00:00E assim, falamos muito de Atlético também, falar um pouco do futebol brasileiro,
00:04e aí o João Vitor até antecipou uma pergunta que eu ia te fazer,
00:08que tivemos um episódio muito triste, xenofobia, recentemente,
00:12que a gente já comentou com os técnicos das salas lá, com o Antielote presente,
00:17mas como que você vê isso no futebol brasileiro, essa xenofobia,
00:20e o quanto você sofreu com esse preconceito aqui por ser estrangeiro
00:23desde que você chegou e toda essa caminhada sua?
00:26Não, acho que é um caso isolado.
00:28Eu, como sou gringo, tudo bem que talvez me tornei o gringo mais querido do Brasil,
00:37ou estrangeiro mais brasileiro, como quiser, eu estou brincando, sou carioca da gema,
00:42mas cheguei no Brasil através da Vitória e da Bahia, que é um povo maravilhoso,
00:48mas eu não...
00:50Sua disputa é com o Sorim, o Sorim você brinca, você e o Sorim,
00:55qual é o gringo mais popular do futebol brasileiro nos anos 2000?
01:00Ah, eu ganho uma beleza, posso perder na popularidade,
01:04mas uma beleza eu tenho.
01:06Meu amigo grande Sorim.
01:08Não, é verdade, não, não, tem outros estrangeiros que foram muito...
01:12Temos agora Arascas que está arrebentando, né?
01:15Mas tivemos vários estrangeiros muito bem antes de mim, depois de mim, junto comigo, né?
01:21Então, eu...
01:23Vocês sabem que eu não tenho nenhuma dificuldade de falar tudo o que eu penso, né?
01:28E se tivesse me sentindo alguma vez ofendido pela xenofobia, eu ia falar.
01:36E vocês nunca vieram para eu falar sobre esse tema.
01:39E nunca aconteceu.
01:42Então, eu fui ofendido porque sou marento, porque sou questionador, que sou chato,
01:48que não...
01:49Chamar de gringo, eu não acho que é xenofobia, porque...
01:53Não acho pejorativo, eu não encaro dessa forma.
01:56Hoje em dia, tem muito cuidado, o que vai se dizer, mas eu sou da época antiga,
02:02onde bullying não existia, onde cada um de nós tinha apelido na escola e brincava,
02:08e isso encarava da forma normal.
02:10E quando eu chego aqui, eu estava mais estranhando outra situação.
02:17Porque quando eu chego em 97, o jogador brasileiro era esquerdo.
02:23E eu falei, bem, como é possível isso?
02:25E eu chego privilegiado, porque eu, como sou internado de fora,
02:29eu não poderia ter esse tipo de contrato com...
02:32Eu chamo de escravidão, porque o jogador não é pago,
02:35não pode ser transferido para outro clube, tinha uma lei de passe.
02:38Digo, peraí, não tem contrato, o jogador não recebe, não pode ir para outro clube?
02:41Onde existe isso?
02:43Porque logo foi mudado, né?
02:44Essas coisas me incomodavam muito, mas agora, quando eu levava algumas vaias,
02:50alguns xingamentos ou qualquer ofensa, eu encarava isso no outro lado, eu sou o profissional.
02:56E aí, graças a Deus, eu levei muito menos vaias e ofensas do que erogios e aclamações, né?
03:08Graças a Deus.
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