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No Visão Crítica de hoje, especialistas debateram a agenda climática que está sendo discutida na COP30, em Belém. Participaram do programa Leonardo Munhoz, advogado de Direito Ambiental, a presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Bárbara Rubim, e Davi Bertoncello, diretor da Tupinambá Energia.

Os convidados discutiram os principais pontos da conferência, incluindo a urgência da transição energética e a necessidade de financiamento global.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/EJY9M4xijUA

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Transcrição
00:00Eu achei que eu ia demorar um pouco mais para entrar em mobilidade elétrica,
00:03aqui é o meu assunto.
00:04Eu joguei só isso, que dá aqui.
00:05Mas você levantou a bola e a gente está falando de Estados Unidos e China.
00:10Veja, claro que um dos principais eixos é da descarbonização,
00:16da desfossilização, acho que inclusive é o termo melhor,
00:20é o compromisso assumido da mobilidade.
00:23E isso para o Brasil, não tem um mês que inclusive estive em Camaçari, na Bahia,
00:32no lançamento da fábrica da BYD no Brasil,
00:36que começou, que dobrou a aposta no dia, no próprio lançamento.
00:40Então eles estavam falando em fazer 300 mil carros ano.
00:44Já durante o evento falaram em 600 mil carros ano,
00:49o que é muito, muito, muito mais do que a Ford fez a qualquer tempo
00:55quando estava naquela planta.
00:58Isso não é o acaso, isso não é fruto nem ao menos da nova política do Trump.
01:06Enfim, acho que a gente tem visto isso acontecer.
01:11Mas em mobilidade elétrica isso já acontece faz muito tempo.
01:14Então já é da gestão anterior, inclusive, que os Estados Unidos colocou 100% de tarifa
01:20sobre os carros japoneses e o Brasil se tornou, então, o principal mercado chinês fora da China.
01:28E a gente tem visto isso adensar.
01:31Então, acho que para o brasileiro isso tem sido muito benéfico.
01:36A gente vê lançamento atrás de lançamento.
01:38Se ficou a dúvida ali há 3, 4 anos atrás, se a mobilidade elétrica aconteceria aqui
01:45para carros de 500 mil reais, a resposta está dada.
01:50Acho que a gente tem visto.
01:53E esse, na verdade, endossa um pouco da sua fala, da questão de sair um pouco,
01:58e eu também sou otimista por esse viés, do ponto de vista da iniciativa privada.
02:03Em mobilidade elétrica, aliás, isso é muito nítido no Brasil.
02:09Então, às vezes até vem essa pergunta.
02:13Poxa, mas você gostaria que tivesse maior envolvimento do governo nessas discussões?
02:20Claro.
02:22Poxa, a discussão tem que permear também, passar por isso também.
02:28Mas o Brasil, a iniciativa privada brasileira tem tido uma resposta muito interessante
02:34em relação à mobilidade elétrica.
02:36E nada do que a gente está vendo aqui é à toa.
02:38É muito em cima dessa discussão posta de Estados Unidos versus China.
02:46E a gente tem visto, inclusive, do ponto de vista de mobilidade elétrica,
02:51a gente, inclusive, pode colocar a União Europeia também nessa discussão.
02:55E também muito atrás da China.
02:58A China, realmente, do ponto de vista de mobilidade,
03:01vem fazendo uma revolução sem precedentes e colocando, acho que, assim,
03:08duas ou três copos atrás, a gente talvez falasse de mobilidade elétrica
03:14só pelo viés de sustentabilidade.
03:16Hoje a gente tem visto cada vez mais a discussão sobre o como
03:20isso tem mudado a vida de brasileiros.
03:23Já, por exemplo, eu estava vindo para cá, eu vim em um aplicativo,
03:31que era um carro elétrico e fiz a mesma pergunta que eu faço quando eu passeio com eles
03:38e pergunto, poxa, como que isso está para você?
03:41E eles são consistentes em dizer que com um carro elétrico eles ficam com R$2.000 a R$2.500 a mais por mês.
03:46Eu acho que os eventos, como uma COP, elas trazem a discussão e concordo que, de fato,
03:56sinto falta de, muitas vezes, muitos projetos que acabam.
04:00É meio... me lembrou aqui, enquanto falava em 200 projetos para ser um,
04:03aquela cena da Xuxa, quando ela jogava cartas, 200 cartas para cima, pegava uma.
04:09COP é mais ou menos assim, né?
04:11Você pega lá 200 temas, joga 200 para cima, pega um e se esse um vingar,
04:18eu acho que, de certa maneira, a COP já trouxe uma resposta.
04:22E espero que no Brasil, nessa nossa COP, a gente consiga fazer vingar muito mais do que um ou dois temas só, né?
04:30Acho que a nossa agenda deveria ser conseguir contribuir de forma genuína e com robustez.
04:37Leonardo, a tua opinião sobre essa questão, Estados Unidos, China,
04:43as repercussões na COP e as perspectivas, como é que você vê?
04:50Bom, aqui, entre Estados Unidos e China, eu vejo mais um conflito certamente comercial, tá?
04:56Aqui, o que a gente vê do ponto de vista do comércio internacional,
04:58é que, muitas vezes, o meio ambiente entra com medida restritiva ao comércio,
05:02grandes partes, às vezes, com medida protecionista,
05:04mas isso é questão de outras discussões, por exemplo, na Europa e tudo.
05:07Mas da COP em si, não é a primeira vez que os Estados Unidos se retiraram do Acordo de Paris,
05:11vamos lembrar que o governo Trump fez isso no seu primeiro mandato,
05:14e não teve uma avalanche de países saindo do Acordo de Paris, tá?
05:19E vamos também levar em consideração que aqui os Estados, né, dos Estados Unidos,
05:26eles mantêm sua postura de respeito ao Acordo de Paris e redução das mudanças climáticas.
05:32Então, o governo federal aqui americano, ele pode se retirar do Acordo de Paris,
05:37mas não um efeito tão forte quanto seria, entendeu?
05:41Porque os Estados permanecem, os Estados da Califórnia têm esse mercado de carbono,
05:45têm suas metas de mitigação e de redução,
05:48o Estado de Nova Iorque, isso tem todo o mercado de carbono da costa leste americana, que continua.
05:53Então, assim, esses Estados, eles têm as suas emissões
05:56e eles vão continuar respeitando essas metas.
05:59Com relação à China, de fato, o forte dela está na transição energética,
06:03mas a NDC que ela apresentou, é uma NDC muito fraca, digamos assim.
06:08Assim, você teve NDC de grande porte, você teve o Brasil, né,
06:13tentando reduzir até 67%, 70%, a União Europeia também,
06:18e a China você não vê uma postura dessa tão forte.
06:20Você vê o NDC deles atrelado às mais assim,
06:23eu reduzo se eu tiver um crescimento econômico.
06:25É uma coisa um pouco mais balanceada,
06:27mas que não chega ao que realmente ela deve aqui nas partes de emissões.
06:33Bárbara, o Brasil, sem ser aquele ufanismo,
06:38Alá Afonso Celso, ou o Policarpo Parésimo do Lima Barreto,
06:43que já restabeleceu o Tupi-Guarani como língua nacional.
06:47Então, sem aquele ufanismo.
06:48Mas o Brasil, com a sua matriz energética, pode ser um exemplo para o mundo?
06:52Sem dúvida alguma.
06:54E eu acho que essa é uma moeda que tem dois lados, né?
06:57Então, assim, por um lado, o Brasil é um dos países do mundo
07:00que tem uma das matrizes mais limpas,
07:02tanto do ponto de vista energético,
07:06quando a gente olha para a matriz elétrica.
07:07Então, a gente é um exemplo mundial.
07:09O Brasil tem mais de 80% da sua matriz elétrica limpa,
07:14hídrica em primeiro lugar,
07:15seguido pela solar, depois pela eólica.
07:17Então, a gente tem, de fato, revolucionado isso.
07:19E temos feito bem esse papel.
07:22Qual que é o outro lado da moeda?
07:23A gente não deixar que isso seja um cobertor quentinho
07:29para que a gente reduza a nossa ambição
07:31do ponto de vista do setor elétrico ou do setor energético.
07:35Então, por exemplo, o Brasil é um dos únicos grandes países do mundo
07:38que não tem nenhuma meta de ter uma matriz elétrica 100% renovável.
07:43Apesar de a gente ter todas as condições para isso.
07:44A gente tem a usina hídrica,
07:47que constituiu a base da nossa matriz,
07:50ainda é hoje a base da nossa matriz por muitos anos.
07:52A gente tem um recurso solar exemplar,
07:55a gente tem um recurso eólico excelente,
07:57a gente tem uma fonte de biomassa
07:58que pode gerar térmicas despacháveis,
08:01que são não só emissões limpas,
08:03na verdade, elas são emissões negativas.
08:05A biomassa tem uma fonte de emissão negativa.
08:08Então, a gente tem muita tecnologia,
08:09a gente tem os veículos elétricos
08:10que vão ter um papel fundamental
08:12de não só ajudar a melhorar a qualidade de vida dos brasileiros,
08:16como o Davi colocou,
08:17mas também de atuar para estabilizar a nossa matriz
08:20quando essas renováveis tiverem a sua intermitência
08:23na sua geração.
08:24Intermitência é,
08:25elas não geram o tempo todo
08:26e a gente não consegue prever quando vai,
08:28a gente não consegue controlar
08:29quando elas vão ou não gerar.
08:30Então, a gente precisa de alguma coisa
08:31que ajude a trazer mais estabilidade para o sistema,
08:33é o grande desafio que a gente tem hoje
08:35do ponto de vista de operação de matriz.
08:37Então, o Brasil tem uma matriz
08:38que é muito limpa,
08:39que é exemplo,
08:39e eu acho que a gente tem que se orgulhar
08:40disso, sem dúvida alguma,
08:42enquanto país.
08:43Mas a gente poderia fazer mais.
08:44A gente está tão perto,
08:45a gente tem uma matriz 100% limpa,
08:47então, por que não dar o próximo passo e subir?
08:50Eu acho que a minha grande expectativa
08:51para essa COP
08:51é que a gente termine, de fato,
08:53com esse compromisso enquanto país.
08:55Qual seria esse próximo passo?
08:57Conseguir fazer um compromisso
08:59de uma meta
08:59de ter uma matriz 100% renovável.
09:01Seria,
09:02qual o grande,
09:03qual a,
09:04dando uma,
09:05de Carlos Drummond de Andrade,
09:07qual é a pedra que está no meio do caminho
09:08que impede isso?
09:10Você quer que eu denome aos bois?
09:12Pode, pode,
09:14não tem problema.
09:14A ideia do visão crítica
09:16é justamente isso,
09:17é qualificar a reflexão.
09:19Qual é a pedra
09:20que está no meio do caminho?
09:21Eu acho que a gente tem
09:22duas grandes questões, né?
09:23A gente tem uma questão forte
09:25enquanto país,
09:26que é um desafio, por exemplo,
09:26de lidar com carvão.
09:29De novo,
09:29comentei na primeira pergunta
09:31que o senhor me fez, né?
09:32A gente acabou de renovar
09:33as outorgas das usinas a carvão
09:35até 2040,
09:36indo na contramão
09:37do que o mundo faz, né?
09:38O carvão é a fonte mais poluente
09:39que a gente tem hoje.
09:41E aí eu acho que
09:42não é só uma questão
09:43de preço,
09:45também é uma fonte cara,
09:46mas é uma questão também
09:47de sinal que a gente dá
09:48de fazer essa renovação
09:49quando a gente tem
09:50países do mundo
09:50como França,
09:52como Espanha,
09:53como a própria China,
09:54apesar de pouco,
09:55se esforçando
09:55para fazer um face-out do carvão.
09:56Mas existe um desafio
09:57porque é o sul do Brasil,
09:59né?
09:59A gente tem a região ali
10:01de Candidota
10:01que é uma região
10:02que é muito dependente
10:03do carvão
10:03para a economia.
10:06Mas isso foi feito
10:07em outros países.
10:07A Espanha fez um trabalho
10:08maravilhoso,
10:09o sul da Espanha também
10:09era extremamente dependente
10:10de carvão,
10:11fizeram um trabalho
10:11maravilhoso de conseguir
10:12requalificar aqueles
10:15profissionais
10:15para reinseri-lo
10:16em outras profissões
10:18do setor elétrico.
10:20E aí a gente tem também
10:20o desafio do gás.
10:22O gás é uma matriz
10:23híbrida, né?
10:25Ela deixa aquele gostinho
10:26meio
10:27azedinho assim na boca
10:29porque tem gente
10:31que diz que ele é
10:31um combustível importante
10:32para a transição,
10:34mas também tem gente
10:35que diz que se a gente
10:36abre espaço para o gás
10:37a gente não vai conseguir
10:37recuperar esse espaço
10:38para de fato ter uma matriz
10:39que seja limpa,
10:40que é o que os Estados Unidos
10:41têm feito.
10:42Os Estados Unidos
10:42estão abrindo completamente
10:43as portas para o gás
10:44e isso é devastador
10:46porque acho que
10:47quando a gente olha
10:48para uma questão ambiental
10:49e essa é uma grande briga,
10:51sobretudo que o terceiro
10:52setor tem na COP,
10:53a gente não tem que olhar
10:54só para emissões, né?
10:56Então, não basta
10:57que seja limpo,
10:58tem que ser sustentável.
10:59Então, não basta, por exemplo,
11:00que uma fonte seja renovável,
11:01ela tem que ser sustentável.
11:02E quando a gente olha
11:03para a sustentabilidade,
11:04a gente está olhando
11:05para como é que isso afeta
11:07populações tradicionais,
11:09para como é que isso afeta
11:10o bem-estar de quem está ao redor.
11:12Então, acho que a gente tem
11:13essas questões importantes
11:15para endereçar
11:15para a gente conseguir
11:16dar esse próximo passo.
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