- há 15 minutos
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TVTranscrição
00:00Ficou numa sinuca de bico aqui. Pensa comigo, Nicolau.
00:11Como é que ele vai manter um centro de paraquedismo se não tem um avião pra levar a turma lá em cima?
00:16Acho que não tem jeito.
00:18O moleque radical tá perdido.
00:21O Silvão é um herói.
00:23Ele salvou todo mundo.
00:30O avião caiu e o Silvio morreu na queda.
00:38Foi o desgraçado do Virgílio. Foi ele, claro que foi ele.
00:43Escuta, talvez você possa me dar alguma informação sobre o piloto.
00:48Com muita honra e muita dor.
00:52Eu não tenho nada a ver com isso, mas...
00:55Esse fato pode nos ajudar.
01:00Como assim?
01:01A conspiração poderia ter sabotado a aeronave, não poderia?
01:06É.
01:08Poderia.
01:10Você quer casar comigo?
01:16Seja ridículo.
01:22Opa!
01:23Tem certeza?
01:26Mas é ridículo mesmo.
01:30Sofá número um e com você, sofá.
01:35Bom, Lincoln, vamos ao que interessa.
01:38Eu trouxe uma proposta que eu tenho certeza vai te agradar muito.
01:42Enfim, você já conhece a conversa.
01:44Eu sei que meu pai tratou disso mais de uma vez com você.
01:46É, é verdade.
01:49Bom, sabe o que eu tenho aqui nessa pasta?
01:53Dá uma olhada.
01:54Esse é o projeto de um novo jornal em Ribeirão do Tempo.
02:00Temos até um nome registrado.
02:02Local para a redação e um jornalista de Brasília que topou assumir o negócio.
02:07É o meu pai que mandou elaborar o projeto.
02:10É.
02:10Parece muito bom.
02:14É ótimo.
02:16Deixa eu te dizer uma coisa.
02:18Acontece, Decolau, que aqui em Ribeirão do Tempo não existe espaço para dois jornais, compreende?
02:24Exatamente.
02:25Então o que vai acontecer?
02:27Concorrência, disputa de mercado, vence o melhor, aquele que tiver a melhor estrutura.
02:34É a lei do capitalismo, você sabe muito bem disso.
02:36Eu sei.
02:37O outro acaba, pura e simplesmente.
02:40Agora, Lincoln, eu estou entre duas alternativas.
02:43A primeira é tocar esse projeto para frente e colocar mais um jornal na praça.
02:51E a segunda é fazer sociedade com você.
02:55O seu pai também já me ofereceu sociedade.
02:58Eu sei, eu estou continuando o que ele começou.
03:01Agora, você vai me dizer se eu devo injetar o dinheiro no seu jornal ou criar outro.
03:05Eu vim aqui para isso.
03:06E quais são as suas condições para se juntar a mim?
03:13Nós fazemos sociedade meio a meio, com uma cláusula contratual, que a linha editorial será ditada por mim.
03:23É pegar ou largar a linha.
03:30Com casos desse tipo, minha filha, são convocados para investigar.
03:35Lá, o pessoal técnico, os peritos lá da aeronáutica.
03:40Ao contrário de que muita gente pensa, não é a polícia, não.
03:43Tem gente especializada nesse tipo de coisa.
03:47Só que pouca gente sabe disso e já vão logo cobrando da polícia.
03:52Lá, tudo se cobra da polícia.
03:54No mundo inteiro.
03:55Ué, mas a polícia não tem que investigar?
03:59Não é uma maravilha?
04:03Coisa, eu não sabia.
04:04Tem muita coisa que você não sabe, não é?
04:08O pepino é deles lá.
04:10Não tenho nada com isso.
04:13E o Lincoln?
04:14Eu só quero ver o que aquele mau caráter vai colocar nas páginas daquele jornaléco safado.
04:22Bom, na seta vai encontrar alguma coisa e vai me atacar.
04:24Finalmente, hein?
04:34O que é que houve?
04:35Não vai dizer que encontrou algum caça-cueca no meio do caminho?
04:37Pior.
04:38Meu pai ficou pegando no nosso pé e deixou a gente sair de casa.
04:41No nosso não, no meu pé.
04:43E tá entregue a sua querida Julieta.
04:45Vou pra casa que tá na hora do jantar.
04:47Valeu, Sérgio.
04:50Valeu.
04:51Mais uma vez, hein?
04:51Valeu nada.
04:52Trata de arrumar um jeito de acabar com esse aluguel que eu não aguento mais.
04:55Foi mal, Sérgio, mas olha, eu acho que vai ter que continuar assim.
04:58Pelo menos por mais um tempo.
04:59Só que numa dessa eu acabo me ferrando, André.
05:02Eu vou nessa que eu já perdi muito tempo com essa historinha de vocês.
05:06Você foi um herói, Sérgio.
05:07Tchau.
05:07As suas orientações foram muito boas, detetive.
05:27Foi uma excelente reunião.
05:29Eu também achei a nossa reunião muito produtiva.
05:34Muito obrigada por ter me recebido.
05:36Bom, é...
05:38Eu é que agradeço.
05:40Quer dizer, os meus clientes sempre podem contar comigo.
05:43Foi um prazer atender o seu pedido.
05:49Boa noite, dona Cleia.
05:52Boa noite, dona Jacinta.
05:54Mãe, é dona Arminda.
05:56Dona Arminda.
05:57E eu sou a Leia.
05:58Dona Leia.
06:01Bom, te leva teu carro, mãe.
06:03É bom, né?
06:04Assim vocês terminam a reunião de trabalho.
06:06Lá fora.
06:07Muito obrigada, detetive.
06:09Eu realmente morro de medo de andar por esse bairro sozinha.
06:12Não me sinto segura.
06:14Tem muita gente estranha por aqui.
06:16É, e quando não tem, aparece.
06:17Você é bosa.
06:28Não joga fazendo papel de palhaço pra essa perua branquela.
06:33Aí, se eu fosse um cara violento, a madame não tava doente, não.
06:46Tava morta.
06:48Você agora só sabe falar dessa madame.
06:51Parece que não tem outro assunto.
06:53Tá falando de mim.
06:54Se um tijolo cai na minha cabeça, é natural que eu comente.
06:57E o assunto principal não é o tijolo, não.
07:00Sou eu.
07:01Deu pra entender?
07:02Entendi.
07:04A madame é um tijolo francês.
07:08Madame tijolou.
07:09Mas são dois ignorantes mesmo.
07:17Mas o que foi que ela fez desta vez?
07:20Não fez.
07:21Só não quis me receber.
07:23Fui lá em missão de paz pra devolver o quadro.
07:24Me tratou como se eu fosse um marginal.
07:27Você...
07:27Você fez a mulher desmaiar no meio da praça.
07:31Queria ser recebido como?
07:32Com banda, discurso, querência e tal.
07:36Querência não se encaixa nesse mundo não, Romeu.
07:38Eu devo gostar muito de vocês pra aturar tanta besteira.
07:42Estão falando sem conhecimento de caos.
07:45Já foram na mansão, conversaram com a coroa, já provaram do veneno dela?
07:49Tu devolveu o quadro pronto, sem receber a grana.
07:53Foi.
07:54Pra ela aprender que dinheiro não é tudo nesse mundo.
07:56Ah, mas o problema, querência, é que ela, aprendendo ou não, vai continuar rica.
08:04E você que sabe tudo, vai continuar sem nenhum.
08:07Dane-se o dinheiro.
08:08Pode crer que se a minha gerenta tá doente, não é à toa, não.
08:11É castigo divino.
08:12Deus sabe o que faz.
08:14Deus sabe.
08:16Mas tu...
08:17Ah, mas já que o dinheiro está se danando,
08:20daria pro senhor pagar pelo menos metade do que me deve?
08:23Ah, ô Lorota, deixa de mesquinharia.
08:26Vai, baixa uma branquinha aí pra gente comemorar.
08:31Comemorar o quê?
08:34A passagem do tempo.
08:44Elsa.
08:45Oi.
08:46Elsa.
08:47Como é que está a madame?
08:48Está bem.
08:49Comeu tudo direitinho e tomou os remédios.
08:51Ah, ótimo.
08:53É que eu...
08:54Eu queria perguntar uma coisa pro senhor.
08:56Pergunte.
08:57Sabe o que que é?
08:58O senhor não vai acreditar.
09:00Mas o desgraçado do pintor veio aqui.
09:02O que, herêncio?
09:04Mas fazer o quê?
09:05Ele queria falar com a madame, mas eu não deixei.
09:08Mas o que que ele queria?
09:09Trouxe o teu quadro de volta.
09:11Tá ali, ó.
09:12Eu tirei o pano que tava embrulhando.
09:15Mas o madame já viu?
09:17Não.
09:17Não.
09:18Nem sabe o que ele trouxe.
09:19Mas ela tem que ver isso?
09:29Eu vou levar a dela.
09:30Mas o senhor não tem medo que a madame desmaie de novo?
09:33Não, você pode deixar.
09:35O pintor tem esse efeito.
09:37Mas o quadro...
09:39Inofensivo.
09:41Deus queira.
09:42Boa noite, madame.
09:55Boa noite, Walter.
09:57Preparada pra uma surpresa?
09:59Mas o que foi mais que aconteceu?
10:02A senhora vai ver.
10:03Fecha os olhos.
10:04Vejará o que você vai me aprontar, Walter.
10:12Pode abrir.
10:17O quadro?
10:19Você foi atrás do homem?
10:21Não.
10:22Foi ele mesmo que trouxe.
10:23Deixou com a Elza.
10:24E a Elza não me diz nada?
10:25Ah, ela ficou com medo da sua reação.
10:30Cheguei um pouco mais perto, por favor.
10:34Olha que ficou bom.
10:38Afinal, este homem, seja ele meu filho ou não,
10:42conseguiu captar alguma coisa que eu nunca tinha percebido.
10:46Quer dizer, percebido nas fotos.
10:48O que exatamente?
10:50Não sei dizer.
10:54Apenas sinto.
10:56A senhora que deixa a boca pra falar de arte
10:59devia saber que uma pintura não é uma foto.
11:01O artista tem que botar a alma da pessoa no quadro.
11:05Anota aí.
11:06Deixa a minha alma em paz.
11:09E pinte apenas o que está vendo.
11:13Uma vez ele disse que um pintor precisa captar
11:16a alma das pessoas.
11:18Eu, naturalmente, ironizei.
11:23Mas agora, vendo este quadro...
11:26É...
11:26Talvez esse homem,
11:28seja ele meu filho ou não,
11:30não seja tão ruim.
11:32Ah, Walter.
11:34Temos que resolver este assunto
11:36de uma vez por todas.
11:38Amanhã.
11:39Amanhã fica pronto o teste de DNA.
11:41O corpo já foi liberado.
11:52Está no necrotério.
11:54Eu já tomei todas as providências.
11:56Eu preciso juntar as forças
12:02para ir até lá.
12:04Todos nós, Tito.
12:07Todos nós.
12:08Gente!
12:10O que foi isso?
12:11Meu Deus do céu!
12:13Oh, meu amor!
12:15Eu não consigo me conformar.
12:22Vamos lá pra dentro, amor.
12:23Você já foi lá no estudo médico legal?
12:35O corpo já foi liberado.
12:37Está no necrotério.
12:38Muito estranho chamar o Silvio
12:39de um corpo.
12:41Como todos nós
12:42vamos ser chamados um dia.
12:46O que foi?
12:49Depois a gente fala disso.
12:51Agora eu tenho outro assunto pra tratar.
12:53Tudo bem.
12:53Não tenho pressa.
12:56Eu acabei suspendendo as reservas.
12:57Eu acho que ninguém aqui
12:58está em condições de receber hóspedes.
13:00Muito bem.
13:01A gente vai ter que fechar por uns dias.
13:02Não tem jeito.
13:04Não tem mesmo.
13:09Gente, eu tomei uma resolução.
13:11Qual foi?
13:12Eu decidi fazer o velório do Silvio
13:13aqui na pousada.
13:15Tito, é melhor não.
13:17É muito mórbido.
13:19Não vai ficar...
13:20Não vai ficar bom assim
13:21para os hóspedes,
13:22para a pousada.
13:24Eu acho que a dona Cloris tem razão.
13:26Eu já falei isso pra ele.
13:28Amor,
13:28o velório vai deixar
13:29um clima de morte no ar.
13:31E isso é a última coisa
13:32que pode acontecer
13:32num lugar como esse.
13:34Eu quero que se dane a pousada.
13:35Eu quero que se dane os negócios.
13:37Velar o Silvio aqui
13:38é o mínimo que eu posso fazer
13:40para um amigo,
13:41um companheiro de trabalho
13:42que foi fiel
13:43até o último segundo de sua vida.
13:44Eu dou força.
13:47Eu queria que vocês falassem
13:48com a Ellen, por favor.
13:49Para ver se ela tem alguma objeção.
13:51Pode ser?
13:51Bom, se é isso que você quer...
13:54Obrigado.
13:56Eu vou lá falar com a Ellen.
13:58E você me avisa
13:59se ela aceitar
14:00para eu fazer a remoção do corpo.
14:02Pode deixar.
14:02Virgílio, eu...
14:11Eu queria falar com você.
14:14Pode falar, Cloris.
14:15Não, é melhor no escritório.
14:17Não é assunto
14:18para tratar aqui.
14:26Diante das circunstâncias,
14:27Virgílio,
14:28eu fico até constrangida
14:30de fazer essa pergunta.
14:32mas eu não consigo
14:33deixar para depois.
14:34É vital, sabe?
14:36Eu já imagino que seja.
14:39É exatamente isso
14:39que você está pensando.
14:42Eu quero saber
14:42o que significa
14:43para as finanças da pousada
14:45esse acidente.
14:47Não imediatamente
14:48porque eu sei
14:49que a Yara
14:50suspendeu todas as reservas,
14:53mas a...
14:54A médio e longo prazo.
14:56Exatamente.
14:58Eu...
14:58Eu queria saber
15:00como é que a gente vai ficar.
15:01Como é que vai ficar
15:01a nossa situação?
15:02Eu quero que você seja
15:03bastante franco
15:04e objetivo.
15:06A situação está complicada, Cloris.
15:09Mal acabamos de pagar o avião.
15:11Ai, maldito avião.
15:13E nós não temos seguro também.
15:17Nós não temos seguro?
15:19Não tem seguro para o avião?
15:21Não.
15:21Vocês não fizeram seguro
15:23para o avião?
15:24Não.
15:24Meu Deus do céu.
15:25Como é que vocês não fizeram
15:26seguro para o avião?
15:27Como é que você tem um avião
15:27e você não tem seguro?
15:28Porque é muito caro.
15:29É inviável.
15:30Então quer dizer que é perda total?
15:32É.
15:32Nós não vamos recuperar nada?
15:34Nada.
15:35Voltamos a estaca a zero.
15:36Sendo objetivo
15:37como você me pediu,
15:39destaca abaixo de zero.
15:41A repercussão desse desastre
15:43vai causar outro desastre.
15:44Os hóspedes vão sumir.
15:46O pessoal dos esportes radicais
15:48em primeiríssimo lugar.
15:49Lógico...
15:50Como é que a gente sai dessa?
15:51Nós não vamos sair.
15:52Não vai dar para segurar, Glorice.
15:53É o fim?
15:55Não diria que é o fim,
15:56que é muito forte.
15:58Mas se não acontecer alguma coisa,
16:00um milagre,
16:02não sei não.
16:08Se eu não tivesse
16:09com um passageiro enganchado em mim,
16:11eu juro que eu teria ficado
16:11num avião com o Silva,
16:12eu juro.
16:14Eu sei, meu amor.
16:16Você já repetiu isso
16:17mais mil vezes.
16:19Mas, pelo amor de Deus,
16:20não precisa mais
16:21ficar repetindo isso
16:22porque eu não quero nem imaginar.
16:25Não me importava
16:26o que pudesse acontecer comigo.
16:27Não me importava.
16:29Você não podia colocar
16:30a vida de um passageiro em risco.
16:31Você entende?
16:32Claro que eu entendo.
16:34Você foi profissional, Tito.
16:36Era sua obrigação.
16:46Tenta não pensar mais nisso.
16:47Foi uma fatalidade.
16:51Você fez tudo
16:52o que você podia ter feito
16:53e você sabe disso.
16:57Calma, amor.
16:58Como é que esse avião pegou fogo, Karina?
17:08Como?
17:09Me explica.
17:10Como que esse avião pegou fogo?
17:12Porcaria de algum problema mecânico,
17:14sei lá.
17:16Mas tenta descansar um pouco,
17:19meu amor,
17:19e esquecer essa história, tá?
17:21Não dá pra esquecer, sim.
17:24Não dá.
17:24O Newton me garantiu
17:25que tava tudo certo com a aeronave.
17:27ele me garantiu.
17:28Nem precisava.
17:29A gente cuidava do avião
17:30com todo o profissionalismo.
17:32Mas é que às vezes
17:33as coisas acontecem assim
17:35sem muita explicação, meu amor.
17:37Não adianta você ficar se torturando.
17:40O Silvio era um dos meus melhores amigos.
17:42Eu sei, gatinho.
17:43Eu sei.
17:45Eu também gostava muito dele.
17:47Eu não pude fazer nada, não.
18:00Vem cá, vem.
18:01Faça isso, Walter.
18:23Examine o meu testamento
18:24e veja
18:25se é preciso fazer alguma modificação
18:28em vista dessa nova situação.
18:30Isso no caso de ficar provado
18:31de fato
18:32que o Querencio
18:33é o seu filho.
18:34Exatamente.
18:35Eu quero deixar tudo especificado
18:36de acordo com a minha vontade.
18:39Eu vou estudar o assunto.
18:41Ah.
18:43Vamos terminar
18:44essa conversa depois.
18:45Entre.
18:47Com licença.
18:49Arminda.
18:49Walter.
18:50Ah, querida Arminda.
18:53Eu estava justamente
18:54querendo falar com você.
18:55queria saber
18:57que medidas você tomou
18:58em relação
18:59ao terrível acidente
19:01com o avião da pousada.
19:02Eu mandei uma mensagem
19:03de condolências
19:04em nome da empresa
19:05e pedi ao Dr. Bruno
19:06que nos representasse
19:07no velório e no enterro.
19:08Ótimo.
19:09Creio que isso basta, não é?
19:11É, de fato,
19:12mas nós não podemos fazer.
19:14Não é à toa
19:14que eu não gosto de aviões.
19:16Eles sobem
19:17e as oficinas
19:18ficam aqui embaixo.
19:19É, madame,
19:20mas as estatísticas dizem
19:21que morre mais gente
19:22em acidentes na terra
19:23do que no ar.
19:25O medo
19:25não é um sentimento
19:27que costuma-se ater
19:28às estatísticas, Walter.
19:31Infelizmente.
19:32Muito triste
19:32o que aconteceu.
19:34Mais um fato grave
19:35repercutindo negativamente
19:37contra a cidade.
19:38É, Ribeirão do Tempo,
19:39de fato e de direito,
19:41não é mais
19:42uma cidadezinha pacata.
19:43E sabe-se lá
19:44que outros abalos
19:46virão por aí.
19:47É esperar pra ver.
19:49E torcer
19:50pra que nenhum tsunami
19:51venha por aqui.
19:51Hum.
19:53E a senhora
19:56como está passando?
19:57Me recuperando.
19:58A cada dia que passa
19:59me sinto melhor.
20:00A Elza me disse
20:01que o seu querência
20:02e a filha dele
20:03estiveram aqui.
20:04Eu só espero
20:05que não tenham vindo
20:06trazer mais aborrecimentos
20:07pra senhora.
20:07Não, não.
20:09Ao contrário.
20:10Eles vieram pedir desculpas.
20:13Olha só
20:14o que o maluco trouxe.
20:17Ah!
20:18Mas como?
20:19Armou aquela confusão
20:20toda pra depois
20:21trazer o quadro assim?
20:22Cabeça de maluco.
20:23não tem lógica mesmo.
20:29Até que ficou
20:30bem interessante.
20:32Não é?
20:37Eu não me conformo,
20:39Romeu.
20:39Eu não consigo
20:40ficar longe
20:41da minha filha.
20:45Consegue sim, companheiro.
20:47vai ver aí.
20:49Eu quero ver a Filomena
20:50e eu vou procurar ela agora.
20:52Tu não vai procurar
20:53ninguém, querência.
20:54Tu vai ficar sentado aí
20:56quietinho, entendeu?
20:57Eu vou sim, Sancho.
20:59É claro que eu vou.
21:00A filozinha é minha filha.
21:01Eu tenho o direito
21:02de ficar perto dela.
21:04Acontece, querência,
21:05que a filozinha está lá
21:06ajudando a amiga dela,
21:07a Ellen,
21:07que acabou de perder o marido
21:09nessa tragédia do avião.
21:10E você quer ir lá
21:11encher o saco das duas.
21:13Não vai nada.
21:14Senta.
21:15Como é que um avião
21:16pega fogo em pleno ar?
21:18Está aí uma coisa
21:19que não dá para entender.
21:21Será a tal combustão espontânea?
21:24Tem coisa que não é
21:26para entender, companheiro.
21:28Coitado, rapaz.
21:31Que desgosto, meu Deus.
21:33Deixar a mulher, filho...
21:35Exatamente.
21:37É por isso que eu quero
21:38a minha filhinha
21:38perto de mim agora.
21:40Querência, senhor.
21:42Senta aqui.
21:43Você não vai
21:44atrás da sua filhinha.
21:45Amanhã você vai.
21:46Hoje você vai ficar aí.
21:48Entendeu?
21:48É melhor mesmo, querência.
21:50Mas eu estou com saudade
21:51da filozinha.
21:53Acontece que a filozinha
21:54não está com saudadinha
21:55de você.
21:56Entendeu?
21:57Como você é cruel, hein, Sacha?
22:00Caramba!
22:07Isso são horas?
22:09É.
22:10As horas são o que são.
22:11Um homem no relógio.
22:12Muito filosófico
22:14e muito criativo também.
22:17Olha, a sua sorte, Sônia,
22:18é que a juricaba
22:19apagou lá no quarto.
22:21Porque se o coitado
22:21não tiver chegado
22:22tão exausto,
22:24você ia ver
22:24o que é bom para a tosse.
22:25Mãe, mãe,
22:25vamos parar, né,
22:26com esse ditado aí
22:27do tempo do enforcado
22:28que eu tenho idade
22:28para saber o que é bom
22:29para a tosse.
22:30Idade o quê?
22:31Mal saiu das fraldas
22:32e já quer botar banca?
22:33Olha só,
22:33eu sei muito bem
22:34com quem eu ando,
22:34onde eu vou
22:35e o que eu faço.
22:35Se você soubesse
22:36o que você faz,
22:38tinha obrigado esse moleque
22:39a te trazer aqui
22:40dentro de casa.
22:41É, ele até que se prontificou
22:46largar a namorada
22:47lá na rua
22:48feito um saco de lixo.
22:49Ai, mãe, olha,
22:49que papo mascareta, né?
22:51Por favor, tem dó.
22:52Eu até simpatizo com o Sérgio.
22:54Simpatizo mesmo.
22:55Eu peço a Deus
22:56que esse namoro continue
22:58e dê no que tiver que dar.
23:00Até em casamento,
23:01se for o caso.
23:01Ah, quer saber?
23:03Fui.
23:03Mas que esse rapaz
23:05errou
23:05em não te trazer
23:06aqui dentro de casa
23:07errou feio.
23:12E aí, pai?
23:14Ô, filho.
23:15Cadê a mãe?
23:16A tua mãe foi lá
23:17no velório do piloto.
23:19Ah, e você não foi com ela
23:20por quê?
23:20Ah, porque eu não tô
23:21me sentindo bem, não.
23:22Mas a Carmen tá lá.
23:23Eu pedi pra que ela
23:24fizesse uma matéria completa.
23:27Eu estive no local
23:27do acidente,
23:28tirei umas fotografias,
23:30o administrador
23:30me informou
23:31os detalhes.
23:34Vai ficar bacana.
23:35O que foi, pai?
23:36Tô achando assim
23:37meio pra baixo.
23:38Aconteceu alguma coisa?
23:40É que caiu uma bomba
23:41na minha vida, sabe?
23:42O que foi?
23:43Dessa vez não tem saída.
23:44Eu vou ter que abrir
23:45as pernas lá no jornal.
23:46Como assim, pai?
23:47O senador
23:48esteve lá
23:48e me deu uma prensa
23:49pior do que aquelas
23:50que o velho Érico
23:51me dava.
23:52Que filho da mãe.
23:54Filho da mãe não,
23:54filho do pai.
23:55Essa aqui é a desgraça.
23:56Mas o que é que rolou?
23:57Me botou contra a parede
23:59quer porque quer
24:00entrar em sociedade comigo.
24:01Tá, e se você não aceitar?
24:03Se não aceitar,
24:03ele abre outro jornal
24:04na cidade,
24:05parte pra concorrência
24:06e me arrebenta isso.
24:07E em que pé ficou isso?
24:08Dessa vez eu não tenho saída
24:09e eu vou ter que aceitar
24:10o negócio.
24:11Pai, se você ficar sócio
24:12desse cara,
24:13você vai estar vendendo
24:14sua alma pro diabo, entendeu?
24:15Calma, calma.
24:16Calma que a gente
24:17pode resistir.
24:19Resistir com o que, pai?
24:20Ele tem a grana.
24:21Com ideias.
24:22Ideias.
24:23Com ideias.
24:23Só pra resistir com ideias, pai.
24:25Deixa do jeito que tá.
24:26Entendeu?
24:26Porque não resta nada.
24:28Presta atenção
24:28como é que você fala comigo
24:29porque eu sou teu pai.
24:30É?
24:31Presta atenção.
24:32Não seja por isso, seu Lincoln.
24:33Não tá mais o que quem falou.
24:35Eu?
24:36Foi.
24:51Nobre senador.
24:53Grande mestre.
24:55Eu vim pra te dizer
24:56que as coisas estão caminhando, hein?
24:59Você se refere
25:00ao acidente da pousada?
25:03Eu não tenho nada
25:04a ver com aquilo.
25:05Eu tenho certeza disso.
25:07A novidade de hoje
25:08é que
25:09eu tive uma conversinha
25:11amigável com o jornaleiro.
25:13Eu senti que ele vai
25:14entregar a rapadura.
25:16Muito bom.
25:19Ter um jornal
25:20nas mãos
25:21será perfeito
25:22para os nossos planos?
25:23Nossos planos.
25:26Exatamente.
25:28Servirá tanto
25:29para os nossos objetivos
25:30de curto prazo
25:32quanto aos nossos objetivos
25:34de longo prazo.
25:35Eu gosto
25:36quando o mestre
25:36fala objetivo
25:37de longo prazo.
25:39Eu também gosto
25:39de falar nisso.
25:41Teremos
25:42os 250 anos
25:44de Ribeirão do Tempo.
25:47Mas tá pra chegar, né?
25:48E sabe
25:48quem veio
25:49para os festejos?
25:51Quem?
25:52O presidente da república?
25:54Em pessoa?
25:55vai ser um grande dia.
25:59Será um dia
25:59extraordinário.
26:02Um dia
26:02que ficará
26:03na história.
26:06Um dia
26:06em que o presidente
26:07da república
26:08do Brasil
26:09será assassinado
26:11aqui em Ribeirão do Tempo.
26:16Na praça do enforcado.
26:19É de algo pesado, hein, mestre?
26:20O assassinato
26:23provocará uma
26:26comoção nacional.
26:29Uma balburria
26:30inimaginável.
26:32E aí, meu caro,
26:34estará aberto o caminho
26:35para você
26:37se tornar
26:40o presidente
26:40da república
26:44do Brasil.
26:49Presidente
26:50da república
26:52do Brasil.
27:03É...
27:04Eu imagino
27:05como você deve
27:06estar se sentindo.
27:08É um pesadelo.
27:10Fico esperando
27:11acordar a qualquer momento.
27:13Tá muito duro.
27:14E o Guilherme, pai?
27:19Como é que vai ser?
27:20Ele vai precisar
27:21muito de você.
27:22Da sua amizade.
27:23Tô sabendo.
27:24Vou...
27:25Vou dar isso sim.
27:27Só não sei
27:27se tu vai ajudar, né?
27:28Ajuda sim.
27:30É o que seria
27:30da gente
27:31sem os amigos.
27:32Você era o melhor
27:33amigo dele, né, pai?
27:34Acho que sim.
27:36Com certeza
27:37ele era meu melhor amigo.
27:38Mas o que é que houve
27:39afinal, hein, Newton?
27:42Eu não sei, Zuleide.
27:44Pra mim é um mistério.
27:46Se tem uma coisa
27:47que eu fiz bem na minha vida
27:48foi a manutenção
27:48daquele avião.
27:50Tava tudo certo.
27:52Eu não consigo entender.
27:53Oi, Yara.
28:02Oi, Newton.
28:04Olha só.
28:05Teve uma mudança.
28:06O velório agora
28:06vai ser na pousada, tá?
28:08Quem resolveu isso?
28:09Foi o Tito.
28:10Mas eu já falei com a Ellen
28:11e ela tepou.
28:12Como que ela tá?
28:13Segurando como dá.
28:14Por favor, avisa
28:15quem se puder
28:15sobre o velório, tá?
28:16Eu tô aqui na Zuleide.
28:18Eu falo com ela.
28:19Depois eu telefono
28:20pra algumas pessoas
28:21mais próximas.
28:22Você vai pra pousada?
28:23Vou.
28:24Daqui a pouco.
28:25A gente tem que dar
28:25uma força pro Tito.
28:26Ele tá péssimo.
28:27E quem não tá?
28:29Bem, vai assim que der, tá?
28:31Tá bom.
28:33Tchau.
28:33Tchau.
28:40Vou voltar pra pousada.
28:41Vocês ficam com a Ellen?
28:43Ficamos.
28:44Pode ir tranquila.
28:45Nós vamos depois com ela.
28:49Ai, amiga.
29:19Continuam achando um erro, né?
29:26Esse velório aqui na pousada.
29:28É mórbido.
29:31Imagina se os futuros hóspedes
29:33sabem disso.
29:35Mas agora não adianta
29:36falar mais nada.
29:38Vamos em frente.
29:40Vamos em frente.
29:40A gente não vai mais.
29:42Agora a gente só vai pra trás.
29:45Avisa pro Tito que a Ellen chegou.
29:47Não vai mais nada.
30:05Você vai precisar de uma hora dela, né?
30:07Você vai Governação.
30:08Pode ir com a Ellen, Sade.
30:10Obrigada.
30:12Obrigada.
30:13Os meus sinceros pesam isso.
30:28Foi uma perda muito dura para todos nós.
30:30Obrigada.
30:33Deixa a foto, filho.
30:43Deixa a foto.
31:13Quer que eu pegue um lanchinho para você, meu amor, no suquinho?
31:24Estou sem fome. Obrigado.
31:27Quem é? Sou eu e a Yara. Posso entrar?
31:31Entra, Yara.
31:33Só para avisar que a Ellen chegou.
31:36A Ellen?
31:38Vamos lá, amor.
31:44Obrigado, Yara.
31:58Você não quer se sentar?
32:00Não.
32:01Obrigada.
32:02Como é que a porcaria daquele avião foi pegar fogo no ar?
32:08Só de imaginar meu pai lá dentro.
32:10Eu...
32:11Você acha que esse acidente pode trazer complicações com polícia, aeronáutico, essas coisas?
32:21Eu acho que não.
32:23Mas é possível.
32:24Ai, meu Deus.
32:26Cala-te, boca.
32:35O que é que essa mulherzinha está fazendo aqui?
32:38O que é que você fez?
32:38Você ficou maluca?
32:39Aqui não é lugar para isso.
32:41Tudo bem, mas eu não gostei.
32:43Que surpresa te ver por aqui.
32:52Olha só, Karina, sua amiga da Ellen, tá?
32:54Não preferimos falar mais nada.
32:56Por favor.
32:59Você já providenciou o enterro?
33:02Tá tudo certo.
33:04Ah, tá.
33:05Tá tudo certo.
33:06Tudo ótimo.
33:07Tudo maravilhoso.
33:09Olha só quem chegou.
33:10Obrigada, senhor.
33:13Oi.
33:13Boa noite.
33:14Boa noite.
33:15Boa noite.
33:15Boa noite.
33:18Quem é a viúva no recinto?
33:21Aquele ali, a Ellen.
33:23Aquela que tá abraçada do garoto.
33:24Ok.
33:26Com licença.
33:30Minha senhora.
33:33Aceite meus calorosos pêsseis.
33:37Muito obrigada.
33:38A senhora me permitiria dizer umas, umas palavrinhas?
33:43Tabaca.
33:44E, senhor prefeito, eu não acredito que agora não é o momento oportuno para fazer discurso.
33:48É sim, doutor.
33:49Sempre é.
33:52Meu povo.
33:54Essa rapaziada, gente boa dessa pousada radical.
33:58Não vos digo boa noite, porque de boa essa fastídica noite não tem nada.
34:06O que dizer, então?
34:09O que falar nesse momento doloroso?
34:13Que palavras seriam melhores do que o silêncio tumular?
34:20Eu não sei.
34:20Os sábios deveriam inventar uma saudação adequada para situações como essa.
34:28Um gesto invisível, talvez, não sei.
34:31Mas eu queria dizer que, como prefeito de Ribeirão, em nome dessa cidade, dar os pêssemos à viúva,
34:41ostensivamente a todos aqui presentes, obviamente,
34:43e dizer que essa desgraça, junto com o avião, despencou do céu sobre nossas cabeças.
34:53Agora chega, senhor prefeito.
34:55Foi bom.
34:56Foi muito bom, mas agora chega.
34:57Obrigado a todos.
35:02Não quer tomar mais uma?
35:04Não, mestre, chega.
35:05Senão eu vou acabar escornado por aí.
35:07Então vai, presidente.
35:11Você só acredita mesmo nisso?
35:14Eu não me chamo Milton Flores se isso não acontecer.
35:17Tudo bem, vamos aguardar.
35:20Você pretende é o velório do rapaz?
35:21Agora não, talvez amanhã.
35:24Não deixe de ir.
35:26É muito importante a sua presença.
35:29Eu vou até lá agora.
35:34Pode contar comigo para o que for preciso, Ellen.
35:39Qualquer coisa, a qualquer hora.
35:41Viu?
35:42É só falar.
35:43Minha mãe não está afim de falar.
35:45Você não está vendo?
35:45Ih, o Newton chegou.
35:54É bom ficar de olho.
35:56Vamos ver como ele e a Ellen...
35:57Calma, não vai rolar nada demais.
35:59Que diz isso, criança.
36:14Não, não vai rolar nada.
36:18Não vai rolar nada.
36:18Não vai rolar nada.
36:21Não vai rolar nada.
36:21Nobre professor Flores, como vai?
36:42Que pena nos encontrarmos quando as asas da desgraça se abateram contra aquelas do avião, não é verdade?
36:48De fato, seu prefeito, é um momento de muita tristeza.
36:51Com licença.
36:58Ah, professor.
37:04É um momento muito duro, não é, minha vida?
37:07Obrigada.
37:09Obrigada.
37:10Seja forte.
37:12É tudo que eu posso te dizer, além de lhe oferecer minha amizade.
37:18Obrigada.
37:21Obrigada.
37:22Ah!
37:52Na cidade só se fala do avião que caiu e do piloto que morreu.
38:02Deixou mulher e filho, coitado. Que tristeza, né?
38:05É muito triste mesmo, Elza.
38:08Eu imagino a comoção que deve estar em Ribeirão.
38:12A morte sempre nos parece mais absurda
38:15quando atinge pessoas muito jovens com todo o futuro pela frente.
38:19Bom dia, bom dia. Com licença, madame.
38:22Bom dia, Walter.
38:24Bom dia.
38:25Bom dia.
38:26Bom dia, Elza. Se precisar de mais alguma coisa, mando dizer.
38:30Da senhora, com licença.
38:36Eu acabo de receber um telefonema do doutor Brandão.
38:39Ele já tem um resultado?
38:40Ele está a caminho trazendo o laudo.
38:42Mas ele disse alguma coisa? Se deu positivo, negativo?
38:44Achou por bem dar a notícia pessoalmente à senhora.
38:47Ah! Tomara que hoje se resolva essa situação de uma vez.
38:52Professor, será que existe alguma coisa suspeita nesse acidente?
39:00Dona Cloris me contou que o filho dela não faz ideia do que pode ter causado o incêndio no avião.
39:05A manutenção está vendida.
39:10Mais mistério.
39:11Mais mortes.
39:13Isso pega muito mal para a cidade, não é mesmo?
39:15Muito mal.
39:17E eu não duvido nada que a conspiração esteja por trás disso.
39:20O canalha veio faturar.
39:38Não fica frio, amor.
39:39Ele veio apenas prestar uma homenagem.
39:42Ou veio festejar.
39:43Eu lamento essa terrível perda.
39:56É uma pena que nos reencontremos num momento tão triste.
40:00É...
40:01Muito triste mesmo.
40:03Que tragédia.
40:18É uma terrível perda para toda a cidade.
40:21De fato, realmente um baque forte.
40:23Uma situação lamentável, senador.
40:26O prefeito não vai dizer algumas palavras?
40:28Não, ele já disse.
40:29Já, já disse.
40:29Que pena.
40:31Eu não ouvi.
40:32Não, não se preocupe.
40:33Eu faço um só para você.
40:34Talvez não fosse conveniente agora, senhor prefeito.
40:39Senhoras e senhores.
40:41Prezada viúva e demais familiares.
40:45Permitam que eu diga mais umas palavrinhas.
40:48De pranto.
40:51Em memória do nosso herói alado.
40:54Eu não acredito demais.
40:56Vou acabar engrossando com esse babaca.
40:58Não tem no sono o que ele quer falar.
40:59Em honra ao saudoso e jovem pássaro alado.
41:05Que tombou abatido pelo cruel estilingue do destino.
41:10Senhor prefeito, por favor.
41:13Eu agradeço a sua homenagem.
41:15Mas vamos ficar em silêncio, por favor.
41:18Creio que meu marido gostaria mais.
41:21Sim, senhora.
41:22Na hora da gente levar o corpo.
41:41Bom dia, amigo.
41:58Bom dia, Walter.
42:00Eu estou muito preocupada com a saúde de Madal.
42:02Mas por que você está dizendo isso?
42:06Eu acabo de vê-la.
42:07E apesar dela dizer que está se sentindo melhor a cada dia, ela está muito abatida.
42:11Você não acha?
42:13Ai, Walter, a gente tinha que tentar convencê-la de ir até São Paulo e fazer novos exames.
42:18Você podia conversar com ela.
42:19Ela te escuta muito.
42:21Bom, o doutor Brandão está vindo aí.
42:22Eu vou conversar sobre esse assunto com ele.
42:24Mas por favor, por favor, insista.
42:27Eu não estou gostando nada de ver o doutor.
42:28Ah, é ele.
42:31Bom dia.
42:33Bom dia, doutor Brandão.
42:36O senhor me desculpe, mas infelizmente eu preciso sair.
42:38Eu tenho uma reunião agora.
42:39Fica à vontade, dona Armindo.
42:42Walter, qualquer coisa você me liga?
42:45Vai, tranquila.
42:46Tá bom.
42:47Tchau.
42:54O senhor está com o resultado?
42:56Está aqui.
42:58Ótimo.
42:58Então vamos até lá, porque a madame está esperando ansiosa por isso.
43:10Aqui está o resultado do teste.
43:15Eu acho que nunca um pedaço de papel me trouxe tanta ansiedade.
43:22Coragem, madame.
43:22Dependendo do que estiver aí dentro desse envelope,
43:27a sua busca estará chegando ao fim.
43:29Tchau.
43:30Tchau.
43:31Tchau.
43:32Tchau.
43:33Tchau.
43:34Tchau.
43:35Tchau.
43:36Tchau.
43:37Tchau.
43:38Tchau.
43:39Tchau.
43:40Tchau.
43:41Tchau.
43:42Tchau.
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