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  • há 1 ano

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Transcrição
00:00Exatamente. Esse caso aconteceu aqui na ilha de Itamaracá, onde nós estamos agora, por volta das 7 horas da noite de ontem.
00:07A gente está na rua onde esse crime aconteceu, uma rua conhecida como Poço do Cobre, que fica numa localidade conhecida como Alto da Felicidade.
00:16Essa família morava bem próximo daqui, num outro alto, Alto da Bela Vista.
00:21E essa família, formada por quatro pessoas, um padrasto, a mãe, um adolescente de 13 anos e uma menina de 12 anos, eles seguiam num táxi, um veículo Siena Azul, que era dirigido por um motorista.
00:36Seguiam, então, para um outro bairro, Forno da Cal, onde fica a igreja evangélica da qual eles fazem parte.
00:43Pois bem, a família seguia por aquele ponto ali, onde o cinegrafista Wagner Barbosa está mostrando nesse momento.
00:52Foi aí que havia na pista, impedindo a passagem do veículo, de acordo com a ocorrência policial, um tronco de árvore amarrado com arame farpado.
01:01O motorista, o taxista, ele desconfiou que aquilo ali pudesse ter sido colocado realmente de propósito, para que o veículo diminuísse, né?
01:09E aí pudesse acontecer um assalto ou qualquer outro crime.
01:13Esse motorista, assustado, ele resolveu, então, acelerar o veículo para passar por cima desse tronco.
01:20E foi aí que os disparos começaram.
01:22De acordo com os moradores aqui dessa localidade, foram muitos disparos.
01:28Como a gente pode ver, é uma rua bastante tranquila.
01:31Os moradores preferem ficar no interior das casas aí, mas eles ouviram ontem vários disparos.
01:38A gente vai ouvir agora a entrevista que a gente conseguiu fazer com o morador daqui da localidade, onde nós conseguimos encontrá-lo aqui na rua.
01:48E ele topou gravar entrevista sem ser identificado.
01:52Vamos acompanhar.
01:53Moça, é o seguinte, eu estava, era a base de umas sete horas, eu estava ali, aqui na frente, conversando.
02:02Aí, daqui a pouco, o que eu vi foi os tiros.
02:05Foi tiro, muito tiro.
02:07Aí, o que foi que aconteceu?
02:08Aconteceu que quando eu vi os tiros, aí peguei e corri para dentro de casa.
02:12Aí fiquei dentro de casa, também não vi mais nada.
02:15O que eu vi foi a depois, a polícia passou, o helicóptero ficou rodando por aqui.
02:23O que eu vi foi isso.
02:24Aí, disseram assim, mas mataram ali o casal, não sei o que.
02:29Eu digo, mas já agora de manhã, né?
02:32Sim.
02:33O que aconteceu foi isso, que nunca aconteceu isso aqui, não.
02:38A primeira vez que aconteceu foi isso aqui.
02:40E o resto, eu não vi mais nada.
02:42Aí, já vim saber alguma coisa, agora pela manhã.
02:47O senhor conhecia as vítimas?
02:48Não conhecia, não.
02:49Mas ia, frequentava a igreja.
02:52Mas já tinha visto, pelo menos, eles de vista por aqui?
02:55Não, ninguém não.
02:57Se ele passava, eu não prestava bem, porque passa muita gente, né?
03:03Os irmãos, aí passava no carro, eu não conheço quem é.
03:07Mas era tudo de família, tudo crente, veio para a igreja aí, ele, a mulher, o menino, tudinho.
03:15O que aconteceu foi isso.
03:16E eles estavam num táxi?
03:18Num táxi.
03:19Aí, lá embaixo, disseram que tinha um bocado de galho no mato.
03:23Eu acho que, na hora que ele foi descer, aconteceu esse negócio aí.
03:29Correram, né?
03:30Aí, o que aconteceu foi bala.
03:32E aqui fica muito escuro à noite?
03:35Não, fica não, porque aqui tem iluminação aqui, à noite.
03:39Mas a polícia, todo dia, passa por aqui.
03:42Todo dia, de manhã, de tarde, à noite.
03:45Então, aqui é tranquilo?
03:46É, tranquilo.
03:47Aqui, graças a Deus, é.
03:48O que tá acontecendo agora, né?
03:50Sim.
03:50Mas isso nunca aconteceu, isso não.
03:52E assustou demais todos vocês aqui?
03:54Tudo.
03:55Aí, até a noite, das seis horas, a gente tem que fechar a porta, porque a gente não sabe.
04:00Não é dever.
04:02É alguma...
04:03A polícia, alguma pessoa, a gente vem aí, mete bala aí, pega na pessoa, né?
04:09É.
04:09Bala perdida, e a gente tem que evitar isso.
04:12O carro, o táxi, um veículo Siena Azul, ficou completamente crivado de balas.
04:19E das cinco pessoas que estavam dentro deste veículo, três ficaram feridas.
04:25Três foram atingidas pelos tiros.
04:27O José Leandro Ramos da Silva, de 13 anos, foi atingido com um tiro na cabeça.
04:36O padrasto dele, Jackson Veríssimo da Silva, de 43 anos, foi atingido por cinco tiros.
04:43Quatro nas costas e um na perna.
04:46E a mãe desse jovem, a Josiane Adriele Nascimento Veríssimo, de 29 anos, foi atingida por dois tiros.
04:54Um do lado direito do peito e um também na perna.
04:59Eles foram socorridos primeiro para um hospital daqui da ilha de Itamaracá, o hospital Alzira Figueiredo.
05:06Mas aí, quando chegou lá, a família recebeu a notícia de que o jovem, o adolescente, não tinha resistido aos ferimentos.
05:15A mãe dele, a Josiane, e também o Jackson foram transferidos para o hospital Miguel Arraes, onde eles seguem internados.
05:22O que a gente sabe até agora dessa família?
05:26O Jackson, ele é garçom, tem 43 anos, e a Josiane tem 29 anos e trabalha como técnica de enfermagem.
05:35Esse casal estava junto, está junto há 11 anos, e ele praticamente criou os dois filhos dela.
05:42A menina de 12 e o menino de 13 anos.
05:44Tanto que as crianças chamam, consideram ele como pai verdadeiro.
05:49E é uma família evangélica que mora aqui na ilha de Itamaracá, no alto da Bela Vista, há muitos anos.
05:55Foi nascida e criada aqui nessa região.
05:59Então, quando esse crime aconteceu, chocou demais os moradores daqui, principalmente a família.
06:06A gente conseguiu entrevistar o irmão da Josiane, o José Lucas do Nascimento,
06:11E ele contou para a nossa equipe que a família toda envolvida na igreja, há muitos anos, inclusive o Jackson é presbítero da Igreja Assembleia de Deus.
06:21Essa que nós estamos mostrando também nessa reportagem, era para essa igreja que a família seguia ontem, quando isso tudo aconteceu.
06:29A gente vai então acompanhar a entrevista com o José Lucas, que é tio do rapaz, do menino, do adolescente que faleceu, irmão da Josiane.
06:38Foi surpreendido com essa notícia, né, trágica.
06:43Meu sobrinho de 13 anos de idade, era chamado de pastorzinho, né, um menino que não tinha o que falar dele, né.
06:53Um sonhador, um menino que sempre ajudou a mãe dele.
06:58Às vezes ia para lá, para o bar, ajudava a gente lá, comprou um celular para a mãe dele.
07:04Você vê uma criança com 13 anos de idade, né, esforçada, e tiraram a vida do meu sobrinho.
07:14Vocês conseguem entender o que aconteceu de fato?
07:17Será que erraram aquele carro?
07:20Ou era uma tentativa de assalto?
07:22Está suspeitando de uma tentativa de latrocínio, né.
07:28A gente também não pode dizer assim, porque a gente não sabe, né, o que foi de fato.
07:34Porque, assim, eles são tudo evangélico.
07:37Nasci de criado na igreja.
07:38Não é que evangélico não tenha, né, coisa errada.
07:42Mas, assim, a gente sabe da índole dos nossos familiares.
07:44E eles não tinham envolvimento com nada, ele é presbítero, um cara esforçado, tanto na palavra, tanto na criação dos filhos.
07:53Trabalha como garçom.
07:55Trabalha como garçom.
07:57A minha irmã, ela é técnica de enfermagem.
08:00Se formou agora há pouco, tirou as fotos no mês passado.
08:04O que é aquele bairro onde aconteceu, aquela localidade?
08:07Eles já moravam ali há algum tempo?
08:09Eram benquistos?
08:10Minha irmã ganhou esse terreno da minha mãe, né, começou a construir, passaram o tempo lá, devido a casa estar pela metade.
08:18E aí eles decidiram vir pra cá e reformar lá pra dar um conforto maior.
08:24Só que depois dos furtos que estavam acontecendo na casa dela, aí ela teve que voltar, fechar a porta, né, e o pessoal vê que tinha gente lá.
08:35Já pra evitar, né, porque assim, a gente se esforça tanto pra ter algo e chegar assim alguém e levar, né.
08:40E ela não esperava que isso seria uma fatalidade, uma decisão que ia levar uma fatalidade pra todos nós, né.
08:49E depois, então, que começaram a acontecer esses furtos dos materiais de construção, a família decidiu voltar pra casa que tava em obras ainda?
08:57Sim, sim.
08:59Aí elas voltaram, inclusive ontem fizeram até o restante da mudança.
09:03Não deu tempo nem de passar uma semana, né, no local.
09:06Vocês acham que tem, pode ter alguma relação com o crime?
09:10Não, acredito que não, né, só se for da parte dos indivíduos, porque a gente também não sabe, né, dizer o que foi que pegou a gente tudo de surpresa, porque assim, a família da gente tudo é evangélico, né.
09:24E eles estavam num táxi, né, esse taxista, ele não foi atingido por nenhum tiro?
09:28Não, nem o taxista, nem minha sobrinha de 12 anos.
09:32Ah, que também tava no carro.
09:33Tava no carro.
09:34Entendi.

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