamente funcione
02:29e que não substitua, né, de maneira nenhuma a função dos Estados Unidos.
02:35A Casa Branca e o Pentágono afirmam que a medida é parte de uma reavaliação estratégica de prioridades dos Estados Unidos,
02:43mas que não representa uma saída completa americana da OTAN.
02:48Ressaltam ainda que o Washington vai continuar comprometido com o artigo 5,
02:53a cláusula de defesa coletiva da aliança, que é atacou um, atacou todos.
02:58Todo mundo defende, todo mundo.
03:01Pois é, esse é um ponto para a gente já já abordar com os nossos analistas também aqui nesta manhã.
03:06Mas, Eliseu, o presidente Trump ainda falou que ele fez mais pela OTAN do que qualquer outra pessoa.
03:13Como é que isso tem repercutido, não só aí nos Estados Unidos, mas também no mundo, meu caro?
03:19Donato, ontem eu estava vendo um documentário na TV americana sobre a retórica do presidente Trump, né,
03:25e que ele tem usado de algumas artimanhas consideradas até antigas para atrair a atenção.
03:31Só que ele está fazendo isso de uma maneira diferente.
03:34Ele está atirando para todos os lados para que a imprensa não consiga dar conta do volume de informação
03:39e para que a comunidade global seja impactada o tempo inteiro por ações dele.
03:44Ou seja, para que o nome dele não saia da boca do povo, viu?
03:49Essa frase, por exemplo, que você falou do presidente Trump virou assunto aí em capitais e em chancelarias ao redor do mundo.
03:56Trump tem repetido ao longo dos últimos dias em diversas entrevistas, em posts também,
04:01que fez mais pela OTAN do que qualquer outra pessoa viva ou morta, viu?
04:07Argumentando que a pressão dele sobre os países europeus para aumentar os gastos com defesa
04:13teria transformado, e para melhor, a aliança.
04:17Essa declaração, uma de tantas, né, ao longo dos últimos dias,
04:22ocorre meio a uma profunda crise diplomática em Washington, a gente pode chamar assim, né,
04:27uma mudança, está acontecendo uma ruptura nas relações exteriores dos Estados Unidos
04:32com os países que até então eram parceiros, que até então eram aliados,
04:36como agora há pouco nós estávamos falando, né, incluindo aí as ameaças comerciais,
04:41o tarifácio, incluindo aí essas possibilidades de anexação.
04:47Donald Trump já falou sobre a possibilidade de anexar o Canadá,
04:49está falando muito nos últimos tempos sobre a possibilidade de anexar a Groenlândia.
04:54Já disse que é ele que está no comando da Venezuela,
04:57ou seja, esse movimento que a gente estava trazendo há pouco,
05:00de diminuição dos Estados Unidos, né, pelo menos diminuição militar americana na OTAN,
05:05já é um apontamento, já é um indicamento, né, de que Donald Trump quer sair apenas das muitas retóricas
05:13e chamar a atenção da imprensa mundial, mas também trazer para si esse protagonismo, né,
05:20ele quer ser o grande protagonista do mundo.
05:22Não à toa ele fundou o Conselho da Paz, que vai começar a trabalhar por Gaza,
05:28mas que depois vai ser estendida para outros conflitos do mundo,
05:31substituindo a ONU, ou numa tentativa de substituição da ONU, não é verdade?
05:36A gente vai seguir daqui acompanhando essas e outras notícias importantes do dia,
05:39eu volto ainda ao longo dessa edição do Jornal da Manhã.
05:41É com vocês no estudo.
05:43Está combinado, então. Muito obrigado, Eliseu Caetano, trazendo esse apanhado.
05:46A hora da gente ouvir aqui os nossos analistas, então, Henrique Kriegner e a Cássio Miranda estão com a gente.
05:51A Cássio, eu vou começar por você essa rodada, à medida em que a gente tem o Donald Trump dizendo
05:56ninguém fez mais pela OTAN do que eu.
05:59Impressionante esse tipo de egocentrismo do presidente americano,
06:03que é reafirmado cada vez que ele dá uma declaração.
06:05E, por outro lado, quando o Departamento de Guerra americano diz
06:09vamos, de algum modo, reformular essa participação, mas não sairemos completamente da OTAN,
06:16e aí o Eliseu frisou, mexeu com um, mexeu com todo mundo, que é meio que o lema da OTAN.
06:21O problema é quando esse mexeu vem de um elemento interno da própria organização,
06:27como parece ser o caso agora, não?
06:29Os Estados Unidos são os principais financiadores da OTAN.
06:34São o Estado-membro e são os principais financiadores da OTAN.
06:39Essa narrativa dele em relação à OTAN tem como principal objetivo a Europa e a questão da Groenlândia.
06:46Por quê?
06:47Eu disse e vale repetir.
06:48Por mais que os Estados Unidos sejam os principais financiadores da OTAN,
06:53os países europeus são os principais beneficiados pela atuação da OTAN.
06:59Se os Estados Unidos tirarem o pé, restarão duas opções.
07:04A manutenção da OTAN só pelos países europeus ou o encerramento da OTAN.
07:10E Donald Trump joga com isso e joga muito bem.
07:14E os Estados europeus estão sentindo esta pressão e estão cada vez mais encurralados.
07:21E só para encerrar sobre o ego dele, eu acho que vale atenção a entrevista que ele deu ontem relacionada a um ano de mandato.
07:30Ele falou o nome de Joe Biden mais de 20 vezes.
07:35Não porque ele culpa Joe Biden pelos problemas da administração,
07:40mas porque ele não aceita ter perdido as eleições para Joe Biden em 2020
07:45e não ter tido uma revanche em 2024.
07:50Isso é muito exemplificativo do ego de Trump que tem pautado o mundo nos últimos tempos.
07:58Kriegner, reduzir a participação dos Estados Unidos na OTAN, de que forma isso pode mexer com Donald Trump?
08:05Pode mexer em sentido de perda de apoio e também, eu diria, Paula, perda de vantagem na questão da negociação entre Rússia e Ucrânia.
08:14Vamos lembrar que a maior dor do presidente Donald Trump hoje é de não ter conseguido promover um avanço nessa questão, Rússia e Ucrânia.
08:23De todos os conflitos que ele diz ter apaziguado e a paz que ele promoveu, esse ainda permanece intocado.
08:30E realmente é um problema porque justamente nas suas negociações com o próprio presidente da Ucrânia, Zelensky, ele não teve muito avanço ali.
08:39Desestabilizar a OTAN é trazer insegurança para países como Estônia, Letônia, Lituânia, todos esses países que foram ameaçados pela Rússia de uma possível invasão
08:50e se agarraram na segurança que a OTAN traz, como o Acácio colocou, essa benesse que traz para os países europeus, especialmente esses que fazem fronteira com a Rússia.
09:02Então, desestabilizar esse bloco traz uma vantagem para a Rússia e para o presidente Putin nos seus desejos expansionistas de território.
09:13Resta saber como é que vai ser os próximos capítulos dessa novela que já se prolonga muito desde o início do conflito.
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