00:00O agronegócio vai assumir um papel importante também para a redução de gases poluentes,
00:06porque segundo o Observatório do Clima, o agro ainda não conseguiu ajudar o país a atingir a meta global.
00:14A gente conseguiu aí diminuir em 17% segundo o observatório essa meta, essa redução de poluentes.
00:21Mas o agro ainda é um dos setores que prejudica, infelizmente, o clima, né?
00:27Essa questão climática aqui no nosso país.
00:30Por isso, a gente vai conversar ao vivo com a Mariana Grilli, que vai chegar em tempo real com a gente.
00:34Mari é a nossa apresentadora especialista aqui em agro da Jovem Pan.
00:39Mesmo com tantas quedas históricas, Mari, o agronegócio ainda tem dificuldade para entrar nessa meta climática.
00:48Existe na COP30 alguma previsão de apresentar propostas para isso também?
00:52Ah, sem dúvida. Primeiro, boa tarde, Márcia, a todos que nos acompanham aqui na Jovem Pan News.
00:58É um prazer participar aqui pela primeira vez, trazendo esse tema que a gente tem acompanhado bastante de perto,
01:05que é a relação do agronegócio com a agenda climática e a apresentação do setor,
01:09como o setor vai se portar durante a COP30.
01:13Esses dados do SEG, né? Que foram divulgados aí ontem, no dia 3, é importante a gente entender um pouquinho,
01:21inclusive, da nomenclatura ali.
01:23Porque quando a gente fala de mudanças de uso da terra, isso inclui várias mudanças.
01:28Uma delas é a conversão de áreas para a agropecuária.
01:33E dentro da agropecuária, você tem a agricultura e a pecuária.
01:38E aí o SEG também traz números, né?
01:40Mostrando que a emissão, por conta da agricultura, do plantar, do colher, é menor.
01:47Então as emissões estão sendo menores do que em relação à pecuária,
01:51que de fato é um setor que emite gases de efeito estufa por conta do metano do boi.
01:57Isso é algo, né, científico.
02:00Então, de fato, uma das agendas que a gente espera ver na COP30
02:04é do próprio segmento da pecuária, que tem tentado chamar a atenção
02:09dizendo que é possível reduzir as emissões, então, de metano na criação do rebanho, né?
02:18Trazendo mais tecnologia, trazendo mais acesso a crédito, né?
02:22Então melhorando, inclusive, qualidade do pasto.
02:24E aí a gente começa a entrar em questões mais agronômicas até, né?
02:29Porque é isso, o setor é um setor complexo.
02:32Então, sim, o agro está se posicionando.
02:35Inclusive, é a primeira vez que vai haver uma agrizone.
02:39A gente já conversou aqui algumas vezes sobre isso também na Jovem Pan News,
02:42que é a COP30, ela traz a blue zone, né, a zona azul,
02:48a green zone, que é a zona verde ali, aberta, sociedade civil.
02:51E dentro, ali muito próximo da zona verde, então, aberta, sociedade civil,
02:56terá a agrizone, uma zona voltada para a agricultura pecuária, organizada pela Embrapa.
03:02Então, o setor vai muito forte também com um discurso de que, muitas vezes,
03:07essas metodologias de cálculo não levam em consideração o quanto que o setor está reduzindo de emissão.
03:15Porque é um cálculo que só fala o quanto que cada setor da atividade econômica emite,
03:20mas não considera o quanto que a agricultura, por exemplo, de baixo carbono,
03:25agricultura regenerativa, sistema de plantio direto, como existe no Brasil,
03:29o quanto que tudo isso ajuda o solo, né, a sequestrar esse carbono.
03:35Então, essa conta, essa matemática tropical,
03:39vai ser uma das grandes defesas do agronegócio brasileiro lá,
03:42porque a gente precisa começar a ter essas metodologias científicas
03:45um pouco mais fiéis aqui ao nosso Brasil.
03:49Então, estaremos lá em time para acompanhar essas discussões lá em Belém.
03:53Quando é que você vai, Mari, então, para lá?
03:55Encontrar Bruno Pinheiro, Patrícia Costa também, que está por lá.
03:59Temos para lá, gente.
04:00Eu chego lá um pouquinho depois do início.
04:02Chego por volta do dia 13, 14, ali em Belém.
04:05Então, vamos ter um time ali acompanhando as primeiras discussões.
04:07Mas, de fato, essa segunda semana da COP, ela é muito interessante,
04:13porque tudo já vai estar mais aquecido, muitas pessoas já vão ter também falado.
04:18Lembrando que tem toda uma discussão de agricultura na grande cúpula mesmo, né?
04:23Então, o quanto que o Brasil, enquanto não só o país sede,
04:28mas um país sinônimo de agricultura, vai se colocar nessa discussão internacional.
04:33Só um rápido comentário, rapidinho, pegando o VT anterior, falando do TFFF, né?
04:40Vale lembrar que o TFFF foi proposto pelo Brasil para países também de agricultura,
04:47de clima tropical.
04:49E a silvicultura, que é um setor que a gente também acompanha dentro do agro,
04:53também está muito interessada no TFFF, porque, embora esteja falando de florestas nativas,
04:58se as florestas tropicais nativas forem para frente, forem de fato preservadas,
05:02mas isso lá na frente, com muita seriedade, robustez, segurança jurídica,
05:07pode virar um mercado de carbono.
05:09Então, dentro do agro, a gente também vai estar olhando o TFFF,
05:12que foi anunciado na COP28, lá em Dubai, pelo André Corrêa do Lago,
05:17que hoje é o presidente da COP, na época estava enquanto embaixadora.
05:21A gente ainda não ia saber, não sabia desse cargo dele no futuro ainda.
05:24Mari, antes também da gente se despedir, eu queria entender,
05:28porque a Europa ainda não divulgou a meta, né?
05:31Parece que estava previsto para acontecer hoje.
05:33A meta de redução também, a União Europeia demorou esse ano a fazer essa redução,
05:39tirou um pouco o pé depois que os Estados Unidos saíram ali do Acordo de Paris,
05:43e aí está tudo muito em aberto, né?
05:45Parece que poucos países vão conseguir atingir mesmo as metas, né?
05:49Sim, na realidade, isso é um dos pontos negativos que a gente vê enquanto humanidade
05:54ao longo das COPs, né? Porque, de fato, as reduções por países,
05:59elas não têm sido tão positivas para o planeta Terra, tão ambiciosas, né?
06:04Uma coisa é a meta, outra coisa é realmente atingi-la.
06:07E em relação aos países da Europa, a gente vê um comportamento também
06:11muito dividido entre eles.
06:14Então, tem países que, claro, tem mais ali ligação com a agenda ambiental,
06:19inclusive, né? Propõe ali, por exemplo, uma UDR, né?
06:24A lei anti-desmatamento da União Europeia.
06:26Então, isso é importante da gente ter uma leitura também.
06:28Eles estão impondo uma lei, né? Impondo a UDR, aí essa lei anti-desmatamento,
06:35mas cobrando de países como o Brasil, por exemplo,
06:39para que não tenha desmatamento, para que a gente tenha que, né?
06:42Prestar conta de todas as formas como o Brasil produz,
06:45mas eles, enquanto compradores, mal estão chegando nas metas estipuladas, né?
06:51Então, também é muito importante a COP30 ser esse lugar
06:54onde a gente sabe fazer essa leitura geopolítica climática,
06:58em que é muito fácil olhar para o próprio umbigo,
06:59mas na COP isso é consenso, né?
07:02Lembrando que as COPs, elas funcionam como consenso.
07:05Então, os países estarão lá, mas não é por voto.
07:08Se um país não concordar com algo, a discussão continua ali.
07:12Então, vamos entender quais consensos também a cúpula da COP30
07:18chegará em relação à agricultura, sistemas alimentares e as florestas.
07:23Às vezes o pós-COP vai ser mais importante do que a COP, né?
07:26O que vai sair dessa resolução.
07:28Obrigada, Mariana, então, pelas suas informações.
07:31Volte sempre aqui em tempo real com a gente.
07:34Vamos chamar os nossos comentaristas, então,
07:35para entrar também nessa conversa.
07:37Diego Tavares e Priscila Silveira.
07:39Diego, essa COP vai dar o que falar, hein?
07:43Qual sua análise aí das resoluções?
07:46O Brasil vai realmente entrar num protagonismo?
07:49Já está num protagonismo por ter uma COP como essa no nosso país?
07:53Poderia ter mais protagonismo, Marcia.
07:55Nós teremos uma COP, sim, mas essa tende a ser a COP mais esvaziada
07:59de todas as edições diante da infraestrutura precária que o Brasil ofereceu
08:04para um evento desse porte e também em razão, enfim,
08:08da própria natureza do debate ambiental aqui no país.
08:11Agora, sobre o agronegócio, Marcia, esses são aqueles momentos
08:14nos quais a gente pode verificar se o discurso sobre soberania,
08:19sobre orgulho de ser brasileiro, ele é um discurso robusto de fato
08:22ou se não passa de narrativa, porque permitir que o nosso agronegócio
08:27seja taxado como um agronegócio que não é sustentável,
08:30olha, na falta aqui de um termo melhor, é um completo absurdo.
08:34Nós temos um estudo do Mackenzie de 2024 que deu conta
08:36que o Brasil tem o agronegócio mais sustentável do mundo,
08:40considerando o volume da produção e a sustentabilidade empregada
08:44em todos os processos da agropecuária brasileira.
08:47Então, o Brasil não pode cogitar que o seu agronegócio
08:50seja taxado pelo restante do mundo como um agronegócio poluidor.
08:53Então, esse é o momento da gente reafirmar, de fato,
08:56a soberania brasileira e a importância do nosso agronegócio,
08:59que nos últimos anos carregou o PIB do nosso país nas costas.
09:02Se nós tivemos um resultado de 2,9% de crescimento
09:05comemorado pelo governo no ano anterior,
09:08isso se deve, em grande parte, à entrega de uma safra recorde
09:12pelo agronegócio do ano passado.
09:13Então, minha solidariedade ao nosso agronegócio,
09:16que é a joia da coroa da nossa economia,
09:17e mesmo assim tem que conviver com esse fogo amigo,
09:20essas críticas que partem de quem deveria defendê-lo.
09:23É, eu acho importante a gente saber, né, por exemplo,
09:26que só o setor da pecuária, ele é responsável, né,
09:29se o setor da pecuária do Brasil fosse um país,
09:32ele seria o sétimo no mundo mais poluente.
09:35Mas, como você falou, a gente também tem esse lado
09:38de que a gente acaba levando muito desse agro para fora.
09:41A economia americana, por exemplo, consome muito a carne brasileira.
09:45Então, realmente, a gente precisa achar esse equilíbrio
09:48entre continuar, sim, sendo um grande produtor da pecuária,
09:52exportador de carne, e também achar alternativas sustentáveis.
09:57Priscila, eu acho que esse é o grande desafio, né?
10:00Márcio, o agronegócio é o pilar da nossa economia,
10:02a gente, sem sombra de dúvidas,
10:04mas a grande crítica do Ministério do Meio Ambiente
10:07é justamente a forma como se faz se chegar a esse pilar,
10:11tendo em vista que não se pode, inegavelmente,
10:13para poder chegar a ter um agronegócio como sendo um pilar,
10:18desmatar de forma ilegal, que eu acho que essa é a crítica, né?
10:21Então, como você bem coloca, qual que é o parâmetro de equilíbrio
10:25para que se tenha ou se mantenha essa necessidade
10:29da gente ter como um pilar o agronegócio,
10:31que é necessário, ele mexe com o país
10:33e tudo está ligado à atividade desenvolvida pelo agropecuário, enfim,
10:38mas também pela mantença ali das questões das vegetações nativas, né?
10:43Que é a grande preocupação.
10:44Então, essas questões dos gases aí que são, na verdade, trazidos
10:49são porque não são preservados.
10:51Então, claro que tem que ter esse equilíbrio
10:53e a gente não pode colocar como centro do agronegócio
10:56desfazendo, evidentemente, essas pautas da natureza.
10:59E aqui, antes que se diga, é bom a gente entender que
11:02precisamos fazer de maneira que não chegue até nós,
11:06porque quando eu violo ali uma questão de gás natural, enfim,
11:10acaba atingindo a coletividade.
11:12É essa a crítica que o meio ambiente faz.
11:14Sem aqui deixar de dizer que não deixa de ser,
11:18como sempre, uma pauta eleitoreira.
11:20E isso que nos preocupa, né?
11:22Então, como o Diego aqui bem colocou,
11:23será que há interesse de fato em afastar até 2050
11:27dentro do Acordo de Paris, né?
11:29Essas questões ligadas aí a afastamento dessa pauta
11:32ou se é só para poder colocar o Brasil no centro da discussão,
11:36já que ele está sediando essa COP,
11:37que é importante, sim, para o mundo inteiro.
11:39Inclusive, Priscila, enquanto você falava, eu lembrei aqui.
11:42Ibama acabou de liberar a exploração de petróleo
11:45na Foz do Rio Amazonas, no meio de uma COP 30, né?
11:51Então, a gente tem essas dicotomias aqui no nosso país, infelizmente.
11:55Obrigada, então, pelas análises.
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