00:00Agora eu quero trazer um fato terrível, terrível.
00:04O Beraldo, inclusive, chegou a mencionar os nossos comentaristas.
00:08Uma jovem de 20 anos morreu após ser baleada na cabeça
00:12durante um assalto na noite do último sábado
00:14no bairro de Sapopemba, que fica na Zona Leste de São Paulo.
00:19Segundo informações do boletim de ocorrência,
00:21Beatriz Munhoz, o pai e o namorado foram ao local
00:25para vender um drone para um suposto comprador
00:28quando dois assaltantes, em uma moto sem placa,
00:32anunciaram o roubo.
00:34Durante a ação, a jovem tentou utilizar spray de pimenta
00:37contra os criminosos que reagiram e atiraram.
00:41Nas redes sociais, o pai de Beatriz lamentou a morte da filha
00:45e fez um apelo às autoridades,
00:48afirmando que esse tipo de crime não pode acontecer com ninguém
00:51e pedindo que o governo tire as armas das mãos dos criminosos.
00:56Há pouco, a polícia prendeu um dos bandidos envolvidos neste assalto.
01:01Segundo a delegacia responsável pela investigação,
01:04a jovem foi vítima de uma emboscada.
01:07As pessoas que nos acompanham por imagens
01:09podem observar toda a ação
01:12e o momento em que ela corre atrás de um dos bandidos
01:15e joga o spray de pimenta,
01:17só que, naturalmente, o rapaz estava com o capacete
01:21e aí o efeito do gás de pimenta não o atingiu.
01:25E aí as imagens muito fortes que mostram o momento
01:28em que um dos bandidos atira na cabeça da jovem.
01:32Os três saíram de Sorocaba
01:34para efetuar essa venda
01:35e a tentativa de negociação aconteceria em Sapopemba
01:41quando os três foram abordados por esses dois bandidos.
01:44Mota é um caso muito emblemático, muito forte.
01:49Eu acompanhei, inclusive, as manifestações das pessoas
01:51nas redes sociais indignadas com esse caso de latrocínio.
01:56Mais um caso de latrocínio aqui na capital paulista
02:00e, claro, toda a nossa solidariedade, os nossos sentimentos,
02:04a família dessa jovem Beatriz Munhoz.
02:06Infelizmente, essa é a rotina no Brasil, Canhato.
02:11São mais de 100 pessoas assassinadas todos os dias no Brasil.
02:17Ontem foi essa jovem em São Paulo,
02:20anteontem foi uma jovem no Rio de Janeiro.
02:24Qual será o destino desses assassinos
02:27quando eles forem presos?
02:29O Estado vai gastar muito dinheiro
02:32para investigar, processar, condenar esses criminosos
02:36em pouco tempo eles estarão de volta às ruas.
02:41O exemplo que eu sempre dou
02:43é o dos assassinos de Tim Lopes.
02:46Tim Lopes foi um jornalista que foi sequestrado,
02:50levado por uma comunidade no Rio de Janeiro.
02:53Ele foi torturado, teve os olhos queimados com cigarro.
02:57Depois teve uma espada ultrapassada no corpo
03:01enquanto ele ainda estava vivo.
03:03Foi morto.
03:04Seu corpo foi queimado no forno de micro-ondas,
03:08naqueles pneus.
03:10Um dos assassinos, cinco anos depois do crime,
03:13progrediu para o regime semiaberto e fugiu.
03:16O outro, dois anos depois, fez a mesma coisa.
03:21Progrediu para o regime semiaberto e fugiu.
03:25Essa situação é rotina no sistema de justiça criminal brasileiro.
03:30Você, Dávila, um episódio terrível,
03:34que inclusive ganhou as páginas dos sites, portais de notícias e dos jornais.
03:40Jovem assassinada, ela estava ao lado do pai, do namorado,
03:43na tentativa de vender um drone,
03:46possivelmente foi vítima de uma emboscada,
03:48de um golpe que culminou no assassinato dela, Dávila.
03:52Só gera indignação, revolta e desesperança
03:59num país onde a lei parece não valer para bandidos.
04:04Porque a ousadia desses criminosos é fruto de um país
04:09onde reina a impunidade,
04:11onde bandidos saem em audiência de custódia
04:15ou ficam pouco tempo presos.
04:18Por isso, ou tratamos seriamente
04:21a questão da segurança pública
04:23e o combate ao crime organizado,
04:26ou o Brasil vai se tornar cada vez mais refém de criminosos.
04:31Você, Cristiano Beraldo,
04:33um episódio que inclusive você mencionou no início do programa
04:37é que tem gerado muita revolta das pessoas,
04:42principalmente nas redes sociais.
04:43Pude acompanhar isso hoje mais cedo.
04:47Neto, Beatriz estava ali trabalhando com seu pai,
04:51tentando ganhar um dinheiro, vendendo o drone,
04:55e percebeu o que estava acontecendo
04:58quando seu pai, não sei se seu irmão ou seu namorado,
05:01estavam ali do lado de fora do carro
05:02e foram abordados por esses dois marginais.
05:07Ao se aproximar do carro,
05:10na companhia de um desses marginais,
05:14a Beatriz estava dentro do carro e resolveu reagir.
05:18Algo que a gente não deve fazer.
05:21Então, os especialistas,
05:24especialistas de verdade,
05:26as pessoas da polícia, não reagem.
05:28Porque realmente você expõe a sua vida
05:30a um risco muito alto,
05:32sobretudo porque boa parte das pessoas
05:34que estão cometendo esse tipo de crime,
05:35com uma arma na mão,
05:37estão sob efeito de drogas,
05:38elas não respondem de forma consciente
05:41sobre seus atos,
05:42e você tem muito mais a perder do que elas.
05:46Só que ela estava ali com o spray de pimenta,
05:48ou seja, ela já estava preparada
05:49para essa violência,
05:50ou ela achava que ela estava preparada
05:52para essa violência.
05:54Se eu não me engano,
05:55o spray de pimenta,
05:55se ela fosse parada pela polícia,
05:58o spray de pimenta causaria problema para ela.
06:00Se eu não me engano,
06:01andar com o spray de pimenta
06:02é proibido no Brasil.
06:04Mas ela estava ali tentando se defender,
06:06porque ela não tinha confiança
06:09de que podia andar pelas ruas
06:11de forma segura.
06:14Se ela estivesse com uma arma,
06:16ela talvez tivesse dado um tiro
06:18na cara desse marginal,
06:20desse criminoso,
06:21e o outro, covarde,
06:23teria saído correndo.
06:25O morto ali seria o bandido,
06:27o criminoso.
06:27Não escorreria uma lágrima,
06:30não escorreria nenhum tipo de sentimento
06:33em relação a esse que sai
06:35com uma arma na mão
06:37para fazer mal aos outros
06:39nas ruas da cidade de São Paulo.
06:42Mas, infelizmente,
06:43dessa vez não foi isso que aconteceu.
06:46Se houvesse porte de arma,
06:49se não tivessem demonizado
06:51o porte de arma no Brasil,
06:54como o atual governo fez,
06:56quem sabe esses bandidos
06:59teriam um pouco mais de preocupação.
07:04Saberiam que nessa loteria do crime
07:06talvez encontrassem naquela família
07:09alguém armado
07:10que pudesse reagir contra eles.
07:13E aí eles pensariam duas vezes,
07:14mas não.
07:16Eles estão cada vez mais à vontade,
07:18eles estão cada vez mais absolutos
07:21do controle do que acontece
07:23nas ruas de cidades como São Paulo.
07:26Mataram ontem,
07:28matarão hoje,
07:30matarão amanhã.
07:32Se eles não matarem,
07:33porque serão presos,
07:34eu tenho certeza
07:35que o secretário De Rite
07:37e o delegado-geral Arthur Dian
07:39estão na cola desses marginais,
07:43outros matarão.
07:43E aí a pergunta que fica,
07:47até quando viveremos esta dinâmica
07:51de uma mulher,
07:53uma jovem como Beatriz,
07:55que sai às ruas
07:55tentando ganhar
07:57seu dinheiro de forma honesta,
08:00é confrontada com um marginal,
08:02com uma arma
08:03que puxa o gatilho
08:04na direção da sua cabeça.
08:06Até quando perderemos
08:08Beatrizes diariamente
08:10nessa dinâmica
08:12absurda do crime.
08:15Curioso o Beraldo
08:16mencionar isso,
08:17porque várias,
08:17várias, várias pessoas
08:18da nossa audiência
08:19trouxeram essa percepção.
08:22Ah, se ela estivesse armada,
08:24o resultado poderia ser outro.
08:26Se ela não estivesse
08:27com spray de pimenta,
08:28estivesse com uma arma de fogo,
08:30provavelmente o desfecho
08:31seria outro.
08:33Não digo que essa
08:33seja a solução
08:35para todos os problemas,
08:37né, Mota?
08:37A gente poderia elencar
08:38uma série de coisas
08:39que muitos passam,
08:41inclusive,
08:42pela legislação,
08:43pela mudança
08:44da nossa legislação.
08:47Mas sempre quando a gente
08:49discute esse tipo de coisa,
08:51a questão que envolve
08:52posse e porte de armas
08:54vem na percepção
08:56da população,
08:57pelo menos de parte
08:58da população.
09:00Aquela história, né?
09:01Bom, desarmaram
09:02a população de bem,
09:03mas os bandidos
09:04continuam armados.
09:05É sempre importante
09:06a gente lembrar isso,
09:07né, Mota?
09:09Não há dúvida nenhuma,
09:10Caniato.
09:11Um sujeito que
09:12está na garupa
09:14de uma moto
09:14e aborda
09:16uma pessoa
09:17numa rua
09:18de uma cidade brasileira,
09:20ele sabe
09:20que tem
09:2199,99%
09:23de chance
09:24daquela pessoa
09:26estar desarmada.
09:27Então,
09:27ele vai
09:28com a tranquilidade.
09:30A gente já teve
09:31episódio aqui
09:32no Rio de Janeiro
09:33de um restaurante
09:34na Barra da Tijuca,
09:36um sábado à noite,
09:38restaurante lotado,
09:40mais de 100 pessoas
09:41e dois criminosos,
09:43um deles armado,
09:44assaltaram o restaurante
09:45inteiro,
09:46na maior tranquilidade,
09:48com a certeza
09:49de que a probabilidade
09:51de haver qualquer tipo
09:52de reação efetiva
09:53é muito pequena.
09:55Eu só queria
09:56chamar a atenção
09:57porque esse caso
09:58me lembra
09:59um caso famoso
10:01nos Estados Unidos.
10:02Quase idêntico
10:04que aconteceu
10:05na Califórnia.
10:06Uma menina
10:07que estava
10:08na faculdade
10:09e voltou
10:10para passar
10:11um feriado
10:11com os pais,
10:13estava de noite
10:14com os amigos
10:15e tentaram
10:16assaltar ela,
10:18puxar a bolsa dela,
10:19ela esboçou
10:20uma reação
10:21e ela foi morta
10:23a tiros.
10:24E o seu pai,
10:26em resposta
10:27a esse crime brutal,
10:29fez uma campanha
10:30pelo endurecimento
10:31da lei da Califórnia
10:32e foi criada
10:34naquela época
10:35uma lei
10:36dos três crimes
10:38na Califórnia,
10:39a lei
10:40do Three Strikes.
10:42No terceiro crime
10:43violento
10:44cometido
10:45por um criminoso,
10:46a pena era
10:47no mínimo
10:48de 25 anos
10:49até prisão
10:51perpétua.
10:53Isso jamais
10:53poderia acontecer
10:54aqui no Brasil
10:55porque a legislação
10:56no Brasil
10:57é federal.
10:57então para fazer
10:59qualquer mudança
11:00na lei
11:01é preciso um poder
11:03imenso
11:04de lobby
11:04e ninguém
11:06consegue enfrentar
11:07o lobby
11:08pró-bandido
11:09no Brasil
11:10que é movido
11:11principalmente
11:12por aquelas ONGs
11:13que a gente já
11:14comenta aqui sempre,
11:15um ecossistema
11:17de entidades
11:18que bloqueia
11:19qualquer tentativa
11:21de dar
11:22uma resposta
11:23efetiva
11:24para mais
11:25um crime
11:26como esse
11:26brutal,
11:28sem sentido
11:29e evitável.
11:31Para fechar você,
11:32Dávila,
11:32inclusive na pesquisa
11:34que nós trouxemos
11:34há pouco
11:35tem essa indicação,
11:36grande parte
11:37da população
11:38defende
11:39a autonomia
11:40dos estados
11:40para que
11:41a formatação
11:43da legislação
11:44seja tratada
11:45em relação
11:46às necessidades
11:47daquela localidade.
11:49Claro que o caminho
11:50é longo,
11:50mas você defende
11:51algo mais parecido,
11:52mais próximo
11:53a maneira como
11:54os Estados Unidos
11:55se organizam,
11:55Dávila,
11:56para fechar.
11:57Sim,
11:58com certeza,
11:59nós precisamos
12:00descentralizar
12:01o poder.
12:02Cada estado
12:03vive em realidade
12:04distinta.
12:05A lei tem que ser
12:06feita de acordo
12:07com a realidade
12:08de cada estado.
12:09Isso é o que faz
12:11com que o federalismo
12:12seja um laboratório
12:14extraordinário
12:15para se testar
12:16políticas públicas.
12:18E aí,
12:18quando dá certo,
12:19ela é replicada
12:20em demais estados.
12:22Quando dá errado,
12:22o efeito
12:23se torna
12:24local
12:25e não nacional.
12:27Agora,
12:28o Brasil
12:28com essa mania
12:29de centralização
12:30de políticas públicas,
12:32tomando decisões
12:33nacionais,
12:34com realidades
12:35tão distintas
12:37nos estados,
12:38só faz
12:39com que
12:39o número
12:40de legislações
12:41fracassadas
12:42e políticas públicas
12:43que não funcionam
12:44sempre é muito maior
12:45daquelas que dão certo.
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