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  • há 6 semanas
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Transcrição
00:00A CIDADE NO BRASIL
00:30O que o senhor está fazendo na minha cama?
00:33Eu que pergunto, quem votou a senhora aqui?
00:38Meu Deus do céu, que lugar é esse?
00:40Eu não sei, eu não sei.
00:43Eu estou muito abismada.
00:46O Virgílio.
00:49É difícil acreditar, Newton.
00:51Helen, foi ele que matou o Silvio.
00:55Ele estava no complô que armou toda a tramóia.
00:58Antes de eu ir para a cadeia, eu mato você.
01:02Você e seus amiguinhos já tentaram uma vez.
01:04Eu sugiro que da próxima, tomem muito cuidado.
01:08Esse vagabundo do Nazinho está namorando a Zuleide.
01:14Peraí.
01:16Como é que é?
01:17É isso aí, Newton.
01:19Ela está de rolo com esse cara.
01:20Foi o próprio Carlos que me contou.
01:21É agora ou nunca.
01:26Meu Deus.
01:28Será um assalto?
01:29Não, eu conheço esse rapaz.
01:34O que significa isso, rapaz?
01:36Por favor, a gente está numa emergência.
01:38Será que o...
01:39Tio!
01:40Rosa, o que você está fazendo aqui?
01:43Sabe o que seria legal para você vir comigo para a prefeitura?
01:46Já estou sacando que ficar aqui, trancada nessa mansão, não está te fazendo bem.
01:50É isso que está te deixando de mau humor.
01:52Me envolver em política?
01:53Nem pensar.
01:55Aí é que eu vou ficar infeliz de uma vez mesmo.
01:57Pode ser que, eventualmente, eu preciso que você testemunhe que eu não sou nenhum pilantra.
02:03Só isso, entendeu?
02:04Entendi.
02:05Então, você faria isso por mim, não faria?
02:20Tão bom nós três aqui juntos de novo, né?
02:23Uma boa.
02:23É, pode crer.
02:24Senti maior falta disso tudo.
02:26É, eu também.
02:27Mas se a gente se afastou, foi sua, né?
02:30Carlos, isso não importa mais, né?
02:32Não, não.
02:33Tudo bem, Tia.
02:33Não é verdade.
02:34Eu sei que a culpa foi minha.
02:37Só que agora eu acho que finalmente eu vou descobrir quem foi que matou meu pai, né?
02:40E parece que o Newton não teve nada a ver com a parada.
02:42Tudo coisa daquele desgraçado senador.
02:48Desculpa aí, cara.
02:49Eu sou um babaca, pode falar.
02:51Não, esquece.
02:53Você sempre foi meio babaca mesmo.
02:54Eu já estava acostumado.
02:55Mas esse Nicolau, hein, gente?
02:57Olha, eu sempre disse pra tia que ele era o maior piloto.
03:00Mas ela nunca acreditou em mim, né?
03:01Ah, falando nisso, tem uma parada aí que eu preciso te contar, cara.
03:05O quê?
03:06É, eu fiquei sabendo que aquele tal Nazinho do cartório também tá metido no lanço do avião junto com o senador.
03:12É, mas o nome dele não tava no jornal.
03:14Não tava, mas é mais pura e verdade.
03:15Aliás, foi seu pai que falou.
03:17Meu pai?
03:18Isso aí, cara.
03:19Ele garantiu que o cara também é um pilantra.
03:21E sua mãe tá meio de namoro com esse Nazinho, né?
03:24É, eu acho que sim.
03:25Lembra daquela vez que ele me pegou com o Guilherme na floresta?
03:28Nossa, eu tenho um ódio daquele cara.
03:30Ah, e eu lembro.
03:31Eu também nunca fui com a cara dele.
03:34Mas eu não posso me meter nos lances da minha mãe.
03:36Ah, sei lá, de repente você podia dar um toque nela.
03:39Não, não dá pra deixar pra depois, não.
03:59A gente tem que conversar, querido.
04:03Tá legal, então.
04:04Vai, põe pra fora de uma vez.
04:06O que que tá pegando?
04:07A verdade é que você mudou.
04:17E mudou muito, querente.
04:18Oh, qual é, meu amor?
04:20Não era você mesma que vinha com esse papo,
04:23que eu tinha que tomar rumo, assumir responsabilidade, então.
04:26É, só que aí o fato é que eu não tô gostando desse rumo
04:29que as coisas estão seguindo.
04:31Marisinha, olha pra mim,
04:31as coisas nunca estiveram tão certas na minha cabeça.
04:34Finalmente eu descobri o que eu vim fazer nesse mundo
04:37e eu não tô aqui a passeio, não.
04:39Eu tenho uma missão, entende?
04:40Não vai começar a falar em missão, querente,
04:42que senão a gente não consegue conversar sério.
04:45Será que você não percebe que tudo isso que aconteceu na sua vida,
04:49essa grana preta que você tá pra receber,
04:51esse poder que você assumiu,
04:53isso tudo tá te deixando de miolo mole, homem?
04:55Ah, eu sei que é difícil.
04:59Mas, tenta entender.
05:02Você não casou com homem comum.
05:04Eu já te disse que essa marca de nascença
05:06é sinal que eu tenho um destino a cumprir.
05:09Pô, não dá pra fugir.
05:11É a minha missão mesmo.
05:11Chega, chega.
05:13Chega, querida.
05:13Pelo amor de Deus,
05:14se você falar em missão mais uma vez,
05:16eu vou ter um troço.
05:18Essa ladainha absurda tá me enlouquecendo.
05:20Mãe, eu sinto muito, Marizinha.
05:27Se você não consegue enxergar o que tá acontecendo,
05:32se você não é capaz de compreender,
05:35pô, aí...
05:37a gente tem que ficar em silêncio mesmo.
05:42Eu só vou te dizer mais um lance.
05:45Essa missão
05:46é a coisa mais importante da minha vida
05:49e eu vou cumprir com ela.
05:52Custe o que custar.
06:02Com licença.
06:03São e salva, né?
06:07Bom, apesar dos mistérios
06:09e todos os suspensórios dessa noite,
06:13eu devo dizer que foi
06:14muito agradável privar da sua companhia,
06:17dona Clarice.
06:18Ah, muito obrigada.
06:19O senhor também foi muito elegante.
06:22Não, não, não.
06:22A senhora aqui foi uma dama.
06:24Uma dama da noite.
06:26O senhor agiu com muita integridade,
06:29apesar das circunstâncias,
06:31como é que eu posso dizer,
06:33inusitadas.
06:35Olha, dona Clarice,
06:37às vezes as situações inesperantes
06:39são muito mais prazerosas
06:42do que as programadas.
06:43é verdade.
06:44É verdade.
06:45Bom, então, até outro dia,
06:47seus mentos.
06:48Que não há de tardar, eu espero, né?
06:51É, bom.
06:51Quer dizer, no que depender pessoalmente de mim...
06:54Vamos ver, vamos ver.
06:56Ok.
06:57Bom dia, como vai?
06:59Bom dia.
06:59Ai, por favor, continue assistindo o meu programa.
07:02Não, claro.
07:03Você já era fã.
07:04Agora, então, não perco um.
07:08Tchau.
07:13Bom dia, Clarice.
07:14Bom dia.
07:15Já dou uma de este primeiro a dama, né?
07:17Não, ô, Yara, pelo amor de Deus,
07:19não põe minhoca na sua cabeça, né?
07:21Nada disso que você tá pensando.
07:22É uma confusão danada.
07:24Mas depois eu te explico
07:24que agora eu tô morrendo de cabeça.
07:26Minha cabeça tá estalando.
07:28Pelo visto, o seu dia foi úmido
07:29em todos os sentidos.
07:31Yara, pelo amor de Deus,
07:32depois eu te explico.
07:34O seu jumento só foi gentil
07:36de me dar essa carona.
07:38Não põe minhoca na sua cabeça,
07:39pelo amor de Deus, tá?
07:39Não, mas não tem nada na minha cabeça, não.
07:41E depois de ser maior de idade,
07:42vacinado, faz o que você quiser.
07:44Ai, meu Deus.
07:46Põe o homem da missa.
07:49Tô exausta.
07:52Agora, Yara,
07:53nem pensar em falar pro Tito
07:56que eu cheguei com origimento,
07:58pelo amor de Deus.
07:59Nada vi, nada sei.
08:01Não, não que tenha nada de mal, entendeu?
08:04Como você mesma disse,
08:06eu sou maior de idade, vacinada, né?
08:09Mas sabe como é que é?
08:09Eu não quero dar margem pro Tito
08:11ficar me enchendo a paciência.
08:13Fica tranquila, Glorice.
08:16Mãe,
08:17já que você passou a noite toda,
08:19eu podia ter me ligado,
08:19eu fiquei preocupado.
08:20Onde é que você se meteu?
08:21Ah, meu filho,
08:22não, é que foi uma confusão danada,
08:24você nem imagina a confusão que foi.
08:26O que foi?
08:27O que aconteceu, mãe?
08:27Você nem por onde começar, sabe?
08:29Então começa, por onde?
08:30Vai.
08:30Não, não, é que eu tava indo pra cidade,
08:32eu encontrei com a Melinha,
08:35lembra da Melinha?
08:37Não, que é Melinha,
08:38não lembro de Melinha nenhuma.
08:39Melinha, minha amiga do tempo de bandeirante,
08:41eu vivia falando dela pra você,
08:42não lembra?
08:43Não, não lembro, mas enfim,
08:43o que que houve?
08:44Então, ela veio pra Ribeirão
08:45pra esparecer a cabeça
08:47por causa de uma traição barra pesada,
08:50e aí a gente começou a conversar,
08:51papai, papai, papai, papai,
08:52a gente passou a noite assim conversando.
08:54E podia ter dado uma telefonada
08:55pro seu filho, né?
08:56Pois é, mas não deu,
08:58a Melinha tava tão ruim, tão ruim,
09:00tão péssima aqui,
09:02que eu não tive tempo,
09:03não tive brecha pra entrar.
09:05Você acredita que o marido dela
09:06abandonou ela pra mim, de 20?
09:08Ela tava tão mal, tão mal,
09:10que a gente veio conversando,
09:11quando eu vi, o dia tava raiando.
09:14Quer dizer, então,
09:15que você não participou do dia úmido?
09:16Não, eu fui lá na praça,
09:19passei na praça,
09:20mas aí quando eu tava chegando assim na praça,
09:22eu encontrei com a Melinha.
09:23Então, só vi assim um pouquinho,
09:25eu não participei.
09:34E aí, como é que tá ficando isso aí, hein?
09:36Ó, depois nós vamos fechar isso tudo direitinho,
09:38com o cimento,
09:39deixar bem lisinho,
09:40bem certinho, hein?
09:41Trouxeram o cimento?
09:42Pelo amor de Deus,
09:42vocês não vão me atrasar isso, hein?
09:44Vamos fechar esse buraco bonito.
09:45E aí, essa forca sai ou não sai?
09:46Ah, estamos trabalhando a todo vapor, prefeito.
09:48Vai sair.
09:49Vai ficar pronta pra visita do homem?
09:51Ah, sem susto.
09:52Fica tranquilo que vai dar tempo de tudo.
09:53Minha mãe, quando eu vi alguém com muita pressa,
09:55perguntava se ia tirar o pai da forca.
09:57Há muito tempo que eu não escuto essa expressão.
09:59Aí você vê que ironia, né?
10:00A gente tá aqui apressado
10:01pra tentar fazer a forca propriamente dita.
10:05É, ô prefeito,
10:07eu tô com uma dúvida.
10:08Diz aí.
10:09Você acha que a gente deve ou não
10:10colocar uma corda nessa forca?
10:13Ah, será que vai pegar mal, é?
10:15Bom, eu acho esquisito
10:16ter uma forca sem corda.
10:17Agora, se eu achar também
10:19que o presidente vai achar
10:19que a gente vai enforcar alguém,
10:21a gente não coloca.
10:23É, concordo, é ficar mais autêntico.
10:26Mas sei lá, depois a gente resolve.
10:28Esse vai ser o monumento pro enforcado?
10:30É, isso aí.
10:31Por quê?
10:32Vai ter alguém pendurado nessa forca?
10:34Alguém como assim?
10:35Um boneco?
10:36Não.
10:37Uma pessoa de verdade,
10:38de carne e osso.
10:39Ah, legal.
10:41Que tal você?
10:42Topa?
10:42Ih, mas vocês são bobos,
10:44são os idiotas mesmo.
10:46É só colocar uma pessoa
10:47que já morreu um divuto de verdade.
10:49Pronto.
10:50Ih, mas vocês são bobos,
10:52vocês são os idiotas.
10:52Vocês não entendem nada de forca,
10:54nem de monumento.
10:55Vocês não entendem nada de coisa.
10:57Vai lá.
11:00Podia matar ele, né?
11:02Deus que me perdoe,
11:03mas eu não aguento mais
11:04olhar pra cara do secretário silencioso.
11:07Muito pior pra mim
11:09do que o Bill agora
11:10são as maluquices
11:11que o prefeito anda fazendo.
11:13Mas o cara não é teu amigo.
11:15Dá um toque nele.
11:16A senhora acha que eu já não dei?
11:18Oba!
11:20Oi.
11:21Tudo legal?
11:22Acabei de te livrar de uma boa.
11:25O que que foi?
11:26Despachei o presidente
11:27da Câmara dos Vereadores.
11:28O cara tava doido
11:28querendo falar contigo.
11:29Ah, o que que ele queria?
11:31Pepino.
11:32Veio pra dizer
11:33que se as coisas continuarem
11:34caminhando como estão,
11:35não vai dar pra segurar a oposição, não.
11:37E que a Câmara vai ajuizar
11:39uma medida,
11:40uma ação em constitucionalidade
11:42contra a lei úmida
11:43e que parece que tá havendo
11:44uma medida cautelar pra...
11:47Deve ser pra secar
11:48a umidade da tua lei.
11:51E você acha graça?
11:53Esses políticos vagabundos
11:54estão querendo me derrubar,
11:56esquecem do povo
11:57que eles representam.
11:58Aliás, representam ou não?
11:59Deviam representar.
12:01Os safados só representam
12:02eles mesmos,
12:03os bando de traíras.
12:04E recado tá dado.
12:06Pode jogar essa porcaria no lixo.
12:09Desgraçados.
12:09Todo mundo sabe
12:11que o primeiro dia úmido
12:12foi um sucesso.
12:13Aí eu já tenho cá
12:14as minhas dúvidas.
12:17Tá do lado deles, é?
12:18Vai entrar pro coro dos caretas?
12:22Ah, olha só.
12:25Teve aqui também
12:26o cara dos alcoólicos anônimos.
12:28O cara tava injuriado aí,
12:30dizendo que
12:30o dia úmido
12:31foi uma tragédia.
12:33Tragédia? Por quê?
12:34Foi o termo
12:35que o cara usou.
12:37Ele disse
12:37que por causa
12:38do dia úmido
12:39ficou neguinho assim
12:40no hospital, ó.
12:41Não coma por causa
12:41da cachaça
12:42e a delegacia choveu
12:43B.O. de agressão
12:44de marido e mulher
12:45e mulher e marido.
12:46Não, é verdade, prefeito.
12:48Meu marido me falou.
12:50Era um tal
12:50de uma queixa
12:51em cima da outra.
12:52É, ainda sem contar,
12:53querida,
12:53isso que vomitaram
12:54a cidade toda.
12:55Vomitaram só não.
12:56Urinaram também, né?
12:57E isso ninguém me contou, não.
12:59Eu vi e senti.
13:01Cheguei na minha casa
13:02e tive que fechar a janela toda
13:03pra aquele fedor horroroso
13:04não entrar?
13:04Todo carnaval
13:05é a mesma coisa
13:06e nem por isso
13:07as pessoas querem acabar
13:08com o carnaval.
13:09Tudo bem.
13:09A gente toma as providências
13:11e as coisas vão melhorando.
13:12Da próxima vez
13:13vai ser bem melhor.
13:14Agora, quer saber?
13:15Vamos esquecer
13:16esse dia úmido
13:17e vamos tratar
13:18da visita do presidente
13:19porque nesse lance sim
13:20tá cheio de problema
13:21pra resolver.
13:22É ou não é, Bill?
13:33Graças a Deus
13:36você chegou.
13:37Ó, venha por reação.
13:39Ó, antes que comece
13:40a ladainha,
13:42diz aí,
13:42viram meu pronunciamento?
13:44Eu só vi uma parte.
13:45Não vi inteiro por quê?
13:48Preguiça,
13:48desinteresse
13:49ou incompetência intelectual
13:51pra entender
13:52o que eu tava dizendo?
13:53Eu não tô nem aí
13:54pras suas agressões, Nicolau.
13:56Nós temos um problema
13:57muito maior aqui em casa.
13:59Você precisa estar ciente.
14:01Que eu saiba
14:01tá tudo bem.
14:02A Beatriz está muito mal.
14:04Mal como?
14:05Ela está delirando.
14:06Eu não sei mais
14:07o que fazer.
14:08Não faz nada.
14:09Ou melhor,
14:10faz.
14:12Borda uma fronha.
14:15Ela está totalmente
14:16fora de si, Nicolau.
14:18Tem um pingo
14:18de compaixão.
14:19Ela é melhor
14:20fora de si comportada
14:21do que dentro de si
14:23me enchendo o saco.
14:24Deixa a sinhazinha
14:25em paz, tá bom?
14:27Nicolau,
14:27e se ela enlouquece, Nicolau?
14:29Melhor pra todo mundo.
14:44Olha, eu vou falar uma coisa, hein, Cardoso.
14:47Se essa tal lei úmida vingar,
14:48eu pego as minhas coisas
14:49e me mudo pra cabreiro.
14:50Marta,
14:51você vai fazer muita falta
14:52nessa delegacia.
14:53Você acha que eu tô brincando?
14:54Olha só,
14:55só de casos de marido
14:56que espancou uma mulher
14:56foram quantos?
14:57Não faço ideia, Marta.
14:58Perdi a conta.
14:59Ai, vou te contar.
15:02Olha, essa coisa
15:02continua assim, Cardoso.
15:03Eu não sei, não.
15:04O queirense
15:05vai acabar com essa cidade.
15:06Pode ser.
15:07Mas eu bem vi
15:08o ex-prefeito
15:09lá na praça, ó,
15:10enchendo o pote.
15:14Com licença.
15:18Como vai, senhor Nazinho?
15:19Eu vou bem,
15:20graças a Deus.
15:21Oi, senhora?
15:22Vamos indo.
15:24Bom, eu posso lhe ajudar
15:25em alguma coisa?
15:26Ah, pode sim.
15:27Eu recebi essa convocação,
15:29daí tô aqui, né?
15:30Me apresentando pra depor.
15:32Claro.
15:33Bom,
15:34obrigada por ter vindo.
15:36Imagina, imagina.
15:37Não tem de quê.
15:38A senhora sabe
15:38que eu tô sempre
15:39à disposição das autoridades,
15:41não é verdade?
15:42Ótimo.
15:44Bom, senhor Nazinho,
15:45o investigador Cardoso
15:46vai avisar o delegado
15:47que o senhor está aqui.
15:48Eu tenho que sair agora
15:50e, infelizmente,
15:51não vou poder acompanhar
15:52o seu depoimento.
15:53Eu tenho compromisso agora.
15:55Ah, perfeitamente.
15:56Fica à vontade,
15:56dona Marta.
15:58Por gentileza.
16:01Só aguarda um instante,
16:01por favor.
16:02Claro.
16:04Fique à vontade,
16:05senhor Nazinho.
16:06E tenha um bom dia.
16:07A senhora também.
16:11Ah, dona Marta,
16:12vai com Deus.
16:15Obrigada.
16:16Você está falando daquela ideia
16:19que teve quando estávamos
16:20num hotel?
16:21Isso mesmo, meu amor.
16:22Mas eu pensei bem
16:23e vou fazer exatamente
16:24o que eu disse que eu ia fazer.
16:25Eu não sei não, Joca.
16:27Eu acho muito arriscado.
16:28Eu não tenho nem conseguido
16:29dormir direito
16:30de tanta preocupação.
16:32Você está numa situação
16:33completamente vulnerável.
16:35Você sabe que eu adoro
16:36quando você se preocupa comigo?
16:38Mas pode ficar tranquila,
16:39meu amor.
16:40Que o velho Joca aqui
16:41sabe se cuidar.
16:42Sabe se cuidar.
16:44Mas você não tem noção mesmo,
16:46né, Joca?
16:47Se continuar dando uma
16:48de bobo alegre,
16:50vai acabar se dando
16:51muito mal.
16:52Espera aí que eu tenho
16:52que desligar.
16:53A dona Marta já chegou.
16:55Ah, tá bom.
16:56Toma cuidado,
16:57seu idiota.
16:58E vê se manda notícias.
17:00Dona Marta!
17:00De preferência
17:01que não seja do cemitério
17:03nem da cadeia.
17:05Tá bom, meu amor.
17:06Tá bom.
17:06Um beijo.
17:07Um beijo.
17:12Como vai, dona Marta?
17:17Eu vou bem, Joca.
17:18E curiosa
17:18pra saber o que você
17:19tem pra mim de ser.
17:20Bom, primeiro
17:20eu queria agradecer
17:21pra senhora concordar
17:22em levar esse papo comigo, viu?
17:24Olha, Joca,
17:24eu ainda não entendi direito
17:25por que nós não podemos
17:26conversar aqui na delegacia,
17:28mas tudo bem.
17:29Eu resolvi te dar um crédito.
17:31A senhora não vai se arrepender.
17:34Bom, então vai.
17:35Vamos embora logo daqui.
17:36Vai.
17:36Por favor.
17:39Não, peraí.
17:40Você tem certeza
17:42que essa fumbica velha
17:43vai nos levar a algum lugar?
17:45Meu carro?
17:46Meu carro nunca me deixou na mão.
17:49Quer dizer,
17:50uma ou duas vezes.
17:52Joca, eu já sei.
17:54Eu já sei.
17:54Não precisa ficar
17:55enchendo os meus ouvidos
17:56exaltando as qualidades
17:57inexistentes
17:58dessa fumbica velha aí.
17:59Desse monte de ferrugem.
18:01E olha,
18:01eu já vou avisando, hein?
18:03Se essa fumbica velha
18:04inguissar,
18:04eu não empurro nem morta, hein?
18:07Tá bom, dona Marta,
18:07mas vamos.
18:10Digamos que aqui,
18:21nessa seringa,
18:23está o veneno.
18:24É só introduzir a seringa
18:36na rolha
18:37e injetar na cachaça.
18:44Mas não vai ficar com gosto esquisito,
18:46padrinho?
18:47Vai ficar com leve gosto
18:49de amêndoa.
18:51Um pouco amargo, talvez.
18:53Mas isso não tem
18:55a menor importância.
18:57O presidente
18:58já se vangloriou
18:59de tomar cachaça
19:00até com cobra
19:02dentro.
19:04E, mas,
19:05e se as outras pessoas
19:06beberem da garrafa também?
19:07Vão todas acompanhar
19:09o presidente
19:10na viagem.
19:11Como os faraós.
19:14Legito antigo,
19:15sereno.
19:15era costume
19:17os faraós
19:18serem enterrados
19:19com a família inteira.
19:21Quer dizer
19:22que o sujeito morria
19:23e levava a cambada
19:24junto com ele?
19:25Exatamente isso.
19:27E o veneno?
19:28Onde é que está o veneno?
19:29Está guardado.
19:30É muito perigoso.
19:32Aliás,
19:32é sempre bom lembrar.
19:34Você
19:35não pode beber
19:37no dia.
19:38Sabe disso,
19:39não é?
19:39É,
19:40mas você também,
19:41o paspalhão,
19:42cachaceiro do jeito que é,
19:43não vai esquecer
19:44beber da garrafa.
19:45Eu quero só ver
19:46o padrinho
19:46quicando no chão
19:47e tendo convulsão.
19:49Eu vou achar graça.
19:51Vai ser
19:52um grande dia,
19:53sereno.
19:55O dia
19:56em que o presidente
19:58da república
19:59vai receber
20:00o presente
20:02da sua vida.
20:04A morte certa.
20:09Bom,
20:10é o seguinte,
20:10dona Marta,
20:11eu resolvi me abrir
20:12porque apesar
20:13das implicâncias
20:15que a senhora tem comigo,
20:16você tem muito mais
20:17tutando do que o delegado.
20:19O João Acal,
20:21a doutora Joricaba,
20:21ele é um policial
20:22bem intencionado.
20:23O problema é que
20:24ele está em outra
20:25e ele só pensa
20:25em se aposentar.
20:26Aquilo lá
20:27é um cabeça dura,
20:28dona Marta.
20:30Ele não pode olhar
20:31para a minha cara
20:31que ele já quer
20:32me botar em cana.
20:33Se dependesse dele,
20:34eu estava cumprindo pena
20:35por todos os crimes
20:36que aconteceram
20:36aqui nessa cidade.
20:37Desde homicídio
20:38até roubo de garrafa.
20:39ele não quer nem saber.
20:40Vem cá,
20:41Joacá,
20:41você me chamou
20:42aqui para quê?
20:42Para falar isso?
20:43Para ficar reclamando
20:44de supostas injustiças
20:45feitas a você
20:46pelo delegado?
20:47Não,
20:48me desculpa,
20:49foi só um desabafo.
20:50Então,
20:51por favor,
20:51vamos ao que interessa
20:52porque eu não tenho
20:53tempo a perder.
20:54Tá bom.
20:55É o seguinte,
20:56dona Marta,
20:57o que eu quero dizer
20:58é que o senador
21:00não é a única ameaça
21:01aqui em Ribeirão.
21:03A coisa pior,
21:04muito pior.
21:05O que você está
21:06insinuando?
21:06A outra pessoa
21:07que representa
21:08um enorme perigo
21:09a senhora
21:09não tem nem noção.
21:11Tanto por sua
21:12influência na cidade
21:13como por ser considerado
21:14um indivíduo
21:15acima de qualquer suspeita,
21:16como dizem por aí, né?
21:17Ei,
21:17Joca,
21:18de quem você está falando?
21:20Do professor Flores.
21:22Como é que é?
21:23Dona Marta,
21:24por favor,
21:25antes de rejeitar
21:26minhas desconfianças,
21:27me escuta.
21:27Por favor.
21:29Vai,
21:30Joca,
21:30tudo bem.
21:31Vamos lá.
21:32Fala.
21:32Fala,
21:36Dona Beatriz.
21:38Oi,
21:38meu filhinho.
21:40Tudo em paz por aqui?
21:41Ai,
21:42como sempre,
21:43meu amor,
21:43tudo em paz.
21:44Ô,
21:45Nicolau,
21:45o seu discurso
21:46foi muito forte.
21:48Olha,
21:49a mamãe
21:50ficou orgulhosa
21:51do seu filhinho.
21:53Eu pensei
21:53que a senhora
21:53não tivesse visto.
21:54O que é isso,
21:55Nicolau?
21:56Você acha que eu sou doida
21:57de perder um discurso teu?
21:59O que é isso?
22:00Olha,
22:01as pessoas ficaram
22:02arrepiadas,
22:03viu?
22:04Ai,
22:04seu pai ia adorar ter ouvido.
22:06Ah,
22:06por falar no Érico,
22:08acabei de receber
22:08uma mensagem dele.
22:10Do além?
22:11Para com isso,
22:12Nicolau,
22:12para,
22:13eu não gosto
22:13quando você brinca assim
22:14com as coisas do seu pai.
22:16Bom,
22:16pra falar a verdade,
22:17eu não sei
22:19de onde veio
22:19essa mensagem,
22:20mas o que importa
22:21é que eu acabei
22:22de receber.
22:23Dizendo?
22:24Bom,
22:24dizendo que
22:25ele já já volta
22:27pra casa.
22:28Não é ótimo?
22:29sensacional.
22:32O que mais ele dizia?
22:33Bom,
22:33ele falava mais assim,
22:35que ele tá cansado
22:36de viajar,
22:37que ele tá doido
22:38pra voltar pra casa.
22:40Ai,
22:40eu também,
22:40meu filho,
22:41eu tô com tanta saudade
22:42do seu pai.
22:43É muito tempo
22:44pra um pai de família
22:45se ausentar.
22:46Você não acha?
22:47Acho,
22:48eu acho que
22:48o velho não tinha o direito
22:49de largar a gente assim.
22:51Ai,
22:51Nicolau,
22:52olha,
22:52eu tô pensando
22:53em dar assim
22:53uma festa maravilhosa
22:55pra chegada do seu pai.
22:57Você concorda?
22:58concorda,
22:58a gente podia chamar
22:59aquele grupo musical
23:00de Cabreira
23:01que ele tanto gosta.
23:02Ai,
23:02meu,
23:02que ótimo,
23:03que ótimo,
23:04meu filho,
23:05adorei a ideia.
23:06Ai,
23:07meu Deus do céu,
23:08eu quero fazer
23:08uma festa fantástica,
23:10mas fantástica,
23:11Nicolau.
23:11Olha,
23:12eu quero convidar assim,
23:14eu quero convidar
23:14todos os nossos amigos,
23:16o pessoal do partido,
23:18as pessoas influentes
23:19aqui da cidade.
23:21Perfeito,
23:22mamãezinha,
23:22mas vamos deixar
23:23pra pensar isso
23:24um pouco mais tarde,
23:25né?
23:26Porque papai vai demorar
23:27pra chegar.
23:28Vai nada,
23:28Nicolau,
23:29vai nada.
23:30Eu conheço
23:31meu Érico,
23:32quando ele fala
23:32que está pensando
23:33em voltar,
23:35é porque ele já
23:35tá chegando.
23:38Você lembra daquela vez
23:39quando ele tava
23:39voltando do Japão?
23:41A gente pensou
23:42que ele ia chegar
23:42no domingo, né?
23:43O que que aconteceu?
23:45No sábado,
23:45cedinho,
23:46ele rompeu
23:47por essa porta
23:48dentro.
23:48Você tá falando
23:49do braço?
23:50Ai,
23:51meu filho,
23:51eu quero fazer
23:52uma festa fantástica,
23:53viu?
23:54Eu quero contratar
23:55aquela florista
23:55que fez
23:56os arranjos
23:57do casamento
23:58do Peter
23:58e da Hortência.
24:00Bodas de ouro,
24:00a senhora quer dizer.
24:01Ai,
24:01meu Deus do céu,
24:02eu nunca vi um casamento
24:03mais lindo
24:04em toda a minha vida.
24:05Eu quero fazer
24:06tudo igualzinho.
24:07Os arranjos de rosa,
24:08aqueles buquezinhos assim,
24:10todos em cima
24:10das mesas, né?
24:11E as bromélias,
24:13ai,
24:13as bromélias lá
24:14na varanda.
24:16Como muita gente
24:17nessa cidade,
24:18eu tinha flores
24:19como uma espécie
24:20de conselheiro,
24:21um guia,
24:21entende?
24:21Só depois do atentado
24:24que eu sofri
24:25é que eu comecei
24:26a desconfiar.
24:27Peraí,
24:27Joca,
24:27eu fui com você
24:28até o local
24:29e a gente
24:30não encontrou nada,
24:31nenhum disso.
24:32Pois é,
24:33e como ninguém
24:34acreditou em mim,
24:35eu resolvi continuar
24:36investigando sozinho
24:37e eu encontrei
24:38uma testemunha
24:39que descreveu
24:39o carro igualzinho
24:40do professor Flores,
24:42estacionado perto
24:42do local do crime.
24:43Moe,
24:44e essa pessoa
24:44anotou a placa?
24:45Infelizmente não,
24:46mas pela descrição
24:47não tem erro.
24:48Quantos casos
24:49daquele modelo
24:49a gente tem aqui na cidade?
24:50Joca,
24:51mesmo assim
24:52ainda é muito pouco
24:53para tirar qualquer conclusão.
24:54Tinha chovido,
24:55estava tudo ilameado
24:56e depois
24:58eu fui conferir
24:59os pneus
24:59do carro do Flores
25:00e eles estavam
25:01sujos de lama.
25:03Até aí
25:03não se prova
25:04absolutamente nada.
25:06Pelo amor de Deus,
25:06o que mais tem
25:07aqui em Ribeirão
25:08é lama.
25:09Era o mesmo tipo de lama.
25:11Joca,
25:12agora você virou o quê?
25:13Perito em solos.
25:14Sabe diferenciar
25:15uma lama de outra?
25:16Ana Marta,
25:17se eu tivesse
25:17provas concretas,
25:19se eu não tinha chamado
25:20a senhora
25:20para conversar
25:21fora da delegacia.
25:22Mas pensa comigo.
25:24Um carro
25:25estacionado
25:26em local ermo
25:26só podia ser
25:27do cara
25:28que atirou em mim.
25:29Até o capial
25:29que eu encontrei
25:30achou muito estranho.
25:31de fato
25:32seria suspeito.
25:34Mas,
25:34Joca,
25:35é só isso
25:35que você tem?
25:36Essas suposições?
25:38Eu também
25:39custei para acreditar,
25:40dona Marta.
25:41Mas aí eu resolvi
25:41tirar a prova
25:42e fui até a casa
25:43do professor
25:43antes que ele soubesse
25:45que eu tinha escapado
25:45com vida.
25:47O olhar dele
25:48disse tudo.
25:50Foi o maior susto
25:50que ele tomou na vida.
25:52O cara ficou branco.
25:53Para ele,
25:54ele tinha certeza
25:55de que eu tinha passado
25:56dessa para melhor.
25:57Joca,
25:58é muito difícil
26:00de engolir isso ainda.
26:02Por quê?
26:03Que motivo
26:04o professor Flores
26:04teria para te querer morto?
26:06Eu não sei ainda.
26:08Mas depois disso,
26:09eu fiquei na cola dele.
26:11E sabe aquele atentado
26:11com a bomba
26:12na prefeitura?
26:13Não,
26:13claro que eu sei.
26:14Pois é.
26:15Eu estava na praça
26:16vigiando sacana.
26:18Eu vi todo o movimento
26:19da dona Marta.
26:20Eu vou te contar.
26:21O que eu quero saber,
26:22seu Nazinho,
26:23é como é
26:25que o tal
26:27do Ferrolho
26:29entrou
26:30para essa história toda.
26:32O seu Virgílio
26:33já afirmou
26:34que foi o senhor
26:35que apresentou
26:36o marginal
26:37e o pilantra
26:38a ele
26:38procurando
26:40um emprego
26:41para o coitadinho.
26:42É isso?
26:43É,
26:44então, delegado,
26:45eu conheci o Ferrolho
26:47um tempo atrás
26:47aqui na cidade mesmo.
26:48Só que naquela época
26:49ninguém sabia
26:49que o camarada
26:50era bandido, né?
26:51E o senhor achou
26:52que o marginal
26:53fosse um homem de bem.
26:54Pelo menos
26:55era o que parecia.
26:56Sei.
26:57Continue.
27:00Então, delegado,
27:01um belo dia
27:02o camarada
27:03apareceu lá no cartório.
27:04Agora,
27:04o que ele foi fazer,
27:05eu não vou me lembrar
27:06de jeito nenhum,
27:06só me desculpa, né?
27:07Mas a gente acabou
27:08travando o conhecimento.
27:09Tomou uma cervejinha,
27:11etc e tal.
27:11Aí depois,
27:12nunca mais ouvi falar
27:14do camarada.
27:15Eu soube por alto
27:16que ele tinha sido preso,
27:17mas esqueci mesmo
27:18do indivíduo aí, né?
27:20Aí agora,
27:20recentemente,
27:21mais ou menos,
27:22é mais ou menos
27:24na época
27:25que essa
27:25essa foto
27:28aqui foi tirada,
27:30ele apareceu
27:30lá no cartório
27:31de novo.
27:32Estava abatido,
27:33dizendo que tinha
27:33sofrido muito na vida,
27:35mas que tinha se regenerado,
27:36estava arrependido
27:37e nunca mais ia fazer
27:38as besteiras
27:39que ele tinha feito.
27:40O senhor conhece
27:41bem esse papo, né?
27:42E o senhor acreditou?
27:43O senhor me conhece,
27:45né, delegado?
27:46Eu sou
27:47um homem de coração mole.
27:50Eu fiquei com pena
27:51pro sujeito fazer o quê?
27:52Aí, como eu sabia
27:53do lance lá
27:54do avião da posada,
27:55eu fiz uma tentativa.
27:57Custava nada, né?
27:58Muito bem.
28:02Ele declarou
28:02que o Ferrolho,
28:04uma vez que...
28:05Delegado, só mais uma coisinha.
28:07Quanto ao senador,
28:08eu acho que não preciso
28:09nem explicar nada, né?
28:11Eu e o Nicolau
28:11somos amigos de infância,
28:12sempre andamos juntos.
28:14Inclusive, tem umas histórias
28:15maravilhosas no céu.
28:16E o senhor conhece,
28:17quando a gente era moleque,
28:18andando ali lá pelo riacho.
28:19Eu não perguntei nada
28:20se o senador...
28:21Eu sei que não,
28:21mas não custa nada
28:22explicar pro senhor,
28:23você vai gostar dessa história.
28:25Eu tava tão mal,
28:27eu tava sozinho,
28:30e você chegou,
28:32me dando um carinho,
28:34amor e atenção.
28:35Eu tava tão mal,
28:37eu tava sozinho,
28:39eu tava tão mal.
28:41Valorosos combatentes
28:48da informação.
28:50Ô, senador.
28:50Tudo ótimo.
28:51E aí, acompanhando
28:52a repercussão
28:53do meu discurso no Senado?
28:54Mas é claro,
28:54sem dúvida.
28:55Bom, vamos conversar?
28:56Pois não.
28:56Temos muito assunto
28:57atrasado pra por em dia, né?
28:58Vamos, vamos, vamos.
28:59Faz exatamente o que eu te mandei.
29:01Pode deixar, senhor.
29:01Vamos, senador.
29:02Eu creio que você me deve
29:13alguma explicação.
29:15Imagino que o senhor deve
29:16estar se referindo
29:16a matéria sobre a acusação
29:18que lhe foi feita, não é?
29:19Imaginou bem.
29:20A Lilian me disse
29:21que tentou impedir
29:22a publicação,
29:23mas você foi inflexível,
29:25digamos assim.
29:26Senador, veja bem.
29:27Eu sou um jornalista.
29:29Eu tenho um compromisso
29:30com a informação
29:31que os meus leitores
29:32devam honrá-lo.
29:33Doa quem doer.
29:34Gostei.
29:36Doa quem doer.
29:37Pois então, eu sabia
29:38que o senhor não ia gostar.
29:39O fato é que eu não tinha
29:40outra alternativa.
29:41Eu tinha...
29:41Vamos parar com esse
29:42blá, blá, blá ideológico.
29:43Pegou muito mal.
29:45Pegou pessimamente
29:46a publicação de calúnias
29:48contra mim
29:48no meu próprio jornal.
29:50Eu creio que isso é um fato
29:51inédito na história
29:52do jornalismo.
29:52Um momento, pera aí.
29:53O jornal não é seu.
29:54O jornal é nosso.
29:56E eu não publiquei nada
29:57como se fosse verdade
29:57comprovada.
29:59Ficou claro
30:00que tratava-se apenas
30:01de uma denúncia.
30:02É a mesma.
30:03Não parar com essa palhaçada.
30:04Você fez de sacanagem
30:06e vai pagar.
30:07Doa o quanto doer.
30:10Deixa eu lhe dizer uma coisa.
30:11Nós fizemos um acordo
30:12e o noticiário
30:13ficou sob a minha responsabilidade.
30:16O editor sou eu.
30:18Era.
30:19Era o editor.
30:21Não é mais.
30:21Ah, não.
30:22Não sou mais.
30:23Não.
30:24Você está destituído.
30:25A Lilian vai assumir o cargo.
30:26Você não pode fazer isso.
30:28Você não tem o direito
30:29de fazer isso.
30:30Eu tenho todo o direito.
30:31Eu sou sócio majoritário
30:32dessa porcaria aqui.
30:35Dá licença.
30:35Você faz o seguinte.
30:40Você pega o seu jornal,
30:42dobra direitinho
30:43e com todo carinho
30:44faz o que você achar melhor.
30:45mal.
31:07Jaca, como vai?
31:09Mal, mal.
31:10Mal por quê?
31:11O que foi mais?
31:12A tribulações, é isso?
31:13Estou numa sinuca, meu caro.
31:16Estou às voltas
31:17com a maldita acusação
31:20contra o senador.
31:21Isso é...
31:22Isso é uma sinuca
31:24bicuda mesmo.
31:25Já é pra mais.
31:26É, eu tenho que resolver
31:27seu arquivo, processo.
31:29E manda essa porcaria
31:31pro lixo
31:31ou se eu envio
31:34ao Supremo.
31:36Você está
31:37se referindo
31:38ao Supremo?
31:40Marinho.
31:43Por favor.
31:44Não tem graça nenhuma.
31:46Ó.
31:46É Supremo
31:47o Tribunal Federal?
31:48Sim, sim.
31:49É só lá
31:50que um senador
31:50pode ser investigado.
31:52Tá bom, sim.
31:53Boa aí.
31:54Vai, tudo bem.
31:55O que me traz aqui?
31:57Bom,
31:57o que me traz aqui
31:58e me leva também
32:00não sei pra onde.
32:03Julicado,
32:03é uma confissão
32:06que eu preciso fazer
32:08e um conselho
32:09que eu preciso pedir.
32:11Eu quero matar
32:12um coelho
32:12com duas caixas d'água.
32:18Ei, Ara.
32:20Cloris.
32:20Você já vem
32:21se tem um tempinho?
32:22Claro,
32:22acabei de fechar
32:23a minha agenda aqui.
32:23Tá tudo certo.
32:24É que eu queria
32:25levar um papo com você.
32:27Claro, vamos.
32:28É sobre aquele negócio
32:29que você viu hoje de manhã
32:30eu chegando.
32:32Então, você tá dizendo
32:33do jumento?
32:35É, é.
32:36Do jumento.
32:37Eu queria explicar
32:38pra você...
32:39Não, não, não.
32:39Glorice,
32:39você não precisa
32:40me explicar nada.
32:41Aliás,
32:41eu não preciso
32:41explicar nada
32:42pra ninguém.
32:42Você já explicou, né?
32:43Você não encontrou
32:44o tal da melinha,
32:45coisa e tal?
32:45Não, não.
32:46Na verdade,
32:46me expressei mal.
32:47Me expressei mal.
32:48Na verdade,
32:49eu queria conversar
32:50com você,
32:51falar um pouco
32:51sobre o assunto,
32:52trocar uma ideia.
32:53Ah, entendi.
32:56Você tem o peitinho
32:57pra me ouvir?
32:59É que eu tô com uma dúvida
33:00martelando
33:01na minha cabeça.
33:03É isso que eu queria
33:04conversar com você.
33:11Ô, Mena.
33:12Oi.
33:13Será que eu posso
33:14interromper um pouquinho
33:14a sua leitura?
33:15Ué, claro, Matheus.
33:17Lembra que eu
33:17queria bater um papo
33:19com você?
33:20Eu lembro, sim.
33:21Eu acho que é um bom momento.
33:24Pode ser?
33:24Pode, claro.
33:25senta aí.
33:31Ô, Loro.
33:32Eu acho que é a primeira vez
33:34que eu te vejo sentado
33:35numa mesa aqui do bar, né?
33:36Geralmente o senhor
33:37tá ali,
33:37atrás do balcão.
33:38É, porque geralmente
33:39no balcão
33:40é pra se servir
33:41bebida com álcool.
33:42Olha, Jó,
33:43que eu conto
33:43nos dedos das mãos
33:44quantas vezes
33:45eu servi média
33:46com pão com manteiga
33:47ali no balcão.
33:47É verdade.
33:48Eu mesmo nunca vi.
33:50Pois é,
33:50e nesses tempos secos
33:51de lei úmida,
33:52o que é que eu vou
33:53fazer no balcão?
33:53Tá todo mundo
33:54descendo malha
33:55no prefeito
33:56por causa
33:56dessa lei úmida.
33:57Todo mundo,
33:58exatamente isso.
33:59No dia que não pode
34:00servir bebida alcoólica,
34:02os bebuns reclamam.
34:03No dia que pode
34:04servir bebida alcoólica,
34:05quem é que reclama?
34:06Os outros.
34:07Mas o que é
34:07que tu ia falar?
34:09É o seguinte,
34:11o importante
34:12que tá acontecendo
34:12aqui em Ribeirão
34:13não é lei úmida,
34:14não é lei seca,
34:15não é lei de nada.
34:16O importante mesmo
34:18é que os safados,
34:20os responsáveis
34:21por essa onda
34:22de crimes
34:22que estão
34:22aterrorizando
34:23o Ribeirão
34:23estão começando
34:25a ser desmascarados.
34:26Isso é uma coisa
34:28importante mesmo,
34:30muito importante.
34:31O senador
34:32já tá na marca
34:33do pênalti
34:34e outros cidadãos
34:36importantes
34:36já estão
34:38entrando na fila
34:39pra serem
34:40desmascarados também.
34:42Que cidadãos?
34:43Bom,
34:44isso eu não posso falar.
34:45Quem viver,
34:46verá.
34:46É,
34:48vamos ver.
34:48mas essa história
34:50da gente
34:51não poder beber
34:52seis dias
34:53por semana
34:54não tá com nada.
34:56Queres que me desculpe,
34:57mas...
34:58E ser obrigado
35:00a beber
35:00no dia úmido
35:01também é uma loucura
35:02varrida, né?
35:03Claro,
35:04eu quero beber
35:04e deixar de beber
35:06quando me dá
35:08na telha.
35:09Né,
35:09quando o governo
35:10diz que pode
35:10ou não pode.
35:11É,
35:12e sem falar
35:12no baita prejuízo
35:13que nós comerciantes
35:14estamos tendo.
35:15Ah,
35:16isso não tá certo,
35:17não.
35:17Essa lei não serve.
35:18Não serve.
35:22Boa noite,
35:23minha gente.
35:24Aliás,
35:25bela noite.
35:26Que animação
35:27é essa,
35:27seu Linho?
35:28A que cedeve.
35:29Meus amigos,
35:29eu tô precisando
35:30comemorar.
35:31Portanto,
35:32eu pediria
35:32ao responsável
35:33que descesse
35:34uma rodada
35:34pra todos
35:35porque é por minha conta.
35:37Comemorar o que,
35:38seu Linho?
35:38Você vai saber
35:38na hora do brinde.
35:39É,
35:40mas não vai dar
35:40pra servir,
35:41não.
35:41Nós estamos
35:42no período
35:43seco
35:43da lei
35:43úmida.
35:44Mas que palhaçada
35:45é essa,
35:45meu cara?
35:46Eu venho aqui
35:46no seu estabelecimento
35:48pra beber
35:49com meus amigos
35:50e vou sair
35:50em brancas nuvens,
35:52você já foi
35:52mais competente,
35:53Lorota.
35:54Ô, Lorota,
35:54ó, Lorota,
35:55abre uma sessão
35:56pro Solínico,
35:56vai?
35:57Senão a gente
35:57não vai saber
35:58que comemoração
35:59é essa.
35:59Não vai ficar
36:00sabendo mesmo.
36:01Não vai ter bronca.
36:02Não tem nenhum fiscal
36:03úmido por aqui,
36:04né?
36:08Eu vou abrir
36:09uma exceção,
36:10mas é jogo rápido.
36:11Não é pra ficar
36:12enchendo a caveira
36:1324 horas aí não.
36:15Ô, sereia,
36:16traz aquela cachaça
36:17especial que tá lá
36:18no armário
36:19pros meus amigos.
36:22Que coisa
36:22sua cadeira aí,
36:23seu lindo?
36:24Me conta
36:25pra gente
36:25com essa
36:26grande novidade.
36:29Eu vou explicar.
36:31Acontece que
36:32a partir de hoje
36:32eu sou um homem livre.
36:34Eu posso me olhar
36:35no espelho
36:35escovando os dentes
36:37sem sentir vergonha.
36:38Mas,
36:39por que isso?
36:40É o seguinte,
36:41o senador
36:42Nicolau
36:43ficou uma arara
36:44porque eu peguei
36:46a denúncia
36:46do nosso detetive
36:47bijoca e publiqueira
36:48a folha.
36:49Ai,
36:49desculpa,
37:03meu amor.
37:05Ai,
37:06desculpa,
37:06não tá dando.
37:07É,
37:07calma.
37:08Lilian,
37:09você não precisa
37:10ficar com medo.
37:10Você acha
37:12que eu dou conta?
37:13Claro que dá.
37:16Não pode ser
37:16tão difícil assim, né?
37:17Ai,
37:17meu amor,
37:18eu confesso
37:18que sem o Lincoln
37:19por aqui
37:19eu fico
37:21meio insegura.
37:22Esquece o Lincoln.
37:23Que ele vagabundo
37:24só servia pra atrapalhar.
37:25É um idiota completo.
37:27Eu tenho certeza
37:28que você vai se sair
37:29muito melhor que ele.
37:31Você acha mesmo?
37:32Acho.
37:33Se eu não achasse
37:34eu não estaria
37:34te colocando
37:35no comando
37:36dessa porcaria aqui.
37:38Agora vamos lá.
37:39Vamos falar
37:39com a cachorrada.
37:40Vamos lá.
37:40Agora?
37:41É,
37:41vamos.
37:42Então tá,
37:43pera.
37:45Pera,
37:46pera,
37:46pera,
37:46que você tá
37:46toda amassada.
37:49Deixa eu te amar.
37:50Navarro,
37:51o que será
37:52que o senador
37:52vai dizer, hein?
37:54Sinceramente,
37:54eu sei lá,
37:55cara.
37:56Eu quero só ver
37:57como é que a Folha
37:58vai sobreviver
37:59sem o seu Lincoln
37:59tocando barco
38:00por aqui.
38:03Atenção todos,
38:04por favor.
38:05Peço um minuto
38:06da atenção.
38:06bom,
38:11em primeiro lugar,
38:11eu peço
38:12que não se assustem
38:13com os gritinhos
38:13histéricos
38:14com que o Lincoln
38:15acabou de sair daqui.
38:16Isso é apenas
38:17um piti
38:17de quem se acha
38:18uma estrela
38:19e não passa
38:20de um satélite.
38:21Está tudo na mesma,
38:22tudo igual,
38:23com uma pequena diferença.
38:25A partir de hoje,
38:26quem vai responder
38:27pela chefia da redação
38:28será a nossa colega
38:29Lilian,
38:30que já mostrou
38:30que tem competência
38:31para a tarefa.
38:32é muito mais
38:33do que qualquer
38:34jornalista caduco.
38:36Isso aqui é uma redação,
38:38não um lugar
38:38para merdalhões,
38:39e sim de gente
38:40que trabalha.
38:42Eu peço a todos
38:43que prestigiem
38:44e ajudem
38:45a nova redatora.
38:47O que ela disser
38:48e fizer
38:48será em meu nome.
38:51É só,
38:51estamos combinados,
38:52né?
38:53Por favor,
38:54Lilian.
38:55Bom,
38:56primeiramente,
38:56eu gostaria
38:57de agradecer
38:57ao senador
38:58pela confiança.
39:00E eu prometo
39:01a todos vocês
39:01que no que depender
39:02de mim,
39:03a nossa folha
39:04da corredeira
39:05vai continuar
39:05com a mesma
39:06qualidade de sempre.
39:07Tá certo?
39:08Obrigada.
39:15Quer dizer que
39:17de manhã
39:18você abriu o olho
39:20e não estava
39:21na sua casa.
39:23Estava no motel
39:24e com ela
39:26ao lado
39:27na cama.
39:29Boa dona Clarice,
39:31pode uma coisa
39:31dessa,
39:32a juridora?
39:32É Clarice,
39:33Clarice.
39:34É a mãe
39:35do garotão radical.
39:37Só que quem
39:38radicalizou
39:38dessa vez
39:39foi ela.
39:40E a culpa
39:41é mais uma vez
39:42do cachaceiro
39:42morro da cidade,
39:43né?
39:44Porque tudo
39:44aconteceu
39:45por conta
39:46dos efluvismos
39:47cachaçais
39:48que planaram
39:49sobre Ribeirão
39:50num fadado
39:50dia úmido.
39:52E vocês
39:52encheram o pote
39:53até...
39:53Ela tomou
39:56uma dose
39:57e eu a acompanhei
39:59por educação,
40:00né delegado?
40:01Aí ela
40:02redosou
40:02e eu
40:04idem.
40:04Aí depois
40:05bidem
40:06e aí
40:07tridem
40:08e aí você
40:09imagina
40:09aonde fomos
40:11parar.
40:11Aí você
40:12devia
40:13agradecer
40:14ao bebum
40:15para ti.
40:16Ah,
40:16Joricaba,
40:17para com essa
40:17brincadeira
40:18porque a coisa
40:19é séria.
40:19Eu não sei
40:20realmente o que
40:20fazer.
40:21Aliás,
40:22eu não sei
40:22como desfazer
40:23a coisa.
40:24Qual é o problema?
40:25Uma coroa
40:26bem apanhada
40:27como aquela.
40:28Você tem mais
40:28é que ir em frente,
40:29Ariel.
40:30Ir em frente?
40:31Como em frente?
40:32Para onde?
40:33Ô,
40:34delegado,
40:34eu tenho que
40:35engatar uma ré
40:35para trás.
40:37Vai que essa
40:38criatura
40:38cisma
40:39que esse encontro
40:41foi uma coisa séria,
40:43um compromisso.
40:43Melhor ainda.
40:45Se ela cismar,
40:46você cisma também.
40:48Hã?
40:49Uma pessoa
40:49que vive
40:50sozinha no mundo
40:51marseca?
40:53Hã?
40:55A viúva encalhada
40:56veio acalhar,
40:57rapaz.
40:59E a bailarina
40:59da boate
41:00já não está
41:01mais disponível,
41:02não.
41:02O seu adversário
41:03veio,
41:03pegou e papou.
41:04O problema dele
41:05é que ele leve
41:06papo
41:06o que ele quiser.
41:08Mas,
41:09Joricaba,
41:09eu sou uma pessoa
41:10integralizada
41:11ao trabalho.
41:12Eu não tenho
41:13tempo para mulheres
41:14se encarar
41:14até fixo,
41:15pelo amor de Deus.
41:17Aí.
41:19Sinceramente.
41:21senceramente.
41:51Legenda Adriana Zanotto
42:21Legenda Adriana Zanotto
42:51Legenda Adriana Zanotto
43:21Legenda Adriana Zanotto
43:51Legenda Adriana Zanotto
44:21Legenda Adriana Zanotto
44:51Legenda Adriana Zanotto
45:21Legenda Adriana Zanotto
45:51Legenda Adriana Zanotto
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