00:00Quais são os benefícios, os desafios econômicos para dois mil e vinte e seis, hein?
00:04A repórter Soraya Lawand conversou com economistas que fizeram balanço de dois mil e vinte e cinco
00:09e analisaram as perspectivas para os próximos meses. Acompanhe.
00:14A economia brasileira cresceu mais de três por cento nos últimos anos.
00:19Mas a inflação que estava dentro da meta no início de dois mil e vinte e cinco
00:23acelerou nos meses seguintes e forçou o Banco Central a manter a taxa Selic
00:28no maior patamar em quase vinte anos, quinze por cento ao ano.
00:34Segundo o Banco Central, os juros altos foram necessários para proteger o poder de compra da moeda
00:39e conter a inflação. Mas na prática, o crédito ficou mais caro, o consumo perdeu força
00:46e o endividamento de famílias e empresas aumentou.
00:50Com isso, a economia desacelerou. O produto interno bruto brasileiro cresceu apenas zero vírgula um por cento
00:57no terceiro trimestre de dois mil e vinte e cinco, depois de um avanço de zero vírgula quatro por cento
01:03no trimestre anterior. Em contrapartida, a inflação começou a dar sinais de alívio
01:09e fechou abaixo de quatro e meio por cento. A economista e professora da Fundação Getúlio Vargas,
01:15Carla Beni, explica que a queda no preço dos alimentos foi um dos principais fatores
01:20para esse alívio no bolso do brasileiro.
01:22O IPCA fechou dentro do limite, abaixo, na verdade, do limite superior, que era quatro e meio,
01:30ele fechou abaixo de quatro e meio, o que mostra uma sinalização muito interessante,
01:35porque no começo do ano o mercado financeiro anunciou que nós teríamos uma inflação em torno de seis por cento.
01:42Então, isso não se configurou, nós tivemos vários ajustes ao longo do ano,
01:49principalmente com relação à inflação dos alimentos, e isso é muito importante para a população,
01:55porque a inflação dos alimentos, ela normalmente costuma ficar maior do que o IPCA fechado,
02:01então isso dá uma qualidade de vida melhor para a população, além do aumento real de renda,
02:06e tudo uma queda no preço dos alimentos, porque, afinal de contas, a inflação é aquilo que a gente sente no dia a dia.
02:14Caso a gente faça manutenção por um tempo maior ainda de uma Selic a dois dígitos,
02:20isso freia um pouco a atividade econômica, o que vai ser algo que complicaria o resultado do PIB para o ano que vem,
02:29mas também nós temos um outro ponto, é um ano eleitoral, então algumas outras despesas podem ser realizadas
02:35para dar, digamos assim, um estímulo dentro da economia, e a gente pode ter aí, digamos assim,
02:42uma compensação nessa questão, mas a expectativa para o ano que vem é que ele fique em torno de dois
02:49e alguma coisa também o crescimento do PIB.
02:51Segundo o Calabene, com a inflação em desaceleração, a expectativa do mercado passou a ser uma possível queda dos juros,
02:59mas ela alerta que esse processo ainda deve ser gradual.
03:03Fechamos o ano com a Selic a 15%, pelas recomendações e atas do próprio Banco Central,
03:10seguiremos nessa linha ainda no começo do ano, infelizmente, porque nós temos a maior taxa real de juros do mundo,
03:18então vamos fechar com uma inflação abaixo de 4,5% e uma Selic a 15%.
03:23Então isso dá um efeito colateral para o setor produtivo da economia muito forte e acentua muito a questão da inadimplência.
03:34Esse vai ser um grande problema para 2026, gerenciar o volume de inadimplência das famílias,
03:41até porque nós estamos hoje com 46% da população adulta negativada.
03:47Na avaliação de Calabene, os indicadores macroeconômicos de 2025 ficaram melhores do que o esperado,
03:55especialmente diante das incertezas no cenário internacional.
03:59E no final das contas, a gente termina 2025 com dados macroeconômicos muito melhores do que se imaginava,
04:08principalmente diante de um tarifaço do governo Trump no começo do ano,
04:13que ameaçava seriamente as exportações brasileiras.
04:17E no final das contas, a gente termina 2025 com o menor patamar de desemprego da história,
04:25a gente termina com o crescimento de PIB, com o aumento de renda salarial e com o recorde de exportações.
04:33De acordo com a economista do INSPER, Juliana Inhas Kessler,
04:38as mudanças no sistema tributário podem criar um ambiente mais favorável para investimentos nos próximos anos.
04:45Os impostos no Brasil sempre foram muito complexos, que incidiam sobre várias etapas da cadeia produtiva.
04:53Então a gente tinha aquela percepção muito verídica de impostos em cascata,
04:59então um produto passava várias vezes por tributações muito similares,
05:04o que aumentava o custo do produto, aumentava o custo para o produtor, para o vendedor no geral,
05:10e fazia, claro, com que a gente tivesse um sistema distorsivo,
05:13um sistema que favorecia muito a incerteza,
05:17aumentava o custo Brasil, porque gerava uma burocracia tremenda,
05:22e acabava fazendo com que muitos investidores não quisessem topar investir aqui dentro do Brasil.
05:28O que a gente fez com essa reforma tributária foi uma grande simplificação,
05:33tentando fazer com que vários impostos fossem conjugados em impostos unificados,
05:38deixando o sistema mais simples, mais transparente,
05:43e favorecendo bastante, inclusive reduzindo muito essa percepção
05:47e essa incidência de impostos sobre impostos,
05:52gerando aquele grande custo tributário.
05:55No mercado de trabalho, o Brasil chegou ao menor índice de desemprego da história.
06:01Mas, segundo Juliana, esse resultado sozinho não garante crescimento sustentável.
06:07As empresas ainda estão entendendo como devem agir a partir do início do ano que vem,
06:13começo do ano de 2026, vai ser ainda o início conturbado para muitos prestadores de serviço,
06:19para se adaptarem, se adequarem a essa nova realidade,
06:22e a gente tem que continuar progredindo nessa agenda.
06:25Então, 2026 promete ser um ano de progressão nessa agenda,
06:30que era uma agenda que nós devíamos ter avançado antes,
06:33nos demoramos muito, mas que, enfim, nós estamos conseguindo evoluir.
06:37Apesar de um desemprego muito baixo, nós estamos crescendo relativamente pouco.
06:42Então, a gente tem um cenário um pouco divergente,
06:46divergente quando a gente olha a taxa de desemprego e crescimento econômico,
06:50e por conta do crescimento econômico não ser muito elevado,
06:54a renda também não tem aumentado.
06:55Então, esses trabalhadores estão sendo absorvidos,
06:58mas eles estão sendo absorvidos na economia com uma renda
07:01que é menor do que a que eles gostariam,
07:04e provavelmente menor do que aquela que a gente teria se a economia estivesse crescendo,
07:08e ainda com uma produtividade muito baixa.
07:10Então, é um fator, essa taxa de desemprego em queda,
07:15é um fator extremamente importante para a economia,
07:18mas ela não basta por si só para conseguir fechar um cenário
07:23de um crescimento econômico maior.
07:25Essa taxa de desemprego muito provavelmente permanece em valores relativamente baixos,
07:30muito embora a gente já tenha visto uma desaceleração da queda desse desemprego,
07:35o que também é relativamente normal.
07:37A gente já tem uma quantidade relativamente baixa de pessoas desempregadas.
07:42Para 2026, a gente tem que entender como é que a gente consegue manter
07:46essa taxa de desemprego baixa,
07:48mas aí com um crescimento econômico maior,
07:51e especialmente ao longo do tempo com uma produtividade maior.
07:55A gente deve ainda muito nessa agenda de crescimento de produtividade no Brasil,
08:01o que vai conseguir fazer com que a informalidade caia,
08:04com que o crescimento econômico aumente,
08:06e de fato que a renda fique cada vez maior para esse trabalhador brasileiro.
08:11Além dos desafios internos,
08:13o Brasil também enfrentou turbulências vindas do exterior.
08:18Para a professora Juliana,
08:19o tarifácio imposto pelo governo de Donald Trump
08:22foi um dos fatores que aumentaram as incertezas ao longo do ano.
08:27O ano de 2025 foi um ano em que o Brasil passou por turbulências,
08:32algumas criadas aqui dentro.
08:35Então, as questões fiscais continuaram sendo um grande ponto de preocupação,
08:41e a gente carrega esse ponto, essa grande preocupação para 2026.
08:47Então, as incertezas e os riscos fiscais permanecem,
08:49e a gente passou por turbulências que vieram de fora,
08:53como foi o caso do tarifácio.
08:54Junta-se a esse cenário, as questões de safra que já vinham de 2024,
09:00e se mostraram muito fortes e muito pontuais em alguns casos,
09:06durante o ano de 2025, foi o caso, por exemplo, do café,
09:10nós permanecemos com preços elevados.
09:12Então, foi um ano em que a gente teve turbulências que vieram de fora,
09:16de dentro da economia brasileira.
09:18Algumas poderiam ter sido contornadas, é o caso das domésticas,
09:22e as outras que vieram de fora, não.
09:24Na avaliação de Juliana, 2025 deixa uma lição clara para o país.
09:31O Brasil precisa ser mais ágil, eficiente e menos reativo
09:35diante dos desafios econômicos.
09:38O que ficou de lição para a economia brasileira
09:41é que nós não podemos ficar tão dependentes de alguns consumidores,
09:45países que compram os nossos produtos.
09:48Nós, nessa posição de um país agroexportador,
09:54nós não podemos ficar tão expostos em algumas pautas,
09:57apenas a um ou outro comprador.
10:00Então, isso deixou para a economia brasileira uma grande lição
10:03de que diversificação de mercado é importante,
10:06de que buscar novas parcerias comerciais também é importante,
10:11que a busca de produtividade para reduzir o custo de produção
10:14é fundamental, e esse é um dos pontos que nós deveríamos ficar muito atentos
10:20e certamente muito preocupados em 2026,
10:24que é essa busca de maior eficiência e produtividade
10:27para conseguir continuar trazendo benefícios dessa comercialização
10:33ou dessas pontes, desses pontos de contato que nós temos com o resto do mundo.
10:40Então, para 2026 fica o desafio de manter uma diversificação maior,
10:45tentar reduzir essa dependência e tentar entender como é que a gente consegue
10:49ganhar produtividade para ficar cada vez menos exposto a esse tipo de choque.
10:54Com o olhar voltado para 2026, a expectativa é de um ano de transição.
11:00O desafio será transformar as lições de 2025 em decisões mais eficientes,
11:06capazes de reduzir riscos fiscais, estimular investimentos
11:11e criar um ambiente mais favorável ao crescimento sustentável.
Comentários