Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Luis Kawaguti, jornalista especialista em cobertura militar, concedeu entrevista ao Morning Show e explicou como funcionou a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Assista ao Morning Show completo: https://youtube.com/live/SEE7bpXMVp4

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Baixe o AppNews Jovem Pan na Google Play:
https://bit.ly/2KRm8OJ

Baixe o AppNews Jovem Pan na App Store:
https://apple.co/3rSwBdh

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

#JovemPan
#MorningShow

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Volta voltar a falar sobre o Nicolás Maduro, que está em Nova Iorque.
00:03Vamos conversar agora com o Luiz Cavalgutti,
00:05ele que é jornalista especializado nas áreas de defesa, segurança e política internacional.
00:10Inclusive fez um excelente texto ali falando de como que os Estados Unidos
00:13conseguiram realizar essa captura.
00:16Eu gostaria que você explicasse pra gente toda essa situação.
00:19Muito bom dia.
00:21Bom dia, obrigado.
00:23Bom dia ao telespectador.
00:24David, essa foi uma operação que a gente ainda nem sabe toda a magnitude de tecnologia
00:31e todas as armas que foram utilizadas pra se capturar o Nicolás Maduro.
00:38É uma estratégia, uma doutrina que data lá da década de 90, do fim da década de 90,
00:43que se chama choque e terror ou choque e deslumbramento.
00:48É uma doutrina que o Donald Trump vem adotando nessa área militar desde o seu primeiro mandato.
00:54Por exemplo, essa doutrina, ela se baseia em operações rápidas e decisivas.
01:00Ele acredita que dá pra se resolver uma guerra assim rapidamente.
01:04Você não precisa entrar em grandes atoleiros, como aconteceu no Iraque, no Afeganistão,
01:10ou então como a Rússia não consegue vencer a Ucrânia.
01:13Ele acha que usando alta tecnologia e muita força,
01:17ele consegue chocar o seu adversário de uma forma que o adversário perca a vontade de reagir.
01:25Então, relatando um pouco, a gente relembrando como que foi essa grande operação.
01:30Por volta de 15 para meia-noite, horário da Venezuela,
01:35um grupo de helicópteros, e aí helicópteros de uma unidade muito especial,
01:39a mesma unidade que foi e matou o Osama Bin Laden em 2011.
01:45A gente teve a 160 Night Stalker, que são um grupo de helicópteros que tem uma tecnologia
01:52que eu acho que a gente nem sabe ainda o que está envolvido nessa tecnologia dessas aeronaves.
01:57Lá quando houve a morte do Bin Laden, a gente só ficou sabendo acidentalmente
02:01porque uma das aeronaves caiu e descobriu-se que os Estados Unidos estavam usando um helicóptero invisível ao radar.
02:10Eu tenho certeza que nessa operação de agora foram usadas tecnologias que nós ainda nem conhecemos
02:16e elas não foram reveladas porque tudo deu certo,
02:19porque eles não perderam nenhuma aeronave, não perderam nenhum combatente.
02:24Então, esses helicópteros partiram da frota que está estacionada lá no Mar do Caribe.
02:30É uma frota que tem o maior porta-aviões do mundo, um porta-helicópteros chamado Ivo Gima
02:36e diversos outros destroyers, cruzadores e um submarino nuclear.
02:41Esses helicópteros partiram levando forças Delta.
02:45São forças especiais que já, por exemplo, atuaram na captura do ditador Saddam Hussein,
02:54atuaram lá na captura do Pablo Escobar nos anos 90 aqui na América do Sul.
03:01Eles atuaram também, foram atrás do Al-Baghdadi, que era o chefe do Estado Islâmico.
03:08Todos eles foram a essa Força Delta.
03:10Esses helicópteros, Blackhawks, Little Birds, Shinox.
03:15Shinox é uma espécie de um, é maior que um ônibus, é um helicóptero que carrega,
03:19pode carregar até 50 combatentes.
03:22E eles entraram no espaço aéreo da Venezuela por volta aí das 2 da manhã do horário da Venezuela,
03:29escoltados por cerca de 150 aeronaves, entre aviões invisíveis,
03:35por exemplo, o Raptor, que também é uma tecnologia que não está totalmente clara,
03:39é um avião invisível ao radar, que consegue destruir defesas antiaéreas.
03:44A Venezuela tinha defesas antiaéreas bastante eficazes, como o S-300,
03:51que é uma defesa antiaérea de longa distância.
03:53Por exemplo, era o único país da América Latina que tinha esse tipo de defesa antiaérea.
03:58Mas, aparentemente, foram todas destruídas ou inutilizadas pelos Estados Unidos.
04:04Além disso, tinham caças como o F-18 Grohler, que ele consegue destruir,
04:09ele consegue impedir que os venezuelanos usem o seu radar,
04:13que eles façam comunicações entre as suas tropas.
04:16Foram destruídas também antenas de comunicação, centro de comandos e controle.
04:21Ou seja, esses 150 aviões, eles foram escoltando esses helicópteros
04:26e destruindo tudo o que tinha de obstáculo, de defesa antiaérea, de aviação no caminho.
04:32Eles destruíram, por exemplo, uma bateria antiaérea ali no aeroporto de La Carlota,
04:39que fica dentro de Caracas.
04:43E depois, acredita-se, os Estados Unidos não falaram onde exatamente foi esse ponto,
04:48mas foi o Forte Tiuna.
04:50E esses helicópteros desembarcaram, trocaram tiros com as forças cubanas,
04:56que estavam protegendo o Maduro, mais de 30 cubanos foram mortos,
05:02e eles embarcaram por volta das duas e meia da manhã.
05:05Esses helicópteros já tinham saído do espaço aéreo da Venezuela
05:09e voltado para os seus porta-aviões.
05:12A crítica está, inclusive, nisso, que alguns civis foram atingidos durante esse ataque,
05:17pessoas morreram, e por isso que foi classificada pelas organizações
05:21como uma estratégia que foi adotada pelos Estados Unidos
05:25que não teve tanta eficácia em relação a essa extração.
05:29Aqui no nosso estúdio, Fabrício Naites, que também é presente,
05:31nosso editor de internacional, está acompanhando desde o fim de semana,
05:35estava de plantão também, né, Fabrício?
05:36E aí, eu acho que pode trazer mais atualizações para a gente
05:39do que as notícias internacionais, as agências estão tratando também nesse momento.
05:44Muita atenção agora, David, bom dia para você,
05:46todo mundo que acompanha aqui, o Morning, o Kawaguchi.
05:50Muita atenção nesse momento para o julgamento,
05:52para a chegada de Nicolás Maduro no tribunal lá em Manhattan, em Nova Iorque,
05:57onde vai ser iniciado, então, todo esse processo de iniciamento,
06:00acusação por narcotráfico, por posse de armas,
06:04é uma situação bastante delicada.
06:06A gente recebeu uma informação sobre o advogado de defesa de Nicolás Maduro,
06:11que foi indicado pela própria corte lá em Nova Iorque,
06:14é David Wickstrom.
06:16E ele também, Maduro, deve indicar o seu próprio advogado,
06:19a sua própria defesa para esse julgamento.
06:23Se há alguma ideia de que ele possa evitar ser condenado,
06:29é pelo fato de que é muito difícil ligá-lo de maneira concreta ao narcotráfico, né,
06:35pela forma como é dirigido, como existe, de fato, o chamado cartel de Los Soles,
06:43que não é uma organização estruturada de narcotráfico.
06:47Pelo menos é isso que dizem os especialistas.
06:49O Donald Trump, o governo dos Estados Unidos,
06:51tem falado que eles têm um material muito forte contra Nicolás Maduro.
06:55Então, eles, aparentemente, pelo menos na retórica,
06:58estão se garantindo judicialmente de que vão, sim, conseguir condenar Nicolás Maduro.
07:03Agora, por outro lado, essa operação, David,
07:07ela foi bem-sucedida do ponto de vista norte-americano.
07:10Você conseguir entrar em Caracas, que é uma região ali cercada por montanhas,
07:16não muito longe do litoral, é verdade, mas uma área montanhosa ali em volta,
07:21retirar, extrair o presidente venezuelano de dentro da sua residência oficial
07:26com uma linha de defesa que, tudo bem, não era páreo para as forças especiais dos Estados Unidos,
07:32mas que não deixa de ser um grupo fortemente armado,
07:36é uma operação bem-sucedida do aspecto militar.
07:40Agora, a legalidade disso tudo, a forma como isso foi conduzido,
07:46é uma outra história que acho que ainda vai repercutir bastante.
07:51E que, talvez, até a defesa de Maduro queira argumentar isso na corte em Nova Iorque,
07:56embora, muito possivelmente, não vá fazer diferença alguma para o resultado do julgamento.
08:00É, sem dúvida, né? Inclusive, eu quero saber com o Kauaguchi também
08:03sobre essa questão dos outros países, porque a intervenção foi feita
08:08por poder bélico que os Estados Unidos têm.
08:10Outros países poderiam se unir, como, por exemplo, China, Rússia,
08:13que ficaram incomodadas, essas nações, com essa ação do presidente americano
08:18e viraram uma guerra.
08:20E qual seria, então, o poder bélico das duas somadas contra os Estados Unidos?
08:25Ou, se é muito remoto também isso acontecer, né?
08:27Eu acho que é um pouco remoto pelo seguinte.
08:30O que o Donald Trump está mostrando com essa ação é que ele é favorável ao que se chama
08:36de um mundo multipolar.
08:38Ou seja, cada potência cuida do seu quintal, em outras palavras,
08:42e de uma forma bastante generalizada.
08:45Ele, ao fazer isso, está dizendo, eu vou exercer influência aqui na América.
08:50Mas isso também é um sinal nas entrelinhas que talvez ele não vá se opor à Rússia,
08:56por exemplo, tentar invadir outro país ali, um país báltico,
09:01ou como ele fez com a Ucrânia, por exemplo,
09:03ou que a China, eventualmente, tente conquistar o território de Taiwan.
09:09O que ele está dando o recado é isso.
09:11A gente não está mais num mundo multilateral,
09:16até o, se não me engano, acho que foi o Mano que falou,
09:18um mundo, uma ordem liberal,
09:21aquela ordem baseada em leis.
09:24Não, a gente está agora num mundo transacional,
09:27num mundo em que cada potência pode exercer influência sobre países ao redor.
09:33Por causa disso, talvez, China e Rússia fiquem contentes,
09:38porque é isso que eles estão advogando durante muito tempo.
09:42Quando a Rússia invade a Ucrânia sem nenhum motivo,
09:46ela está fazendo isso.
09:47Ela está falando, eu sou o mais forte,
09:48eu tenho o direito de exercer o meu poder aqui.
09:51A China ameaça fazer isso em relação a Taiwan.
09:55E quando o Trump faz isso em relação a Venezuela,
09:58parece que há um acordo aí tácito,
10:00entre linhas, que cada potência vai exercer o seu poder
10:04na sua área de influência,
10:06que ela acha que é sua de direito.
10:08Por isso, acho que China e Rússia
10:10não viriam se opor aos Estados Unidos.
10:14China é o país mais próximo ainda
10:16de uma nação que defende o multilateralismo,
10:20ou seja, as assembleias da ONU,
10:22você debater as questões lá,
10:25porque isso é importante.
10:26A China depende muito de comércio externo,
10:28depende mais do que os Estados Unidos.
10:31Então, talvez a China venha a se opor mais fortemente,
10:35mas não de uma forma com meios militares, eu acredito.
10:38Agora, quando a gente fala sobre esse mundo
10:42em que a lei do mais forte é o que impera,
10:46acho que tem break da rádio, né?
10:47Isso, pode fazer.
10:48Então, a gente vai...
10:51É que você tem um ponto, né?
10:53Bom, pro pessoal que nos acompanha pelo rádio,
10:55a gente vai fazer um rápido break,
10:56e vamos continuar a conversa aqui.
10:58Daqui a pouquinho a gente está de volta pra vocês.
11:00Boa.
11:01Mas retomando o ponto,
11:03quando a gente fala que a lei do mais forte está em vigor,
11:06isso quer dizer que quem não é tão forte assim
11:09vai correr pra se armar e ficar mais forte.
11:14Qual pode ser o efeito disso na sua visão
11:17aqui na América Latina, no Brasil?
11:21A gente vai discutir um aumento de orçamento de defesa, por exemplo.
11:26E do ponto de vista da Europa?
11:28Como que a Europa olha pra esse novo mundo
11:31em que a Rússia pode começar a querer invadir outros países
11:36pra além da Ucrânia?
11:37Onde que isso pode parar?
11:39Esse ponto é muito importante, mano,
11:41porque a gente vai discutir estratégia militar.
11:44Quando a Rússia invadiu a Ucrânia lá em 2022,
11:48o mundo inteiro falou,
11:49opa, estava todo mundo,
11:50a gente vivia numa ordem mundial,
11:52foi apelidada de a paz americana.
11:55Nos últimos 20 anos,
11:57só os Estados Unidos tinham condição
11:59de exercer poder em qualquer parte do mundo.
12:02Aliás, eles continuam com essa condição,
12:05isso não mudou,
12:06mas agora tem outras potências
12:08que também estão tentando exercer poder,
12:10como a Rússia e a China.
12:13Então, o que acontecia?
12:15Ninguém achou que ia haver uma guerra de larga escala.
12:18A gente está falando aqui da Venezuela
12:20de cerca de 40 mortos.
12:22Quando a gente fala da Ucrânia,
12:24a gente está falando de centenas de milhares de mortos.
12:28É uma guerra de atrito.
12:29É uma guerra completamente diferente.
12:31O que conta lá na Ucrânia
12:33não é, por exemplo,
12:34a alta tecnologia de um caça invisível.
12:37Claro que isso ajuda,
12:38mas o que está contando
12:39é aquele drone pequenininho
12:41que é usado como enxame,
12:42é usado às dezenas de milhares
12:44e guerra de trincheira,
12:47guerra que nem da Primeira Guerra Mundial.
12:49Então, todas as nações,
12:50inclusive os Estados Unidos,
12:52mudaram a sua doutrina de combate
12:55para lutar guerras
12:56como aquela lá da Segunda Guerra Mundial,
12:59fazer desembarque anfíbio,
13:00desembarque da Normandia,
13:01esse tipo de coisa.
13:03Começaram a investir em tropas mais pesadas
13:05e não em alta tecnologia.
13:08O que o Trump mostra com essa operação
13:11é que ele diz o seguinte,
13:12não, os Estados Unidos,
13:13ele vai continuar voltado,
13:16ele não vai querer se envolver
13:17em grandes guerras de atritos
13:19como essa da Ucrânia.
13:21Ele vai usar a força e a alta tecnologia
13:24para fazer ações pontuais
13:26e chegar aos objetivos políticos dele.
13:29Se isso vai dar certo,
13:30a gente não sabe,
13:31porque em muitas ocasiões,
13:33muitas nações foram surpreendidas
13:35que achavam que dava para fazer
13:37esse tipo de guerra,
13:38guerra rápida, efetiva,
13:40e acabaram se prendendo
13:42em uma guerra arrastada,
13:44guerra de atrito,
13:45essa como da Ucrânia,
13:46que fica anos e anos,
13:48você perde dezenas,
13:50centenas de milhares de combatentes
13:52para conseguir avançar
13:54pequenas partes
13:55no território do seu oponente.
13:58Então, trazendo aqui a discussão
14:00para a América Latina,
14:02a gente fica um pouco,
14:04a gente não tem no Brasil,
14:06por exemplo,
14:06um investimento em forças armadas.
14:08As nossas forças armadas,
14:10elas não têm, por exemplo,
14:11nem as defesas antiaéreas
14:13que a Venezuela tinha
14:15e que foram tão facilmente
14:18expostas e neutralizadas
14:20pelos Estados Unidos.
14:22O que o Brasil pode,
14:23no máximo, fazer
14:24é tornar mais custosa
14:26uma invasão de larga escala,
14:29ou seja,
14:29por que os Estados Unidos
14:31não quiseram botar tropas
14:32na Venezuela?
14:33Porque isso seria muito mais caro
14:35e teria um custo político
14:37muito maior.
14:38Então, eles não colocaram
14:39tropas no terreno,
14:40fizeram essa operação
14:42altamente tecnológica.
14:43Nenhum país da América Latina
14:45pode se prevenir
14:46contra uma operação dessa
14:48dos Estados Unidos.
14:49O que dá para fazer
14:50é você colocar mais tropas,
14:53você colocar mais tecnologia,
14:54para que uma nação,
14:56e aí não estou falando
14:57só dos Estados Unidos,
14:58mas qualquer outra nação
15:00mais poderosa
15:00queira mandar tropas
15:02para o terreno,
15:03tanto do Brasil
15:04como de outras nações.
15:06O que dá para fazer
15:06é tornar a coisa mais cara
15:08e mais custosa politicamente
15:10para que essas nações
15:12se preocupem com outros problemas,
15:14com outros países
15:15e não com a gente.
15:16Sem dúvida.
15:17Pode falar.
15:18Não, eu concordo bastante
15:19com o que o Calago te falou.
15:20Tem uma questão,
15:21os Estados Unidos
15:21não querem uma guerra de atrito
15:23e eles têm uma vantagem
15:24que é geográfica.
15:26Historicamente,
15:27nunca houve uma guerra
15:28entre dois Estados
15:29dentro dos Estados Unidos.
15:30Na Segunda Guerra,
15:32o Japão ataca
15:32a base de Pearl Harbor
15:33que fica no Havaí,
15:34bem longe da porção continental
15:36dos Estados Unidos,
15:38e aquilo ali
15:38foi uma coisa
15:39praticamente única,
15:41inédita na história
15:42e que não se repetiu.
15:45Diferente da Rússia,
15:46que é cercada
15:46por vários países europeus,
15:48a própria China também
15:49cercada por vários outros países,
15:51isso muda bastante
15:53o cenário.
15:55E aí o Calgut tinha comentado
15:57da questão do mundo multipolar,
15:59os Estados Unidos
16:00cuidando do que seria
16:01a sua área de influência
16:02aqui, a América,
16:04e levantando essa preocupação
16:06entre Rússia e, por exemplo,
16:08Europa, Ucrânia,
16:09mas ativamente China
16:10com Taiwan.
16:11No caso de China e Taiwan
16:13tem um pequeno diferencial
16:16que é o seguinte,
16:17além da questão histórica,
16:19há uma grande disputa
16:20sobre a quem pertence Taiwan,
16:22o que é de fato Taiwan,
16:24que não vem ao caso
16:25aqui agora,
16:26mas a importância econômica
16:29hoje do Taiwan
16:30para os Estados Unidos
16:31é muito maior
16:32do que o da Venezuela
16:33para a China.
16:34Então, no caso
16:35de uma invasão chinesa
16:37à Taiwan,
16:37a gente poderia ter
16:38uma resposta mais firme
16:39dos Estados Unidos
16:40do que a resposta chinesa
16:42a essa entrada
16:43na Venezuela.
16:45Até porque
16:45a expectativa
16:46que a gente tem
16:47é de que
16:48a venda de petróleo
16:50da Venezuela
16:50continue,
16:52aliás, não só continue,
16:53que aumente agora
16:54a exploração de petróleo
16:55na Venezuela.
16:57Então, talvez a China
16:57vá comprar
16:58menos petróleo
16:59proporcionalmente
17:00e pagando um pouquinho
17:02mais caro
17:02ou bem mais caro,
17:04não se sabe ao certo,
17:05mas vai comprar
17:06de um bolo
17:07bem maior,
17:07porque vai começar
17:08a sair mais petróleo
17:09daquele solo.
17:10Pelo menos
17:11é essa a expectativa.
17:12Enquanto Taiwan
17:13é um país
17:14muito importante
17:15no que diz respeito
17:15a semicondutores,
17:17chips,
17:17enfim,
17:18uma questão
17:18de produtos tecnológicos
17:21que os Estados Unidos
17:21dependem.
17:22E aí vem
17:23uma terceira questão
17:24que eu acho
17:25que é o seguinte,
17:26é a arma do diálogo,
17:27David,
17:27a arma do diálogo
17:28é a arma nuclear.
17:30Você tem uma bomba
17:31nuclear no seu país,
17:32o outro país
17:33que está te ameaçando
17:33já vai logo
17:34querer partir para o diálogo.
17:35é a Coreia do Norte,
17:36por exemplo.
17:37Os Estados Unidos
17:38adorariam entrar
17:39na Coreia do Norte,
17:40a Coreia do Sul
17:40adoraria entrar na Coreia do Norte.
17:41É a força da arma, né?
17:42É a força da arma,
17:43exatamente.
17:44E aí,
17:45quem é que vai
17:45ameaçar
17:46entrar na Coreia do Norte
17:47se o Kim Jong-un
17:48tem lá o botão
17:48que ele pode apertar
17:49a qualquer momento?
17:50Ninguém vai entrar.
17:51O tratado
17:52de não proliferação nuclear
17:53proíbe que os países
17:55que assinam o tratado,
17:57o Brasil é um desses,
17:58tenham uma arma nuclear.
17:59É até bom
18:00que a gente não queira
18:01a proliferação
18:02de armas nucleares.
18:03Mas no mundo
18:04de hoje
18:05é cada vez mais,
18:07eu diria assim,
18:08importante, né?
18:09Você se faz mais necessário
18:11como o seu último
18:13recurso de defesa.
18:14Quer dizer,
18:15não vem pra cá não
18:16que eu aperto o botão
18:17e se for pra morrer
18:18vai morrer todo mundo,
18:19entendeu?
18:20Há pouco a gente mostrou
18:20inclusive uma imagem ao vivo
18:22que o Carl Augusto
18:22continua aqui com a gente
18:23da reunião que vai ter
18:25na ONU, né Fabrício?
18:26Você tem informações
18:26sobre isso também?
18:27Ó, essa imagem aí.
18:28É, exatamente.
18:29Deixa eu começar daqui a pouquinho
18:30a reunião no Conselho
18:30de Segurança da ONU.
18:31Essa reunião foi solicitada
18:32pelo governo da Colômbia.
18:35A Venezuela também pediu...
18:37Também tá sendo ameaçada, né?
18:38Exatamente.
18:39Também tá nesse bolo, né?
18:40Direto ou indiretamente,
18:42tá passando pela situação.
18:43O que deve acontecer,
18:45muito possivelmente,
18:46o Conselho de Segurança
18:46vai debater a legalidade
18:48da operação dos Estados Unidos
18:50em território venezuelano.
18:51E aí vai acontecer
18:52o que geralmente acontece
18:53na ONU.
18:55Os países vão dizer
18:56é ilegal.
18:57E não vai acontecer nada.
18:58Nicolás Maduro
18:59vai continuar feliz.
19:00Entendeu?
19:01Não vai acontecer nada.
19:02É um cachorro que late,
19:03mas não morde, né?
19:05Então, fica sossegado
19:06que não vai mudar
19:07rigorosamente nada, não.
19:09E se mudar algo,
19:10claro que a gente vai
19:10trazer a informação,
19:11inclusive pra quem
19:12nos acompanhou pelo rádio.
19:13A gente fica por aqui.
19:14Amanhã a gente tá de volta
19:15às 10 horas da manhã.
19:16Vocês ficam agora
19:17com o pânico.
19:19Para as outras plataformas,
19:21seguimos repercutindo
19:22toda essa situação,
19:23essa tensão.
19:24O Diego Tavares
19:24tem uma pergunta, Diego?
19:25Tenho, tenho sim.
19:26Tava aqui acenando
19:27pra você, David,
19:27porque eu preciso
19:28perguntar isso,
19:28porque a grande questão
19:30que tem sido colocada
19:31na mesa é como fica
19:32o Brasil em todo
19:34esse contexto.
19:35Se nós tivemos
19:36uma ação dentro desse,
19:37inclusive desse contexto
19:38do reestabelecimento
19:39de uma zona de influência
19:41norte-americana
19:42em todo o território
19:43das Américas,
19:44se fizeram isso
19:45com a Venezuela
19:46em razão do petróleo
19:47e outras questões,
19:48enfim, de geolocalização,
19:50o que pode acontecer
19:51com o Brasil
19:52perante essas potências,
19:53sendo que o Brasil
19:53é o segundo
19:54maior depósito
19:56de terras raras,
19:57que hoje,
19:57no século XXI,
19:58é tão importante
19:59quanto o petróleo
20:00do ponto de vista
20:01estratégico.
20:02Calgut,
20:02qual que pode ser
20:03o impacto
20:04para o Brasil
20:04nesse novo contexto
20:06das novas relações
20:07geopolíticas?
20:08Muito bem lembrado,
20:10Diego,
20:10as terras raras
20:11são,
20:12elas podem ser
20:13uma coisa
20:14que traga problemas
20:15aqui para o Brasil,
20:17ou seja,
20:18você muito bem colocou,
20:19a gente tem
20:20terras raras
20:21no território brasileiro,
20:22o Trump,
20:23ele não tem interesse
20:24de trazer essas terras raras
20:26da China,
20:27porque é uma forma
20:28da China controlar
20:29os Estados Unidos,
20:31porque eles são muito
20:32dependentes de terras raras,
20:33então eles estão procurando
20:34outros locais
20:35para poder minerar isso.
20:37O Brasil tem,
20:38não é só o Brasil
20:39que tem,
20:40mas aqui no continente americano
20:42é um depósito
20:44bastante interessante
20:45para os Estados Unidos
20:46virem minerar,
20:47é o chamado
20:48ou seja,
20:50você consegue
20:51os suprimentos,
20:52as mercadorias
20:53e os produtos básicos
20:55que você precisa
20:56de países aliados
20:58ou países
20:59mais próximos
21:00de você.
21:01Aí os Estados Unidos
21:02não precisam ter
21:02uma dominação mundial,
21:04não precisam ter
21:05uma marinha
21:06tão capaz
21:07de manter
21:07as rotas
21:08de comércio abertas
21:09se eles tiverem
21:10tudo o que eles precisam
21:11aqui no continente americano.
21:14Por exemplo,
21:14o petróleo,
21:15os Estados Unidos
21:16ele era super dependente
21:17do petróleo lá
21:18na década de 70
21:19quando houve a crise
21:20do petróleo.
21:21Todo mundo falava
21:22os Estados Unidos
21:23só faz guerra
21:24por causa de petróleo.
21:25Agora essa realidade
21:26mudou
21:26porque ele tem
21:27reservas gigantescas
21:29de petróleo de xisto,
21:31ele não é mais tão dependente
21:32do Oriente Médio,
21:33por exemplo.
21:34Mas se ele consegue
21:35o petróleo
21:36na Venezuela,
21:37se ele consegue
21:37as terras raras
21:38no Brasil,
21:39ele pode fazer
21:40o que o movimento
21:41MAGA
21:41faça a América
21:42grande novamente
21:44está pregando
21:45desde o início
21:45que é você se fechar
21:47para dentro,
21:47você não se inserir
21:49em outros combates,
21:51outras lutas mundiais,
21:53você não entrar
21:53em outros países,
21:55ele pode ter tudo aqui.
21:56E só para finalizar
21:57essa questão
21:58do Brasil
21:59especificamente
22:00lá em Pacaraima,
22:01a única operação
22:02de guerra
22:03entre aspas
22:04que o exército
22:05brasileiro faz
22:06é a operação
22:07de Pacaraima,
22:08está reforçado
22:09com blindados,
22:10mísseis ali
22:11na fronteira
22:12porque eles têm medo
22:13que se tiver
22:13uma luta
22:14entre facções
22:15da Venezuela,
22:16alguma facção
22:17entre no Brasil
22:18para lançar ataques
22:19dentro da Venezuela
22:20e isso o Brasil
22:21não pode deixar acontecer.
22:22É, de jeito nenhum,
22:24mais uma facção,
22:25a gente já tem
22:25mais de 70,
22:26então imagina
22:27como é que fica
22:27o Brasil.
22:28Bom, nós conversamos
22:29com jornalistas
22:29especializados
22:30em áreas de segurança,
22:31esclarecendo
22:32diferentes pontos aqui,
22:33Luiz Kawaguchi,
22:34que eu agradeço
22:35demais a presença
22:36no Morning Show.
22:37Muito obrigado,
22:38é sempre uma honra.
22:39Obrigado.
Comentários

Recomendado