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Guilherme Bertani, CEO da Docol, é o convidado do Show Business. Ele aborda um dos maiores desafios da gestão empresarial: como lidar com períodos de baixa demanda e mercados em recessão. Guilherme explica que, em tempos difíceis, a empresa se depara com "duas situações" que exigem escolhas estratégicas claras e definem o futuro e a saúde financeira do negócio.

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00:00Ele comanda uma empresa familiar que vai completar no ano que vem 70 anos de história e que fatura um bilhão de reais anualmente.
00:13Nós vamos conversar neste bloco do Show Business com Guilherme Bertani, CEO da Docol.
00:21Guilherme, obrigado pela presença em nosso estúdio.
00:24Eu gosto muito de receber empresas como a sua que você comanda, porque uma fabricante de metais, de louças sanitárias, de pias de cozinha, enfim, outros produtos, é uma espécie de pulso.
00:40Pode ser pequeno, pode ser médio, mas uma espécie de pulso da economia.
00:45Se essa economia está aquecida, se ela está morna ou se ela está parada.
00:52Por isso eu te pergunto imediatamente, como é que foi esse ano para vocês?
00:57Olá, Bruno. Muito prazer, muito legal estar aqui com vocês.
01:01Esse ano foi um ano difícil.
01:03O setor da construção civil, ele geralmente é impactado pela juros, pela questão do desemprego e pela oferta de crédito.
01:14E duas coisas começaram a complicar no mercado esse ano, ou seja, começaram ano passado e tiveram impacto mais forte esse ano.
01:20A questão dos juros e de disponibilidade de crédito para a construção.
01:24Então houve uma retração na busca por imóveis, principalmente os imóveis de médio preço.
01:32E o pessoal diminuiu o apetite para fazer reformas em casa, resolveram economizar, comprar produtos um pouquinho mais econômicos.
01:42E isso o setor todo sentiu de uma maneira bastante forte.
01:45E como agir, Guilherme, em períodos como esse?
01:50Em períodos em que a demanda é baixa como a que você vive agora?
01:59Quer dizer, não é a primeira vez que você vive, né?
02:02A empresa vai completar 70 anos de história, você tem quase 25 anos de companhia.
02:08Mas como lidar em períodos em que a demanda simplesmente não é alta?
02:15Bom, eu vejo que tem duas situações.
02:18Uma, quando você não está plantando.
02:22Então, nesse caso, as empresas ficam mais fragilizadas porque elas não estão bem posicionadas no mercado.
02:30E vem essa maré ruim e acaba criando uma série de dificuldades.
02:34Agora, se você sempre está tentando desenvolver seu mercado, desenvolvendo o portfólio,
02:39geralmente essas empresas, querendo ou não, estão mais preparadas para as adversidades também.
02:45E nesse momento, essas empresas têm mais munição para manter o relacionamento com distribuidores,
02:54para buscar praças onde elas não estavam atuando tão bem.
02:58É um trabalho mais de guerrilha, de tentar otimizar produtos ou segmentos ou lugares geográficos
03:07onde a empresa pode crescer, que tem um maior potencial de crescimento.
03:10Como é que é a operação de vocês?
03:12A sede é em Joinville, Santa Catarina.
03:15O Parque Fabril, que eu sei que é grande lá em Joinville, né?
03:20Vocês têm operações em outros lugares?
03:23Sim. Joinville é a nossa sede. Ali nós temos mais ou menos uns 2.300 colaboradores.
03:31Nós temos uma unidade aqui em São Paulo, que fica em Cotia, que tem mais ou menos umas 50 pessoas.
03:37E temos uma unidade em Poços de Caldas com umas 120 pessoas.
03:42Mas a fábrica, os produtos, vem tudo de Joinville e Santa Catarina?
03:46Não.
03:46Aqui em São Paulo nós fabricamos os produtos com a marca Mecal, que é uma linha de pias de cozinha de alto padrão.
03:54A gente faz muitas cozinhas sob medida, para grandes chefes do mundo gourmet brasileiro.
04:02E em Poços de Caldas nós fabricamos vasos sanitários, louça sanitária.
04:08E em Joinville fica toda a produção de torneiras, chuveiros, válvulas de descarga e também de pias de cozinha.
04:15Só que ali a gente fabrica com a marca Docol, daí.
04:18Agora, de todos esses negócios fabricados aqui no Brasil, quanto é exportado e para quais países?
04:26Bom, para quais países é uma pergunta difícil, porque nós exportamos para mais de 35 países.
04:33Bom, mas você tem um número, então. São 35 países. Eu achava até que você ia responder.
04:38Não sei nem quais países vão os meus produtos. Você sabe os países.
04:41Eu sou presidente da empresa.
04:42Você é presidente da empresa. São 35 países.
04:46Sim.
04:47Os maiores são quais? Os maiores mercados.
04:49Bom, a gente tem uma atuação muito forte aqui na América Latina.
04:53Então, desde a Argentina até...
04:56Eu diria até o Canadá a gente tem clientes.
04:58Então, boa parte se concentra aqui.
05:00Nós temos alguns clientes, alguns distribuidores na África, Oriente Médio, Europa e Ásia.
05:09E tem um distribuidor na Oceania também, na Austrália.
05:13Você falou da Argentina.
05:15Melhorou muito nos últimos tempos os negócios com a Argentina?
05:19Melhoraram.
05:20Assim, o mercado argentino sempre foi bom para a gente.
05:24O maior problema que a gente teve foi em relação aos pagamentos, porque, na verdade, o cliente, o nosso distribuidor pagava,
05:31só que a Argentina não tinha dólar para remeter o dinheiro aqui para o Brasil.
05:37Então, agora a situação está mais fluida.
05:40Já não temos problemas de pagamento e o nosso revendedor...
05:44Eu faço essa pergunta específica, principalmente por conta da mudança de presidente já há algum tempo, com o Millet.
05:51Então, você sentiu mudança?
05:52Sim, melhorou.
05:54O argentino até, de um certo modo, começou a investir mais em imóveis também,
06:01porque, como eles tinham poucas opções e têm poucas opções de colocar o dinheiro num ativo seguro,
06:09então, os imóveis geralmente têm essa questão de não perder valor, né?
06:16E isso realmente, historicamente, em quase todo mercado, é uma verdade,
06:19excetuando alguns momentos específicos, acho que no Brasil,
06:23isso é muito mais comum nos Estados Unidos, que tem uma economia mais dinâmica.
06:26Mas, tradicionalmente, os imóveis não perdem valor,
06:29então, em economias instáveis e com pouca segurança e poucas opções de investimento,
06:33como foi, ou ainda talvez seja o caso da Argentina,
06:37é natural que as pessoas, com alguma poupança, coloquem em imóveis.
06:42Guilherme, a gente adora, aqui no Show Business, falar de inovação, falar de tecnologia,
06:49embora a gente recebe presidentes, CEOs, de todos os setores da economia produtiva.
06:56E tem determinadas áreas, indústrias, que muita gente fala assim,
06:59é um pouco difícil inovar, porque são indústrias muito tradicionais.
07:04Difícil é pouco, eu escuto pouco dos convidados que sentam nessa cadeira.
07:11Mas é claro que tem indústrias que dá para inovar muito mais do que em outras.
07:15A sua indústria, que é uma fabricante, é fácil de inovar?
07:21Como é que vocês têm inovado?
07:23Bom, vamos lá. Na parte de pias de cozinha, a inovação é mais lenta.
07:30Então, o ciclo de novidades, existe muita inovação em termos de acessórios,
07:37de funcionalidades para facilitar o uso da cozinha.
07:41Mas não é uma grande inovação tecnológica.
07:45No mundo da louça sanitária, existem algumas inovações importantes
07:49e boa parte do nosso sucesso que a gente teve no mercado
07:54quando a gente começou a vender louça sanitária,
07:56foi uma coisa recente, fazem cinco anos,
07:58foi porque a gente realmente trouxe uma linha muito atualizada para o mercado brasileiro
08:02e o mercado consumidor viu o valor nisso
08:05e preferiu comprar os nossos produtos.
08:08E a gente conquistou um espaço pequeno ainda,
08:12mas importante, de uma maneira muito rápida,
08:14o que não é comum no setor de construção civil.
08:17Mas eu sei de tecnologia que vocês gostam de usar em determinados produtos.
08:23Ah, sim.
08:24Tem torneira, por exemplo, que dá para fazer,
08:28que ela começa a funcionar com controle de voz? Tem isso?
08:31Sim. Então, no mundo das torneiras, dos chuveiros, aí sim...
08:36É mais fácil?
08:37É mais fácil.
08:37Não é mais fácil, mas existem mais soluções e a gente consegue agregar outras tecnologias
08:45que estão em outros produtos nas torneiras.
08:49Então, por exemplo, comando de voz, né?
08:52Então, colocar a internet das coisas.
08:55Então, nós somos a primeira indústria no Brasil a criar uma torneira de cozinha
09:00que funciona ao comando de voz.
09:02Então, você fala, enche um copo, vou fazer macarrão.
09:06Lógico, você tem um aplicativo que você faz um pré-programa
09:10e você comanda com a sua voz e a torneira abre, fecha, liga água quente, água fria,
09:18enche um copo.
09:20Você pode fazer uma série de programas.
09:22Quanto custa, mais ou menos, uma torneira com controle de voz?
09:27Olha, ela vai custar, infelizmente, tudo inversamente proporcional, né?
09:33Então, como a gente tem volumes muito pequenos, os componentes eletrônicos acabam custando mais
09:39porque o chip é feito, a placa é feita de uma maneira específica para atender a nossa demanda, tudo.
09:45Então, eu diria que hoje pode custar uns 15 mil reais.
09:4815 mil reais?
09:48Isso daí é a torneira que tem o controle pela voz.
09:53É isso.
09:54Tá.
09:54E tem outros produtos em relação, que envolvem tecnologia, como controle de, o comando pela voz
10:03é o mais tecnológico de vocês?
10:07Nós temos agora, nós estamos lançando um chuveiro que ele, você consegue colocar exatamente
10:14a temperatura que você quer que a água saia e você consegue programar.
10:19Então, daí, sempre que você acionar o chuveiro, ele vai sair com aquela temperatura pré-programada,
10:27o volume de água também.
10:29Nós temos uma inovação relativamente recente, que ela foi em função de um problema que as pessoas têm.
10:39Eu acho que isso não é, assim, uma tecnologia digital, mas demonstra até onde a gente vê a questão de inovação.
10:47A gente observava que as pessoas, quando iam lavar os alimentos, principalmente vegetais e frutas,
10:54tinham uma dificuldade de fazer isso de uma forma mais saudável.
10:57Muitas pessoas põem gotinhas de hipoclorito na água e isso faz com que, lógico, você mate as bactérias, os germes,
11:06mas é um produto altamente tóxico.
11:09Então, pesquisando, a gente viu que o ozônio era um detergente natural.
11:14A dificuldade era como colocar o ozônio na torneira de cozinha.
11:19E daí nossos engenheiros, inspirados na tecnologia aeroespacial, usaram a tecnologia que tem na asa do avião,
11:29que é o tubo de Venturi, que é como faz o avião voar, ou flutuar no ar.
11:34Então, a gente colocou um mecanismo assim dentro da nossa torneira e, quando a água passa,
11:40ela suciona o ozônio, que é gerado por um gerador elétrico,
11:44e ele mistura a água e o ozônio na quantidade certa para você lavar o alface, o morango.
11:52Nossa, vocês foram longe mesmo, hein?
11:54E isso é interessante porque, além de matar os germes,
11:58ele tira também uma parte dos agrotóxicos que estão na superfície dos vegetais.
12:03E o mais legal disso é que, depois, uma faculdade aqui em São Paulo fez um grupo médico,
12:11fez uma tese de doutorado, que provou que, usando a água dessa torneira,
12:16as cicatrizes de cirurgia eram cicatrizadas mais rápido.
12:22Então, a pessoa ganhava alto mais rápido do hospital também.
12:25Muito bem, muito bem.
12:27Da asa do avião, parte do negócio.
12:31Olha só, como eu apresentei o Guilherme Bertani,
12:34ele comanda essa companhia, que é uma companhia familiar.
12:38E a gente gosta também de falar e trazer essas diferenças
12:44entre uma companhia de capital aberto,
12:47porque passa muito presidente aqui de companhia, de empresa de capital aberto,
12:52e passa muito, como é o seu caso, de uma empresa familiar,
12:57que a gente sabe que tem os seus lados muito positivos
13:02e, como tudo, tem seus lados negativos.
13:05Para você, Guilherme, quais os desafios de comandar uma operação
13:11de uma companhia familiar que vai completar, em agosto de 2026,
13:1970 anos de história?
13:21A Docol tem uma história bem interessante, acho que nessa parte,
13:26porque, desde a década de 70, nós temos sócios estrangeiros.
13:31Então, a governança sempre foi muito importante para a gestão da empresa
13:37e, tanto que a gente já tem a auditoria externa há mais de 40, 50 anos,
13:45a gente sempre teve os processos bem consolidados.
13:49Há mais ou menos 10 anos, a gente tem o conselho,
13:52na empresa também, o conselho consultivo com quatro conselheiros independentes
13:57e só um membro, uma pessoa que representa o acionista principal.
14:03E a presença da família sempre foi muito pequena na empresa.
14:08E quem é da família e trabalhou na empresa,
14:12teve que fazer uma faculdade de ponta,
14:15teve que trabalhar em outra empresa,
14:18antes de entrar na Docol.
14:19Então, isso tudo ajudou a ter uma gestão,
14:24que eu diria, igual a de qualquer empresa, S.A.
14:27Eu acho que o grande desafio aí é, querendo ou não,
14:30por mais que tenha essa gestão que sempre foi profissionalizada,
14:35a figura do dono tem um peso.
14:38Os funcionários, não só os funcionários,
14:41os fornecedores, clientes,
14:44acabam se sentindo com mais confiança,
14:47porque, querendo ou não, de tratar e de ter um relacionamento,
14:51porque, querendo ou não, em muitas empresas
14:54onde o dono não participa da gestão,
14:58existe um turnover mais frequente de colaboradores.
15:03E isso faz com que aquele acordo de fio de bigode
15:06não perdure tanto.
15:09E daí, acho que uma empresa que consegue,
15:11não só familiar, mas que consegue preservar
15:14na equipe por mais tempo,
15:15acaba conquistando mais clientes
15:17e mantendo funcionários mais fiéis também.
15:21Você falou dos estrangeiros,
15:23quantos por cento eles têm?
15:25Tem 35% do capital, mais ou menos.
15:28Então, o resto está com a família.
15:30É de uma família brasileira.
15:31É de uma família brasileira.
15:32Vocês têm planos de abrir capital?
15:35Nós já olhamos isso, acho que,
15:37só nesse período que eu sou presidente,
15:39umas duas vezes.
15:40Tá.
15:40E a conclusão foi o quê?
15:42Era que não valia a pena,
15:46porque a gente sempre teve uma gestão
15:48bastante conservadora do caixa da empresa,
15:53mas mesmo assim a empresa sempre foi capaz
15:55de gerar recursos próprios para financiar o crescimento.
15:58Então, mesmo com os planos que a gente tem,
16:01que são bastante fortes de crescimento,
16:05a gente não via tanta necessidade de caixa
16:07para ir para o mercado,
16:09para levantar muito dinheiro.
16:11E a gente viu também que,
16:13a última vez que a gente olhou,
16:14que a gente ia levantar muito mais dinheiro
16:17do que a gente necessitava para financiar os projetos.
16:21E outro ponto também é que,
16:22do ponto de vista societário,
16:23os dois acionistas não viram nenhuma vantagem
16:28de ter mais liquidez,
16:30que seria o principal ativo de uma ida para o mercado.
16:34Então, a gente acabou deixando isso na gaveta,
16:38mas é sempre uma alternativa
16:39que a gente olha de tempos em tempos.
16:41Guilherme, eu abri o programa falando
16:42sobre o pulso da economia.
16:45Como é que andava,
16:46como é que foi esse ano de 2025?
16:49Você me falou que foi, sim,
16:50impactado pela alta taxa de juros,
16:5315% ao ano.
16:55Mas existem outros entraves
16:58na hora de fazer negócios no Brasil,
17:02desde geopolítica,
17:05quero saber se o tarifácio, por exemplo,
17:06de Trump mexeu com você,
17:09até outras questões econômicas,
17:12políticas, jurídicas.
17:15Tem outros entraves no seu setor?
17:19Bom, o principal é a questão dos juros.
17:24Lógico, esse juro real que a gente tem,
17:28enfim, se for por comparar,
17:30só países realmente com uma situação muito deteriorada
17:33têm juros reais iguais aos nossos.
17:36Eu diria que a questão, querendo ou não,
17:39do emprego,
17:41a questão do baixo desemprego,
17:44que de certa forma é mascarada
17:45pelos programas sociais
17:47que existem no Brasil,
17:49eles tiram muita gente do mercado formal de trabalho
17:54e as construtoras acabam tendo dificuldade
17:57para contratar pessoas,
17:59o comércio acaba tendo dificuldade
18:00de contratar bons vendedores,
18:03nós temos dificuldade de contratar gente também,
18:05isso acaba inibindo também um pouco os investimentos.
18:08Eu já recebi presidentes de construtoras
18:12aqui no show business
18:13que relataram essa dificuldade,
18:15inclusive falaram de apagão de mão de obra no país.
18:20Você tem visto isso?
18:22Sim, sim.
18:22Lá em Joinville, em Santa Catarina,
18:24é um problema sério,
18:25tem colegas meus que têm unidades
18:28em vários logacais do Brasil
18:30e Joinville era para ser a cidade
18:32onde eles iriam fazer investimentos,
18:34mas foi preterida
18:35porque a expectativa
18:38de não conseguir contratar pessoas suficientes
18:40fez com que esse investimento
18:42fosse para outra região.
18:44Mas tem outros problemas de infraestrutura,
18:47eu diria que a questão das estradas,
18:50principalmente lá no sul,
18:51é um problema gritante
18:53e outro é, vamos pegar por exemplo,
18:56a energia elétrica.
18:57Todo mundo, a gente abre os jornais
18:59e fala, poxa, o Brasil,
19:00a energia elétrica, produção verde,
19:03reciclável, baixo impacto,
19:05barata de ser produzida,
19:08mas é uma das contas de energia elétrica
19:10mais caras que tem no mundo.
19:12Então qual que é a lógica?
19:13A produção é barata,
19:15mas o custo dela é extremamente caro.
19:18Então a gente tem menos recursos,
19:21para a gente ser competitivo aqui no Brasil,
19:24a gente tem que ser muito melhor
19:25do que muitas empresas
19:26e muitos negócios que estão no exterior.
19:29Bom, chega de falar de 2025.
19:302025, estamos beirando ali
19:32já para o próximo ano.
19:35Eu queria que você trouxesse
19:36para a nossa audiência
19:37expectativas para os negócios em 2026.
19:41O que vem por aí?
19:43Então, nós não estamos muito otimistas
19:46nessa questão dos juros altos,
19:49mesmo que ano passado, ano passado,
19:52ano que vem, tenha uma redução,
19:54que vão dizer que cai dos 15% para 12%.
19:58Não, você está sendo otimista, na verdade,
20:01porque eu recebi aqui economistas
20:03que falaram que pode,
20:07uma projeção, pode cair ali em março,
20:10logo no começo,
20:12mas se cair é 0,5, 0,75,
20:15vai continuar com 14 e pouquinho.
20:18Mas vamos delirar aqui,
20:21se cair de 15% para 12%,
20:23não muda nada.
20:24Continua sendo juros massacrantes
20:27para investir em construção,
20:30investimentos de mais longo prazo,
20:33e mesmo para modernizar uma fábrica,
20:36são juros que inviabilizam vários projetos.
20:38Deixa eu trazer um pouco de curiosidade
20:42aqui no show business,
20:43da trajetória da carreira
20:45e, sobretudo, do gosto de Guilherme Bertani,
20:48o CEO da Docol.
20:51Você é autor de livros,
20:55você já lançou três livros
20:57e livros de poesia.
21:00De onde vem o seu gosto pela poesia?
21:03Bom, não sei, acho que faz tempo
21:05eu gosto de escrever,
21:07e mais ou menos em 2001, 2002,
21:11eu comecei a registrar meus pensamentos,
21:13digamos assim,
21:15e fui mostrando para as pessoas,
21:19elas gostavam,
21:21daí eu participei de concurso de literatura
21:23lá em Joinville,
21:24um poema meu foi selecionado,
21:27e daí eu fui acumulando esses poemas
21:30e daí resolvi buscar um editor.
21:33E assim começou,
21:34na verdade um dos livros que eu publiquei
21:37é sobre uma história,
21:38é sobre a história de uma viagem que eu fiz
21:40para a Antártida,
21:42então ele mistura um pouco de poesia,
21:45de ficção e de realidade também.
21:47Qual que é a sua formação?
21:48Eu sou administrador.
21:49Mas não tem nenhum envolvimento com letras,
21:53com...
21:54Quando eu falo assim,
21:54da onde vem esse gosto?
21:57É desde a infância,
21:58desde a adolescência,
21:59ou é uma necessidade sua recente
22:03de colocar no papel,
22:04de escrever no papel,
22:06coisas que estão dentro de você?
22:08Eu acho que é mais por aí, né?
22:09Colocar alguns pensamentos,
22:11registrar alguns pensamentos,
22:13algumas coisas que despertam minha curiosidade,
22:18escrever isso de uma maneira
22:19um pouco não tão literária,
22:22literal assim, né?
22:23Porque realmente,
22:24confesso que as minhas notas
22:26de português e de literatura...
22:27Não eram muito boas.
22:29Era nisso que eu queria chegar,
22:30não eram tão boas.
22:31Você não era o primeiro
22:32da sala em português.
22:35Não, com certeza não era.
22:37Os seus poemas,
22:39as suas poesias,
22:40falam do quê?
22:41Da vida?
22:42É, falam de várias coisas.
22:43Às vezes são observações da natureza,
22:45às vezes falam de justiça,
22:50liberdade, do desejo,
22:53da natureza.
22:56Então, eu acho que tem uma variedade
22:59aí de temas que...
23:00Quando eu falo isso,
23:01e eu gosto de trazer
23:02para todos os nossos convidados,
23:05é uma espécie de refúgio,
23:08porque boa parte dos CEOs
23:10que passam pela cadeira aqui do show business
23:12têm algum hobby, né?
23:13Acorda cinco e meia para correr,
23:16muita gente está correndo,
23:18ou faz outro tipo de esporte.
23:21O seu...
23:22Você gosta de fazer esportes também?
23:23Sim.
23:24Ou o seu refúgio é só a poesia?
23:26Não, não.
23:27Eu tenho uma variedade de coisas que eu gosto.
23:30É?
23:30É.
23:30Eu gosto de correr,
23:32gosto de mergulhar,
23:34já escalei algumas montanhas também,
23:36então tem uma variedade...
23:39Toca o violão,
23:40então tem uma variedade de coisas.
23:41Então você tem vários interesses na vida,
23:43não é só...
23:43Eu fui informado que era só no texto.
23:46Nossa, você está falando que são várias coisas.
23:48Tem, tem, tem algumas coisas que acabo inventando aí.
23:52Ô, Guilherme, você comanda uma empresa
23:53de mais de dois mil profissionais,
23:55dois mil e três anos,
23:56só em Joinville.
23:57Isso, é.
23:58O que você mais valoriza num profissional hoje?
24:01Olha, né,
24:02e isso é uma coisa que a gente tenta desenvolver
24:04e estimula bastante na empresa,
24:07é o protagonismo.
24:08A gente sabe que a liderança é o traço principal
24:14que as pessoas têm que ter, né,
24:16e liderança a gente entende que não é aquele que manda, né,
24:21mas aquele que promove mudanças na empresa.
24:23E depois de pensar no que é a liderança,
24:28a gente viu que tem uma coisa que vem antes da liderança
24:32e que todo colaborador, qualquer pessoa que trabalha,
24:36é o que empreende,
24:37acaba tendo,
24:39que é tentar ser protagonista do seu negócio,
24:42do seu trabalho,
24:44e isso é fundamental para gerar valor para qualquer empreendimento.
24:47Guilherme, como eu falei,
24:49são 70 anos a partir de agosto de história da companhia.
24:54Você está há 25 anos na empresa.
24:58Mudou muito, falando desses 25 anos,
25:01o gosto, o desejo do consumidor brasileiro?
25:06Sim.
25:07Sim, ele...
25:10No nosso mercado, sim,
25:12até especificamente,
25:13porque quando eu comecei na Docol,
25:15existiam, vai, as torneiras,
25:18existiam as torneiras cromadas,
25:20e existiam torneiras pintadas,
25:23torneiras douradas,
25:25e isso, depois de uns...
25:27lá pelo final da década dos anos 90,
25:30caiu em desuso.
25:33Mas faz uns 10 anos que o mercado começou
25:36a querer torneiras coloridas,
25:39chuveiros coloridos,
25:41mas não com cores, vai, branco, bege,
25:44como era naquela época,
25:45mas com tons metálicos, né?
25:48Então, a gente tem...
25:49Ou não, nós temos o preto,
25:51mas nós temos dourado,
25:52cor de cobre,
25:53cor de aço inox,
25:54de níquel,
25:55então, isso é um produto...
25:58são cores de torneiras
26:00que são muito demandadas hoje em dia.
26:03Pergunta clássica aqui no Show Business,
26:05a gente faz essa pergunta
26:06para todos os nossos convidados.
26:08Guilherme,
26:09quem são as suas referências,
26:11tanto no mundo dos negócios,
26:12quanto na vida?
26:13Essa é uma pergunta difícil,
26:16porque, enfim,
26:18eu nunca tive alguém, assim,
26:21para que inspirasse, né?
26:23Lógico que tem histórias aí,
26:24principalmente no mundo de negócios,
26:27que acabam chamando a atenção.
26:29Enfim, eu acho que a história do Walmart,
26:32por exemplo,
26:33eu acho que é uma história legal, né?
26:35Como eles começaram,
26:37como foram se desenvolvendo,
26:39como ainda tem relevância,
26:40tem relevância, apesar, né,
26:41do comércio digital
26:44ter crescido muito,
26:47eles souberam se reinventar
26:48e preservar um espaço importante,
26:52em termos de...
26:55vai dispensar...
26:58Não, o Walmart é um bom,
27:00excelente caso,
27:01excelente case.
27:02Quer ficar no Walmart?
27:03Não tem problema, não.
27:05Não, é que assim, eu...
27:07Quer trazer um brasileiro,
27:08um case brasileiro?
27:10Não, eu acho que assim,
27:10brasileiro, querendo ou não,
27:12não tem como escapar, sei lá,
27:13do Falcone, por exemplo.
27:14Tá.
27:14Eu acho que o que ele fala
27:16é importante,
27:19qualquer gestor tem que dominar
27:20as ferramentas que ele criou, né?
27:22Você usou um bom caso,
27:24que é o Walmart, né?
27:26Você falou do digital.
27:27O que o digital representa
27:29para vocês?
27:30Então, existe um movimento, né,
27:33as pessoas estão cada vez
27:34se acostumando mais
27:36e ganhando mais confiança
27:38para comprar qualquer tipo
27:39de produto pelo mundo digital, né?
27:43E a gente tem vários revendedores
27:45que estão se desenvolvendo
27:47no e-commerce,
27:49temos revendedores que são puros
27:51no e-commerce,
27:53e é uma tendência que não tem em volta, né?
27:55A gente tem produtos que exigem,
27:57que pedem uma experimentação,
27:59né, para a pessoa escolher.
28:02Então, tem vários desafios
28:04que a gente tem trabalhado
28:05com os nossos revendedores
28:07para ver como que a gente consegue
28:10transformar essa experiência
28:11para ter o digital
28:13e ter o físico ao mesmo tempo, né?
28:15E eu entendo que,
28:19enfim, que é uma tendência
28:21que a gente, né,
28:22qualquer tipo de negócio
28:23vai achar um jeito
28:24de digitalizar essa experiência
28:27para que as pessoas
28:28consigam comprar
28:31porque é pelo mundo digital,
28:32pela questão digital, né?
28:34Porque eu vejo que já em 2005
28:37a gente tinha um bom cliente
28:39dos Estados Unidos
28:39que naquela época
28:41vendia tudo por e-commerce, né?
28:43E o comércio naquela época
28:45não existia,
28:46mas vendia pela internet.
28:47E ele ficava admirado
28:48que as pessoas
28:49às duas da manhã
28:50compravam uma torneira de cozinha.
28:53Então, é comodidade,
28:55enfim,
28:55cada um tem esse estilo de vida.
28:57Muito bem,
28:57nós recebemos
28:58neste bloco
28:59do Show Business
29:00Guilherme Bertani,
29:03CEO da Docol,
29:05com sede
29:06em Joinville,
29:07Santa Catarina,
29:08cidade que você vai
29:10a partir de amanhã.
29:11Amanhã você já vai pegar
29:12o avião e ir para Joinville.
29:13Amanhã de manhã
29:14às nove,
29:15estou no avião,
29:16com certeza.
29:17Guilherme,
29:17obrigado mais uma vez
29:18pela presença aqui
29:19em nosso estúdio.
29:20Eu que agradeço, Bruno,
29:21muito obrigado pela oportunidade
29:22de estar aqui com você.
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