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O CEO da Swile, Júlio Brito, analisa as mudanças nas regras do vale-alimentação e refeição. O especialista afirma que a medida é um "marco para empresas e colaboradores", foi aguardada com "ansiedade e expectativa" e, segundo ele, beneficia a classe trabalhadora e os estabelecimentos comerciais.

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Transcrição
00:00exportação, essa é nova. Gente, eu quero falar de uma outra história dessa semana pra gente arrematar com tudo que é importante aqui.
00:06Nesta semana o presidente Lula assinou um decreto que muda as regras do vale-refeição e do vale-alimentação no país.
00:12Entre as principais mudanças estão a criação de um teto na taxa cobrada pelas empresas e também um prazo menor pro repasse dos valores aos lojistas.
00:20Pra falar sobre isso, eu quero receber aqui o Júlio Brito, que é CEO de uma das maiores empresas do setor aqui no país
00:25e que participou das discussões pra que essas mudanças ocorressem.
00:29E aí, Júlio, seja muito bem-vindo. É um prazer recebê-lo no nosso 3 em 1. Obrigado por atender ao nosso convite.
00:35Eu também quero falar contigo sobre uma outra medida relevante, que é a abertura do arranjo de pagamentos.
00:40Explica pra gente o que é isso e por que ele mexeu tanto com o humor de algumas empresas. Boa tarde.
00:48Boa tarde, Evandro. Obrigado pela oportunidade de estar aqui. Pra nós é um prazer vir aqui e falar.
00:52Essa medida foi aguardada com muita ansiedade e com expectativa pelo mercado, porque ela beneficia a classe trabalhadora,
01:01ela beneficia os estabelecimentos comerciais.
01:04Entendemos que esse decreto é um marco tanto para empresas como, como eu disse, para colaboradores e para o comércio em geral.
01:11Porque ele possibilita redução de taxas de administração, ele possibilita maior liquidez, inclusive, para os estabelecimentos comerciais
01:18e também liberdade de escolha. O arranjo aberto de pagamento, ele é um arranjo que permite que todas as empresas
01:25consigam operar através de um cartão embandeirado com ampla aceitação e isso, isso é muito mais, traz muito mais facilidade
01:33para o colaborador. Porque a partir do momento em que, você imagina que no arranjo fechado, ele é um arranjo onde as empresas
01:39elas fazem um papel triplo. Elas são emissoras, elas são adquirentes, elas são liquidantes.
01:44No arranjo aberto, isso é feito através da emissão de um cartão por parte de um emissor,
01:52tendo como pano de fundo uma bandeira de cartão de crédito.
01:56No caso da nossa empresa, nós temos uma bandeira de cartão de crédito que ela é amplamente aceita no Brasil inteiro
02:02em mais de 8 milhões de estabelecimentos.
02:04Enquanto no arranjo fechado, existe uma restrição quanto ao número de estabelecimentos comerciais.
02:11É em torno de 500, 600 mil no máximo. Então você tem de 500 de um lado para 8 milhões do outro lado.
02:17Então é muito mais liberdade, muito mais opção para o colaborador.
02:20Agora, ô Júlio, nesta semana a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios do Trabalhador
02:25emitiu uma nota dizendo que o decreto ameaça a essência do programa social, principalmente em relação
02:30ao arranjo aberto e também ao estabelecer um teto.
02:34Como é que você avalia essa crítica ou essa preocupação que apareceu por parte do setor?
02:41Falando em teto, o governo vinha tentando negociar com as empresas de arranjo fechado há alguns anos.
02:48Em 2021, ele estabeleceu, nós tivemos um decreto, decreto-lei 10.854, que ele proibiu o rebate
02:56e proibiu também a concessão de prazo de pagamento.
03:00Mas isso não foi obedecido.
03:02A gente percebeu, o governo percebeu muita criatividade no setor.
03:05As empresas dando plano de saúde, pagando plano de saúde, verba de marketing, cesta de Natal e aí por diante.
03:13E o governo tentou, por algumas vezes, ele tentou bloquear e fazer com que houvesse o cumprimento da lei.
03:21Como não houve o cumprimento da lei, ele resolveu estabelecer um teto, essa taxa de administração, ou MDR,
03:27em 3.6, que ela está bem próxima da média de cartão de crédito, que é praticada de cartão de crédito no país.
03:35Pra você ter uma ideia, no arranjo aberto, as taxas são as mesmas de cartão de crédito.
03:42Então, por isso, o governo resolveu estabelecer essa taxa aí.
03:46Você me perguntou quanto à interoperabilidade, a gente já falou também.
03:49Qual foi a sua outra pergunta, por favor?
03:50Não, na verdade, Júlio, eu quero saber de você também...
03:53A aceitação.
03:54Isso é, porque assim, eu quero saber também de você aproveitando, além dessa aceitação,
03:59ou seja, de um acesso ao maior número de estabelecimentos, ao não ter o arranjo fechado,
04:04qual que é o outro benefício que você entende para o trabalhador quando há um repasse maior para os lojistas,
04:11quando há também, digamos, uma cobrança menor de taxa?
04:15De que maneira que isso impacta no geral e a longo prazo no teu ponto de vista?
04:19Isso pode impactar no preço e ele possibilita também o bloqueio do rebate, como eu te disse,
04:26do desconto que é dado hoje para os RHs ao assinar um determinado contrato,
04:31porque ele reduz um pouco o ganho das empresas do arranjo aberto.
04:36Desculpa, do arranjo fechado, né?
04:38Então, de novo, eu vejo com bons olhos essas medidas.
04:42Quanto à afirmação da possibilidade de uma ampla aceitação ou até de um desvirtuamento do programa,
04:50eu digo para você que não é possível isso.
04:53Nós já operamos no arranjo aberto desde que nós iniciamos as atividades aqui no Brasil
04:58e é possível você segregar, não só segregar, mas é possível você também parametrizar.
05:03Parametrizar determinado cartão em determinada carteira, ele só pode ser utilizado em determinado segmento.
05:10O que eu quero dizer com isso?
05:12O cartão de alimentação, ele pode e deve ser parametrizado em compliance à legislação
05:17para a aceitação somente em rede de supermercados.
05:20O cartão de refeição é a mesma coisa, em supermercado ou fast food,
05:24ou em fast food ou em restaurantes ou padarias, por exemplo.
05:28É onde o trabalhador possa efetivamente adquirir o alimento que é objeto da concessão do cartão
05:36ou do benefício à alimentação ou refeição.
05:39Então, do lado de cá, é possível parametrizar e é possível bloquear
05:43para que não haja, inclusive, um desvirtuamento do programa
05:47e ele utilize em outros produtos ou serviços, como a gente ouviu falar que pode acontecer.
05:54Nosso caso, não.
05:55Como eu lhe disse, a gente trabalha totalmente compliance à legislação
05:58e é impossível que isso aconteça.
06:01Júlio Brito, CEO da Swile aqui no Brasil, muito obrigado pelas informações,
06:05pela tua participação conosco aqui no 3 em 1.
06:07Até a próxima.
06:09Obrigado às suas ordens.
06:11Um grande abraço, bom fim de semana.
06:12Fábio Piperno, como é que você avalia agora essa mini treta
06:15que está acontecendo em parte do setor?
06:17Porque a gente vê, por exemplo, que no caso do Júlio,
06:20dessa empresa que atende a quase um milhão de beneficiários aqui no país,
06:26para ela essa mudança já era aplicada e, inclusive, foi positiva que agora se tem como decreto.
06:31Bom, eu queria cumprimentar o Júlio pelos esclarecimentos que ele fez.
06:34Eu, na verdade, eu trabalhei muitos anos, mais ou menos 10 anos,
06:40prestando serviço para uma das gigantes desse setor lá atrás.
06:43Faz muito tempo isso.
06:45E eu conheci bem o começo de todo esse sistema,
06:49porque o Sistema Refeição Convênio, o PAT, o Programa de Alimentação do Trabalhador,
06:53implantado em 1976,
06:56o pessoal começou em um restaurante aqui pertinho,
06:58lá na ministra Rocha Azevedo, o Xodó da Paulista.
07:01Ele foi um importante programa social do Brasil.
07:04Um dos mais importantes, aliás, porque naquele tempo,
07:07então, por conta de exerções fiscais e tal,
07:10enfim, de benefícios fiscais, as empresas puderam começar
07:14a oferecer esse benefício aos trabalhadores.
07:18E naquele momento, naquela época,
07:20os trabalhadores eram, em sua grande maioria, selitistas.
07:24Mas eu entendo também que o mundo mudou,
07:27o setor precisou se modernizar.
07:29Lá no começo era o ticket papel e depois passou a ser o cartão.
07:34E agora, o que está em debate, o que está em discussão,
07:38e é por isso que o governo atacou essa questão,
07:40é o valor das taxas que são cobradas.
07:44O governo entende que,
07:47à medida em que as taxas sejam reduzidas,
07:52o preço final, lá para o usuário,
07:56os preços também caem, o usuário passe a pagar menos.
07:59Eu acho que é um...
08:03Mas, de qualquer forma, eu entendo também
08:07que o diálogo tem que ser mantido,
08:10porque o fundamental é se preservar o programa.
08:13E é claro, o importante também é fazer com que a alimentação
08:17chegue à mesa do trabalhador com o preço mais em conta.
08:22Então, vamos lá.
08:23Então, vamos lá.
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