00:00O álcool é um dos tipos de compostos orgânicos que a gente conhece na natureza
00:07e ou produzido pelo homem através da sua inteligência dotada por Deus.
00:12Então nós temos dois grandes grupos de componentes, a matéria inorgânica que são os minerais
00:18encontrados na natureza, como o sal, outros metais, o ouro, a prata, o chumbo, o cobre, o mercúrio
00:28são componentes inorgânicos e nós temos componentes orgânicos que são derivados de matéria viva,
00:34matéria viva em decomposição. Nós temos aí os petróleo, o petróleo, nós temos o próprio álcool
00:40que é derivado de um carboidrato na fermentação alcoólica do carboidrato.
00:47E no caso específico, o metanol, ele diverge a princípio já pela sua formulação.
00:53A formulação orgânica dele é baseada apenas em um átomo de carbono com três hidrogênios
01:00e uma molécula de hidroxila que configura a eles o nome de álcool.
01:05E enquanto que o etanol, nós temos duas moléculas de carbono.
01:10Outro ponto interessante é a formação, como é que eu consigo originar esse álcool?
01:16O metanol, lá num passado bem remoto, se utilizava a madeira, a madeira num processo semelhante
01:25àquele de formação do carvão mineral, o carvão que a gente conhece e usa na churrasqueira.
01:31Então era utilizado em altas temperaturas e sobre a inexistência de oxigênio, num processo
01:39chamado de pirolis, o produto obtido dessa formação era justamente o metanol, era chamado
01:48o metanol da madeira, o álcool da madeira.
01:51Hoje não.
01:52Hoje o metanol que circula, o metanol que a gente tem em alta escala é produzido a partir
01:58do componente do petróleo, em cima dos postos de petróleo que traz um gás, o gás natural
02:06e num processo de destilação desse gás, um dos componentes extraídos é o próprio
02:11metanol.
02:13Então esse metanol é utilizado a princípio e a finalidade maior dele é como solvente
02:18orgânico na indústria química, na indústria petroquímica, né?
02:21Ele é também utilizado no automobilismo de alto rendimento, naquela fórmula índia da
02:27minha época, hoje eu não consigo mais acompanhar, mas a fórmula índia era uma, existia carros
02:34em altíssimas velocidades, em circuito oval, pistas apropriadas para o carro atingir o
02:40máximo de velocidade possível e o combustível que era utilizado como aditivo era o metanol
02:46justamente pela sua característica de explosão, de volatilidade.
02:51Conversava com o Priscila aqui há pouco e o metanol tem características que divergem totalmente
02:57do etanol.
02:57A princípio, para você ter uma ideia, quem está em casa nos ouvindo, o metanol, ele
03:03quando produz o fogo, quando ele entra em combustão, a chama dele não tem cor, como acontece
03:10com o álcool, como acontece com a gasolina, como acontece com o petróleo, como acontece
03:13com o gás de cozinha que tem uma chama colorida, amarela, esverdeada, azul, enfim, ele não
03:19tem cor, a chama desse álcool.
03:22Então você pode estar se queimando com o álcool apenas sentindo o calor, né, que
03:27vai causar a queimadura, isso é importante estar vendo onde é que aquele fogo está acontecendo.
03:32É uma chama invisível.
03:33Uma chama invisível.
03:34Extremamente perigoso.
03:35Extremamente perigoso para quem está com essa ideia, que eu não chamo nem de ideia,
03:41mas com essa intenção, se é assim que está acontecendo da fora, no Brasil, de adulterar
03:46a bebida alcoólica pelo simples fato de que o metanol, por ser mais barato, eles estariam
03:52adquirindo o metanol para acrescentar isso em compostos, em bebidas alcoólicas, principalmente
03:59destiladas, com o intuito de aumentar o que?
04:02A capacidade alcoólica da bebida, ou seja, o TO alcoólico da bebida com custo mais barato.
04:08Então adulterando, pegando litros de bebidas famosas, bebidas mais refinadas, caras, quando
04:15produzida e quando sim produzida por empresas idôneas e vendida por lojas do ramo idôneas
04:25e com notas fiscais e com acompanhamento de toda uma rede que há por trás de vigilância
04:30sanitária, de ministério da agricultura, porque tudo isso tem que ter selo, selo de
04:36qualidade.
04:37Então assim, eles conseguem adulterar tudo com o intuito de vender uma bebida cara, por
04:42ém uma bebida batizada, ou seja, uma bebida que não é pura.
04:45Então Bruno, o que pode estar acontecendo no nosso país, nesse caso das bebidas adulteradas
04:51é isso, esse metanol pode estar sendo utilizado, esse metanol que é utilizado como solvente,
04:58como, enfim, para outras coisas que não sejam de ingestão, sendo colocado dentro dessas
05:02bebidas.
05:03Essa é a maior probabilidade.
05:05Essa é a maior probabilidade.
05:06Existiria uma probabilidade, menina, porque o processo de geração do etanol, ou seja,
05:13a fermentação alcoólica que dá origem ao etanol, o etanol que a gente conhece, que
05:17está na bebida alcoólica, que está no combustível que a gente utiliza no carro, aquele álcool
05:22que a gente utiliza em casa para fazer a sepsia das superfícies, das mãos, tão utilizado
05:29na época da pandemia, tem uma formação a partir de um processo de fermentação alcoólica
05:36que acontece de forma ordenada, coordenada e acompanhada por profissionais da área, da
05:41área da química, da química industrial, da engenharia química, nas destilarias, né?
05:48Nas cachaçarias, eu tive o prazer de visitar em areia uma das grandes fábricas de cachaça
05:54da nossa Paraíba, né?
05:56Paraíba que tem tão bem conceituada, mundo afora, vários produtos da cana, né?
06:02A cachaça nossa.
06:04Então, assim, é um processo acompanhado, é um processo de destilação acompanhada,
06:08porque no primeiro momento, após a fermentação, aquela bebida gerada tem uma quantidade mínima
06:15de metanol.
06:16Não chega ao produto final porque passa por um processo de destilação, que é um aquecimento
06:21daquele mostro, daquele produto obtido da fermentação da cana-de-açúcar, né?
06:28Então, ele passa pela destilação.
06:29Então, como o metanol tem um tempo de ebulição diferente do metanol, diferente da do etanol,
06:36então há uma separação de mistura líquida, baseada no ponto de ebulição.
06:41Então, se retira dessa mistura a princípio que teria uma quantidade mínima, mas teria
06:47o metanol.
06:48Por quê?
06:49Porque ele não é benéfico ao ser humano, ele não deve ser ingerido, ele não pode
06:52ser ingerido.
06:53Para se ter uma ideia, quem está em casa, basta apenas 10 ml, ou seja, quase nada, para
06:59já ter um potencial de causar cegueira no ser humano.
07:02E seria fatal para o ser humano a ingestão de 100 ml dele puro, ou seja, metade de um
07:09copo americano, como se diz popularmente aqui na nossa região, uma lapada de cachaça,
07:15seria, se for de metanol, suficiente para matar o ser humano.
07:19Aí eu já lhe pergunto, quais são os efeitos do metanol para além da cegueira?
07:24E a morte, né?
07:25O metanol, quando ingerido, de forma acidental, se espera, porque se do contrário for, se for
07:31uma coisa do conhecimento do ser humano, ele está tentando causar um suicídio, né?
07:37Mas de forma acidental ele é ingerido, é absorvido, nosso sistema digestivo.
07:44Ao chegar no nosso sistema circulatório, ele passa pelo fígado, necessariamente.
07:50Nós temos no fígado uma enzima chamada álcool desidrogenase, ela vai se ligar a esse
07:56metanol, vai desdobrar o metanol e o produto que vai surgir a partir desse processo é chamado
08:04de formar aldeído, que já é tóxico, que sofre uma outra transformação pela enzima
08:11chamada aldeído desidrogenase e formará um ácido chamado ácido fórmico.
08:16Esse ácido fórmico é extremamente tóxico ao ser humano, então ele causa uma toxicidade
08:23e pela sua capacidade que tem, ele vai causar principalmente danos no sistema nervoso central
08:29e aí nosso nervo óptico está na cabeça, está na região logo por trás aqui dos olhos,
08:36então ele é afetado a princípio e também um dano sistêmico nos demais órgãos do organismo.
08:43Então, é muito comum uma pessoa que tem uma intoxicação por metanol precisar fazer
08:48hemodiálise, até para tentar tirar através de hemodiálise esse excesso de metanol que
08:54está circulando e que causou a produção desse ácido fórmico, que na verdade é o grande
09:00vilão do metanol.
09:02É o produto da sua degradação do fígado, que chama-se de ácido fórmico, que é o que
09:07causa toda essa celema, todo esse problema.
09:10E Bruno, tem algum exame que a gente consiga fazer que possa identificar essa intoxicação
09:17por metanol?
09:18Existem os exames da área da toxicologia, a toxicologia é um ramo da nossa área de
09:22análises clínicas que se debruça sobre justamente produtos e componentes que causam efeitos tóxicos
09:29no ser humano e aí vai venenos, aí vai solventes orgânicos, como é o caso próprio do metanol,
09:35o próprio etanol. Aquele teste que é feito do bafômetro não deixa de ser uma forma
09:43mais rápida, mais eficiente e mais direta de um teste toxicológico. Quando as pessoas
09:49não desejam fazer por vontade própria, é feito muitas vezes por ordem judicial a retirada
09:56de parte do sangue para testar se há no no sangue do ser humano. Mas no caso do metanol
10:01em si, como ele é bastante agressivo, às vezes não dá tempo nem de se fazer o exame,
10:08então se parte logo para uma terapia baseada nos nos efeitos clínicos que o médico observa
10:14no paciente ao chegar e dar entrada num pronto-socorro médico. Então, é o próprio etanol, mas não
10:21o etanol que a gente encontra corriqueiramente. É o etanol farmacêutico que vocês viram
10:26na imprensa nacional. É uma escolha. Muito embora, de primeira escolha e de melhor forma
10:33para tratar, é o fomepisol, uma droga que não existe aqui no nosso Brasil porque não
10:39tem resisto, mas o Brasil já conseguiu importar. Há dois dias atrás chegou uma grande quantidade
10:44e está sendo distribuída principalmente para a localidade onde existe e a possibilidade
10:49doar a investigação de pessoas que foram contaminadas. Por quê? Porque ele é considerado
10:53um antídoto. Por que ele é um antídoto? Porque ele vai lá no fígado ao ser administrado
10:58num paciente que está sob suspeita de intoxicação por metanol. Esse antídoto chamado fomepisol
11:05fomepisol é uma droga. Ela vai se ligar a essa enzima que está lá no fígado do álcool,
11:13desidrogenase e vai fazer uma ligação estável e impedir que essa enzima encontre o metanol
11:21e metabolize o metanol para formar o ácido fórmico. Então, essa seria a escolha.
11:27Em não tendo, utiliza-se o álcool de forma, o etanol farmacêutico, de forma controlada
11:33e responsável, é claro, no tratamento do paciente. Por quê? Porque ele vai ter uma afinidade,
11:39como ele é um álcool e ele vai ter que ser metabolizado pelo fígado,
11:42nosso organismo reconhece o álcool como algo tóxico. A bebida alcoólica,
11:47a bebida socialmente alcoólica, ela é milenar a utilização dela, né?
11:52Remonta do início da civilização humana. Porém, ela é tóxica.
11:57Então, o álcool, quando chega no organismo, o fígado trata logo de trazer ele para o fígado
12:02e fazer a sua metabolização. Por quê? Para evitar a toxicidade própria do álcool.
12:07Então, nosso organismo lança a mão de toda uma estratégia para nos proteger.
12:12E no processo da degradação do álcool, da metabolização do fígado,
12:19diferentemente do metanol, a mesma enzima que vai fazer a primeira transformação,
12:26que é a álcool desidrogenase, no caso do etanol, que é o correto e é o comum na bebida alcoólica,
12:32vai ser transformado no acetato como produto final.
12:38E esse acetato não é tóxico como é o ácido fórmico.
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