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Brasileiros passaram a ter receio de compartilhar opiniões políticas nas redes sociais, segundo a pesquisa “Os Vetores da Comunicação Política”, do InternetLab em parceria com pesquisadores da Rede Conhecimento Social. Reportagem do jornal O Globo aponta que o debate se tornou mais agressivo e que há temor de represálias. O levantamento indica que quase metade dos entrevistados deixou de falar sobre política nos últimos cinco anos, especialmente no WhatsApp.

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Transcrição
00:00E os brasileiros passaram a sentir medo de compartilhar visões ou opiniões políticas nas redes sociais.
00:07Pelo menos foi o que revelou a pesquisa Os Vetores da Comunicação Política,
00:12produzida pela Internet Lab em parceria com pesquisadores da rede Conhecimento Social.
00:18Uma reportagem do jornal O Globo mostrou que a população entende que o debate está muito mais agressivo e também teme represálias.
00:26O levantamento apontou que quase metade dos entrevistados deixou de falar sobre política nos últimos cinco anos no WhatsApp
00:34e passaram a regular o que dizem.
00:38A pesquisa ouviu mais de 3.100 pessoas com 16 anos ou mais em todas as cinco regiões do país.
00:46Brasileiros com medo de se manifestar, de falar sobre política nas redes sociais.
00:52Enfim, de algum tempo a gente tem tratado dessas questões, principalmente em período eleitoral.
00:57Famílias ou integrantes de famílias que deixam de se falar.
01:01Enfim, será que isso se agravou?
01:03Um cenário diferente do passado?
01:06Deixa eu receber o pessoal que acompanha a nossa programação pela rede Jovem Pan.
01:11Tem uma pesquisa que revelou que muitos brasileiros têm receio de se manifestar,
01:16de falar sobre política nas redes sociais.
01:19Em cinco anos, quase 50% dessas pessoas simplesmente pararam de falar sobre política nas redes sociais.
01:28Não se manifestam.
01:29Começar essa com o Roberto Mota, que está lá no Rio de Janeiro.
01:33Mota, o que esses números revelam?
01:36O que é possível considerar a partir do brasileiro que sente medo ou receio de se manifestar sobre política nas redes?
01:44Eu gostaria de comentar essa notícia, Caniato, mas eu tenho medo.
01:52Estou brincando, claro.
01:53Eu estou brincando, mas eu não estou brincando muito.
01:57Uma coisa é o receio de começar uma discussão.
02:01E realmente, no Brasil, já tem algum tempo, nós entramos nesse território.
02:07Se você, eu, por exemplo, sou uma pessoa que tem opiniões fortes sobre muita coisa.
02:13E em muitos locais você realmente escolhe ficar quieto.
02:18Porque a sua opinião pode provocar uma discussão que não vai ter fim.
02:24Porque para muitas pessoas, política é quase sinônimo de religião.
02:29Principalmente para quem está na esquerda.
02:31Agora, uma outra coisa diferente é o medo de represálias por parte do Estado.
02:38E a gente viu isso acontecer.
02:39A gente viu pessoas sendo investigadas, sofrendo a operação de busca e apreensão por comentários feitos em grupos de WhatsApp.
02:48Isso, Caniato, me lembra um meme que é muito comum nas redes sociais.
02:53O meme é o seguinte, mostra um estrangeiro perguntando a um brasileiro.
02:59Como é a vida no Brasil?
03:02Aí o brasileiro responde, não posso reclamar.
03:06Aí o estrangeiro pergunta, então a vida no Brasil é boa?
03:10E o brasileiro responde, não.
03:13É que eu não posso reclamar mesmo.
03:16Você, Krikner, quais são as reflexões que a gente deve fazer a partir da divulgação dessa pesquisa?
03:21Eu concordo muito com o Mota, Caniato.
03:24Justamente essa questão da institucionalização, da perseguição.
03:30A gente tem uma questão que é quando você faz uma postagem, é natural que você desagrade alguns e agrade outros.
03:38Você expressa uma opinião e isso faz parte da democracia, faz parte da convivência
03:43e faz parte também do processo de amadurecimento da sociedade, de saber lidar com o diferente e se posicionar ante o diferente.
03:50O problema maior e que causa mais insegurança nas pessoas é justamente quando você percebe que pode sofrer sanções
03:58vindas do Poder Judiciário por simplesmente expressar uma opinião.
04:03E aqui nós não estamos falando da distorção da liberdade de expressão quando parte para ofensas ou agressões ou acusações encabidas,
04:12mas simplesmente por se posicionar diante de certos fatores.
04:16Isso passa a acontecer também quando você tem a cultura do cancelamento crescendo cada vez mais.
04:23Então uma pessoa, um artista que se posiciona, por exemplo, em favor de um político de direito
04:28ou alguma política pública defendida pela direita ou mesmo uma bandeira,
04:32ele perde completamente a possibilidade de realizar peças, teatro, filmes.
04:39Ele é completamente ignorado.
04:41Nós tivemos aí recentemente, viralizou na internet, a própria Regina Duarte, que foi ministra de Cultura do governo Bolsonaro,
04:50em meio a pessoas da sua época ali de televisão e novela, que eram parte da mesma emissora,
04:57fazendo um pronunciamento de fim de ano com uma mensagem positiva, de encorajamento para o final de ano
05:03e a reação negativa dos seus colegas simplesmente porque um dia ela decidiu fazer parte de uma iniciativa que estava linkada ao governo Bolsonaro.
05:13Ou seja, qualquer pessoa sabe do que a gente está falando, percebeu isso também,
05:18esse crescimento na cultura de cancelamento justamente por você se posicionar de uma maneira X, Y ou Z.
05:26Isso é vergonhoso, é imaturo, mas pior, como o Mota falou, é quando isso vem por parte do Estado.
05:33José Dávila, qual o exercício que a gente precisa fazer nesse momento a partir dessa informação,
05:38brasileiros temendo serem punidos por falar sobre política, se manifestarem, apontarem gosto desse, não gosto daquele?
05:46Isso mostra três coisas que precisamos analisar.
05:49Primeiro, a arbitrariedade do Estado e da Justiça e o desrespeito à Constituição brasileira,
05:58a sua cláusula pétrea, o artigo 5º, que garante plena liberdade de expressão para as pessoas.
06:04Quando existe medo de expressar opiniões, crenças,
06:10significa que a mão pesada do arbítrio do Estado está aterrorizando
06:16ou fazendo com que as pessoas temam falar aquilo que elas pensam e acreditam.
06:21Esse é um problema que já mostra a deficiência,
06:24a fragilidade da nossa democracia hoje,
06:27que não respeita mais as regras do Estado Democrático de Direito,
06:32do devido processo legal e, principalmente, as garantias constitucionais.
06:37E não podemos esquecer, Caniato,
06:39que essas garantias constitucionais nasceram justamente porque o Brasil saía de um regime autoritário
06:44e fez questão de transformar isso em cláusula pétrea da Constituição
06:48de tamanha importância que era o respeito à opinião,
06:53às liberdades individuais, às crenças.
06:56O segundo ponto importante é que este fenômeno não é mais brasileiro.
07:03Esse fenômeno é mundial.
07:04Até mesmo nas democracias avançadas hoje existem temor.
07:08Em países como os Estados Unidos, a Inglaterra,
07:11que eram exemplos de lugares onde qualquer um podia expressar sua opinião sem problema,
07:16hoje já existe problema.
07:17Lógico, não é no grau brasileiro.
07:19Mas o que mostra é que até as democracias avançadas
07:23estão sendo polarizadas de tal forma
07:27que o cumprimento rigoroso da liberdade plena de expressão,
07:34de opinião e de crença,
07:36não é mais respeitada como no passado.
07:38O que mostra é que vamos ter que fazer uma grande lição de casa
07:42para restabelecer, restaurar a crença nesse pilar fundamental da democracia.
07:50E o terceiro ponto é algo que me chama a atenção também, Caniato.
07:56Será que este tal do temor não esconde parte desta apatia cívica,
08:02desse cinismo em relação à política que vem afetando dramaticamente a política brasileira?
08:10Porque uma sociedade apática, uma sociedade que trata com cinismo a política,
08:16só aumenta a oportunidade para o arbítrio e a corrupção.
08:22O jeito que a arbitrariedade e a corrupção correm soltas hoje no Brasil
08:27é fruto da falta dessa resistência cívica para mostrar indignação e coragem para dar um basta.
08:37Edivaldo Casimeiro escreveu,
08:39quase todos os brasileiros estão com receio de opinar sobre política.
08:43Obrigado, Edivaldo.
08:44Mas, Mota, se esse é um receio de boa parte da população,
08:48o que é preciso ser feito para mudar esse cenário?
08:54O Dávila menciona fazer a lição de casa, mas espera aí.
08:59Quem deveria fazer a lição de casa acha que está tudo certo,
09:02que estamos seguindo rigorosamente o que consta na Carta Magna, na nossa Constituição.
09:08O que é preciso fazer para retomar o caminho da normalidade, Mota?
09:11O Estado brasileiro tem que tomar essa decisão de voltar à normalidade.
09:22O medo que as pessoas sentem é real e é justificado.
09:26Eu nunca pensei que fosse viver numa época como essa.
09:30Certos aspectos do tempo que nós vivemos hoje
09:33se parecem com relatos que eu via sobre a vida na Alemanha
09:38durante a Segunda Guerra Mundial
09:39ou a vida nos países da Cortina de Ferro.
09:43E a pergunta é, como nós chegamos a esse ponto?
09:48E uma das respostas é dada pela filósofa Hannah Arendt,
09:54que no seu livro sobre o julgamento do criminoso de guerra
09:58Adolf Eichmann, em Jerusalém,
10:02ela fala de um conceito que ela chama de a banalidade do mal.
10:07A banalidade do mal ocorre quando a máquina do Estado
10:11é colocada para agir contra a liberdade e contra os direitos.
10:17E a Hannah Arendt, olhando o criminoso de guerra, Adolf Eichmann,
10:23que ela esperava que fosse ser um monstro,
10:28e ela disse que era apenas um burocrata medíocre,
10:32que cumpria as ordens que recebia pensando na aposentadoria,
10:38pensando nas férias, pensando em pagar as contas no final do mês.
10:43E é isso que a Hannah Arendt chama da banalidade do mal.
10:47É a cooperação ou a apatia de inúmeros pequenos burocratas
10:54que eles imaginam estão apenas cumprindo ordens.
11:01Você, Kriegner, é preciso fazer um exercício
11:04para entender quais são os caminhos que as instituições,
11:08os homens, as autoridades precisam tomar
11:10para mudar esse cenário, retomar o caminho da normalidade.
11:15Bastaria eleger A, B ou C ou não?
11:18É um problema muito maior do que isso.
11:19Eu acho que é um problema maior, Caniato,
11:22porque passa pela consciência e pelo desejo do brasileiro
11:26de ter um Estado que funciona.
11:28De fato funciona e não que atende aos seus desejos
11:31ou mesmo aos seus interesses políticos.
11:34Quando a gente vê um Estado que os poderes estão bagunçados
11:37e isso parece que não causa uma forte mobilização
11:42de toda a população,
11:44então nós vemos que realmente aqueles que estão felizes
11:47com a situação não se importam da situação ser desastrosa,
11:50quando na verdade o desastre do Brasil
11:53é o desastre de todos os brasileiros.
11:55E o que eu quero dizer com isso?
11:56O primeiro passo seria garantir que o Executivo execute,
12:00o Legislativo legisle e o Judiciário julgue,
12:04com base na Constituição.
12:05O Judiciário não legisle,
12:07o Judiciário também não julgue com base nos achismos
12:10dos ministros do STF.
12:13E o Executivo também não faça conchavos
12:17ou enfim, não faça alianças
12:18que não sejam para execução de políticas públicas
12:21para o bem do país.
12:24Parece que não é, assim,
12:26eu imaginaria que isso não é pedir demais,
12:28mas parece que no Brasil de hoje
12:29essa não é a prioridade.
12:31Porque uma vez que isso se estabeleça como a prioridade,
12:35qualquer coisa que fuja disso,
12:37qualquer tentativa do Judiciário de legislar,
12:39do Legislativo de executar ou vice-versa,
12:42qualquer bagunça entre os dois
12:44seria imediatamente repreendida pela população.
12:48Mas parece que não.
12:49Quando aqueles olham e falam assim,
12:50olha, não, isso aqui não está certo,
12:53mas atende ao que eu acredito,
12:55então pode continuar.
12:56Foi o exemplo que nós vimos nesse último domingo,
12:59com as manifestações contrárias à anistia.
13:02As pessoas ali nem sabiam,
13:04especialmente os artistas,
13:06como se posicionar contrários,
13:08ou como e por que se posicionar contrários à anistia.
13:11pegavam o microfone e diziam
13:13é pelas mulheres, é pelas florestas,
13:16é pelos animais, é por isso.
13:17Ué, mas não era anistia?
13:19E aí teve até numa capital do Nordeste do Brasil
13:22que as pessoas gritavam sem anestesia.
13:25Ou seja, não sabiam por que estavam nas ruas,
13:28não sabiam o que estava fazendo ali
13:29e não sabiam também o impacto
13:32que isso tem para a nossa nação.
13:34Enquanto a ordem constitucional não for prioridade,
13:37para todos os brasileiros,
13:39nós vamos ter esse atropelo.
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