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  • há 2 meses
O número de mortos nos protestos em todo o Irã subiu para pelo menos 2 mil nesta terça-feira, 13, segundo ativistas, mesmo com iranianos conseguindo fazer ligações telefônicas para o exterior pela primeira vez em dias, após as autoridades terem cortado as comunicações durante a repressão.

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Transcrição
00:00A gente tá com o Rodrigo Lopes aqui no estúdio pra falar um pouco, Rodrigo, sobre o que que está acontecendo no Irã,
00:06sobre as novas ameaças feitas por Donald Trump, e chama atenção esse número que a gente tem acesso,
00:13que daqui a pouco é muito maior, porque o Irã é um país muito fechado, com uma imprensa totalmente restrita e controlada
00:20pelo regime dos Ayatollahs, se falam em 2 mil mortos e pelo menos 11 mil presos.
00:25Então, assim, pra quem não entendeu ainda o que tá acontecendo, vamos começar do início e explicar o que que está acontecendo no Irã
00:32e o que que pode vir a acontecer.
00:34Tudo bem, Mari. Prazer estar contigo. Tudo bom, Ramon?
00:37Boa tarde aos nossos ouvintes. Tava olhando aqui, hoje é 13 de janeiro só de 2026 e a gente já tem mais uma crise internacional, né?
00:44É, pois é. Começou com a Venezuela.
00:45Começa com a Venezuela. Estamos aí com a ameaça de mais uma guerra.
00:49Se os Estados Unidos, nessa sua ação do Donald Trump um tanto imperialista, né, que foi na Venezuela,
00:55de se sentir um pouco xerife do mundo aí, e que ameaça também agora o Irã derrubar o regime.
01:02Mas, voltando, né, dando dois passos atrás, o que acontece é que no Irã, que está sob um regime,
01:08uma ditadura desde 1979, quando caiu a monarquia governada pelo Shah Reza Pahlavi,
01:15e passou por uma revolução islâmica e foi implantado um regime de sharia, que é a lei islâmica, muito cruel, né,
01:23que a gente ouve falar volta e meia, né, de quanto as pessoas têm as mãos cortadas, as mulheres têm que usar o véu, o hijab,
01:29e, em 2022, a gente teve aquela prisão, né, em que a Masla, a Amine, foi presa, levada para a delegacia,
01:37porque estava usando o véu com um pedacinho do cabelo à mostra, ou seja, segundo a polícia de costumes,
01:43ela não estaria usando de forma correta, foi presa, foi levada para a delegacia e morreu sob custódia policial, né,
01:48o que gerou uma série de manifestações muito parecidas com as atuais.
01:53Mas, em 2009, também se teve manifestações muito fortes.
01:55Então, de tempos em tempos, crises econômicas, e é o caso que está acontecendo agora,
02:01desemprego, hiperinflação, perda do valor do rial, que é a moeda do Irã,
02:07acaba gerando uma crise política.
02:10Então, começa com um estopim econômico e gera uma contestação do regime,
02:15que é, como eu comentei, uma ditadura, diferente da Venezuela,
02:18em que aqui a gente tem uma ditadura bolivariana, laica,
02:22muito na figura do presidente da república, no caso, o Nicolás Maduro, e agora, continua a ditadura de pé, né,
02:28no Irã, é uma ditadura religiosa.
02:30É uma teocracia.
02:31Uma teocracia na mão dos ayatolás, né, aqueles que são os herdeiros do ayatolá Khomeini,
02:36que tomou o poder em 79, tirando do poder um presidente, que é um monarca, na verdade, o Shah,
02:43que era um líder aliado ao Ocidente, aliado aos Estados Unidos, né.
02:47Por que eu falo que tem vários, de tempos em tempos, manifestações desse tipo?
02:52Porque sempre se fala, vai cair o regime, agora são as maiores.
02:55E, como tu falava, é muito difícil saber se, de fato, vai cair,
02:59porque, além de toda a repressão que se tem, da falta de liberdade política,
03:04de imprensa e de expressão, neste momento, a primeira decisão do regime foi cortar a internet em todo o país.
03:10Pois é, o país vive um apagão.
03:12De informação.
03:12São quatro dias, pelo menos, de apagão sem internet, sem telefone também, imagino que sim.
03:18Tudo, tudo.
03:18Tá muito difícil a gente obter informações de lá, já é naturalmente difícil, tá mais difícil.
03:23Agora, eu queria só pontuar algumas coisas que eu acho que tem diferenças em relação a outros episódios como esse.
03:29Primeiro, a gente vê que quem tá na rua, pelas imagens que vazam,
03:33são jovens, são idosos, são comerciantes, são professores, são empresários,
03:38ou seja, é transgeracional, não são só os estudantes que, normalmente, são muito conhecidos pelos protestos.
03:45E a classe social também e a classe de trabalhadores.
03:50Então, isso chama atenção.
03:52Segundo, o regime tá muito...
03:54Por quê?
03:54Se a gente voltar lá o ano passado, viveu uma guerra, o Irã, com o Israel de 12 dias,
03:59em que Israel teve um passeio no Irã, porque o Irã não teve capacidade de defesa antiaérea
04:05de suportar a tamanha capacidade militar de Israel.
04:09Segundo, os Estados Unidos atacaram as unidades nucleares do Irã,
04:15aquelas três mais famosas, diante da suspeita de que o Irã estaria produzindo armas nucleares.
04:20Também foi um passeio.
04:21Após os atentados em Israel, no dia 7 de outubro,
04:25o Israel começou a neutralizar alguns dos grupos terroristas,
04:30como o Hamas, Hezbollah e o Tis, que sempre são os braços do Irã.
04:35Então, isso faz com que o Irã tenha perdido não só a capacidade militar interna,
04:40e o Irã é bem diferente da Venezuela, por exemplo,
04:42o Irã sempre foi uma potência no Oriente Médio,
04:45rivalizando com a Arábia Saudita, por exemplo.
04:47Então, o Irã perdeu capacidade interna militar,
04:49e, diante de um possível ataque, por exemplo, dos Estados Unidos ou de Israel,
04:54o que tinha como elemento de dissuasão?
04:57O medo de sofrer o país que ataca um atentado terrorista.
05:01E isso, como o Hamas, Hezbollah e o Tis estão neutralizados, praticamente,
05:06esse medo já não existe.
05:08Não existe mais.
05:08Então, o Irã está muito fragilizado.
05:11Sem falar que o líder, o Ayatollah Khamenei, que é o grande líder religioso,
05:15está com 86 anos.
05:16Então, muito velho, o regime está bem fragilizado,
05:19e o grande, eu diria assim, a grande dificuldade que se tem nesse momento
05:23de se olhar um futuro do Irã é a falta de uma liderança da oposição.
05:28Então, quando a gente olha para a Venezuela, a gente sempre pensa,
05:30a Maria Corina, que é o Prêmio Nobel da Paz e tal.
05:35No Irã não se tem essa pessoa.
05:37Tem um que é o herdeiro, o príncipe herdeiro,
05:40daquela monarquia que caiu em 79, que mora nos Estados Unidos,
05:42que é o Hesla Parlav,
05:44diferente do Parlev, que era o pai dele.
05:46Mas está nos Estados Unidos, entende?
05:49É muito distante.
05:50Eu acho que a ditadura do Irã é muito mais pesada do que a Venezuela.
05:54É muito difícil medir, não existe ditadura light.
05:58Mas no Irã, pelo elemento religioso, me parece mais pesado.
06:01É, Rodrigo, Donald Trump está imparável.
06:05Eu acho importante essa questão até que o Ramon levantou, Mari,
06:09porque o que Trump quer, na verdade, ele não é preocupado com a democracia.
06:13Libertar povos, como o da Venezuela, sob o julgo da ditadura de Nicolás Maduro,
06:18ou libertar os povos lá da antiga Pérsia, como é o caso do Irã.
06:22Não, é business, é negócio, é dinheiro, é sobretudo petróleo.
06:26O Irã é uma das principais reservas,
06:28os principais exportadores de petróleo do mundo,
06:31assim como a Venezuela é a principal reserva de petróleo,
06:34claro que é muito mais difícil de extrair,
06:36se exige uma infraestrutura muito maior,
06:39um investimento muito maior.
06:40Mas é petróleo.
06:43Quando eu pontuo que a reação dos grupos Hamas,
06:46Hezbollah, do próprio Irã,
06:48seria difícil diante de um ataque americano,
06:50por um lado, a gente tem que olhar um outro lado,
06:54aquela região do Oriente Médio está cravejada de bases militares dos Estados Unidos.
06:59Então, um ataque dos Estados Unidos, ou de Israel, ou Irã,
07:02em Israel a gente já sabe como é que o Irã reagiria,
07:04com ataques de drones, como já foi aquele enxame de drones no ano passado.
07:07Mas os Estados Unidos, mesmo que a capacidade de defesa do Irã seja ruim,
07:11o Irã tem mísseis dados pela Rússia, vendidos pela Rússia,
07:15capazes de atingir qualquer uma daquelas bases dos Estados Unidos na região,
07:19entre elas a Ludeid, que fica no Catar,
07:21que é a maior base americana do Oriente Médio.
07:24Então, não é tão simples.
07:26Para um ataque hoje dos Estados Unidos,
07:29as forças armadas americanas precisariam desviar
07:34alguns porta-aviões que estão em outras áreas.
07:36Não tem nenhum porta-aviões naquela região neste momento.
07:39Então, tem um, por exemplo, lá próximo da China,
07:41que é o Abraham Lincoln, que precisa ser desviado,
07:43demoraria aí uma, duas semanas para chegar na região.
07:46Então, são detalhes que eu acho que é importante
07:48para ajudar a compor esse cenário.
07:50E, para quem pensa, sempre alguém vem e diz,
07:52ah, mas o que eu tenho a ver com o Irã?
07:54Bom, o Trump ontem ameaçou impor sanções de 25%
07:58para países que exportam ou que têm relações econômicas com o Irã.
08:03E adivinha quem tem?
08:04O Brasil tem, o Brasil, né, que exporta,
08:07não é o principal, o Irã não é o principal destino
08:09das exportações brasileiras, está em 31º,
08:12mas exportamos, né, milho, soja, açúcar,
08:15importamos fertilizantes, 70% das importações do Brasil
08:18de fertilizantes vêm do Irã.
08:21Então, sempre pesa, né,
08:23sem falar que o Irã pode fechar o Estreito de Hormuz,
08:26que é a entrada do Golfo Pérsico,
08:29que é por onde passa ali 20% do petróleo mundial
08:32e do gás liquefeito também.
08:33Que também nos impacta.
08:34Aí, preço de gasolina, preço do gás, enfim,
08:37falaremos bastante sobre o Irã nos próximos dias.
08:38É um castelinho de cartas, né, Rodrigo?
08:40Qualquer carta que se move faz o castelinho tremer.
08:44É boa comparação, assim, é geopolítica.
08:46É geopolítica. Obrigada, Rodrigo Lopes.
08:49Valeu, gente. Prazer estar com vocês.
08:50Muito didático nas explicações aqui na Rádio Gaúcha.
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