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O cientista político Carlos José León avaliou que o ataque à Venezuela gera preocupação com possíveis retaliações do regime chavista contra a população e grupos opositores.
Segundo ele, há risco de repressão interna, bloqueio de recursos essenciais e agravamento da crise humanitária, apesar da expectativa de mudanças no comando político do país.
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Segundo ele, há risco de repressão interna, bloqueio de recursos essenciais e agravamento da crise humanitária, apesar da expectativa de mudanças no comando político do país.
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NotíciasTranscrição
00:00A participação do cientista político Carlos José Leon, muito obrigado pela participação do senhor conosco aqui.
00:06Claro que nós estamos acompanhando tudo ao vivo nesta madrugada.
00:09A expectativa então de um pronunciamento do presidente Donald Trump às duas horas horário de Brasília.
00:14Poderemos ter evidentemente mais esclarecimentos, mas nesse tudo que aconteceu até agora, professor,
00:21como é que o senhor avalia essa situação? Chegou até a surpreender o senhor essa invasão?
00:26Bom dia, obrigado pela oportunidade.
00:30Sim, de fato, a notícia chegou de imprevisto.
00:33Tenho parentes lá, amizades que já de madrugada estavam em contato, me informando do que estava acontecendo.
00:40Como venezuelano, que estou no estrangeiro, vendo aquela situação de primeira, me preocupo pelos parentes,
00:49pelas amizades, pelo país inteiro que está sobre essa situação e vivenciando logo de cara bombardeios
00:56ou, digamos, explosões logo na cidade de Caracas.
01:00Por outro lado, sei que também o temor que nós temos é a reação do próprio grupo político,
01:07o grupo armado que comanda o regime do Nicolás Maduro.
01:10Estamos falando do chefe como Diosdado Cabello, que hoje é o ministro de Interior e Justiça.
01:15Ele já se comunicou através de uma live, dizendo que o povo deve ir às ruas,
01:21porque eles durante meses foram preparados e armados para essa situação, para esse momento.
01:26Então, a minha preocupação, sabendo, visto o que já aconteceu em cenários de mobilização social no passado,
01:32é a retaliação, mais presos políticos, mais busca de pressão nacional contra grupos opositores
01:39ou pessoas que apenas se recusem a participar ou pegar uma arma para defender o território nacional
01:45possam receber alguma espécie de castigo.
01:49A gente sabe que isso envolve bloqueio de alimentos, bloqueio de energia, bloqueio de outros recursos essenciais
01:57para as famílias venezuelanas.
01:59Por outro lado, existe também uma espécie de esperança de que isso tudo possa sair
02:05sem custos humanos para a Venezuela, mas que com uma quebra importante dentro da estrutura do próprio chavismo,
02:15que seria a saída do ditador Nicolás Maduro do poder.
02:20Também, agora, analisando dentro do ponto e do espectro político,
02:25é uma preocupação também saber que o chavismo, enquanto estrutura, poderá continuar
02:30e só vai sair o Nicolás Maduro, que é uma ala mais representativamente ideológica,
02:36o braço cubano que opera dentro da Venezuela.
02:39Seria apenas uma saída, uma limpeza dentro da própria ordem política
02:42para constatar o que há uns meses atrás surgiu também nas redes sociais, nos meios de comunicação,
02:49que seria um acordo que os irmãos Rodrigues, Tessio Rodrigues e Jorge Rodrigues
02:54teriam feito ao Donald Trump, que seria um chavismo, uma continuidade do poder político,
03:00do governo chavista, sem a presença do ditador Nicolás Maduro,
03:04e que inclusive teria uma eleição, uma nova eleição, para reeditimar as instituições venezuelanas.
03:11Professor, como venezuelano, não sei há quanto tempo o senhor está aqui no Brasil,
03:17acompanhando em outro país o que acontece na Venezuela nessas últimas duas décadas,
03:23principalmente essa eleição, o Eliseu Caetano, nosso correspondente nos Estados Unidos,
03:29trouxe informações de pessoas saindo, comemorando, obviamente, um sistema repressor,
03:33uma repressor aí que trouxe muita pobreza para o país, mas ao conversar aí com parentes e amigos,
03:39você que tem essa proximidade ali com o país, esse ato assim, ele é totalmente apoiado pela população
03:47para que os Estados Unidos tenham essa invasão?
03:49Ou preocupa também essa questão da soberania, de agora o país ficar à mercê de decisões
03:55que podem não ser favoráveis para o país?
03:59Bom, em questão de população, existe um grande medo de admitir publicamente dentro da Venezuela
04:05uma alegria, uma emoção pela saída ou uma intervenção militar contra o chavismo,
04:11que é o discurso que o Donald Trump tenta colocar, que é um ataque contra a estrutura do cartel do SOIS
04:17e uma organização terrorista e não contra o povo venezuelano.
04:21Apesar dessa ser a narrativa do governo venezuelano, para dizer que todos vão ser ou irão ser prejudicados.
04:28Essa cercania, essa proximidade de parentes, amizades, expressos políticos que eu conheço
04:33que estão na Venezuela, me confirma a questão de que eles não vão assumir em rede social, em WhatsApp,
04:39quem está dentro da Venezuela, uma possível alegria dessa intervenção,
04:43porque já temos casos de pessoas condenadas a 15, 20, 25 anos,
04:47só por escrever um status do WhatsApp, algum descontentamento contra o regime venezuelano.
04:53Então, em primeira instância, responder essa questão tem a ver com medo.
04:57Agora, essa alegria em grupo, massiva, pode ser vista nas principais cidades,
05:01porque é contrariedade o regime atuar de forma massiva, contra as pessoas.
05:07Externamente, para quem está fora, claro, existe essa alegria imensa
05:12e já está rodando muitos vídeos de pessoas ao redor do mundo
05:16com a expectativa da saída do regime nesse momento.
05:21Da minha alegria particular, como eu já disse,
05:23é o contentamento porque eu estou há oito anos aqui no Brasil,
05:26uma saída também toda tumultuosa que eu tive da Venezuela.
05:30Eu cheguei no Brasil pesando 12 quilos a menos.
05:33Então, ver essa situação hoje acontecendo, sabendo que eu tenho famílias lá
05:37que têm problemas de alimentação, que têm problemas de abastecimento em casa
05:40para os meus sobrinhos que estão na escola, que não têm alimentação saudável,
05:46para mim isso seria um primeiro grande passo,
05:49porque eu sei que a estrutura é grande, ela é independente do Nicolás Maduro,
05:53como foi citado aqui, ela é uma rede de corrupção toda expandida
05:58pelo território nacional, que abarca portos, aeroportos, marítimos,
06:04até o funcionário de menor rango ou escalão militar tem o benefício dessa rede,
06:10os salários estão atrelados a uma corrupção que vem de muitos anos,
06:14então a minha preocupação é porque isso pode continuar.
06:18Então, o passo da saída do Maduro seria apenas tirar a cabeça hoje
06:23que tem um preço pedido internacionalmente, porém a dor, a sofrência que tem o povo venezuelano
06:30é que essa corrupção possa continuar e a gente esteja hoje só assistindo
06:34uma mudança de comando dentro do próprio regime venezuelano.
06:39É o trocaute seis por meia dúzia, né professor?
06:41Agora a pergunta do Fabrício Naitski.
06:44Carlos, bom dia.
06:46Eu queria explorar um pouquinho mais o que você falou agora há pouco
06:50sobre as alas do chavismo, né?
06:53Porque nesse momento a gente tem declarações do governo venezuelano
06:57dizendo que vai permanecer, vai continuar de pé, vai lutar
07:00e Deuce Rodrigues, de fato, nesse momento é a presidente que está na Venezuela.
07:06Existe, ao seu ver, essa possibilidade do grupo chavista permanecer no poder
07:12mesmo sem Nicolás Maduro.
07:15Como que a gente pode descrever o tamanho, a extensão do grupo chavista no poder hoje?
07:22Ele tem, de fato, diferentes vertentes dentro dele
07:25e alguma delas poderia conversar até com os Estados Unidos?
07:30Existem, sim, essas diferentes vertentes, né?
07:33Como visto aqui em alguns exemplos, Deuce Rodrigues, Jorge Rodrigues,
07:37em cabeça, uma ala do chavismo, temos a ala militar de Osado Cabejo,
07:43o Padrino Lopes, o próprio Nicolás Maduro.
07:46Anos anteriores, até 2023, nós tínhamos o Tarek Elay Samy, né?
07:50São várias cabeças dentro da ala chavista, poderíamos citar outros tantos
07:55que já fugiram da Venezuela porque não conseguiram uma negociação aceitável
08:00com os Estados Unidos e acabaram tendo que fugir porque o próprio chavismo
08:04e a própria rede iria capturá-los.
08:06Quem ficou na Venezuela, no caso, foi o Tarek Elay Samy,
08:09que ele tentou também algum ajuste e acabou sendo preso,
08:13acusado de traidor, envolvido num escândalo numeroso
08:17de mais de 26 bilhões de dólares com a estatal petroleira PDVSA.
08:23Então, até nisso, vemos que a questão não é, a traição não é apenas ideológica,
08:27é um envolvimento econômico que existe dentro da própria estrutura
08:31e o Tarek Elay Samy pagou esse preço.
08:34Agora, dentro da continuidade do próprio chavismo, militarmente,
08:38nós sabemos que eles não têm uma estrutura que consiga resistir a um ataque,
08:43uma intervenção direta, armada.
08:45Não há uma estrutura que seja fortificável.
08:50E o exemplo que nós estamos vendo é que o próprio ministro de Interior e Justiça,
08:54que comanda toda essa força de segurança nacional,
08:57acabou de ser numa live que o povo foi atacado enquanto dormia.
09:02Como assim enquanto dormia?
09:03Não está a Venezuela sob ataque iminente militar dos Estados Unidos?
09:08Como assim que a força de segurança venezuelana
09:10permitiu que todos esses aviões que estão circulando ali,
09:14que se vêem nos vídeos,
09:15atravessassem a cordilheira e entrassem na própria capital da Venezuela?
09:19Isso demonstra que não há uma forte resistência militar,
09:25que há um encantamento com a possibilidade do Donald Trump entrar na Venezuela
09:29e tirar o Nicolás Maduro, inclusive das próprias forças armadas venezuelanas.
09:33O que resta é a mobilização política social civil,
09:38aquela que não é militar, que está também sob o comando do chavismo.
09:42Essa retaliação desses grupos chamados coletivos,
09:45membros do Trem de Aragua,
09:46de outras gangues poderosas que operam dentro da Venezuela,
09:50que comandam cárceres, que comandam favelas.
09:53Qual será o papel que elas jogarão nesse momento
09:57para ou contra a própria população?
10:01Lembrando que no último cenário eleitoral
10:03houve até demarcações das casas onde moravam os opositores.
10:07Eles marcavam as casas com um X preto
10:09para que o chavismo pudesse ubicar as pessoas
10:13que estavam se manifestando,
10:14tanto nas redes sociais, no WhatsApp.
10:17Isso demonstra que essa rede opera além das instituições,
10:21ela opera além do terreno que é legalmente concebido
10:24como o marco legal de todo o país.
10:27É onde a Constituição não consegue chegar,
10:29porque o próprio Estado faz omissão
10:32para esses grupos que vão e perseguem a população.
10:35Carol, só aproveitando um ponto que você trouxe aqui
10:40envolvendo o exército.
10:43O que a gente está acompanhando,
10:45claro, a gente ainda vai ter mais detalhes
10:46sobre como de fato foi essa operação
10:48dos Estados Unidos na Venezuela,
10:50mas o que parece é que as forças especiais americanas
10:55entraram com extrema facilidade em Caracas
10:57e com essa mesma extrema facilidade
10:59tiraram o Nicolás Maduro e sua esposa
11:02de onde quer que eles estivessem
11:03e levaram eles embora.
11:05Você acredita que o exército pode ter virado as costas
11:08para Maduro nesse momento?
11:09Porque pareceu uma operação muito fácil
11:12para os Estados Unidos
11:12em um país que, em teoria, estava resistente.
11:17Seria muito, digamos,
11:20virar as costas para o Nicolás Maduro.
11:23Eu não sou muito nessa teoria,
11:26porque o exército mesmo,
11:28há muitos anos que opera sobre uma rede de corrupção,
11:30como bem foi citado aqui.
11:32Então, ele vai operar em função,
11:34dentro dessa lógica de rede de corrupção,
11:37dentro da lógica de como eu consigo superviver,
11:41como eu consigo sobreviver a essa situação
11:43e tirar ainda a vantagem dessa questão.
11:45Aí a gente poderia estar falando
11:47de uma negociação que envolve os Rodrigues
11:48em liberar o acesso desses aviões
11:50para tirar o Maduro
11:51e haverá um benefício lá na frente.
11:53Mas, por outro lado,
11:54uma teoria que é a mais relacionada à realidade
11:57é a incapacidade de deter, hoje, uma invasão.
12:01Necessariamente, por quê?
12:02Porque a gente está falando de meses de ocupação do Mar Caribe
12:06e nada aconteceu.
12:07Águas internacionais,
12:08águas próximas ao território marítimo e terrestre da Venezuela
12:12e nada aconteceu em defesa dessa soberania
12:14que tanto o chavismo se orgulha em falar.
12:17Então, a população venezuelana também é observadora dessa situação
12:22e sabe que o exército, hoje,
12:25quando ele vê a necessidade de chamar idosos
12:28para defender o território,
12:29está falando abertamente que não tem capacidade,
12:32não tem investimento,
12:33não tem material militar,
12:35de recurso, inclusive, humano,
12:37de preparação para defender o país.
12:41Professor, diante das últimas falas de Nicolás Maduro,
12:45propondo, inclusive, um diálogo com os Estados Unidos,
12:48uma aliança para combater o narcotráfico
12:50e até falando que as reservas de petróleo
12:53poderiam ser exploradas da maneira como conviesse.
12:56Esse cerco forçou a ele a ter essa postura?
12:59O senhor acredita que poderia haver um diálogo
13:02para que essa transição fosse feita de forma mais pacífica,
13:06já que Nicolás Maduro se mostrou aberto
13:08e, mesmo assim, houve o ataque dos Estados Unidos?
13:10Apesar dele se mostrar aberto a situação com a Venezuela,
13:16a gente vem acompanhando,
13:18possivelmente no Brasil tenha sido mais relevante
13:20nos últimos quatro, cinco anos,
13:22inclusive até sete,
13:23por conta da migração venezuelana.
13:25Mas sabemos que a crise venezuelana,
13:27relacionada à queda da produção de petróleo,
13:31começa lá em 2012, 2013,
13:33quando o Nicolás Maduro inicia o seu primeiro governo.
13:36Então, toda essa queda de produção que hoje se comemora em um milhão
13:41já esteve acima de dois milhões.
13:44Então, toda essa negociação que envolvia os Estados Unidos
13:47com a compra-venda do petróleo,
13:48hoje tem um ponto, digamos, de preocupação,
13:53porque existe sim a possibilidade dos Estados Unidos
13:55tomarem conta desse petróleo a partir de agora.
13:58Mas é que os Estados Unidos sempre foi o principal comprador de petróleo
14:02da Venezuela.
14:03E não é tomar o petróleo,
14:05é que sempre foi o principal benefactor
14:08e pago diretamente ao governo venezuelano.
14:11A corrupção que chegou a ter o nível da estatal venezuelana,
14:15lembrando que tem acusações internacionais
14:17de barcos terem sido usados
14:18para transportar petróleo venezuelano
14:21sobre barcos sancionados,
14:23perdão,
14:23Então, essa situação acompanhada nos últimos 13 anos
14:28nos permite ver que houve-se tentativas constantes
14:33de que o Nicolás Maduro deixasse o poder
14:35em cima não só da questão petroleira,
14:37mas também em cima da crise humanitária
14:39ocasionada desde 2017 para cá.
14:42O Brasil, por exemplo, já teve passagem
14:44de mais de 2 milhões de venezuelanos.
14:46Hoje, no Brasil, estão mais de 600 mil venezuelanos.
14:49Só para que vocês tenham uma pequena ideia
14:51do que isso significa.
14:54Só na Colômbia, por citar dois países fronteriços,
14:56tem acima de 3 milhões de venezuelanos.
14:59Quase que a população que tem hoje o Uruguai.
15:02Então, essa situação vem sendo acompanhada
15:05nos últimos anos,
15:06tanto a questão de negócios, petroleiras,
15:08os bancos, que a gente sabe que tem
15:09muitos interesses aqui envolvidos,
15:12tem a questão humanitária,
15:13tem a questão política dos presos políticos
15:15de oposição, inclusive do próprio chavismo,
15:17tem as denúncias dos próprios ministros
15:20do governo do Chávez,
15:22que se revelaram contra o Maduro
15:24devido à malversação de recursos.
15:26E, finalmente, temos a questão militar,
15:29policial, relacionada à questão do narcotráfico,
15:31uma rede também que vinha sendo denunciada
15:34há muitos anos por governos,
15:35como o caso argentino,
15:37que já mostrou presença do Hezbollah
15:39na América Latina
15:41e identificou um dos seus líderes
15:43e que estava com o passaporte venezuelano.
15:46Então, todo esse entramado
15:48que vem há muitos anos,
15:49hoje tem uma expressão indesejável,
15:52no caso, que fosse através do caminho militar,
15:55mas que teve, sim, várias tentativas
15:57de induzir o Nicolás Maduro
15:59a deixar o poder e a essa rede de militares
16:02que estão ali atrelados
16:03ao Cater dos Soles.
16:05Infelizmente, hoje esse é o caminho
16:06que os Estados Unidos estão tomando.
16:08Esperamos, como eu disse,
16:10que não tenha custos humanos civis
16:13nessa questão, porém,
16:15é o caminho que o próprio regime
16:17também pavimentou,
16:18enquanto recurso à ajuda do governo colombiano,
16:21enquanto também recurso à ajuda
16:22do governo brasileiro
16:23para uma negociação mais pacífica
16:25diante desse conflito.
16:26Retorno com o senhor, professor.
16:28O senhor falava justamente
16:29dessa questão que envolve
16:30a saída dos venezuelanos para Roraima.
16:33Nós tivemos, como o senhor falou,
16:34mais de 2 milhões.
16:36Isso aconteceu em várias partes do mundo também.
16:38Agora, no início, o senhor falava
16:40da preocupação de trocar os seis
16:42por meia dúzia.
16:44Porque essa estrutura de governo,
16:45professor, queria que o senhor explicasse,
16:48houve o aumento dos juízes
16:49da Suprema Corte,
16:51houve a promoção de generais
16:53muito jovens,
16:54então havia todo um controle.
16:56Essa máquina foi criada
16:57para forçar essa ditadura.
17:00Nós tivemos toda a desindustrialização
17:02do país, as empresas foram embora.
17:05A própria PDV, como o senhor falou,
17:06que hoje vocês têm uma das maiores
17:08jazidas de petróleo do mundo,
17:10mas não conseguem extrair,
17:11não tem tecnologia,
17:12não tem investimento.
17:13Então, eu queria que o senhor explicasse
17:14que é um mecanismo também,
17:16não vai ser da noite para o dia,
17:17que toda essa estrutura de poder
17:19ditatorial foi criada.
17:22Sim, isso...
17:24A gente está falando do início de 99,
17:26com o governo do Hugo Chávez,
17:28mas esse comportamento do cartel dos soles,
17:31como bem foi citado aqui,
17:32antecede ao governo do Hugo Chávez.
17:35já estava dentro das forças militares,
17:37como se pode acontecer em qualquer país,
17:40que é a relação da corrupção militar.
17:42Porém, estamos falando de uma corrupção militar,
17:45antecedendo o Chávez,
17:46já estava mostrando envolvimento
17:48com questões relacionadas
17:50ao tráfico de drogas.
17:52Então, com o governo do Hugo Chávez,
17:54isso não apenas foi potencializado
17:57ou melhorado,
17:58foi diversificado.
18:00Ou seja, é a mistura
18:01ou a classe, digamos,
18:03chamada de junção política
18:06ou civil-militar,
18:07que o governo do Hugo Chávez
18:09sempre pregou.
18:11Isso que significa?
18:12Foram acompanhadas através
18:13de uma estrutura legislativa
18:15que criou os conselhos comunais,
18:17são grupos sociais
18:17que se organizam, civis,
18:19e hoje esses grupos civis
18:21fazem parte de grupos operativos militares.
18:24Professor, só um momento, professor.
18:25São nove horas e três minutos
18:26e estamos de volta
18:27com toda a rede Jovem Pan.
18:28Pois não, professor, pode continuar.
18:30Perfeito.
18:31Toda essa junção política
18:33ou civil-militar,
18:33hoje a gente vê através
18:35da junção dos grupos coletivos
18:37que são armados
18:38ao lado dos próprios militares,
18:40em nome das soberanias nacional.
18:43E do outro lado,
18:44membros dos conselhos comunais
18:46também armados.
18:47Então, civis,
18:48grupos que em qualquer país
18:50seriam chamados paramilitares,
18:52e o próprio exército juntos
18:54para defender essa estrutura.
18:56Então, hoje a saída
18:58do Nicolás Maduro
18:59seria a saída
19:00de um dirigente político-militar
19:04segundo a Constituição disso,
19:05o chefe,
19:06o comandante das Forças Armadas.
19:08Mas,
19:09quem é o comandante
19:10desses coletivos?
19:11Quem é o comandante
19:12que entregou as armas
19:13para esses conselhos comunais
19:14para defender a nação?
19:16Aliás,
19:17quem vai recolher
19:18esses fuzis
19:19que foram entregues
19:20a esses grupos armados?
19:22Quem garante ainda
19:23que esses fuzis
19:24retornarão
19:24aos quartéis nacionais
19:26logo à saída
19:27do Nicolás Maduro
19:28do poder?
19:29Então, toda essa incerteza
19:30em relação
19:31ao entramado,
19:32à expansão dessa rede,
19:33que inclusive
19:34é importante
19:36citar
19:37a presença
19:38da guerrilha
19:38colombiana
19:39dentro do solo venezuelano.
19:41Um dos ataques
19:42que foi divulgado,
19:43o próprio Gustavo Petro,
19:44presidente da Colômbia,
19:45informou
19:46que esse ataque
19:47que foi feito
19:48na cidade de Maracaibo,
19:50na Venezuela,
19:50pertencia à guerrilha
19:51colombiana,
19:52o qual nos confirma
19:54que há oficialmente
19:56dentro do governo colombiano
19:57a certeza
19:59de que operam
19:59dentro do território
20:00venezuelano
20:01forças paramilitares
20:02que estão
20:02com o amém
20:04do regime venezuelano.
20:06Então,
20:06essa preocupação
20:07de que
20:08essa rede
20:09tenha se expandido
20:11além
20:11da força
20:13dos ministérios,
20:14da oficialização
20:15dos recursos,
20:17tenha alcançado
20:18até os limites
20:19fronteiriços,
20:20porque essas populações
20:21que acabam saindo
20:22para o Brasil,
20:23para a Colômbia,
20:24acabam pagando propina
20:25para os militares,
20:26para essas guerras,
20:27para deixarem
20:27continuar o território
20:29para poder fugir
20:30da Venezuela.
20:31Se a gente
20:31entrevistasse
20:32todas essas populações
20:33de Roraima,
20:34muitos vão relatar,
20:35inclusive os indígenas,
20:36que foram massacrados
20:38por essa exploração
20:39ilegal
20:39que leva
20:40o exército
20:42venezuelano,
20:42que comanda
20:43o exército venezuelano
20:44dentro do território
20:45venezuelano
20:46para tirar ouro,
20:47inclusive diamante,
20:49esses recursos
20:49que estão dentro
20:50do território
20:51e vender de forma
20:51ilegal.
20:52E isso é um fato,
20:54existem denúncias,
20:55inclusive na Corte Penal
20:56Internacional,
20:57contra delitos
20:58à humanidade.
20:59Por quê?
21:00Porque sabemos
21:01que há execuções
21:02extraoficiais
21:03que não só
21:03estavam vinculadas
21:05a protestas ideológicas
21:06ou pacíficas
21:07na rua,
21:08mas também execuções
21:08de líderes indígenas
21:10dentro do Amazonas
21:11venezuelano
21:12por conta
21:13de extração
21:14de recurso
21:14ilegal.
21:15Então, sim,
21:16essa estrutura
21:17hoje está
21:18muito compenetrada
21:20em relação
21:21às gangues.
21:23A gente tem
21:23os casos
21:24de operações
21:24do Tren de Aragua
21:26em outros países,
21:27o caso do Chile
21:28que denunciou
21:29a morte
21:30do tenente
21:30Orreda
21:31em território
21:31chileno
21:32por os membros
21:33do Tren de Aragua
21:35que se disfarçaram
21:36de policiais chilenos
21:37e invagiram
21:37o prédio onde morava
21:38esse tenente
21:40de formação militar.
21:41Então, a minha preocupação
21:42vai nessa questão.
21:44Se um militar
21:45de uma preocupação
21:46de uma formação
21:47desse tipo
21:47foi atingido
21:49longe do seu país
21:50da Venezuela,
21:51Chile,
21:51a gente está falando
21:52de milhares
21:52de quilômetros,
21:54o que resta
21:55para o civil
21:56que está dentro
21:56da Venezuela
21:57à merced
21:59do que o regime
22:00determinar
22:01ou decidir
22:02para acontecer
22:02contra eles?
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