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O filme brasileiro “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu o Critics Choice Awards como Melhor Filme Estrangeiro neste domingo (04), na Califórnia, consolidando mais um reconhecimento internacional para o cinema nacional. Josias Teófilo opinou sobre o assunto.

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Transcrição
00:00E nós temos o nosso cineasta Josias Teófilo aqui com a gente no Morning Show, ele que passou
00:06o 2026 em algum lugar que eu não sei qual, eu quero saber, porque tem informação sobre
00:14cinema e todo esse contexto também da Venezuela, né Josias?
00:17Tá meio pronunciado, viu?
00:19Tá pronunciado, né?
00:19Onde será que ele passou?
00:21Tô aqui no interior do Rio Grande do Sul, São Gabriel, na verdade é Suspir, um distrito
00:28de São Gabriel, vim escrever meu livro, tô terminando meu livro aqui sobre Tarkovsky e
00:34pois é, e tem o fato de que o filme Pernambucano, o Agente Secreto, ganhou um prêmio no Critic
00:42Awards, né?
00:43Um prêmio muito prestigiado, vence o melhor filme internacional e um filme que tá fazendo
00:50uma carreira muito impressionante, foi estreado em Cannes, eu vi o filme lá em Cannes e trouxe
00:55pra vocês os comentários em primeira mão, depois que eu vi lá e voltei pra São Paulo
01:00e...
01:01Aliás, eu quero saber, mano, o que é que você, meu conterrâneo, achou, porque é
01:10filme Pernambucano, né?
01:12Eu gostei, eu não costumo gostar dos filmes do Kleber, mas eu gostei de O Agente Secreto,
01:18eu acho que ele conseguiu reconstituir um pouco o clima da época, é claro que tem alguns
01:23exageros, mas no geral eu achei um filme divertido porque consegue fazer uma reconstituição
01:29bem humorada, não quero dar spoiler, mas tem uma parte de, digamos assim, realismo
01:34mágico, que eu morri de rir com essas cenas e também acaba tendo algumas homenagens a vários
01:41clássicos do cinema, sobretudo Tubarão, né?
01:45Então eu achei, no conjunto da obra do Kleber, o melhor filme de ficção.
01:49É interessante porque Kleber começou com esse tema que foi mais desenvolvido em O Agente
01:57Secreto, no curta dele, que ele estudou na UFPE, jornalismo, né?
02:02E ele fez como conclusão de curso um curta mostrando os cinemas de bairro que naquela
02:07época ainda estavam funcionando.
02:09E aí depois ele faz o filme Retratos Fantasmas, que é um documentário bem legal que mostra
02:15os cinemas de bairro do Recife hoje em dia como eles estão, né?
02:19Inclusive dialogando com esse filme.
02:21E aí ele amplia esse tema com também dessa época em que os cinemas de bairro do Recife
02:27estavam no auge em O Agente Secreto, né?
02:30Então ele foi crescendo esse tema, que é um tema muito caro a ele.
02:34E ele vai... é um cineasta que faz filmes muito pessoais mesmo.
02:38Aliás, ele sempre fala, ele é viciário em falar isso, é um filme muito pessoal, etc.
02:42Então, mas a crítica que eu tenho, evidentemente, é que o filme quis comprar todas as pautas
02:49ao mesmo tempo, né?
02:50Então o filme trata do racismo, da homofobia, da ditadura militar, do preconceito contra o
02:56nordestino, do colonialismo.
02:58E ele quis inserir isso tudo, o filme ficou muito disperso, muito longo, duas horas e quarenta
03:02de filme.
03:03E eu não acho que esse filme prendeu o espectador, não.
03:06Agora, nós, eu e o Mano, somos bairristas, nós estamos torcendo pelo filme aí, sem o
03:11centro, pelo Oscar.
03:13É, desceu a lenha, mas ele tá torcendo.
03:15Ainda é um filme do Cleber, né?
03:17Eu não sei, eu acho que o Cleber não consegue fazer um filme sem esses temas todos, né?
03:21Então ainda é um filme do Cleber.
03:23Então eu já fui assistir sabendo que ia ter tudo isso.
03:28E aí, dentro das expectativas, eu consegui curtir a reconstituição do Recife dos anos
03:34setenta.
03:35Então eu acho que tem também toda essa carga emocional, né?
03:38De ver a nossa cidade reconstituída, com carros de época, todo o trabalho aí de fotografia
03:46e de figurino, eu achei muito legal.
03:49Aquela camisa da pitombeira dos anos setenta, eu achei essa parte muito legal.
03:54Mas eu acho que só vocês assistirem, eu tava acompanhando aqui o chat, ninguém falando
03:58aqui que assistiu, inclusive eu quero comentários aqui sobre o filme.
04:01Mais comentários, porque a opinião, o Mano foi favorável ao filme, gostou do filme,
04:06já o Josias desceu a lenha.
04:08Vocês viram o filme também ou não?
04:09Não, eu não assisti, inclusive vi pessoas dizendo que por ser do cinema brasileiro,
04:15em especial do Wagner Moura, que é contrário, né?
04:17Enfim, expressamente aí.
04:19É, as opiniões dele que são.
04:20É, isso, ele manifesta a questão ligada mais ali, contrária à ala da direita.
04:26Vi pessoas dizendo, não, não vou assistir, não quero nem de graça.
04:29Então isso eu vi nas redes sociais, né?
04:31Mas o filme em si eu não assisti.
04:33Mas eu acho que se é o cinema brasileiro, ou David, a gente tem que torcer, não tem
04:38como você torcer e tá dentro, né?
04:39Então eu parabenizo ele ter levado aí a premiação.
04:43Eu espero assistir, mas agora deu uma desanimada, porque o Mano falou que são quase três
04:47horas, é um longa, embora tenha pautas importantes, né?
04:50Duas horas e quarenta, eu tenho uma certa dificuldade.
04:53É que vem prestações.
04:55Eu tenho certa dificuldade de assistir filmes que são assim tão...
04:58Mas no cinema tem que ter intervalo, né?
04:59Ou fazer um xixi antes.
05:00Parece que, dentre as minhas prioridades de coisas a se fazer e filmes a se assistir,
05:05eu já não tava muito propenso a assistir.
05:07Depois que eu soube que dura duas horas e quarenta, e tem o Wagner Moura como ator principal,
05:12eu realmente vou deixar lá pra...
05:13É, mas é bom o brasileiro comemorar, viu, David?
05:16Porque a Copa do Mundo vai ser difícil esse ano, então, talvez é bom comemorar esse
05:21prêmio aí pra ter pelo menos algum motivo.
05:24É a única coisa que tá sobrando, não sei mais o que sobra pra nós, não tem mais
05:27o que sobra.
05:27Não, mas assim, pra conseguir curtir o filme, tem que abstrair da questão política.
05:32Não dá pra ir pro filme querendo ver a sua visão política.
05:37Não, a visão do Kleber é muito particular, muito específica.
05:42O Kleber é mais radical do que o Wagner Moura, inclusive.
05:45Então, assim, o diretor é um diretor de esquerda.
05:49A questão que eu coloco até, desculpa, mano, pro Josias aí, é, será que é preciso
05:52sempre a gente militar ou mitar ou lacrar dentro da arte?
05:59Será que não é possível fazer uma arte realmente baseada ou no entretenimento, ou na arte pela
06:04arte?
06:04Me parece que a cultura brasileira, de uma maneira geral, não somente no cinema, se baseia
06:11muito nessa necessidade, em militar, em adotar posições ideológicas e, por vezes, lacrar
06:19utilizando a cultura.
06:21E aí, Josias?
06:22Pois é, porque, na verdade, é o seguinte.
06:24Existe uma estrutura de...
06:27É uma hegemonia tão grande da esquerda na cultura que só chega a ter sucesso, só
06:33chega a fazer grandes filmes quem milita, quem entra pra esquerda e começa...
06:38Até Kleber.
06:39Kleber resistiu muito ao identitarismo.
06:42Eu lembro que quando eu o conhecia, ele era uma pessoa muito contra essas coisas, de filme
06:47militante, de...
06:50Ele era contra mesmo, ele falava contra essas coisas, de militância LGBT nos filmes, de
06:55militância feminista, e eu ainda acho que ele não gosta muito disso, disso, mas ele
07:01cede.
07:02E uma coisa que me incomoda também é não só essa coisa da militância, de ter que
07:06atrelar todo o filme a um... todo um discurso, é... é também o que eu chamo de província
07:13animo temporal, você trazer tudo para o presente.
07:16Então, por exemplo, uma das coisas que ele trata é aquele caso de uma... do filho
07:22da empregada doméstica que caiu por causa do desleixo da patroa, né?
07:28Ele traz essa história que é dos últimos anos, no Recife, uma história que ficou muito
07:32famosa, virou uma lei, né?
07:34E ele traz para os anos 70.
07:36Então, Kleber traz tudo para a atualidade política, isso é uma coisa muito desagradável.
07:41E tudo virou militância.
07:42E o pior é o seguinte, atualmente, a discussão deixou de ser estética e virou temática.
07:48Então, se discutem os temas dos filmes e não as soluções estéticas dos filmes.
07:54Isso virou uma epidemia dentro dos festivais.
07:57É uma coisa muito chata, porque a gente não está discutindo montagem, fotografia, a gente
08:02nunca discuta essas coisas nos festivais, na imprensa.
08:05É só assim, Kleber dá entrevista falando da anistia de 78, fica falando de outros temas.
08:13E isso aí é muito chato.
08:16E tem uma coisa também que eu acho engraçada, que é o seguinte, o eixo principal do filme
08:20é o preconceito contra o nordestino, né?
08:22Porque é isso que faz o sujeito mandar matar o outro.
08:25Isso não chega a ser um spoiler, porque está no começo do filme, mais ou menos, tá?
08:28Então, e o preconceito contra o nordestino, eu acho muito curioso, Kleber falando isso,
08:34porque ele sempre teve uma complacência muito grande da crítica do sul do Brasil, do sudeste do Brasil.
08:41Então, a Folha só elogia, não saía uma crítica negativa contra o seu redor, entendeu?
08:46É 90, agora, mesmo com a gente secreta, a maior parte das críticas são favoráveis.
08:52Então, ele obtém a complacência por ser nordestino, por ser pernambucano.
08:57E não a crítica, ele não sofre preconceito, pelo contrário.
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